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terça-feira, 8 de agosto de 2023

O Pequeno Livro de Antônio Lobo


Este livreto é o resultado de um exercício, um desafio estético e poético, no qual ofereço seis poemas e todo o seu processo de recriação que se deu entre 2015 e 2017, com o intuito de, finalmente, entregar os poemas inspirados no Arcadismo, pedidos pela professora Edeliar em um trabalho de Literatura de 1995, ano em que, com 15 anos de idade, cursava o primeiro ano do segundo grau.

Não consegui os poemas Arcades, mas consegui poemas muito melhores do que os originais que havia encontrado. Como toda a recriação dos versos foi levada, também, como um processo de estudo que permitisse análise posterior, nenhuma anotação foi descartada, restando, o processo, integralmente guardado, à caneta, em folhas de papel almaço. É esse exato material, juntado às versões originais e finais dos versos, que disponibilizo neste pequeno volume, registro de uma jornada bastante interessante pelo universo das palavras, da rima, da métrica e do ritmo.

domingo, 12 de dezembro de 2021

Questione di Parole

Il silenzio è il suono che non abbiamo ancora sentito
Il buio è la luce che non abbiamo ancora intravisto
L'assenza è la presenza che non abbiamo ancora avvertito
La guerra è la pace che non abbiamo ancora consolidato

Il male è il bene che non abbiamo ancora avvertito
Il futuro è il presente che non abbiamo ancora raccolto
L'ignoranza è la verità che non abbiamo ancora appreso
Le differenze son parole che non abbiamo ancora ben definito


Torino, Italia.
Dicembre, 2021.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

Do Cultivo

Quem vive para plantar
é mais feliz do que quem vive para colher.
Quem vive para plantar, e planta o bem,
tem a certeza de que este bem alguém colherá.
Quem vive para colher o bem que encontra,
não sabe ao certo quando um outro bem encontrará.

domingo, 2 de maio de 2021

Da Não Ausência

O silêncio é som que ainda não ouvimos
A escuridão é luz que ainda não enxergamos
A ausência é presença que ainda não sentimos
A guerra é paz que ainda não consolidamos

O mal é bem que ainda não percebemos
O futuro é presente que ainda não colhemos
A ignorância é verdade que ainda não compreendemos
As diferenças são palavras que ainda não bem definimos

Cuestión de Palabras

El silencio es el sonido que aún no hemos escuchado
La oscuridad es la luz que aún no hemos visto
La ausencia es la presencia que aún no hemos sentido
La guerra es la paz que aún no hemos consolidado

El mal es el bien que aún no hemos apercibido
El futuro es el presente que aún no hemos cosechado
La ignorancia es la verdad que aún no hemos entendido
Las diferencias son palabras que aún no hemos bien definido

sexta-feira, 19 de junho de 2020

Realizando

Cantar cantando
Dançar dançando
Falar falando
Olhar olhando

Sentir sentindo
Ouvir ouvindo
Cumprir cumprindo
Sorrir sorrindo

Beber bebendo
Comer comendo
Sofrer sofrendo
Viver vivendo

Sonhar fazendo
Amar se dando
Seguir sorrindo
E se realizando


Cianorte, Paraná, 19 de Junho de 2020

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Da Vítima

"O adolescente não é um poeta, é uma vítima da poesia."

Paulo Mendes Campos, no livro "O Amor Acaba".
na crônica "O reino das lembranças", publicada na Revista Manchete 1/08/1964.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Necrópole


Lugar lúgrubre, lápides ludrosas
Sorrisos ao redor são raridade
Sequer supomos que nas covas silenciosas
Há tantos crânios a sorrir pra eternidade


sábado, 16 de setembro de 2017

Excelência,


Mãos ao queixo, olha a face refletida
Na janela do automóvel luxuoso
Será sua aquela face estarrecida?!
Fora, outrora, um semblante jubiloso...
Mas, agora, se assemelha a um homem morto

Perderá o seu império, o seu conforto?
Reino erguido da galhofa com o povo
Decorado pelas mãos da inconsequência
Contanto, para si, não houvesse estorvo
Bem dormia sobre as plumas da indolência

Esquivando-se da indecência que criara
Fecha os olhos, mas não escapa à consciência
Vê, agora, um povo enfrene a insurgir-se
Vê, lá fora, um pesadelo a realizar-se
Vê, nos olhos do mendigo que te encara, a sua culpa
Vê, na cara do indigente que te olha, a sua cara


sábado, 26 de agosto de 2017

A beleza das saudades

Há dias em que memórias se revolvem e voltam à superfície, e trazem consigo todas as sensações tão vivas que parecem lembranças da véspera ou de poucos meses trás, no máximo. Nos últimos dias, trabalhei estes versos e as saudades da minha saudosa avó, Luzia que, há quase 7 anos, partiu para cumprir seu papel em outras dimensões.

Acredito na ausência total de qualquer separação entre todas as coisas, não há espaços vazios entre tudo o que nos cerca, seja no universo tangível ou não. Estou certo da interação constante entre tudo, inclusive entre os diferentes planos da existência. É por isso que, agora, qualquer saudade está longe de ser ruim. Agora, toda saudade, toda memória que ressurge sabe-se lá de onde em mim, é sinal de que a outra testemunha, que compartilha destas memórias, está ou esteve por perto, passando pra dar um oi, pra conferir se tudo vai bem, e cochicha nos meus ouvido as tantas coisas boas que vivemos juntos.

Me agrada saber que, de alguma forma, estive novamente envolvido carinhosamente pela minha avó. Pude até sentir o cheiro de Creme Nívea que habitava seus abraços e ouvir o estalar dos chinelos pelo chão da casa, enquanto vasculhava o coração atrás das palavras certas pra estes versos. Obrigado pela visita, querida avó. Volte sempre. Foi, e será sempre, uma alegria imensa compartilhar mais alguns momentos com você.

Os olhos de Luzia

Em memória de Luzia Bertoleti Inforzato, minha avó.


Luziam azuis os olhos de Luzia
Acompanhavam um riso franco, de não se esquecer jamais
Enchiam a casa de luz e de alegria
E a vida. Colorindo o mundo dos meus ancestrais

Doces memórias que embrulho em nostalgia
Pra evitar que o tempo lhes roube o bom sabor
O girassol do campo da canção antiga
O colo e o aconhego, o perfume e o mar de amor
E não só isso. Muito mais dela levo comigo
Nessa vida que sonhava que eu vivesse, e vivo

Luziam azuis os olhos de Luzia
E me escapam lágrimas ao pisar nestes quintais
A saudade dói, ainda, dia a dia,
Onde os olhos de Luzia já não luzem mais

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Natureza Morta


Não suporto as questões do mundo!
E não me satisfazem todas as respostas
O peso que carrego são velharias rotas
Grilhões que me aprisionam rente ao fundo

Meus pés, tão podres, já não andam
E o corpo, apático, definha
O Espírito, triste, já não sonha
Satisfaz-se com o raso da rotina

Oh, imensa plantação de dores!
Inevitável que ceifemos dissabores...
E o que mais lançar à terra, então?
Se não há semente de mais nada em meu coração


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Falso soneto sobre verdades


Não sou eu quem descreve, sou tela
E mão oculta colore alguém em mim
Torna o canvas obscuro em fundo cor marfim
Que acolhe as tintas da auspiciosa tutela

Não sou eu quem verseja, sou nanquim
Sou tinteiro e pena nas mãos da poesia
Que, ao ferir, também anestesia
E deita poemas nos papéis de mim

São imensas as forças do universo
Transmutando o todo sideral
Na alquimia hermética inspiracional

Decantam imagens, sons e versos;
E da filosofia eterna, os aforismos
Sedimentos que preenchem meus abismos

domingo, 5 de março de 2017

Sideral


Por não mais ir amar-te
Fiquei, destarte, soturno
Sem brilho, sem vida, o só
Que sem rumos se enterra

Por tão triste que isto seja
Ver-nos juntos, na memória, ainda dói
Já optei pela distância
Me curo, assim, melhor

E sigo, mesmo com a alma urrando
Ainda que me faça chorar o céu noturno
Pois, enquanto busco outras estrelas,
Ofuscando a todos os corpos celestes, ainda vejo-a nua

sábado, 4 de março de 2017

Sonhava...

Sonhava...
Com ternura nos devorávamos
Em carícias desconcertantes
Entre gozos nos beijávamos
Ruidosos gemidos
Incontroláveis espasmos
Enganchavam-nos pele e pelos
E juras de eterno amor e zelo

Acordei esbaforido, em desespero...
Ai, meu deus, que pesadelo!

sexta-feira, 3 de março de 2017

Quitação


Pelas cobranças que me chegam
E os cobradores que se me mostram
Tenho certo: é alta a dívida!

Adquirida pelos séculos desregrados
Do viver desequilibrado
De paixões insubmetidas

Por isso o trabalho constante
Do muito dar sem nada em troca querer
Pois recebido, sei, já tenho bastante

A eterna moratória
Eterna misericórdia
Pelo eterno trabalho do amor e do perdão

É a paga jubilosa
Chance nova e grandiosa
Para todo coração


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A dramática hora

São difíceis as despedidas. Dar adeus é ato de fé. Dar adeus é dar a Deus, mesmo. É ceder o controle e estar bem com isso. É resignar-me, reconhecer-me impotente sobre as rédeas do que eu não comando. É fiar-me ao futuro, confiar no reencontro sem depender reencontros. É confirmar-me quite, satisfeito com o que se deu até ali. A dramática hora de deixar partir.

E como abster-me em paz se tudo é aleatório; se a lógica da vida não é constante; se não há uma ordem sobre o caos do Universo infinito? Como abster-me em paz se a única força confiável é a minha; se o único ser potente sou eu? Como suportar a minha ausência nos fatos e a ausência dos fatos em mim? Como abster-me em paz? Se dar adeus é dar a Deus, a quem darei se não há Deus? A quem darei se não suporto só? Meu orgulho não me deixa, minha vaidade me suplanta. É por isso! Por isso são difíceis as despedidas!

Sim, são difíceis. São difíceis as despedidas, insisto. Pois adeuses são atos de fé. E dar adeus é dar a Deus. E há Deus. E Deus há de nos ajudar.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Gratidão


Estas são duas versões gráficas, feitas por Fábio Lonardoni, para o meu poema Gratidão, constante no livro O Pretérito Presente no Subjetivo. São sutilmente diferentes na interpretação e, como não consigo decidir qual é a melhor, publiquei as duas que estão lindas.










terça-feira, 18 de outubro de 2016

Comentário sobre o poema Caro Data Vermibus


Este é um poema que gosto muito. Primeiro, por ser bonito; segundo, pela sua feitura ter sido um processo longo. Finalizá-lo foi uma alegria imensa.

Da sua concepção, num papel rascunho do "Ministério Público do Paraná, em 2001, ao seu fechamento, para o livro, em 2013, descontados uns prováveis e não mais do que 4 anos de gaveta, foi quase uma década. Sim, talvez o poema mais demorado que já fiz. Mas foi realmente preciso vivenciar muitas coisas para condensar as idéias e imagens que ele me pedia. Foram anos de tentativas e retomadas e desistências na lida com estes versos.

É um poema que retrata um amadurecimento: do desespero do jovem desiludido ao racionalismo do quase adulto, ainda desiludido, mas um tanto mais forte.

Quase 10 anos em 14 versos. Até eu mesmo fico espantado!

Aproveite e leia o poema: Caro Data Vermibus

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Caro Data Vermibus


Vou deixar morrer, em mim, o amor
que por ti nasceu e hoje é triste.
Pois nem mesmo o encanto que em mim existe
tem a eternidade da tua fuga.
E ao peito calejado dar descanso
do constante flerte com o descaso.
Recostar o espírito no abraço manso
da solidão, e nunca mais no da saudade.
Assim, ao definhar-se por completo,
e desse amor não restar sequer o afeto,
me liberto da desventura que é te bem querer.
Pois, antes que irremediável e grave,
melhor do amor fazer cadáver
do que estar morto ao se viver.



Nota 1: A palavra "cadáver", segundo a etimologia popular, teria origem na inscrição latina Caro Data Vermibus ("carne dada aos vermes"), que supostamente seria inscrita nos túmulos. Na verdade não se encontrou até hoje nenhuma inscrição romana deste género. Os etimologistas defendem que a palavra deriva da raiz latina cado, que significa "caído". (Fonte: Wikipedia)

Nota 2: Leia também os meus comentários sobre este poema.