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quinta-feira, 23 de junho de 2022

A Possible and Necessary Global Working Definition of Law

Small essay writen for the University of Turin, Italy, June 2022.


Abstract:

Inspired by the discussions carried out on Werner F. Menski's book “Comparative Law in a Global Context: The Legal Systems of Asia and Africa”, specially by the discussion on Chapter “3.8 A global working definition of law”, this essay aims to propose a global working definition of Law, which can be helpful to legal studies in general and comparative law studies in particular; as well as discussing its terms, use and consequences.


Keywords: comparative law; international law; legal studies; definition of Law




quarta-feira, 22 de junho de 2022

Human Rights on the Sovereign Debt Restructuring Global Framework

Small essay writen for the University of Turin, June 2022.


Abstract:

This essay examines the present global context of the power relations and the difficulties which involve the creation of a Human Rights aligned global framework for the restructuring of the Sovereign Debt which would protect a large amount of people to suffer from adverse impacts caused by any stronger financial instability if their countries had to apply all of their resources to pay their sovereign debts in a forced, non humanized and unstructured manner. Theoretical papers, internet news, as well as the United Nations General Assembly and the United Nations Human Rights Council resolutions on this topic were examined in light of the Basic Principles in Sovereign Debt Restructuring Processes, which should be the core principles over which a global regulatory framework should be developed. It is also considered the important role of every State, especially the ones which have been harmed, to stand for their rights to be respected and improve their efforts to drive their own agenda aiming at the creation of a fairer, more democratic and equitable international order, one that truly embraces all its actors, bringing benefits to their populations, enhances Human Rights respect and protects the of States with equanimity.


Keywords: Sovereign Debt Restructuring; International Development; Human Rights; Guiding Principles


Read the Article


segunda-feira, 20 de junho de 2022

A Teoria da Transnormatividade como Solução dos conflitos entre o Direito Internacional e o Direito Interno Brasileiro

The theory of transnormativity as solution of conflicts between the international law and the brazilian internal law.


Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Direito Internacional do CEDIN - Centro de Estudos em Direito e Negócios, em Janeiro de 2020.


Resumo:

Considerando a nova dinâmica de relações internacionais na contemporaneidade, não só entre Estados, mas, também, entre outros sujeitos de Direito Internacional que foram surgindo durante o desenvolvimento histórico natural da sociedade e da comunidade internacional, se faz necessário novos paradigmas para melhor análise e posicionamento jurídico frente esta nova realidade. Neste contexto, traz-se a teoria da Transnormatividade como uma alternativa eficaz e coerente com esse novo contexto de relações jurídicas internacionais e, sob sua ótica será analisada, em especial, a relação entre as normas internacionais e o ordenamento jurídico brasileiro.

palavras-chave: Transnormatividade. Internacionalização do Direito. Comunidade Internacional. Soberania. Ordenamento Jurídico Brasileiro.


Abstract:

Considering the new dynamics of international relations in the contemporary world, not only between States, but also among other subjects of international law that arose during the the natural historical development of society and the international community, it is necessary new paradigms for better analysis and legal positioning facing this new reality. In this context, we present the theory of Transnormativity as an effective and coherent alternative to this new context of international juridical relations and, under its perspective, we will analyze, in particular, the relationship between international norms and the Brazilian legal system.

Keywords: Transnormativity. Internationalization of Law. International Community. Sovereignty. Brazilian Legal System


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Monografia - 43 p.

Artigo - 31 p.


domingo, 19 de junho de 2022

A Aplicação do Conceito de Crime de Menor Potencial Ofensivo nos Juizados Especiais Criminais: uma análise comparativa entre as leis 9.099/95 e 10.259/01

 The application of the concept of a crime of lesser offensive potential in special criminal courts: a comparative analysis between laws 9.099/95 and 10.259/01.


Monografia Jurídica, aprovada com mérito, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel no Curso de Ciências Jurídicas na Universidade Paranaense - UNIPAR, em Novembro de 2003.



RESUMO

O presente trabalho tem como finalidade esclarecer o conceito de crimes de menor potencial ofensivo e sua aplicação face ao conflito legislativo e conceitual envolvendo as Leis 9.099/95 e 10.259/01, que regulamentam os Juizados Especiais Estaduais e os Federais, respectivamente. Estudar-se-á, também, as consequências jurídicas de tal conflito hermenêutico, tanto em âmbito constitucional, quanto, é claro, das consequências penais (materiais e processuais). Para tanto, traremos ao texto os motivos e princípios que levaram à criação dos juizados especiais, estaduais e federais, além de toda a discussão a respeito do papel do Poder Judiciário numa sociedade que vê seus valores mudando cada vez mais rápido, porém não vê as instituições guardiãs de seus direitos acompanharem de forma satisfatória essa evolução.

Palavras-chave: processo penal, conceito, menor potencial ofensivo, juizados especiais criminais.

 

 


ABSTRACT

This paper aims to clarify the concept of crimes of lesser offensive potential and their application in the face of the legislative and conceptual conflict involving Laws 9,099/95 and 10,259/01, which regulate the State and Federal Special Courts, respectively. It will also study the legal consequences of such a hermeneutic conflict, both in the constitutional sphere and, of course, the criminal consequences (substantive and procedural). To this end, we will bring to the text the reasons and principles that led to the creation of the state and federal special courts, in addition to the entire discussion regarding the role of the Judiciary in a society that sees its values changing more and more rapidly, but does not see the institutions that guard its rights satisfactorily keeping up with this evolution.

Keywords: criminal procedure, concept, lesser offensive potential, special criminal courts.




Monografia em PDF





domingo, 20 de novembro de 2016

Livro : O Céu e o Inferno [1865, Allan Kardec]

Comentários ao capítulo IV - O Inferno, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.
Capa para uma das muitas edições da Federação Espírita Brasileira


O Céu e o Inferno, ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo (Le Ciel et l'Enfer, ou La Justice Divine Selon Le Spiritisme), é um dos livros básicos do Espiritismo. Foi publicado por Allan Kardec, em 1º de agosto de 1865, após vários anos de observações e estudos. Composta de duas partes, a obra traz luz sobre o mecanismo da Justiça Divina, sempre de acordo com o princípio evangélico: "A cada um segundo suas obras".

A primeira parte do livro é dedicada a um exame crítico e filosófico, sob o paradigma Espírita, de vários assuntos relacionados aos sentimentos de medo e culpa que desenvolvemos, através dos tempos, tanto pela religião, quanto por outros aspectos culturais. Sentimentos e costumes que podem, conforme Kardec, ser eliminados através do exame racional aliado aos conhecimentos científicos conquistados pela humanidade durante sua evolução.

A segunda parte do livro é uma compilação de vários diálogos que Kardec estabeleceu com diversos espíritos, os quais descrevem as impressões e sentimentos advindos do processo de desencarne (morte). Desta forma, pode-se comparar as diferentes experiências conforme diferente é o carater de cada espírito comunicante.

Por ocasião de um seminário apresentado no dia 05 de Outubro de 2016, em aula do curso de Espiritismo da Federação Espírita de São Paulo, coube ao meu grupo discorrer sobre o capítulo IV - O Inferno. Tal capítulo trata dos temas: intuição das penas futuras; o inferno cristão imitado do inferno pagão; os limbos; quadro do inferno pagão; esboço do inferno cristão. Como resumo deste seminário, escrevi o texto abaixo, o qual gostaria de compartilhar com todos.

.......

Desde que se tem notícias, sempre houve, na humanidade, a idéia de uma vida futura, após a morte. E os detalhes de como seria essa vida futura variam conforme o nível evolutivo, científico, moral e religioso de cada civilização. Se materialista, a vida futura dos justos era envolta de prazeres materiais abundantes; e, quanto mais espiritualizada, os prazeres eternos do Paraíso iam se deslocando para a felicidade moral, e a leveza da consciência. Da mesma forma, os medos culturais e as dores físicas cotidianas eram transferidas para o Inferno. Por exemplo, civilizações que viviam cercadas de gelo, criaram infernos extremamente gelados; já as civilizações de climas quentes, criaram infernos insuportavelmente quentes. As civilizações mais avançadas, que já entendiam as relações morais da vida, criavam infernos onde as punições doíam na consciência, pela culpa das más atitudes tomadas em vida; em oposição ao paraíso, morada dos justos e de consciência tranquila, a desfrutar a paz eterna. E assim por diante.

Entretanto, apesar das várias formas de representação da vida futura, vale ressaltar o quanto esse conceito antiqüíssimo é comum e possui confluências conceituais, mesmo tendo se manifestado em várias civilizações diferentes, que não se comunicavam, espalhadas e distantes ao redor do mundo. O que nos leva a considerar a existência de uma intuição comum a todo ser humano, um conhecimento espiritual, que as almas de cada ser encarnado trazem consigo, sobre uma existência ditosa ou não, conforme a vida que se levou aqui na Terra.

Focaremos na idéia do Inferno, tema do capítulo estudado. Dada a antiguidade do conceito de que existe um lugar para punições na “vida pós morte”, podemos afirmar que o Inferno não é uma invenção da igreja Católica. O que ela fez foi apenas agregar sua interpretação e seus dogmas às idéias de inferno Pagãos, cultura que combatia e desejava subjugar, piorando o máximo possível a descrição dos sofrimentos. Desta forma, criava imagens horripilantes para causar bastante medo em seus fiéis, o suficiente para mantê-los tementes, sob controle e contribuindo financeiramente com a Igreja, sem questionar, afinal questionar a igreja levava ao Inferno, por toda a eternidade.

O inferno Católico é um lugar onde os espíritos de quem não é católico e levou uma vida desregrada, cheia de atos considerados pecado pelo catolicismo, recebem punições eternas e insuportáveis. É um inferno de caráter duplo, obviamente incongruente, pois pune, com dores físicas, espíritos que não possuem corpo físico. De certo, o caráter meio materialista meio espiritual desse inferno é resultado do estágio intermediário de evolução da humanidade ocidental durante o período no qual esse inferno foi confeccionado.

Por ser um amálgama de idéias de outras crenças não católicas, temos muitas coisas em comum entre o inferno Pagão e o Católico, sendo, como já dissemos, pioradas na descrição católica. Por exemplo, para os Pagãos, o Rei dos Infernos é Plutão, que está lá apenas gerenciando, recebendo e punindo quem por lá chegar, sem fazer qualquer outro tipo de juízo, ele faz o que deve ser feito pois esse é o seu trabalho e ponto. Já no inferno Católico, o Rei dos Infernos é Satanás que, além de punir as almas que por lá chegam, também é responsável por criar armadilhas e tentações para humanos desavisados, com o fim de angariar sempre mais almas para as suas masmorras.

Os pagãos situavam o Paraíso e o Inferno em um lugar físico. O Paraíso, para além das nuvens e o Inferno nas profundezas da terra. Os católicos, por muitos séculos, também fizeram o mesmo. Tiveram que mudar de idéia pela impossibilidade de manter tal crença, já que, após processos científicos de observação do subsolo e dos céus, comprovou-se não existir resquício algum de qualquer estrutura infernal sob a terra ou paradisíaca sobre as nuvens. Kardec aprofunda essas comparações no capítulo “quadro do inferno pagão”, citando a descrição de Inferno feita por François Fénelon, no conto sobre Telêmaco; e no capítulo “esboço do inferno cristão”, aprofunda-se sobre os estudos e digressões católicas, questionando-as e as comentando.

Sabendo que o Paraíso era para os bem aventurados, que viveram para a igreja Católica, seguiram todos os seus preceitos e pagaram todas as suas ‘tarifas’; e o Inferno era para os seus opostos, o que seria da vida futura daqueles Católicos que, por algum motivo falharam, que fizeram quase tudo certo e, por forças irresistíveis ao humano médio, pecaram? Como ficariam aqueles que se esforçaram muito mas, como a carne é fraca, se tornaram impuros para a vida eterna no Paraíso? Para cobrir essa lacuna, onde certamente estariam a maioria dos fiéis, criou-se o Purgatório, um lugar para onde iriam esses espíritos, os quais seriam eternamente punidos, de forma mais leve do que no inferno, mas aguardando a misericórdia divina, a intervenção dos Santos ou as orações dos vivos rogando para que Deus os perdoasse as faltas e os aceitasse no Paraíso. Desta forma, mesmo que ainda escravos dos prazeres da carne, ainda valia a pena tentar ser Católico e contribuir com o dízimo.

Entretanto, ainda restavam sem domicílio eterno as almas que não tiveram a oportunidade de conhecer a Luz de Deus, conforme os dogmas Católicos; que não foram batizados, que não participaram da comunidade Católica, o que viveram à margem de Deus, como os selvagens, as crianças mortas antes do batismo e todos os justos que vieram antes da vinda de Jesus Cristo. Para estes criou-se o Limbo. Limbo significa, literalmente, borda, margem, extremidade. 

Para os justos que viveram anteriores à Jesus, dizem ter havido um limbo especial, o Limbo dos Patriarcas, que foi extinto quando Jesus, após ser crucificado, foi até lá e perdoando os pecados, recolheu a todos que lá estavam, como prêmio por sua fé. Mas, subsiste até hoje e se manterá por toda a eternidade, conforme os Católicos, o Limbo para os demais espíritos, que lá passarão a eternidade, sem direito à salvação. Idéia extremamente contrária à infinita misericórdia e amor de Deus por toda a sua criação.

Todos estes cenários, independente da cultura nos quais foram criados, onde existam punições eternas sem chance de “revisão da pena”, são monumentos à imperfeição de Deus e, atualmente, por não terem lógica alguma são, também, um convite ao ateísmo. Criou-se a imagem de um Deus que pune, que julga, que cria os seres imperfeitos e os condena pelas atitudes imperfeitas inerentes a isto; um Deus quase humano, instável e não confiável. Essa imagem de Deus entra em conflito com a mensagem do Cristo e a intuição que todos temos, intimamente, sobre Ele, gerando dúvidas e desconfianças sobre a fé que deveríamos cultivar. Assim, conclui Kardec que o Dogma do Inferno, ao contrário de dar autoridade e respeitabilidade à Deus, apenas O diminui, transformando-O em uma entidade tão imperfeita e questionável quanto o ser humano, esta sim é uma verdadeira e imensa blasfêmia.

No sentido oposto, temos a doutrina Espírita e sua visão da vida futura, das Leis Universais, pelas quais os Espíritos colhem exatamente o que plantam e na justa proporção do que plantaram. Que tira o Paraíso de o Inferno de lugares físicos, exteriores ao ser humano e os coloca onde é mais lógico que estejam: sob a nossa responsabilidade, dentro de cada um de nós (como bem ilustra a capa da edição que ilustra o início deste texto). O Inferno somos nós mesmos e não mais os outros, como dizia Jean Paul Sartre.

Desta forma, o Espiritismo enaltece a perfeição de Deus, Sua justiça, misericórdia e amor infinitos. E, além de tudo, alinha-se com vários livros sagrados, principalmente a Bíblia e as palavras de Jesus Cristo, de forma harmoniosa, sem a necessidade de malabarismos interpretativos esdrúxulos e duvidosos.

Entretanto, por mais absurdas que seja a idéia do Inferno como local eterno e irreversível de punição, ainda é necessário que ela exista. Pelo temor que causam, são, para vários grupos de pessoas em estágios de evolução espiritual ainda primária, a única forma de limite de consciência, de provocar reflexões e frear atitudes contrárias às Leis Universais. Fica, portanto, à cargo do Espiritismo, o trabalho firme e constante, através da educação e da promoção da fé raciocinada, de combater estes conceitos defasados, ao ponto em que eles não sejam mais necessários, proporcionando a todo ser humano uma conexão direta e verdadeira com o amor, a justiça e a misericórdia, enfim, com a perfeição infinita de Deus.


domingo, 17 de abril de 2016

Livro : A Caminho da Luz [1939, Emmanuel e Chico Xavier]

Comentário aos capítulos XVI ao XX - da queda do Império Romano ao Renascimento.

Link para download gratuito do livro completo.



Capa da primeira edição do livro, de 1939.

Francisco Cândido Xavier, famoso médium espírita, psicografou 412 livros durante os mais de 70 anos de trabalho ininterrupto pelo espiritismo. Isso dá uma média de 6 livros por ano, uma produção impossível para um homem comum, ainda mais se considerarmos sua pouca formação escolar; doenças oculares como o estrabismo no olho direito, o deslocamento do cristalino no esquerdo; a profundidade filosófica e científica dos textos; além do tempo utilizado em outras atividades como a psicografia das famosas cartas, as viagens, as palestras, entrevistas, o trabalho nos Centros Espíritas e as coisas naturais da vida como dormir, comer e tomar um banhozinho, pois ninguém é de ferro.

Um desses livros, publicado em 1939, é o "A Caminho da Luz". Psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito de Emmanuel, o livro conta, pela ótica Espírita, o desenrolar dos fatos desde a criação do planeta Terra até o advento da Doutrina Espírita, em 1857, através de Allan Kardec e, ainda, aponta o trajeto a seguir, dando elementos para entendermos a história contemporânea e o nosso futuro. Como explica o próprio Emmanuel, no Antelóquio do livro : "Não deverá ser este um trabalho histórico. A história do mundo está compilada e feita. Nossa contribuição será à tese religiosa, elucidando a influência sagrada da fé e o ascendente espiritual, no curso de todas as civilizações terrestres.".

Entendo que a intenção maior do livro é chamar a atenção para a existência da providência divina e nos lembrar que ela age, amorosa e incessantemente, através dos tempos, por meio de uma equipe espiritual, formada por entidades muitíssimo evoluídas, que agem em nome de Deus, e cuidam para que os planos Dele se mantenham no eixo. Ainda melhor nas palavras de Emmanuel, registradas nos primeiros parágrafos do capítulo "I - A Gênese Planetária": "Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos...".

Introduzido o contexto do livro, passo aos fatos.

Para o curso regular de Espiritismo da Federação Espírita do Estado de São Paulo, o qual estou cursando, a sala foi dividia em grupos e cada qual cuidou de resumir e explicar, num seminário de 15 minutos, um conjunto de capítulos. O grupo no qual participei cuidou dos capítulos XVI ao XX, que falam desde a do Império Romano até a chegada do Renascimento, passando pela Idade Média.

Durante quase um mês de conversas e troca de informações com os companheiros do grupo, tentei, sem sucesso, ordenar as informações pra que pudéssemos apresentar o trabalho, com clareza, frente à sala. Mesmo tendo sido a segunda vez que lia o livro, a linguagem complexa e o grande número de nomes, datas e referências me embaralhavam  como sempre  as idéias. Até que chegou a manhã do inevitável dia da apresentação, resolvi, então, anotar alguns tópicos para, pelo menos, não me perder durante a fala.

Sentei-me, armei-me de uma folha de almaço e uma caneta, pedi ajuda e, por alguns minutos, olhei para índice do livro, aos capítulos referentes ao meu grupo, enquanto tentava, mais uma vez, organizar as idéias. Iniciei a primeira anotação e, o que deveria ser alguns lembretes se transformou em vários parágrafos de um texto no qual tudo fazia um sentido que até minutos atrás não existia. Depois de 30 minutos, escrevendo sem parar, sentindo as idéias se ajuntarem na cabeça e escorrerem até o papel, eu tinha duas páginas e meia de almaço, resumindo todo o conteúdo referente aos capítulos do meu grupo de trabalho. Inspiração. Agradeço aos amigos invisíveis pela ajuda. Algumas leves correções estilísticas depois, o texto me pareceu tão bom que resolvi publicá-lo aqui no blog para quem, assim como eu, teve dificuldades no entendimento destes capítulos ou precisa de alguma chave a mais para entender um pouco mais do livro todo. Porém, aviso que o mergulho aqui não é fundo, ainda não tenho essa capacidade.

Antes, vale lembrar que, de acordo com o livro, nos planos de Deus para a humanidade, a missão do Império Romano era de ser um facilitador para a disseminação do Evangelho, a Boa Nova que facilitaria a religação do homem materialista com a espiritualidade universal e as Leis do Criador. Depois de várias tentativas durante os tempos, contando com a ajuda de outros emissários como Zoroastro, Confúcio, Buda, etc, desta vez, a Mensagem seria trazida pelo próprio Cristo, o Espírito mais evoluído da Terra, o Governador Planetário. Por isso, através da ajuda invisível e da encarnação de grandes espíritos, Roma consegui se expandir através da quase totalidade do mundo ocidental antigo e conhecido, tornando-se o maior império em abrangência geográfica e organização estrutural que havia existido até então.

Segue, daqui, o texto apresentado em sala:

Tendo em vista a falha de Roma em cumprir sua missão de ser a base social para a expansão das ideias cristãs, principalmente por causa de se vincularem e promoverem ideias materialistas como a vaidade, o orgulho, a sensualidade e a belicosidade, os espíritos encarregados, da mesma forma que auxiliaram na formação do Império Romano, tomaram providências para que ele fosse desmontado, cessando com a ajuda. Além do mais, há de se considerar que atitudes materialistas e não cristãs, como as de Roma, só poderiam resultar na instabilidade social e na impossibilidade da manutenção da ordem política em uma área tão grande. Afinal, é natural a instabilidade e a destruição de tudo o que não segue as Leis Divinas, que também podem ser chamadas de Leis Naturais, por serem perfeitas e imutáveis através da eternidade.

A Igreja Católica, nascida do Cristianismo, vinculou-se ao estado romano e foi infectada pelos mesmos valores e costumes distorcidos, que gerariam muitos problemas para a instituição no futuro. Mas tais problemas, como as atitudes autoritárias e centralizadoras, também trariam coisas boas para a humanidade, séculos depois. Como, por exemplo, o Protestantismo, que veio por Lutero, movido pela insatisfação com as posturas dogmáticas católicas, libertou a Bíblia dos armários secretos dos mosteiros e a colocou nas mesas do povo.

Com o desmonte do império, a força política que unia aquele emaranhado de nações e culturas cessou, fazendo com que cada um procurasse o seu lugar ao sol e sua própria organização, mas sem a estrutura e a cultura romana, que foi abnegada, deixada de lado, pois ela simbolizava o antigo algoz, do qual todos queriam manter distância e, se possível, esquecer para sempre. Este movimento levou a humanidade tempos de ignorância, a Idade Média, Idade das Trevas, a Era do Feudalismo. E sem a visão Espírita é impossível de explicar o infinito amor e a misericórdia divina frente a tão obscuro período.

Apesar de ter sido quase uma volta ao total primitivismo, tudo sempre acontece sob a vigilância misericordiosa da equipe espiritual que, entre várias ações, enviou o espírito que foi um dos mais nobres imperadores romanos, leal trabalhador do Cristo, que reencarnou como Carlos Magno, e reorganizou a estrutura do mundo ocidental, tão fragmentada após a queda do império romano. Durante os 46 anos de seu governo, Carlos Magno deixou uma nova base cultural e administrativa que possibilitaria a continuidade dos planos divinos.

Portanto, durante o período da Idade Média, sem a refinada estrutura cultural e social de Roma, a humanidade voltou à lida diária com a terra, o que gerou a valorização do trabalho e a conexão, novamente, e de forma mais fundamental, com a natureza. E através dessa existência mais humilde e sem qualquer conforto, ressurgiu, no coração dos homens, de forma mais forte, o sentimento da existência de um deus que a tudo rege. Foram, assim, a fé e a resignação retrabalhadas íntima e profundamente na humanidade, através das dores, doenças e outras inumeráveis dificuldades comuns àqueles tempos.

Nessa época, a Igreja Católica estava cada vez mais poderosa e parecia intocável. Era manipulada por espíritos infelizes e ignorantes que, tentando a todo custo evitar a expansão do Amor e da Caridade pelo mundo, usaram a instituição como protagonista de atividades bárbaras e reprováveis pela Lei de Deus, como as Cruzadas e a Inquisição. Todo o esforço era válido para abafar as verdades que colocariam a humanidade à caminho da luz e, em xeque, tudo o que alimentava seus vícios e desvios morais que tanto lhes davam prazer.

Entretanto, como já dito, os trabalhadores espirituais do Cristo se mantiveram sempre vigilantes e ativos, enviando, de tempos em tempos, emissários do alto para auxiliar a humanidade a manter-se no caminho, ou, pelo menos, não se afastar muito dele durante esta parte escura e difícil da jornada. Para isso, encarnaram, tanto na sociedade civil, quanto entre os nobres e o clero, baluartes da mensagem cristã que, munidos de amor e misericórdia, traziam ideias e métodos novos para melhorar as condições de vida material e espiritual das pessoas. Religiosos, Filósofos, Inventores, todos de coração e alma iluminados, mantiveram vivos o pensamento e as atitudes benéficas. Vide Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São Tomás de Aquino, Roger Bacon, entre outros.

Se é através das limitações que temos as melhores inspirações, durante as provas e expiações da estreitíssima Idade Média, a humanidade se desarmou das vaidades de outrora e se colocou novamente sensível aos pequenos detalhes da vida e do Universo, despertando, mais um vez, como não acontecia desde os gregos, a curiosidade que motivaria as descobertas, as invenções, os questionamentos e demais eventos que desaguariam no Renascimento. Transformando, até mesmo, o próprio corpo humano, objeto tão cotidiano, em algo sublime, divino.

Assim sendo, com uma nova base social e espiritual instalada, à partir do Sec. XIV, vários espíritos iluminados começaram a reencarnar trazendo novos e mais avançados conhecimentos em todas as áreas. Ciência, Filosofia, Religião sofreriam à partir daí, grandes revoluções e, auxiliado pela invenção da imprensa, por Guttemberg e pelas grandes navegações da Escola de Sagres, que possibilitariam o intercambio e a colonização do novo mundo, o conhecimento se espalharia sem fronteiras.

Tal cenário preparou a humanidade, principalmente a europeia, para receber os espíritos que pavimentariam a estrada até o Iluminismo, a grande era das luzes, cujo ápice foram os séculos XVIII e XIV. Estava, enfim, todo o planeta, novamente preparado para uma nova fase, uma nova tentativa de instalar, no coração da humanidade, o Evangelho.


domingo, 4 de outubro de 2015

Sintonia

"O Universo é uma melodia entoada no compasso."
Haroldo Dutra Dias


Acredito que tudo o que acontece em grande escala no Universo pode ser replicado, em menor escala, nos elementos que o compõe e, para exemplificar isso, domingo passado publiquei um texto comparando o ciclo das estações do ano com o ciclo de vida de um ser humano. Como se as coisas todas fossem o mecanismo de um relógio, com discos de engrenagens maiores, girando mais devagar, e discos de engrenagens menores, girando mais lentamente, algumas até mesmo replicando o ritmo de outra de tamanho diferente. Ou seja, tudo, sem exceção, está conectado; tudo tem seu tempo, cada coisa no seu ritmo, movimentando o mecanismo infinito que é o Universo.

A preocupação que me desperta o tema, já há algum tempo, é o quanto estamos gradualmente nos desconectando desse mecanismo. E não posso duvidar que grande parte da nossa angústia, senão toda ela, é causada por esse nosso distanciamento da cadencia universal. Estamos fora do ritmo, tropeçando na harmonia cósmica. Os sinais não são poucos e estão aí pra quem se dispor enxergar.

Interessante que dias após de publicado o texto, fui surpreendido pela seguinte aula dos estudos do Livro de Gênesis, do Antigo Testamento Bíblico, que acompanho. Nada mais do que a expansão e esclarecimentos a respeito dos infinitos ciclos que se complementam e se espelham no Universo. Senti-me em sintonia, o que é bastante pertinente quando o tema proposto é sintonizar-se com o Cosmo.

Enfim, sem muita delonga, deixo os dois vídeos recebidos nesta última semana, nos quais o iluminado Haroldo Dutra Dias consegue expandir de forma deliciosa e didática a ideia que apenas consegui propor, e de forma muito rasa, no último domingo.





Caso você tenha sobrevivido ao primeiro vídeo e continua curioso sobre o assunto, tem mais esse aqui, de 20 minutos, complementando a ideia e abordando o assunto à partir de uma visão mais pro lado da Doutrina Espírita.




E continua na aula 26 (atualizado em 22/10/2015):




Também existe essa aula mais antiga, sobre o Livro Levítico, gravada no ano passado, que também desenvolve o assunto. (atualizado em 22/10/2015):



E continua (atualizado em 28/10/2015):



Fechando o raciocínio, com argumentos, em sua maioria, espíritas, esta última aula, que insere e localiza nosso pequeno ciclo humano num ciclo muito maior, de muitos milhões de anos (atualizado em 09/11/2015).




domingo, 27 de setembro de 2015

As 12 Estações

Nesta quarta-feira, dia 23, começou a Primavera e não resisti, coloquei o Vivaldi, na vitrola. Entre as suas "Quatro Estações", conjunto de quatro concertos que descrevem musicalmente, cada um, uma estação do ano, existe uma bela imagem musical da primavera.

Minha versão preferida destes concertos está no álbum Eight Seasons (Oito Estações), no qual também estão as Quatro Estações Portenhas, do mestre Astor Piazzolla. Excelente trabalho do violinista e maestro Gidon Kremer e sua orquestra de câmara, a Kremerata Báltica. Execução e sonoridade perfeitas.

Interessante perceber que tanto para Vivaldi do sec. XVIII, quanto para o Piazzolla do sec. XX, cada estação desperta o mesmo tipo de sentimentos, muito bem musicados, inclusive. Talvez por causa da universalidade dos sistemas da natureza, da invariabilidade dos ciclos naturais e essas coisas que a ciência sempre observou. Ora, se fazemos parte do mesmo sistema universal, a primavera, o verão, o outono e o inverno seriam, para a natureza, o mesmo que o nascer, crescer, envelhecer e morrer são para nós humanos. Foi assim que cheguei nas outras 4 estações, que completam as 12 do título: as quatro estações humanas.

Se a vida começa na fecundação, a primavera é a mãe fecunda, espalhando a vida. É gestação e nascimento. Quando os brotos se tornam flor e mostram suas cores ao mundo, prontos para os primeiros passos da jornada. É a infância de tudo, é vida nova pulsando alegre em todo canto, crescendo para enfrentar a próxima estação.

O verão, tempo pleno de energia, quando o sol e a vida estão em sua potência máxima. É juventude, aprendizado, luta e sobrevivência em meio a tanta abundância de sentidos e caminhos. Tudo brilha, tudo chama urgentemente, inclusive a irresponsabilidade.

Não tarda vir outono, quando a beleza é sutil. As folhas, adornos, agora secas e enrugadas, caem. A energia não é mais tanta, as cores e sabores não são mais tantos. É preciso saber escolher e economizar, é preciso ser maduro e ponderado, adulto. Hora de acertar as contas e perceber que o ciclo está perto do fim.

Chega o inverno com as noites mais longas e os dias mais frios. Menos luz, já não resta mais tanta vida, os frutos há muito já se desprenderam dos galhos, espalhando as sementes e a herança. Que germinem em terra boa para que a linhagem prossiga. Em breve, apenas lembrança da potência que existiu, galhos secos, nossos ossos.

Mas no ciclo infinito das estações também está a mensagem de esperança da Universo: se tudo é feito pra renascer, e em cada novo ciclo, a vida retorna à dança com a Primavera. Renasçamos com ela! Se o ciclo dos dias que, como as estações, vai da manhã das possibilidades à noite da exaustão, podemos renascer diariamente. Se o cosmos do qual fazemos parte permite tantas “mortes” e “vidas”, certamente nos cabem as mesmas oportunidades de renovação. Só é preciso que queiramos, que nos religuemos à essência universal e nos façamos melhores em cada renascer.


Aproveite para ouvir :

As Quatro Estações Portenhas, de Astor Piazzolla
(versão do álbum Eight Seasons, de Gidon Kremer e Kremerata Baltica)




As Quatro Estações, de Antonio Vivaldi
(não é a versão do Gidon Kremer, mas tá bonita também)

domingo, 20 de setembro de 2015

Reflexões aos Domingos

Este texto inaugura uma série que será publicada apenas aos domingos (o que não significa todos os domingos). Serão minhas reflexões e conclusões resultantes de alguns estudos sobre o Espiritismo, a Bíblia, a Filosofia e espiritualidades. Estes estudos, e a prática diária do aprendido, estão me ajudando a melhorar a qualidade da minha vida, por isso sinto essa vontade de compartilhar minhas descobertas e dúvidas com quem também se interessa nessa busca de uma equalização de si com o Universo. Talvez, não coincidentemente, tenho encontrado e conversado bastante com muitos amigos que dividem as mesmas preocupações, dúvidas e vontades. Então, acho que essa é uma forma de manter a minha conversa com esses amigos sem atrapalhar o ritmo literário do Lobservando (assim espero!).

Que fique claro: passo longe de querer solucionar as grande dúvidas filosóficas que acompanham a humanidade por toda sua história, e há anos-luz de querer criar uma síntese perfeita e cientificamente irrefutável de argumentos. A intenção é apenas, humildemente, plantar as poucas melhores sementes que me cabem para uma melhor colheita que, mesmo minúscula, não me desanimará do cultivo. Acredito, cada vez mais, que na vida a qualidade é preferida à quantidade, e seu puder ajudar uma pessoa sequer, além de mim mesmo, já posso considerar o esforço mais do que válido.

Que haja força para suportar as provas e sabedoria para aprender as lições.