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sábado, 16 de setembro de 2017

Excelência,


Mãos ao queixo, olha a face refletida
Na janela do automóvel luxuoso
Será sua aquela face estarrecida?!
Fora, outrora, um semblante jubiloso...
Mas, agora, se assemelha a um homem morto

Perderá o seu império, o seu conforto?
Reino erguido da galhofa com o povo
Decorado pelas mãos da inconsequência
Contanto, para si, não houvesse estorvo
Bem dormia sobre as plumas da indolência

Esquivando-se da indecência que criara
Fecha os olhos, mas não escapa à consciência
Vê, agora, um povo enfrene a insurgir-se
Vê, lá fora, um pesadelo a realizar-se
Vê, nos olhos do mendigo que te encara, a sua culpa
Vê, na cara do indigente que te olha, a sua cara


sábado, 5 de agosto de 2017

Reconhece a queda e não desanima...


"Rico, de nada há servido as suas riquezas. Novo Plutus, como bem diz um escritor, vive no meio delas sem poder utilizá-las. Não há país onde se fale tanto em riquezas como no Brasil. Entretanto, em nenhum outro é tão difícil a vida, e tão incerto o futuro dos cidadãos. É que nossa sociedade infelizmente ainda não se compenetrou da necessidade da instrução e da ideia do trabalho livremente exercido e compensado sem distinção de sexos nem de posição. Se é como se diz, lei invencível das coisas humanas, que cada nova liberdade peça em contrapeso uma nova virtude, cada novo direito imponha um novo dever, cumpre aos que dirigem os nossos destinos traçarem com a segurança da experiência e da observação o caminho que devemos seguir para a paz e o engrandecimento da nação.

(...)

Os mil espinhos e dificuldades que são outros tantos embaraços para a realização de tão nobre intento não devem ser motivos de desalento, porque as transformações sucessivas do mundo material e moral nos estão apontando aos brios da dignidade e às palmas do triunfo que só se alcançam com a perseverança.

Nesta época de corrupção e de falsos prestígios que quase tem sido só um triunfo da mediocridade, e cujas más influências parecem tender em toda a parte a paralisar o caráter e o talento, no meio dos males que nos oprimem, volvemos os olhos cheios de fé para os horizontes do porvir. Animando-nos a esperança de que aqueles que a dirigem amarem verdadeiramente a pátria e compreenderem suas necessidades, hão de formar do Brasil um corpo social mais em harmonia com as ideias do século, elevando-o assim a ocupar o lugar que lhe compete entre as nações do mundo.

Na aurora de 1889, nasceu em França uma ciência nova, tendo por fim estudar os fenômenos sociais, principalmente na produção, na distribuição e no consumo das riquezas. É preciso que ela também apareça entre nós e que sua luz penetre em toda parte a esclarecer as classes oprimidas, manifestando-lhes os esplêndidos triunfos da ciência hodierna.

A verdadeira grandeza de um Estado, diz Worlz, "depende dos cidadãos que o governam e se empregam em elevar as almas e inspirar ideias generosas em vez de vil escravidão". República e ignorância são duas palavras que se contradizem e que se repelem; assim, a única garantia de sua consolidação está na instrução do povo e numa legislação que possa consolidar, tanto quanto o nosso século permite, os interesses de segurança com o voto da humanidade.

E como diz Barros, "quando a civilização tiver conseguido alcançar em toda a parte o abandono dos velhos usos da barbárie, a gerra deixará de ser possível, porque não haverá forças materiais que possam lutar contra as forças morais".

Não é, pois, a força bruta que constitui o elemento triunfal da Democracia, mas sim a força do espírito, que tem por si o suficiente influxo para resolver os mais elevados problemas sociais, econômicos e financeiros, para realizar os mais transcendentes prodígios.

Erguendo a minha voz humilde para saudar o IX aniversário da República, em conclusão direi como Berryer: "Não temais cidadãos em seguir o verdadeiro progresso do espírito humano que há de confiar, não em exércitos comandados por capitães mais ou menos hábeis, pois não é a força brutal, mas aos nobres combates de espírito, as lutas da inteligência o destino e a direção das sociedades."

Este texto não é meu e, apesar de pertinente, infelizmente não é atual. Foi publicado na revista Álbum das Meninas, n. 8, de 30 de Novembro de 1898, escrito por Anália Franco uma das grandes mulheres brasileiras, precursora do feminismo no mundo e merecedora de reverência e estudos nossos. Hoje, a palavra foi dela dada a sabedoria à qual me curvo tenho o dever de compartilhar.


in MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco - A grande dama da educação brasileira. 1a. Edição: São Paulo, Madras, 2004. p. 196-197.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sem festas, amigos! Ainda é preciso mais.

O movimento "Diretas Já", de 1984, apesar de ter sido a maior manifestação popular da história do Brasil, só não foi um fracasso completo porque gerou lideranças populares que conseguiram se articular politicamente e conquistar alguma representatividade na assembleia constituinte que geraria a Constituição Federal de 1988.

Sim, a PEC nº05/1983, que criaria as eleições diretas no Brasil, conhecida como Emenda Dante de Oliveira, mesmo com a massiva participação popular e com 84% de aprovação nas pesquisas de opinião, não foi aprovada; não passou nem na primeira votação na Câmara dos Deputados. Vale lembrar, também, que a maioria dos envolvidos na constituinte, os mais poderosos, ainda eram os mesmos de sempre, representantes do poder que já estava lá desde antes mesmo da fundação da República. E ainda são.

O ex-presidente Figueiredo, último dos militares, declarou posteriormente que o sistema militar estava insustentável e a única solução foi acabar com aquilo tudo. A nova constituinte chegou em boa hora. Numa grande encenação, mudariam o regime político, se garantiriam no poder, e ainda ganhariam aplausos do povo sempre desatento e deixado de lado. Sim, a ditadura militar acabou por que eles quiseram, para a sobrevivência deles mesmos.

Por isso, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves, o grande articulador do desmonte do regime militar por ter acesso e diálogo com os dois lados do poder, foi eleito presidente do Brasil em eleições indiretas. Jamais deixariam que fosse diferente, era preciso alguém de confiança. Mas, acometido por grave doença "inoportuna", Tancredo foi o boi de piranha, faleceu antes de assumir o cargo, ficando para o seu vice, José Sarney, do, vejam só: PMDB.

Eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988, e com as rédeas da carroça garantidamente nas mãos dos mesmos dirigentes de sempre. O vencedor desta foi Fernando Collor de Mello, com grande apoio popular em virtude da campanha contra "os Marajás" e a corrupção que fazia. Foi o boi de piranha da vez, atrairia votos e cairia, sofrendo impeachment, deixando a presidência para seu vice, Itamar Franco, do PMDB, é claro.

Semelhança com algum fato recente? É claro! A novela, o enredo, os personagens e problemas são os mesmos de sempre. Nós, o povo, é que não podemos mais ser os mesmos. O momento é delicado e, anotem: nos será oferecido um belíssimo teatro da democracia, muito em breve. Não podemos mais nos contentar com a encenação que sempre nos oferecem nessa hora. Devemos parar de gastar a nossa energia em lutas entre nós mesmos, isso cansa e enfraquece. Nossa energia e atenção deve ser canalizada para o acompanhamento minucioso e sério dos fatos que estão para se desenrolar na política nacional. Pedir "Diretas Já" é válido, mas é muito pouco. Ter eleições diretas é muito pouco. É preciso mais, é preciso usar o processo democrático de forma eficaz na renovação total dos agentes e dos valores políticos do Brasil. Atenção e serenidade é o que precisamos agora. A vida adulta da Nação se aproxima.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Sobre compreender


"Os que envelhecem não compreendem o valor das ilusões que perderam; os jovens não dão valor à experiência que ainda não tem."


Em discurso na sessão inaugural da Academia Brasileira de Letras, no dia 20 de Junho de 1897.




sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Um próximo passo e ainda no mesmo lugar

Hoje, damos o adeus, de certa forma doloroso, mas necessário que damos à Dilma Rousseff que, acorrentada à um presidencialismo de coalizão, uma horripilante invenção brasileira, e a um partido político desestruturado, não governava mais. E não governaria, independente dos esforços que fizesse, tendo em vista o ninho de víboras ancestral do qual estava cercada e que, juntamente com todos nós, também ajudou a alimentar. Infelizmente, mas de forma que se construiu inevitável, são tais víboras que voltam ao poder.

É pressuposto que um presidente consiga governar, assim como é pressuposto para um romance, que se consiga amar e, mesmo com as maiores dificuldades e desafios, os interessados no sucesso da empreitada, se esforcem para o seu sucesso. Infelizmente, não me lembro de ter visto isso em nenhum momento na história de qualquer governo brasileiro. O jogo sempre foi conquistar mais para si, em detrimento do outro, seja este o povo ou a coligação "inimiga". E não há relacionamento duradouro quando uma das partes quer levar a vantagem.

As máscaras caem, inevitavelmente, e todas elas cairão. E com elas, as expectativas criadas, os projetos articulados, o futuro que estava em construção vai por terra. É por isso que se termina, é por isso que qualquer fim dói.

Dilma não foi a primeira e não será a última, é tradição nacional trocar de Chefe de Estado de forma inconsequente e irresponsável, para assistir interesses particulares. Desde a nomeação de Dom Pedro II, um jovem de 14 anos de idade como Imperador do Brasil isso vem se repetindo através de golpes e complôs.

Mas é possível acabar com essa dança das cadeiras desgovernada. Começando agora, que o debate político está em todas as casas, pode demorar algumas décadas, mas é possível retomar as nossas responsabilidades, as rédeas das nossas instituições e restaurar a sua legitimidade e sua conexão com a vontade popular, o que hoje, definitivamente não existe.

Por agora, não tenhamos medo, o futuro próximo não será nenhum pouco diferente do que sempre vivemos, afinal são os mesmos governantes, nada mudou. O tempo provou que a "chance de mudança" oferecida era falsa. Sejamos mais atentos da próxima vez. Aproveitemos a chance de amadurecer politicamente que estamos tendo, aproveitemos para aguçar o nosso faro, o nosso tato. Assim como acontece em todo fim de relacionamento, nos coloquemos sob análise sincera e façamos o mea culpa.

Definitivamente, não é tempo de choro, não é tempo de desespero, é tempo de darmos o próximo passo, um passo mais seguro, mesmo que um tanto doloroso, do que todos os passos que já demos até hoje.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Não nos percamos de nós mesmos

Chegamos ao ápice de um processo histórico importante, pelo qual viemos passando nas últimas décadas: o desmonte de uma era onde o processo político era feito descolado da vontade popular. Toda mudança de paradigma social é delicada, lenta e dolorosa, e é natural que partidários de ideias contrárias se debatam e desse debate surja, inevitavelmente, uma síntese. É o tal do processo dialético (Tese+Antítese=Síntese) de Georg W. F. Hegel. Sim, é aquele mesmo Hegel que voltou à fama por um deslize intelectual há alguns dias atrás e, pelo que me parece, não por acaso. Então é necessário paciência e conhecimento pra um correto agir nesses tempos de euforia e ansiedade à flor da pele quando estamos formando a nossa síntese social.

Uma das minhas matérias preferidas durante a faculdade de Direito foi e, ainda é, a Ciência Política e Teoria Geral do Estado, na qual se estuda o processo de criação e validade de um Estado Nacional. Nesses tempos de convulsão social, de ladainhas pra lá, falatórios pra cá, sempre bem munidos da terminologia, mas quase nunca do conteúdo, me lembrei de um conceito muito importante, aprendido do livro "Teoria Geral do Estado", do Sahid Mauf : o conceito de Nação, “um conjunto homogêneo de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de sangue, idioma, religião, cultura e ideais” .

Entendendo esse conceito fica fácil perceber como estamos sendo atacados e onde estão mirando aqueles que deveriam estar nos ajudando e protegendo, os chamados representantes do poder público, nome que não faz muito sentido quando os tais não estão, de forma alguma, usando o poder que o povo os cedeu para melhoria da coisa pública mas, pelo contrário, estão representando, claramente, os próprios e privados interesses. Usam da técnica de "dividir para conquistar" e, nos subjugando, permanecem intocáveis na sua majestade. Há anos estão nos separando por etnia, religião, costumes e posição política, e já estão conseguindo. Só falta nos fazerem esquecer o nosso maior ideal comum que é "um país melhor, um lugar bom de se viver, para nós e nossos descendentes". Mas isso não podemos permitir, é preciso ficar atento, permanecermos fortes e unidos como povo, honestos e respeitosos uns com os outros. Conforme indicam os acontecimentos, qualquer bandeira partidária que se levante hoje em dia, é bandeira criminosa. Não há heróis, exceto nós mesmos, e nossos super-poderes são o amor e o bom-senso que, não duvide, todos nós temos, sim, mesmo que em quantidades diferentes.

Estão nos vendendo uma gerra particular pelo poder como se fosse uma campanha por um país melhor. Não caiamos nesta armadilha. Acatarmos irresponsavelmente os discursos fatalistas e viciados que nos oferecem é assinar sentença de subjugação e morte do sonho Brasileiro. Deixemos de lado as ideologias políticas que só nos separam, e nos apeguemos às poucas coisas que nos restaram em comum, o verdadeiro ideal que nos une, por esses mais de 500 anos, entre o Caburaí e o Chuí : fazer desse pedaço de chão um lugar de vida digna para todos, sem exceção.

domingo, 20 de setembro de 2015

O Melhor 7 de Setembro

Nos meus 35 anos de vida, nunca presenciei um 7 de Setembro tão melancólico e distante das imagens que guardo na memória, das várias vezes que o brasileiro, orgulhoso, celebrava a pátria pelas ruas.

Toda a melancolia gerou páginas de anotações, julgamentos, generalizações e preconceitos que nada fariam para a construção do texto que inicialmente eu me propunha. Queria pacificar a alma e, como nos outros anos todos, orgulhar-me da Pátria que me acolhe. Queria um texto útil.

Quando me vi refletido no espelho da razão, veio-me à mente a frase de um antigo sábio: "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra" e, depois, a segunda chave para minhas questões: "Não faça ao outro o que não queres que te façam". Esta última é uma das regras de ouro de Confúcio (551 - 479 a.C), muito utilizada por Jesus Cristo (0 - 33 d.C), autor da primeira frase que citei. Se o teor das minhas anotações era o pedido pela Justiça, Honestidade e fim da Hipocrisia, eu não deveria, ao pedir, ser injusto em julgar sem conhecer; desonesto ao me isentar das minhas responsabilidades e hipócrita ao me considerar perfeito.

Eu estava exigindo honestidade, probidade, respeito e outras tantas coisas, mesmo tendo eu sido, muitas vezes, desonesto, improbo, preconceituoso e inconsequente com meus atos. Um ser notoriamente imperfeito cobrando perfeição de seres também imperfeitos. Que autoridade moral eu tenho para agir de forma tão injustiça? Restou-me o envergonhado exame do meu orgulho e vaidade.

Finalmente me enxerguei, mudei minha relação com tudo: país, povo e governantes. De um ilusório ser perfeito e "inoxidável" – como diria um criativo compatriota –, passei a um realista igual, fraco e falível frente paixões e vícios, carcomido pela ferrugem do ego, como somos todos os seres humanos.

Mudar a si mesmo já é esforço enorme, mas certo de que sou o único ser o qual posso efetivamente mudar, ficou evidente a desnecessidade do desgaste e lutas extras para se mudar os outros à força. Se a nação é um conjunto de indivíduos, a diferença no todo só se fará pessoa a pessoa.

Sobre os nossos líderes, não posso garantir que não erraria tanto ou mais se estivesse em seus lugares. Mas, se cabe exclusivamente a mim o exame da minha consciência e a lide com a culpa dos meus atos, cabe a eles fazer o mesmo. E da mesma forma em que nas situações difíceis eu preciso de ajuda para perceber o erro, me levantar da lama e repará-lo, eles também precisam. Desconheço as guerras internas que cada um enfrenta diariamente. Por isso não serei eu quem tornará ainda mais pesado o imenso fardo que eles já carregam em suas próprias consciências, assim como não gostaria de ter alguém que multiplicasse o peso do meu. Pelo contrário, agradeço as lições, exemplos e reflexões que me trouxeram e me tornaram uma pessoa melhor nesse Dia da Pátria.

Inocentes ou culpados, não me cabe julgar. Confio na justiça humana e, ainda mais, na de Deus. Se quero um Brasil melhor, serei eu, antes de tudo, um melhor brasileiro.


domingo, 5 de abril de 2015

Um desabafo

Independente da opção política, um bom estadista, um líder de verdade, deveria unir o Povo em torno de ideais comuns e guiá-lo através das dificuldades, sempre preservando a união e o sentimento de nação.
Me decepciona – apesar de saber que não deveria, já que isso não é nada novo – ver que o que temos é exatamente o oposto. Não se une para fortalecer e evoluir, mas divide-se para enfraquecer e dominar.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Onde se faz palhaçadas...

...será sempre um circo.


Foto fantástica do Congresso Nacional, em 1985, para a qual comentários são desnecessários.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Padroeiro dos Boêmios do Brasil

A Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), nos primeiros dias de construção, em 1956.
Além da construção da cidade em 4 anos, outros milagres aconteceram por lá.


Boêmios do meu Brasil, bebei à vontade! Lendo a Veja Especial : Brasília 50 anos, de Novembro de 2009, descobri provas irrefutáveis de que o direito universal à birita é preservado por ninguém mais, ninguém menos do que Deus-Ele-Mesmo-nosso-Senhor (que se não é brasileiro, gosta muito da gente!), com a ajuda do recém descoberto Padroeiro dos Boêmios do Brasil : São Pedro.

Tal fato inusitado aconteceu durante a construção da nossa Capital Federal, nas imediações do "Catetinho" residência provisória do então Presidente da República e viabilizador de Brasília: Juscelino Kubstcheck.

Leia o trecho extraído da revista:

"Rio de Janeiro, Hotel Ambassador, Rua Senador Dantas, 12 de outubro de 1956, encontro dos chamados 'boêmios patriotas' do Juca's Bar, amigos de JK. Presentes Oscar Niemeyer e uma penca de parceiros, entre eles o seresteiro César Prates e o violonista Dilermando Reis. Surge a idéia de construir uma residência provisória para o presidente em Brasília. Niemeyer esboça o projeto na hora. Um palácio tosco, de tábuas, depois apelidado de Catetinho, sustentado por grossos troncos de madeira de lei. Não havia tijolos ne pedras no endereço: clareira no meio do mato, fazenda do Gama, Brasília. Prazo de construção: 10 dias.

Em 1o de novembro, JK e uma pequena comitiva chegam no DC-3 para a festa de inauguração do Catetinho. Música, boa comida, boa bebida. Há uísque de qualidade, mas falta gelo. De repente, cai um pé-d'água assustador, bombardeando granizo. Assim que o temporal passa, todos correm para fora, catam o que podem, dão graças a Deus e brindam a São Pedro."


O Catetinho foi uma surpresa dos amigos para JK, que nasceu de uma conversa no boteco e se manteve forte às origens etílicas e de amizade; que recebeu muitas autoridades e visitantes ilustres, viabilizando os bons momentos do pessoal no cerrado. E manteve a energia boêmia em alta no momento de aperto graças ao nosso grande padroeiro dos Boêmios. Salve São Pedro!!! (tim-tim)



O Catetinho naqueles tempos miraculosos.


O Catetinho nos dias de hoje, um museu aberto à visitação.
Foto de Neudson Aquino
Falando em Boemia e Whisky, não podia faltar essa foto!

No detalhe: Vinícius de Moraes e Tom Jobim no abençoado quintal do Catetinho.
Mas eles não estavam lá na hora do milagre.


Saiba mais sobre o Catetinho neste site e neste também.

Ou ainda visite A Construção do Catetinho para mais detalhes ainda!


terça-feira, 20 de outubro de 2009

"...risonho e límpido..." (ou Do Bom Humor)


O brasileiro é conhecido mundialmente por ser um povo feliz, cordial, que vive rindo da vida.

Ora, é fácil rir num lugar onde tudo é uma piada.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

De Umuarama a Palmas (Primeiras Impressões)

Entre os dias 10 e 15 de junho me envolvi numa imensa e muito válida viagem até Palmas, capital do Tocantins. Foram 2.000Km pra ir e outros 2.000Km pra voltar (dois dias indo, dois dias vindo!), os 4.000Km mais tranquilos que já rodei, e olha que fomos de carro, com o nosso guerreiro "Átila, o Uno". Exceto por um trecho de uns 100Km em Minas Gerais, a BR-153 (Transbrasiliana) vai de Presidente Prudente (SP) até Paraíso do Tocantins (TO) feito um tapete! (sim, o melhor caminho pra quem sai do interior do Paraná é esse). Então Aqui vai uma geral da viagem, que pode se dividir em mais capítulos, que só dependem da minha criatividade (que está em baixa).

Olha só o caminho de Umuarama até Palmas!

O motivo da aventura foi participar do 5º PMW Rock Festival, com a minha banda. Entre as vinte e tantas bandas que se apresentaram nos dois dias de festival (12 e 13) se destacaram os nacionalmente famosos Pato Fu, Ratos de Porão, Bnegão & Seletores de Freqüência e o Mundo Livre S/A, que dispensam comentários. Tinham outras bandas de de outros estados, como a Baranga e a Pedra, ambas de São Paulo, mas me chamaram atenção as apresentações de ótimas bandas locais como a Baba de Mumm rá, a Boddah Diciro e a La Cecília. Enfim, o festival foi bem legal e divertido, com uma pluralidade sonora interessante. Parabéns pra galera da organização e da equipe equipe de apoio, pessoal gente fina mesmo.

Eu nunca havia planejado conhecer Palmas, e foi surpreendente chegar lá tocando com uma banda de música autoral. A cidade é bem bonita e planejada, no melhor estilo Brasília de ser. Ruas imensas, com muito espaço verde, praças, monumentos, ótimos lugares pra fotos e passeios. Por ter sido planejada pra carros, tudo fica um tanto longe e, sabe-se lá o quão ecológico é isso. Mas faz um tanto de sentido evitar que se ande à pé por ali, o calor durante o dia já não é menos do que 30ºC e o pessoal de lá me disse que já registraram fabulosos 50ºC (!) no termômetro que tem na entrada de um Shopping Center.

Ruas de Palmas durante o dia.

À noite a temperatura é mais amena, dá até pra andar à pé, mas continua calorzinho. E como quase não chove durante a estiagem do meio do ano, as madrugadas dessa época são ótimas para longas caminhadas sob um céu limpo e estrelado, com direito a praticamente nenhum carro pela rua. Show de bola!

A primeira grande visão que se tem da cidade, pra quem chega pela TO-080, é a Ponte Fernando Henrique Cardoso, que cruza o Lago de Palmas, no Rio Tocantins. São 8,5Km sobre um espelho d'água azul esverdeado que chega a ter 22m de profundidade. Um lance monstruoso e lindo que não tem como esquecer, é a coroação ideal de uma viagem longa e quente até lá. Ao redor do lago têm várias prainhas bem urbanizadas que a galera usa pra se refrescar, além da Ilha do Canela, que fica no meio do lago. E, não se preocupem, não tem piranhas como me disseram (né, Cecília!)

Imagem de satélite da ponte (a linha branca) e do Lago de Palmas. A cidade é aqui do lado direito.

O Lago e a Ponte à noitinha. Luzes de Palmas ao fundo.

Ainda na metereologia, descobri que por lá é Verão quando aqui é Inverno e Inverno quando aqui é Verão. A diferença não é no termômetro, quase sempre rodeando os 30ºC, mas é que no "inverno" palmense chove praticamente todos os dias.

Outra coisa legal é que pros Palmenses (pois é, não é Palmeirenses) a Região Sul é tudo a mesma coisa, é tudo Gaucho. Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul são uma coisa só. Igual pra gente aqui do Sul, que junta e confunde tudo o que tem lá no Nordeste e no Norte. Inclusive foi o Márcio, um gaucho de Porto Alegre, que me disse o motivo de construirem uma cidade nova pra ser a capital do estado: Existiam umas 3 ou 4 cidades numa guerra política louca pra serem capital do Tocantins, mas ninguém levou, construiram Palmas e a paz reinou.

Por ser uma cidade de apenas 20 anos de idade (o estado do Tocantins foi fundado um ano antes, em 1988) praticamente todas as pessoas que conheci não eram nativas de lá. Engraçado é que sempre que a palavra "pioneiro" me vem à cabeça, me aparece a imagem de um senhorzinho cansado, que povoou uma região lá nos antigamente. Ora, eles eram jovens sonhadores naquele tempo, assim como o pessoal que conheci em Palmas, e esse sentimento de pioneirismo, empreendedorismo era muito forte nos bate-papos.

No centro da foto a "Praça dos Girassóis", centro do governo do Estado do Tocantins. E local cheio de monumentos, dos quais vou falar em outro post.


Uma cidade jovem, com gente jovem trabalhando em empregos de destaque. Espaço pra qualquer empreendimento em qualquer área. Ainda se luta com o clientelismo e o coronelismo nos orgãos estatais e em grandes empresas vinculadas à eles, mas isso aconteceu em todos os estados do País, e ainda acontece. Não seria diferente por lá.

Na questão cultural, vi muita vontade das pessoas em criar um cenário favorável pros artistas locais e dar-lhes visibilidade nacional. O pessoal trabalha pra minimizar os problemas gerados pelas distâncias continentais do Brasil e inserir a cidade no circuito nacional de arte e cultura de uma forma que não deixe a dever pra outras capitais. E eu adoraria voltar pra lá pra ver isso acontecendo.

Um grande abraço pra todo mundo de Palmas.

Até as próximas!


Veja mais fotos da cidade!


Ps: Em breve mais detalhes dessa viagem.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cara pálida, cabeça de vento.


Já que não deu pra sair no jornal deste domingo, aqui está minha reflexão indigenista.

Ps: Valeu pelos toques, Lili!

Índio não quer só apito.


Desde 1940 comemora-se o Dia do Índio, um feriado idealizado naquele mesmo ano durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O congresso que aconteceu no México contava com a representação de vários paises do Continente Americano. As Nações Indígenas aderiram ao evento no dia 19 de Abril e por isso a data foi escolhida como dia a se comemorar. O reconhecimento nacional do feriado se deu através do Decreto Lei número 5.540, daquele ano, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Pra mim, como muitos já perceberam, esses feriados e dias especiais são um convite à reflexão. É legal reconhecer a importância de outros povos e culturas, celebrar e agradecer a sua influência e seu papel na formação do nosso país e da Cultura Nacional, mas quando se deixa o discurso cheio de fru-frus de lado e se coloca o pé no chão, vemos o grande equívoco que é a política indigenista do Brasil.

Nossa relação com os habitantes originais das Américas já começou errada. Os colonizadores Portugueses e Espanhóis desembarcaram por aqui e “em nome do Rei”, “em nome da Igreja”, “em nome da Civilização” ou com qualquer outra justificativa sem lógica, começaram o extermínio desse povo. Pelo menos eu ainda não encontrei uma justificativa decente pro ato de invadir uma área, matar os donos e espalhar pelo mundo que o lugar é seu. E vale lembrar que o extermínio sistemático dos índios não é algo brasileiro dos tempos de Cabral. Até os anos de 1950, 60 e 70, durante a “colonização” do interior do Brasil, a chacina corria solta. Em todos os paises da América foi assim: México, Venezuela, Estados Unidos da América, Colômbia...

Hoje continuamos tentando eliminar os índios ao invés de inseri-los dignamente na nação brasileira. O que a FUNAI pretende ao obrigar brasileiros (quem nasce no Brasil é brasileiro, né?) a morarem no mato, sem esgoto, com saúde a perigo, sem conforto em pleno Século XXI eu ainda não sei. Alguém obriga o Gaúcho a morar num Rancho pra preservar seus traços culturais? Alguém obriga os Italianos a abrirem cantinas e pizzarias, ou os Japoneses a usarem Kimonos? Então por que diabos os coitados dos índios tem que viver de tanga no mato, vivendo da caça da pesca e do artesanato?

De que serve fazer esse teatrinho de subsistência e harmonia com a natureza enquanto se distribui televisão, antena parabólica, roupas e comida nas aldeias? Ressalte-se que é tudo feito com verba da FUNAI, ou seja, nosso dinheiro. Não seria mais fácil trazer esse povo pra cidade e dar escola, emprego, saúde e condições de levar uma vida decente, sem doenças e bicho de pé? É mais um sistema pra se roubar descaradamente o dinheiro do povo, do mesmo tipo que transforma os flagelados da seca no nordeste num negocio rentável para os políticos da região. É, enfim, uma grande indústria que joga a verba federal nos bolsos privados.

Eu sei de muitos índios que estudam, trabalham e vivem como pessoas do nosso século e não vou generalizar qualquer critica feita aqui. Mas eles me parecem exceções, contestadoras exceções que não gostam de viver de favor, que sabem ter a mesma capacidade de qualquer outra pessoa de qualquer outra etnia. Que não caem nesse conto da carochinha de que cotas de ensino, políticas e verbas especiais vão resolver um problema social que é reflexo de atitudes individuais ou de um grupo. O governo só fomenta a preguiça e o clientelismo com essa política de “dar o peixe” ao invés de “ensinar a pescar”. E todos sabemos que melhores pescadores do que os índios não existem! Será que eles se lembram disso?

Claro que se lembram, e também usam esse sistema viciado para faturar. Existem muitos grupos que vivem em regiões abarrotadas de minérios valiosos, pedras preciosas, madeira e outros recursos naturais de valor e faturam um dinheiro alto negociando isso. Por morarem no mato e viverem “da caça e da pesca” eles não pagam impostos, mas adoram pedir mais dinheiro, mais terra mais infra-estrutura a custa do dinheiro do diabólico Homem Branco. É obvio que esse pessoal não vai querer vir para cidade e pagar impostos. São brasileiros na hora de pedir, mas não na hora de pagar.

E é assim que em pleno século XI, colhemos os frutos de uma política indigenista alienada e defasada. Se o Brasil pretende ser uma nação unida, forte, produtiva e igualitária, deve sair de cima do muro e tomar uma postura decente de reafirmação de sua soberania. É preciso unir o povo, parar de ter dois pesos e duas medidas para lidar com as coisas. Índio não é bicho pra se preservar no mato, eles são pessoas como todos no mundo, com desejos, capacidades, força e muita inteligência e por isso merecem ser tratados como tal. Já passou da hora de passar o Brasil a limpo, sob pena de perdê-lo.


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terça-feira, 25 de setembro de 2007

Deixem o Gerson e os Palhaços em Paz!



O Senado é uma instituição milenar. Foi a evolução dos Conselhos de Anciãos, que já davam as caras no oriente por volta do ano 4.000 a.C. Inclusive o nome da instituição se origina daí, Senatus em latin, origina-se da palavra senex, que significa velho, idoso.

Era uma assembléia de notáveis, composta por representantes das mais altas castas romanas, pessoas bastante instruídas. Naquele tempo supunha-se que idade era indicador suficiente de maturidade e sabedoria. Quem sabe um dia foi assim mesmo.

A instituição do Senado passou por mais de um milênio de história, foi evoluindo e tomou várias formas, adotou várias posturas ideológicas e políticas diferentes, nada mais justo e corriqueiro do que a evolução de uma instituição.

O Senado Brasileiro nasceu após a Declaração da Independência, em 1822. Foi criado pela “Constituição Política do Império do Brasil”, outorgada em março de 1824 pelo Imperador D. Pedro I e definia o Brasil como monarquia centralista e hereditária. Criou-se também a Câmara dos Deputados, que juntamente com o Senado formavam a “Assembléia-Geral”, nada mais do que o ancestral do nosso “Congresso Nacional”, a famosa “Casa do Povo”.

Colocando aqui extrato fac simile da página do Senado Federal, na internet, que demonstra direitinho a beleza disso tudo: “Nasceu assim o Senado brasileiro, com raízes na tradição greco-romana, inspirado na Câmara dos Lordes da Grã-Bretanha e influenciado pela doutrina francesa de divisão e harmonia dos poderes do Estado e dos direitos dos cidadãos.”. Uma beleza.

Como dito logo acima, a inspiração dos brasileiros para o Senado veio da Câmara dos Lordes (House of Lords) da Inglaterra, que também usava o sistema bicameral e tinha como contrapeso aos Lordes a Câmara dos Comuns (House of Commons), que representava o povão. Diziam que possuir o titulo de "Augusto e Digníssimo Senhor Representante da Nação", era tão importante e charmoso que o próprio Imperador Pedro II dizia que se ele não fosse o Imperador, queria ser um Senador.

O tempo passou, o Império caiu, veio a República, a Ditadura, a Republica novamente e nesse período o Senado foi fechado, reaberto, foi biônico, populista, militar. Veio o Vargas, o Juscelino, Jânio Quadros e as forças ocultas, os militares todos, até o Lula conseguiu. Enfim, nada mais justo e corriqueiro do que a evolução de uma instituição, não é?

No caso do Brasil não. Infelizmente evoluir por aqui dá errado. Sabendo “porcimamente” do que é a instituição Senado e o que ela deveria representar para a Nação, vejamos a última dos nossos "Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação”:

O chefe da casa, o Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado foi pego fazendo suas falcatruas utilizando-se da posição de chefe dos "Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação”. Ganhou muito presente, muita grana e tudo de bom e de errado que poderia conseguir em virtude do poder que possui.

Inquirido pelos retilíneos outros Senadores "Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação” sobre de onde havia saído tanto dinheiro, tanto boi, tanta mordomia, o Presidente do Senado justificou tudo com um bando de mentiras, só faltou dizer que “um dia acordei e estava tudo lá”. Então pediram pra ele provar o que havia dito.

Ora, provar uma mentira é infinitamente mais fácil do que comprovar a verdade. E foi simples assim. O Presidente do Senado, o chefe da casa, o exemplar máximo daquela espécie, apresentou documentos falsos, inventou mais lorotas e não arredou o pé da idéia do “sou inucente” (como ele mesmo diz). Quem já mentiu, nem que seja um pouquinho, sabe que o primeiro passo para que a mentira funcione é que o mentiroso acredite no que está falando. Parabéns para o grande ator.

Instaurou-se o caos, o escândalo estava em rede nacional. Sobrou pros nossos Digníssimos Senadores apurar se - dentre outras cositas - receber propina, ser favorecido em virtude do cargo público que ocupa, falsificar documentos, chantagear e ameaçar Senadores, mentir descaradamente ao Senado e ao povo Brasileiro é quebra de decoro parlamentar. Ninguém falou em julgar o Magnânimo Presidente do Senado pelos crimes, só estávamos apurando se o que ele fez era ético ou não.

Incrivelmente os sábios, esclarecidos e altamente éticos "Augustos e Digníssimos Senhores Representantes da Nação” concluíram que estava tudo bem. O que o chefe havia feito estava dentro dos parâmetros éticos do Senado, que não houve a quebra do decoro parlamentar. Mas é claro, vivemos num período de inversão dos valores, roubar, matar, acochar a vó no tanque e atear fogo na barraquinha de cachorro quente da esquina é perfeitamente aceitável. Os valores morais estão invertidos mesmo. Cuidar da infra-estrutura? Educação? Exemplo de honestidade? Pra que? Talvez isso sim seja anti-ético.

Um bando de covardes, isso sim. Com uma ficha criminal de alguns metros, indo de homicídio a multas de trânsito, ficaram presos aos próprios pecados, todos temendo serem puxados para o buraco junto com aquele que eles mesmos empurrariam. Pois é, não empurraram.

Bom para o Senado é bom para o povo. Agora sabemos que “tá tudo liberado”. Temos uma infinidade de crimes e contravenções penais para nos divertirmos, dá pra fazer algo diferente a cada dia sem se repetir por alguns meses. Se no Senado, lugar dos sábios exemplares pode, quem dirá aqui no mundo do Zé Povão. Isso me lembra o novamente ressuscitado Gerson, símbolo equivocado da malandragem nacional.

“Então você também gosta de levar vantagem em tudo, certo?” Diria Gerson de Oliveira Nunes, o Canhotinha de Ouro, campeão mundial de futebol pela Seleção Brasileira em 1970. A fatídica frase foi dita por ele num comercial para os Cigarros Vila Rica, melhores e mais baratos que os outros. Pois é, os cigarros não existem mais, mas a “Lei de Gerson” imortalizou-se. Coitado do Gerson, teve seu nome vinculado diretamente ao “jeitinho brasileiro”, à malandragem e à corrupção, e nem foi ele que inventou a bendita frase. Será que ela veio da “cachola dois” do Duda Mendonça, publicitário e canastrão de plantão? Não, não existem tantas coincidências felizes assim. O inventor do slogan foi um tal de Jacques Lewkowicz, hoje sócio da agência de publicidade LewLara.

No fim das contas sempre coroamos a malandragem. Dia-a-dia somos nós do povo que enterramos a ética e malandramente passamos os mais desavisados pra trás, mas desta fez as instituições políticas nos superaram. Percebeu que a culpa por isso tudo bate marota em nossas portas? O que nos resta então? Diria o coletivo: “Vamos nos vestir de palhaços e sair nas ruas”, como muitos já fizeram por essas semanas. Não entendo o que o palhaço tem a ver com a história. Eles são profissionais do riso, nos divertem nesse mundo amargo, nos fazem sorrir e gargalhar. São seres tão respeitáveis quanto o respeitável público.

Definitivamente não devemos, e muito menos precisamos nos vestir de palhaços, eles são baluartes da felicidade e já são tão injustiçados pela vida de arte que levam. Enfim, se você ainda não percebeu, o Senado acabou de incluir mais um sinônimo no verbete "idiota" dos dicionários: a palavra “brasileiro”.

Agora, voltando à questão filosófico-existencial que nos abala o espírito: O que nos resta? Ora, nos resta nos vestirmos de brasileiros. Isso sim dá uma vergonha danada.