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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fora do Mundo


Eram 3:17 da manhã e os números vermelhos do relógio pareciam monstruosas inscrições iluminadas ao lado de sua cama. Podia sentir o calor daqueles pequenos feixes de luz lhe cutucando a cara - segundo após segundo. O travesseiro sufocava, o lençol esmagava, a cama o expulsava como se não admitisse ser traída, por aquela insônia cada vez mais constante. Levantou-se.

Pôs-se a andar pelo quarto como se estivesse com pressa de chegar a algum lugar, a alguma conclusão, mas nada mais fazia qualquer sentido. Queria dormir, mas não queria dormir; queria comer, mas estava sem fome; queria e não queria tudo no mundo. Não havia nada mais o que fazer, exceto tentar seguir os impulsos que sobrevivessem àquela autofagia. Vestiu-se e simplesmente saiu pra rua, sem destino certo.

Enquanto caminhava ouvia o ruído da cidade. O Silêncio. Não havia carros, risos, gritos ou qualquer sinal de vida. A cidade era morta. “Morta às 3:40 da manhã, de uma sexta-feira!” – pensava inconformado. Os semáforos, com os seus clicks ao fundo eram o único indício vida “inteligente”. Fora isso, lhe restava o sussurro das árvores e o som dos seus próprios passos.

Já havia caminhado por tês quarteirões e nenhum sinal de pessoa ou alma penada. Sequer um gato sarnento ou um cão perdido, sequer o maldito demônio se mostrava. Não havia qualquer pessoa por ali e, pelo visto, nem a muitos metros ao seu redor. Estava insone e solitário no centro da cidade. “Se me aparecesse o diabo eu agradeceria, ao menos alguma ação haveria” - resmungava.

Sentou-se num banco da calçada e acendeu o seu cigarro. Havia começado a fumar na tentativa de ter alguma doença e animar a vida, mas ainda não havia sinal de qualquer câncer ou mesmo uma bronquite. Sentir seu raciocínio minguando talvez seja um bom sintoma de uma grande catástrofe interna a estourar. Era mesmo o que esperava. Emocionava-se no mundo das suposições.

Voltou ao seu banco na rua e, enquanto sorvia a fumaça amarga, continuava a procurar por sinais de vida sem obter resposta. A rua continuava completamente vazia. Era como se a vida estivesse em outra dimensão e, por alguma maldição ele estava na dimensão errada, onde ele era o único ser vivente. Sentiu-se deslocado. Sentiu-se desolado. Sentiu-se no lugar errado mais uma vez.

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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