quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

E o que você fez?

Pra quem não gosta de ler, deixo aqui, sem delongas, os meus votos de Boas Festas!


Mas se você gosta de uma 'leiturinha', lá vai:


E mais um ano foi "prás cucúia". Se eu fosse um exército em guerra, seria a hora de começar a contar os mortos e feridos. De enviar os sobreviventes pra casa e preparar um novo plano de combate.

É fato que durante o ano muitas coisas deram certo e outras tantas deram errado, viver é isso aí mesmo. Eventos passaram e nem foram notados, outros deixaram cicatrizes que vão durar pelo próximo ano, ou quem sabe, pelos próximos anos. Mas o que me intriga e reanima é essa sensação de recomeço, mesmo que ilusório, que aparece no ar destes últimos dias de ano. Ela me habilita a zerar o odômetro e renovar a caminhada, livre de antigos vícios e com novas virtudes na bagagem.

Sem muitas delongas, sinceramente espero que você, assim como eu, também tenha aprendido bastante e fique cada dia mais perto de atingir as suas metas e viver, em realidade, os seus sonhos.


Ótimas vibrações para um novo ano cheio de sorrisos!


365 Dias e 6 Horas


Acordara revigorado naquela manhã, dia 02 de Janeiro. A ânsia de voltar ao trabalho depois daqueles dias de folga de virada de ano era enorme. Era um workaholic de carteirinha.

Seguindo o ritual que havia criado e evoluído nos últimos 2 anos de acordar cedinho para ir ao trabalho; tomou seu café sem açúcar e comeu suas torradas com requeijão. Vestiu seu paletó agradecendo à Willis Carrier que em 1902 inventou o ar condicionado, possibilitando que os executivos tropicais fossem ‘européiamente’ elegantes e, depois de tudo em ordem, pegou sua pasta, entrou em seu carro do ano e foi para o escritório.

Entre conflitos de ego com superiores e subalternos, montanhas de procedimentos para averiguar, conseguia ainda jogar seu charme para as companheiras de trabalho. Por não ter uma vida social muito ativa, era durante o trabalho que ele tentava se afirmar como homem. Os colegas não acreditavam como ele conseguia, sem atrasar o cronograma do setor, cantar a estagiária e levar um café com pouco açúcar, mas com muitas outras intenções, para a supervisora do financeiro.

Utilizava a uma hora e meia de almoço que tinha (e achava muito) para se inteirar da situação do Flamengo e das ultimas fofocas da política nacional. Também não perdia de ler as tirinhas sacanas da seção de quadrinhos.

Devidamente relaxado, voltava para sua montanha de afazeres e bate papo com o pessoal do setor de informática onde trabalhava. Isso duraria o restante do turno que se estendia até as 19h, pois adorava fazer um serão.

De volta ao lar, ligava a televisão e, enquanto preparava sua lasanha congelada, prestava atenção nas ultimas falcatruas da novela.

E era assim todos os dias, sem muitas variações. Novela terminada, veste o pijama e se prepara para deitar. Foi aí que o telefone tocou. Era o Roberto, seu irmão, ligando para desejar um feliz Ano Novo. Assustado foi olhar o calendário e outro ano havia passado. Era 31 de Dezembro.



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O link aí em baixo é para o meu "Recando das Letras" onde, além dessa crônica que você acabou de ler, guardo alguns outros escritos. Boas Leituras.
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domingo, 28 de dezembro de 2008

Livro : Orgias [1989, Luis Fernando Veríssimo]


Hoje é 28 de Dezembro e nos restam apenas mais 4 dos 365 dias que nós mesmos nos damos para chegar a algum lugar. Apesar de todo mundo saber que a divisão do tempo é algo arbitrário, o dia em que a terra termina uma volta completa em torno do sol é tomado em consideração para varias coisas sérias e outras nem tanto.

O dia 31 de Dezembro é o dia da ressaca moral, igual àquela manhã com dores de cabeça e estomago embrulhado, quando você decide nunca mais beber como na noite anterior e resolver lavar a roupa suja com ex-afetos e alguns desafetos. É nesse dia "ressacal" de fim de ano que decidimos não cometer mais os mesmos erros do ano que passou.

E assim, como as segundas-feiras são o dia preferido para se começar dietas depois de um domingão farto em gulodices, o primeiro dia do novo ano é o preferido para se começar grandes planos, depois de um ano farto de eventos mirabolantes, de índole duvidosa, bons e maus. Mas da mesma forma que a decisão de segurar a onda na festança nunca vigora, quando nos damos conta, já estamos nós no decorrer do ano, fazendo novamente tudo o que planejamos não fazer.

Não seguir as regras é algo muito natural do ser humano, então, nada melhor do que rir disso tudo, e o Luis Fernando Veríssimo pode ajudar muito nessa hora. Em seu livro Orgias (1989, ed. L± relançado em 2005 pela Objetiva), ele celebra essas horas mágicas das festas, quando as pessoas se divertem pelo simples prazer da diversão e acabam entrando em algumas saias justas e situações cotidianas especialíssimas. Enfim, se é dito que a vida é uma festa, então nada mais normal do que estabelecer regras e não segui-las todas.



Festejemos o Ano Novo e adjacências!


Várias pessoas se identificarão com os personagens do diálogo abaixo, uma reflexão animada de fim de ano, um pedacinho de uma das crônicas que estão no livro, que vale a pena ser lido por inteiro, como qualquer obra dos Veríssimos. Enfim, tenham um final de ano bastante inspirado e um 2009 acima da média. Divirtam-se!

- Olhe.
- O que é isso?
- Aquele livro que você me emprestou.
- Eu não me lembro de…
- Faz muito tempo. E, na verdade, você não emprestou. Eu peguei. Eu costumava fazer isso. Nunca mais vou fazer.
- Você pode ficar com o livro. Eu…
- Não! Ajude a me regenerar. Quem fazia essas coisas não era eu. Era outra pessoa. Um crápula. Decidi mudar. Este sou o eu 2006. Comecei devolvendo todos os livros que peguei dos amigos. Acabou com a minha biblioteca, mas que diabo. Me sinto bem fazendo isto. Outra coisa. Precisamos nos ver mais. Eu abandonei os amigos. Abandonei os amigos! Olhe, vou à sua casa este sábado.
- Não. Ahn…
- Prometo não roubar nada.
- Não é isso. É que…
- Já sei. Vamos combinar um jantarzinho lá em casa. A Santa e eu estamos ótimos. Fiz um juramento, na noite de ano bom. Que me regeneraria. E ela me aceitou de volta. Há dois dias que não olho para outra mulher. Dois dias inteiros! Isso era coisa do outro.
- Sim.
- Do crápula.
- Sei…
- Eu era horrível, não era? Diz a verdade. Pode dizer. Uma das coisas que eu resolvi é não bater mais em ninguém. Era ou não era?
- O que é isso?
- Como é que eu podia ser tão horrível, meu Deus?
- Calma. Você está transtornado. Vamos tomar um chopinho.
- Não! Não posso. Jurei que não botaria mais uma gota de álcool na boca.
- Mas um chopinho…
- Está bem. Um. Em honra da nossa amizade recuperada. E escuta…
- O quê?
- Deixa eu ficar com o livro mais uns dias. Ainda não tive tempo de…
- Claro. Toma.
- E vamos ao chope. Lá no alemão, onde tem mais mulher.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Então... é Natal!


Eu ainda era bem pequeno quando alguém me disse pela primeira vez que dia 25 de Dezembro era Natal. Antes disso eu me contentava demais em apenas ganhar os presentes sem um motivo aparente. Depois do motivo descoberto, a única informação relevante adicionada à data foi: “É que Jesus Cristo nasceu nesse dia, e tinha uma estrela que levou os reis magos e os presentes até ele”. Ótimo, os presentes também chegavam até mim através do Papai Noel e estava tudo muito bem, eu não precisava saber de mais nada.

Aí a vida vai passando e a gente vai conhecendo as histórias de Jesus, no catecismo, na escola, nos livros mirabolantes de ufologia e afins, nas discussões filosóficas em geral que acontecem nos lugares mais diversos e tudo vai ganhando uma dimensão bem maior, bem mais significativa e bonita. A gente também vai aprendendo sobre o bom velhinho Noel e, poxa... é triste mesmo. Mas não tem crise, quando chega o tempo de Natal, a gente lembra mesmo é dos presentes e da comida. E foi pensando nisso que resolvi dar uma olhada no “algo mais” do Natal, vai que alguém pode fazer um bom uso disso num discurso antes de estourar o champagne ou abrir o peru.

O termo Natal é derivado da palavra latina natalis, que por sua vez deriva dos verbos 'nascor, nascéris, natus sum, nasci', que em latim significam nascer, ser posto no mundo. Melhor sentido não há, afinal a festa toda é por causa de um nascimento deveras importante que chegou a marcar o Ano Zero para uma boa parte do mundo, então não é mesmo um nascimento qualquer. Já a origem do termo 'Christmas', utilizado no inglês (tão difundido entre a gente), remonta à expressão latina 'Cristes maesse', que vertida para o inglês fica 'Christ's Mass", e no bom portugês: ‘Missa de Cristo’.

Tem-se notícias que a primeira celebração do Natal no mundo aconteceu em Roma, no ano 336 D.C. Somando as diversas mudanças de calendário com a ausência de comprovação da real data de nascimento do Cristo, desde os primórdios da celebração do Natal diversas religiões e estudiosos questionaram e criaram novas datas, significados, costumes e ritualísticas diferentes para celebrar o nascimento do sujeito iluminado que veio redimir a humanidade. Criando as mais variadas opções doutrinárias e filosóficas, aí é só escolher a sua e ser feliz.


Portanto, sendo o Natal uma festa muito antiga, derivada até mesmo de outras comemorações pagãs mais antigas ainda, ela junta muitos símbolos e costumes que fazem até um certo sentido: presépios, pinheiros decorados com estrelas e fitas, girlandas, ovos decorados, panetone, peru, rabanada, etc. Até aí tudo bem, a gente tem costume de criar comida diferente e penduricalhos pra várias outras festas tradicionais, mas me expliquem de onde saiu a idéia de colocar um velho barbudo que roda o mundo num trenó voador, puxado por renas voadoras distribuindo presentes numa celebração religiosa?

Para os mais ‘devagares’ o velhinho em questão é o Papai Noel. A figura de Noel foi inspirada num sujeito que existiu de verdade, ele era o Arcebispo de Mirra, uma cidade na Turquia, atual Demre e era conhecido como Nicolau de Mirra. Dizem que Nicolau tinha o costume de anonimamente ajudar pessoas necessitadas, colocando um saco com ouro nas chaminés de suas casas. Depois que ele morreu, alguns milagres lhe foram atribuídos e ele se transformou no famoso São Nicolau.

Um fato importante para a criação do mito do Papai Noel como conhecemos hoje, veio com o poema “Uma Visita de São Nicolau” escrito em 1822 pelo professor norte-americano Clemente Clark Moore, para seus seis filhos. No poema ele dizia tudo sobre as renas voadoras Corredora, Dançarina, Empinadora, Raposa, Cometa, Cupido, Trovão e Relâmpago. Rudolph, ou Rodolfo, a rena de nariz vermelho entrou para o grupo mais tarde, por ter um nariz vermelho e brilhante que ajudava na navegação pelas noites. O poema também falava sobre as chaminés, os presentes e tudo mais.

Já o visual do bom velhinho veio da cachola de Thomas Nast, um cartunista alemão, considerado o pai da charge política. Foi ele que, em 1886, desenhou o São Nicolau para uma revista Norte-Americana especializada em política, a Harper’s Weeklys. Aí sugiram as roupas de inverno do velhinho, que na época, quando coloridas, eram marrons ou verdes.

Esse é o São Nicolau com cara de garoto maroto de Thomas Nast.

Ué, mas a roupa não é vermelha? Então, houve um tempo no qual Nicolau flertou com o líquido negro do capitalismo em troca de uma roupa nova. Foi em 1931, quando a Coca-Cola Company resolve usar o personagem de Thomas Nast como garoto propaganda para sua campanha de natal daquele ano. Nada mais justo e divertido do que vestir o velhinho com as cores da empresa. Pronto, estava criado assim o figurino branco e vermelho para o “Velho Santa”. Considerando a atuação mundial da Coca-Cola, não demorou muito para que a imagem inevitável do Papai Noel, um velhinho simpático em vermelho e branco se espalhasse rapidamente pelo mundo.

Esse é o Papai Noel, ainda fazendo marotagens, com as cores da Coca-Cola.

O Natal é uma celebração mundial de enorme importância. Mesmo sendo uma criação cristã-ocidental, ele já mostra suas cores e efeitos no mundo todo. Por motivos comerciais ou aderindo à festa religiosa, existem paises não cristãos que também se enfeitam, entram no espírito natalino e imprimem sua marca regional neste evento milenar. E agora que a gente já conhece um pouquinho mais sobre o Natal e alguns de seus símbolos (que são muitos), podemos esquecer disso tudo e aproveitar a data pra fazer o que não fizemos durante todo o ano: espalhar paz, amor e concórdia pelo mundo, ou ao menos entre os que a gente ama. E não deixem de aproveitar a festa. Um Feliz Natal a todos!

Cultura & Arte 21.12.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 21 de Dezembro de 2008.

Crônica:
- Então...é Natal!

Cartoon:
- Os Carecas [por Jefferson Silveira]



quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 17.08.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 17 de Agosto de 2008.

Crônica:
- Assalto na 15 [por Kaio Miotti]

Resenha:

- Teatro: Fala, Zé! [com José de Abreu]

Matérias (Especial Teatro):
- Teatro Umuaramense Faz Bonito [Grupo Identidade Teatral fatura prêmio no XXIII Festival de Teatro de Cascavel]
- V Festival de Teatro da Unipar
- Blogs Favoritos
- Agenda Cultural da Semana


terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 27.07.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 27 de Julho de 2008.

Crônica:
- O Que Separa os Adultos das Crianças.

Resenha:

- "Alcool, muito Alcool, Rock, Muito Rock!!!" [Rock Independente, Ripa Na Xulipa, Woollomgabbas em Umuarama]
- O Maior Romance Já Escrito - Os Irmãos Karamazov de Dostoievsky [por Bruno Peguim]

Matérias:
- Agenda Cultural da Semana.



Cultura & Arte 20.07.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 20 de Julho de 2008.

Crônica:
- Um Final.

Resenha:

- O Liquidificador, o Aerocirco e as devidas proporções para um bolo bacana [por Nevilton de Alencar]
- Paraíso do Rock [Festival; Bandas Independentes do PR e SC]

Matérias:
- Agenda Cultural da Semana.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 22.06.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 22 de Junho de 2008.

Poesias:
- Gratidão [Tiago Inforzato]
- Poesia [José Carlos Gonçalves "Maranhão"]
- Guria Estranha [Thiago Calixto]
- Fina Sina I [Nevilton de Alencar Jr.]

Resenhas:

- Livro: Rimbaud na Africa - Os Ultimos Anos do Poeta no Exílio [por Charles Nicholl]
- Teatro: Amor e Loucura [Grupo Roda, de Salvador-BA]
- Ripa Na Xulipa com Nevilton e Coquetel Molotov [Bandas independentes de Umuarama]

- Agenda Cultural da Semana.



Cultura & Arte 15.06.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 15 de Junho de 2008.

Crônica:
- Pior ou Menos Pior?

Resenha:

- Rimbaud : Poesia Completa [Tradução de Ivo Barroso]

Matérias:
- Fun Station : O caixa eletrônico de música e vídeo digital.
- Oficina de Hip Hop em Umuarama.
- Agenda Cultural da Semana.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 25.05.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 25 de Maio de 2008.

Crônica:
- Quinze Minutos

Entrevista (por Ane Pacola):
- Dinho Leme (Baterista dos Mutantes)


Resenha:

- Piaf : Um Hino Ao Amor [La Mome, 2007]

Matéria:
- Renato Russo, um gravador e um violão (O CD do Trovador Solitário)
- Agenda Cultural da Semana.


Cultura & Arte 18.05.08

O dia 18 de Maio de 2008, foi um dia muito especial, publiquei a minha primeira página de jornal, no Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, Paraná.

Mas considerando a imensidão de amigos que moram em locais onde o Umuarama Ilustrado não chega e sempre me pedem pra ler; considerando que, além dos amigos, existem várias pessoas que poderiam ser tocadas pelas mensagens da "Cultura & Arte"; estão aí, os PDF's do jornal, para que você, em qualquer parte do mundo, possa ler. Desde que leia o Português, obviamente.

As páginas serão disponibilizadas em posts distintos. Por motivos tecnológicos diversos, algumas edições não existem em PDF, só em papel mesmo e ficarão de fora (infelizmente, mas não tem jeito). Aproveito a chance para agradecer e dar créditos ao Magrão, o diagramador do jornal; ao Osmar, o editor e ao Ilídio, o Diretor Presidente do Ilustrado. Obrigado mesmo.

Bom, essa é a página inaugural, originalmente publicada em 18 de Maio de 2008.

Crônicas:
- O Medo das Letras
- Uma Manhã

Matérias:
- Dê-se a honra dessa dança (Festival de Dança da Unipar)
- Festival de Cannes 2008
- Seminário de Cinema de Umuarama

- Independente, seja um você também (Bandas Independentes de Umuarama)
- Agenda Cultural da Semana


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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Confluências, Conexões e Conseqüências.

É, tem horas em que tudo é mais metafísico do que o normal. Muito mesmo. Divirtam-se.

Noite passada, primeiro de Dezembro, aconteceu um fenômeno astrológico que se repete a cada 44 anos, agora só em 2052. Os atentos (ou desatentos) que andam por aí olhando para o céu, tiveram o prazer de se deparar com a Lua crescente entrando em conjunção com Vênus e Júpter. Eles formaram um lindo triângulo no céu, ou para os mais imaginativos, uma carinha triste, só que de ponta cabeça.

Taí a carinha tristonha...

Mas na Austrália, era um sorriso lindão!!!

Voltei do trabalho olhando para o céu, maravilhado. Cheguei em casa correndo e saí de casa correndo, só pra poder acompanhar o evento por mais tempo. Não deu certo, já passava das 22h e os planetas já não estavam mais tão visíveis. Só me restou ver a Lua, grande e alaranjada, já baixa no horizonte, se camuflando por trás das nuvens e das árvores até desaparecer do céu. Virei as costas e segui sem rumo pela mesma rua, meio sem saber pra onde ir.


Daqui pra frente, eu recomendo esta trilha sonora: Elvis Perkins - Moon Woman II. Aperte o play e curta a música enquanto lê o texto. Depois volte e veja as moças de biquini e o Anthony Perkins.

Eu caminhava ao som de Elvis Perkin e, quando percebi, havia chegado a um lugar onde, há um tempo atrás, eu perdi algumas coisas bonitas que eu tinha, uma dessas esquinas sujas de Umuarama. E ali, parado, não via mais sinal do meu holocausto, o cenário já havia voltado ao normal, a cidade já havia cicatrizado e as baratas e o lixo universitário já estavam novamente recolocados em seu lugar. Era tudo só na minha cabeça agora - ainda.

Olhei para o outro lado da rua, o vigia do posto de combustíveis estava se entretendo com algum bicho que estava no chão, me pareceu um rato meio grande, então o astigmatismo e a curiosidade me fizeram aproximar. Me deparei com um gambá que cambaleava, meio sem saber pra onde ir. Então o vigia me olhou e sorriu, eu olhei pra ele e sorri de volta. Ele levantou o pé e pisou com força na cabeça do gambá, esmagando-a contra o meio-fio, enquanto o bicho tentava voltar pra sarjeta e fugir pelo bueiro de onde havia saído. Virei as costas e voltei pelo mesmo caminho de onde eu havia chegado.

Depois daquilo decidi rumar pra casa. Enquanto eu caminhava e insistentemente ouvia o Elvis Perkins, meus neurônios fritavam tentando criar um contexto que ligasse tudo aquilo. E foi assim que eu percebi que é bem fácil se desfazer das coisas, de qualquer uma, deixá-las de lado ou destruí-las, mas isso acontece num mundo do qual eu ainda insisto em afastar de mim. Vi que concreto aceita tudo, absorve nossas sinas e pecados e finge que nada aconteceu, como muitas pessoas de carne e osso por aí. Que pisar na cabeça de um bicho é mais fácil do que chamar o agente da “Força Verde”, que estava no Bar Carioca tomando um café (sim, eu passei por lá), para tratar do assunto. Que Umuarama, às vezes, tem o que ensinar.

No fim, o erro do gambá foi o mesmo que o meu: ter saído de casa pra ver a lua. E o meu destino foi o mesmo que o dele: ter a cabeça esmagada contra o meio-fio. Mas falando em lua, estou até agora tentando achar uma interpretação ou conseqüência astrológica para essa conjunção de astros no céu. A moça do Jornal da Globo disse que ia ser um ótimo período para “Concretizar trabalhos antigos e consolidar novos”, principalmente pra quem é do signo de Capricórnio. Mesmo não achando explicação melhor, e muito menos sendo de Capricórnio, estou certo de que os fatos comprovam a previsão. É assim que voltamos à Lobservar.
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domingo, 3 de agosto de 2008

Nós somos os Super-Heróis




Quando mais novo eu sonhava em ser um Super-herói. Ter poderes incríveis e ser invencível. Desta forma poderia me defender dos “fortões-encrenqueiros” do colégio e impressionar as meninas. Ah, é claro, também ajudaria a fazer do mundo um lugar melhor, ajudando e defendendo a todos que precisassem de ajuda (e assim impressionaria ainda mais as meninas!). Mas a gente cresce e esses desejos acabam perdendo força, já que aprendemos que somos apenas humanos, falíveis e mortais.

Um dia descobri que existe uma forma simples de realizar aquele sonho antigo de ser herói. Bom, na realidade existem várias maneiras, o mundo precisa diariamente de boas pessoas fazendo boas ações, mas falarei de uma em particular, a Doação de Sangue.

Doar sangue é um ato de extraordinária nobreza e simplicidade. Não envolve dinheiro, não prejudica ao doador, já que sangue todos temos de sobra (diferentemente do dinheiro). É simples questão de um pouco de tempo e boa vontade, o que se pressupõe que todos temos.

A demanda por bolsas de sangue é diária e imensa, mas não existe estoque para tanto, pois não há doadores o suficiente. Nos hospitais do nosso Estado estão as vitimas da violência ou do trânsito, pacientes que passaram por cirurgias e diversas outras pessoas que, fatalmente, precisam repor sangue perdido. Mas o que há de se perceber é que, independente dos motivos, são todos seres-humanos precisando de ajuda. Uma ajuda viável e simples, que está literalmente em nossas mãos (e no resto do corpo).

Minha história pessoal como doador pode servir para inspirar alguém, então lá vai:


Sala de espera do Hemonúcleo de Umuarama.

Na semana seguinte do meu aniversário de 18 anos, idade mínima pra ser doador, corri ao hemocentro de Umuarama e fiz minha primeira doação. Tendo doar voluntariamente a cada seis meses, e sou sempre muito bem recebido por lá. Algumas vezes minha saúde não permite a doação, pois além da qualidade do sangue, existe a preocupação com a saúde e o bem estar do doador. Bom, isso não me desanima e continuo a comparecer no Hemocentro periodicamente. O procedimento é rápido: em menos de 40 minutos se preenche os formulários necessários, faz-se a entrevista e doa-se o sangue. Depois ainda rola um lanchinho gostoso que só os doadores sabem como é bom. E tem mais, alguns dias depois da doação, você recebe uma carteirinha de doador e um exame completíssimo do seu sangue. Tudo de graça.

Numa das vezes, enquanto estava tomando meu lanchinho e conversando com as enfermeiras após a doação, elas disseram que o meu sangue estava indo direto para o hospital, pois havia uma moça – casada e com filhos - muito necessitada do meu sangue, e que eu iria salvar sua vida. Saber que meu sangue fez com que filhos continuassem a ter uma mãe viva para abraçar, que um marido poderia continuar a dar um beijo de bom-dia na esposa amada e que dezenas de familiares e amigos não derramariam lágrimas, mas brindariam o dia com sorrisos, me fez ser invadido por um sentimento de missão cumprida, talvez o mesmo sentimento que o Super-homem ou o Batman sentem quando salvam alguém. Naquele momento eu, assim como eles, era um Super-humano.

Muitas pessoas vão doar sangue para repor o utilizado por algum conhecido, mas creio que o grande prazer está na doação voluntária. Ajudar a quem não se conhece, apenas pelo ato de ajudar. Qualquer pessoa com idade entre 18 e 65 anos, boa saúde, mais de 50 quilos, portando algum documento com foto, desde que esteja bem alimentado, pode se candidatar como doador. Não existe motivo para ter medo, o seu organismo não vai mudar, você não vai emagrecer (que peninha...) ou engordar (ufa!); seu sangue vai continuar igualzinho, talvez até melhor, pois a quantidade retirada vai ser renovada por células novas; o material utilizado no procedimento é completamente descartável e o atendimento é feito em um ambiente limpo e acompanhado por profissionais de saúde capacitados. A satisfação é garantida!


A equipe mais sorridente e prestativa do Paraná!

Sala de doações.


Se você sentiu uma vontade louca de salvar vidas e, como eu, acha que doar sangue não é o suficiente, converse com o pessoal do Hemocentro sobre a doação de Medula Óssea. Ali mesmo existem folhetos explicativos e muita gente que entende do assunto para te ajudar a salvar mais e mais pessoas de formas diferentes.

Lembrando também da doação de Órgãos e Tecidos, a qual pode ser feita através da simples manifestação de vontade do doador. Portanto, deixe todo mundo sabendo da sua vontade de ajudar. Visite o site: http://www.adote.org.br e se informe mais.

Salvar o mundo todo pode ser coisa para os heróis do gibi, mas garanto que você não vai fazer feio salvando algumas vidas.

Para quem interessar, o endereço do Hemonúcleo de Umuarama é: Av. Manaus, 4.444, esquina com a rua Desembargador Lauro Lopes, ao lado do Centro Cultural Schubert, no Centro Cívico. O atendimento é realizado das 8h às 12h e das 14h às 16h.


Apareça por lá!


Espalhe a idéia, coloque o banner abaixo em seu blog ou site!


e faça o link para este endereço:
http://lobservando.blogspot.com/2008/08/nos-somos-os-super-herois.html



Muito obrigado.


quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando as Memórias Ferem...

Há muito o que fazer
Lugares a chegarNão há muito o que dizerE o bastante a se pensar


Não os deixarei totalmente solitários, visistem sempre nosso novo site:


E como sempre, Vinícius vem com a palavra sob medida.
Um grande abraço e até breve.
(Sim, eu volto.)

Mensagem à Poesia
(Vinícius de Moraes)

Não posso
Não é possível

Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"