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terça-feira, 5 de maio de 2015

Café Filosófico : Hamlet, o anti-facebook e algumas reflexões sobre todos nós.


"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim?" - Hamlet


Tomar consciência de si e do próprio lugar no mundo, do vazio que tomou conta da nossa existência, não é tarefa simples e, certamente, gera grande parte da angústia que temos e as fugas que usamos para não lidarmos com essa questão. Tão antiga, que perturba desde Platão (e é, certamente, anterior à ele), o conheça-te a ti mesmo no desafia a olhar por detrás das nossas máscaras independentemente da dor que isso causa e, além disso, nos convida a empregarmos esse auto-conhecimento em atitudes condizentes com a realidade na qual queremos existir.

Num mundo de facebook, época de informação tão veloz, a dificuldade de significar as experiências e a falta de capacidade (muitas vezes medo) de mergulhar em si mesmo e se assumir como se é e não como dizem que devemos ser, nos torna escravo da chancela social. Aguardamos que o mundo aprove a nossa vida, dizendo se ela é ou não tão interessante quanto suspeitamos que ela seja, já que não temos mais capacidade ou coragem para comprovar por nós mesmo. Preferimos ser vigiados e julgados pelos outros do que aprender a sermos honestos conosco em momentos solitários que deveriam ser naturais e não sintomas de doença mental.

O drama do príncipe Hamlet pode ser mais contemporâneo do que parece. Reconhecer que "há algo de podre no reino da Dinamarca", utilizando as palavras do próprio Hamlet, é só o primeiro passo para uma grande e difícil obra de melhorias no reino interior de cada um de nós. Tal reflexão é um ato corajoso e necessário para o humano moderno que procura alternativas para libertar-se.

Então, aproveite mais esta ótima palestra de Leandro Karnal, feita para o Café Filosófico, da CPF CulturaNum retrato do hoje, o reflexo do ontem. Zygmunt Bauman e Willian Shakespeare. Somos um Hamlet Liquido? Enfim, se há mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa filosofia, então, mãos à obra!



hamlet de shakespeare e o mundo como palco, com leandro karnal from cpfl cultura on Vimeo.

domingo, 28 de setembro de 2014

Orgulho nosso de cada dia.

Há muito tempo se percebe uma grande inversão de valores no mundo. O que, antigamente, era horrível e perverso, hoje em dia é tratado como algo aceitável e até mesmo corriqueiro. O rol de pecados, criados pela igreja católica, que antes eram limites constantes na vida da maioria das pessoas, perdeu a sua força e hoje é encarado como mero folclore. Ora, nada mais do que resultado de um movimento natural de evolução humana que, embasada na ciência e na psicologia, clama por seu direito natural ao livre arbítrio e à felicidade.

Então, por que somos tão tristes? Diz-se que nossa geração é uma das mais frustradas e tristes da história. Talvez, como diz uma amiga em seu blog"Essa obrigação de ser feliz o tempo todo é que tem nos feito tristes". Quando, para justificar nossos impulsos, na obrigação de sermos felizes, questionamos qualquer limite à nossas atitudes (e o rol de pecados seriam uma forma desses limites), também afastamos da nossa responsabilidade as conseqüências e nos fechamos nesse universo de mentira, onde tudo é possível e nada dá errado, onde nem o céu é o limite (metafórica e literalmente). E com cada vez mais anseios desenfreados e a obrigação de realizá-los, só conseguimos mais chances de frustrações, pois no mundo real, das coisas reais e das possibilidades reais, nem tudo o que sonhamos dá certo. Criamo-nos uma armadilha terrível e nem sequer notamos.

É mais ou menos por essa linha raciocínio que o historiador Leandro Karnal nos apresenta ao Orgulho, o "pecado capital", ou ainda o "pecado dos pecados", que gera todos os outros pecados e é a fonte geradora de todo o sofrimento do mundo (e isso é afirmado por várias outras religiões e filosofias, tanto orientais quanto ocidentais). Karnal nos apresenta, de forma espetacular, ótimos argumentos para nossa reflexão, além de nos dar uma bela aula de história, sociologia, teologia, mitologia e psicologia. Não tem como não gostar.

Aproveite que hoje é domingo, que você não tem nada o que fazer e dedique essa próxima hora para ser surpreendido por você mesmo.

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Orgulho nosso de cada dia:

por Leandro Karnal


“o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios.”


Este pensamento de Santo Agostinho parece não ser mais levado em tanta consideração. pois, a vaidade parece estar cada vez mais em alta nesta sociedade, onde o individualismo e o “empreendedorismo” passaram a ser metas, valores, fortemente estimulados. aquele que já foi visto como o maior e o primeiro dos pecados capitais por seus atributos maléficos – o orgulho – hoje virou virtude. disfarçada e rebatizada de autoestima, a vaidade é agora “amor próprio”. este programa abre a série do café filosófico que traz os “7 prazeres capitais – pecados e virtudes hoje”, com a curadoria e apresentação do historiador Leandro Karnal.




Recomendo a versão integral da palestra, com todas as perguntas ao final e sem as intervenções da TV Cultura.

Caso você, como eu, também ficou fã do Leandro Karnal, fica aqui a lista de outras palestras dele, no CPFL Cultura.