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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Culturanja : o fim de um ciclo.


Nota de despedida da Culturanja, por Ângela Russi,
publicada na coluna do Aragão Filho.

Neste fim de semana, recebi a notícia de que a Culturanja deixaria de ser publicada no jornal Umuarama Ilustrado, após 9 anos de história. Lembrei me da madrugada em que criamos o conceito Culturanja. Eu, Nevilton e Bruno Peguim, reunidos no saudoso depósito da Papelaria Aquarela, em Umuarama, escrevendo um manifesto para a juventude umuaramense e confabulando sobre formas de fortalecer e divulgar a cultura local, seja ela música, literatura, fotografia, teatro e tudo o mais que aparecer. Nascia daí o selo Culturanja, que arregimentaria tudo e todos que quisessem unir-se a esse processo de fortalecimento da cultura independente e local. Tivemos fanzine, blog, podcast, programa de rádio e página de jornal. E é desta última que falarei.

Ao conseguirmos espaço no jornal de maior circulação da região, o Umuarama Ilustrado, fiquei responsável pelo braço jornalístico do projeto. Iniciado com o nome de Cultura & Arte, foi publicada, pela primeira vez, no dia 18 de maio de 2008. Um ano depois, em 09 de agosto de 2009, resolvemos assumir o nome Culturanja para a página que, desde 2010, ano em que me mudei para São Paulo, se transformou em coluna e foi belamente mantida pela Ângela Russi, sempre aos domingos.

Além da Ângela, muitos amigos também contribuíram com seu talento para manter as coisas funcionando, então também quero agradecer aos Culturangers Nevilton, Bruno Peguim, Caroline Gil, Ane Carolina Pacola, Thiago Calixto, Lisiê Ferré Loti, Jair Junior Monteiro Solin e a todos que também participaram e a memória falha não me permitiu lembrar. Também agradeço ao time do Umuarama Ilustrado: Osmar Nunes (Editor Chefe), Magrão (Diagramador) e Ilídio Coelho Sobrinho (Diretor Geral), pela paciência e carinho dedicados à nossa causa.

Foi uma experiência que mudou minha vida. Pela primeira vez tive a demanda por uma produção contínua de textos e, não poderia ser diferente, viciei-me nessa rotina. Textos jornalísticos, resenhas, poemas e crônicas, de tudo um pouco e, mesmo com os altos e baixos da produtividade a que todos estamos sujeitos, consegui semear e colher bons frutos dessa atividade, como lançar um livro de poemas (outros mais já estão a caminho) e alimentar meu blog, o Lobservando. Enfim, conseguir realizar-me escritor, cronista e poeta graças a esse impulso bem aproveitado.

Sem me esquecer de agradecer a todos os leitores que nos acompanharam, aos domingos, por quase uma década, convidamos todos a continuar conosco. A Ângela Russi continua suas publicações em sua página no facebook; e eu, aqui, no Lobservando e, também, na Gazeta do Iguaçu. Fica a satisfação de saber que uma atitude criativa e firme de alguns caras do interior do Paraná gerou frutos por quase uma década, e muitos foram tocados por isso. Divulgou-se a arte e inspirou-se para a arte. E só podemos e devemos continuar.


Muito obrigado.



domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma Saia,Uma Bola e um Jogo de Xadrez.




Dias atrás fui aos Correios enviar uma carta. Lá chegando vi que a sala da gerência, ao lado dos guichês, estava tomada por cartas grudadas na parede que deixavam pouco do fundo original à vista. "Ah! São as cartas das crianças para o Papai Noel!", pensei. E como neste ano tanta coisa boa aconteceu comigo, seria ótimo poder retribuir ao universo tantos sorrisos que ele me trouxe e repassar esse bom sentimento de gratidão com o mundo pra outras pessoas, ainda mais sendo elas crianças e carentes.

Após remeter a correspondência, entrei na sala e comecei a ler aquelas cartas cheias de pedidos e sinceridade. Alguns preocupados com a saúde do Bom Velhinho que não aparecera no ano anterior, outra pedindo mais uma vez a cesta básica sempre pedida e nunca recebida... mas estavam todos lá: o material pra estudar no próximo ano, o brinquedo para brincar com os tantos irmãos, a roupa nova tão sonhada e até um telefone celular pra poder falar com o pai que está longe...

Passei quase uma hora perdido naquele emaranhado de desejos tão acessíveis pra mim, outros nem tanto, mas que para bolsos um pouco mais bem servidos do que o meu serão simples de realizar. Me limitei a três cartinhas que, por algum motivo invisível, me cativaram. Três lindos sorrisos.

Conversei com a Rosilene, gerente da agência e responsável pelas cartas, sobre esse projeto dos Correios e ela me disse que ele já tem 20 anos e começou como uma ação entre os funcionários da instituição, sensibilizados pelo mundaréu de cartas ao Papai Noel que chegavam todos os anos. Hoje, elas são recolhidas em escolas públicas, creches e abrigos que atendem crianças em situação de 'vulnerabilidade social', isso garante que o "padrinho" da carta tenha certeza de que está ajudando uma criança que realmente precisa ser ajudada.

Ao sair daquela sala com as minhas três cartinhas, levei todos aqueles outros desejos comigo, agora eles também são meus e é por eles que estou aqui. Já que não posso realizá-los todos, peço à você, Papai Noel de verdade, que não deixe uma cartinha sequer sem ser atendida. Até sexta-feira (quando fechei este texto), das 1480 cartas recebidas na agência de Umuarama, só 198 ainda não haviam sido atendidas. É um número tão pequeno para os 100% realizados que com sua ajuda facilmente realizaremos todos estes sorrisos.

Num tempo no qual é cada vez mais normal ver jovens depredando e desrespeitando a escola, a família e se alienando do mundo, acredito que ajudar uma criança a sonhar e acreditar que coisas boas podem, sim, acontecer no seu dia-a-dia, estaríamos encorajando sentimentos como a solidariedade, o altruísmo e a felicidade. Não haveria forma mais bonita de se melhorar o lugar onde vivemos.

Caso queira realizar sonhos neste natal, procure a Agência dos Correios mais próxima e adote uma cartinha. Em Umuarama temos até o dia 15 de Dezembro para entregar os presentes. A agência daqui fica na Rua Aricanduva, 4081. O telefone para informações é: (44) 3624-0859. Vamos mostrar para as pessoas cinzentas do mundo que Papai Noel existe sim!


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Atualização do dia 17 de Dezembro de 2010.

Recebi este e-mail do Gerente Regional de Vendas dos Correios e gostaria de estender os agradecimentos a todos vocês que ajudaram. Ano que vem tem mais. Muito obrigado!

Prezado Tiago, bom dia.

Graças ao espírito de generosidade do povo umuaramense, todas as 1.500 cartinhas que o bom velhinho recebeu neste ano foram apadrinhadas nessa cidade. É claro que o seu artigo ajudou muito nesta empreitada, pois as pessoas de um modo geral querem participar, às vezes não sabem como.

Muito obrigado pela sua sensibilidade e um feliz Natal a você e a todas as pessoas queridas por você.

              Carlos Roberto Mariani
Gerente Regional de Vendas de Maringá

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quinta-feira, 20 de maio de 2010

Springfield

Hoje os céus de Umuarama estão estilo os de Springfield.
O clima deve ser parecido: vento friozinho, sol quentinho...
Vou pro Moe's!

Agora imagine o letreiro "Os Simpsons" voando em sua direção!

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Linchamento em Umuarama [Segundas Considerações]

- e as últimas por um tempo -

Foi interessante ver as repercussões que um fato histórico e geral pode ter, intimamente, na vida de uma pessoa. O que comprova que a história da humanidade é, antes de tudo a história da vida de cada um. Falo especificamente sobre o linchamento que aconteceu em Umuarama, em Dezembro de 1986. Se quiser saber da história é só ler o texto que publiquei aqui no blog.

Neste post vou colocar alguns dos comentários feitos por visitantes, comentários que demonstram esse contato direto de várias pessoas com um fato tão ignorado e quase esquecido (à força, certamente) pelo pessoal da região. Obviamente são apenas alguns, afinal, todos que se manifestaram fizeram isso por ter algo interessante a contar ou opinar.

Lá vão:

.......Hastür Palim! em 22 de dezembro de 2009
"Eu morava em Umuarama nessa época! Passaram na frente de casa Arrastando o Corpo!"

Torremo_MH em 22 de dezembro de 2009
"o tiozinho da esfirraria lá perto do alfa me disse uma vez que na época o acontecimento tomou destaque nacional de uma tal forma que até no programa do chico anísio faziam piada dizendo "eu vo mandar você pra umuarama!!"
Torremo_MH em 28 de dezembro de 2009
"meu primo me disse que a tia dele tinha um VHS com as imagens desse dia, só que parece q a polícia confiscou as fitas... vou tentar conseguir mais informações."

Agora um dos comentários mais interessantes. Pelo que entendi essa garota, que hoje mora na Argentina, mas já morou aqui em Umuarama e seu depoimento mostra que, pelo menos um dos rapazes linchados, já estava causando confusão há muito tempo e, portanto, tava procurando sarna pra se coçar. Achou.
shey em 11 de janeiro de 2010
"oiii...naun sei muito q decir....ja q estava ai neste dia...te conto algo...extamente un ano antes deste epsodio un dos tre q foraun presos tinha atirado no meu irmao,e meu irmao ficou muito mal quase morreu forao creio q 3 o 4 tiros de un revolver calibre 22.... tdo isso ocorreu en uma saida de un baile nesta epoca eu tinha 8 anos apenas e lembro q neste ano de 85 naun tivemos natal.... ao ano seguinte como se fosse planejado o tipo q atirou no meu irmao eh preso por este crime q comentaste...do rapaz y de esta moza..minha mae festejou qdo eles forao presos mas eu me lembro q tdos sairan d csa y me dijeron naun saia ja voltamos t buscar...eu d noite naun posso lembrar a horas exata....minha mae voltou y me levou ate a praza dos tamoyos ja q os corpos ia passar por ai y nos norava a uma quadra da praza....minha mae chorava tdos estava assustados enfim...agora tenho 32 anos y por casualidade me acordei de esto e comezei a buscar por la internet...gracias sheila...."

E agora, provavelmente o comentário mais enriquecedor do meu texto. Um link para a reportagem da TV Tarobá, da época dos acontecimentos, onde o delegado mostra a delegacia revirada pela invasão das pessoas e vai contando como tudo aconteceu por lá.
Ed em 26 de janeiro de 2010
"Coloquei um vídeo no Youtube sobre esse fato. É o delegado contando como aconteceu o linchamento.
Parabéns pelo texto."
Certamente existem mais comentários pertinentes a se ler. Se quiser lê-los, o que eu recomendo, clique aqui. Portanto, obrigado a todos que já comentaram e a todos que comentarão e também dividirão a sua experiência com a gente.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Linchamento em Umuarama.


Introdução:


O ano de 1986, apesar de ter sido o Ano Internacional da Paz (coisa da ONU), foi um ano que de pacífico não teve nada, foi agitadíssimo e, na maioria das vezes trágico. Foi ano de Copa do Mundo, no México, com a Argentina campeã; foi quando o Cometa Halley deu um oi pra humanidade (e agora só volta em 2061); ano no qual explodiu o Ônibus Espacial Challanger; explodiu também a Usina Nuclear de Chernobyl, causando um estrago danado lá na Russia; além de ter sido o ano de estréia do Xou da Xuxa e do Criança Esperança. É... trágico.

Com um ano cheio de loucura desses, Umuarama não podia ficar pra traz, o final de 1986 reservava para a Capital da Amizade o que pode ter sido o fato mais sangrento da sua história até agora. O dia 22 de dezembro daquele ano ficaria registrado como "O Dia do Linchamento", quando a população enfurecida e insana tirou três criminosos, que haviam estuprado uma moça e assassinado seu namorado, de dentro de uma cela da Delegacia de Polícia da cidade e, além de os matar espancados, arrastaram os corpos pelas ruas, através da Avenida Paraná, até a Praça Miguel Rossafa onde atearam fogo nos cadáveres.

Desde que me mudei pra Umuarama (em 1991), sempre se comentou a história. Entretanto ninguém sabia a data correta e as descrições do evento eram diversas e inconsistentes. Além do mais, sempre que o assunto surgia, os mais antigos na cidade saiam pela tangente e o evitavam. Enfim, era um tabu sobre o qual sempre se notou uma vontade de abafar e esquecer, afinal, muitos dos envolvidos diretamente na bagunça e da platéia ainda moram na cidade. Entendo que não se queira falar de assunto tão feio, mas há de se considerar o peso histórico disso.

À partir da segunda metade dos anos 90, com a chegada da internet e facilidades digitais, comecei a fazer pesquisas esporádicas sobre o assunto, mas as referências eram sempre mínimas, apenas outros poucos comentários cheios de incertezas. Mas há poucos meses atrás me deparei com o acervo completo, online, da Revista Veja e, como já tinha ouvido comentários de que a revista (e também o Jornal Nacional) haviam mencionado tal notícia, não demorei muito para encontrar a reportagem abaixo. Publicada em 31 de dezembro de 1986, na página 43 da edição 956, uma edição de retrospectiva do ano, o texto conta direitinho como foi aquele trágico fim de semana em Umuarama.

Então guardei o texto e esperei a data de aniversário do evento para públicá-lo na íntegra aqui no Lobservando e deixar registrado, fora das gavetas e arquivos poeirentos, pra quem quiser saber daquele dia.


A Matéria da Revista Veja:
[1]


Capa da Revista Veja, edição 956, de 31 de Dezembro de 1986.


Ritual Macabro
Multidão Lincha presos e põe fogo nos corpos.

"Eles estão presos", anunciaram na manhã de domingo, 21, as três emissoras de Umuarama, cidade de 100.000 mil habitantes, 580 quilômetros a noroeste de Curitiba. A notícia varreu a cidade como uma demonstração de eficiência da polícia, que gastara 15 horas para prender três rapazes que, no dia anterior, haviam matado a tiros o fotógrafo Júlio César Jarros, 26 anos, e estuprado sua noiva, Shirley do Nascimento, 22 anos. Eles seqüestraram o casa de madugada, à porta da casa de Shirley, e cometeram os crimes fora da cidade, conforme a moça contaria depois. O entusiasmo pela prisão dos rapazes seria logo substituído pelo desejo de vingança. Na noite de segunda feira, 2.000 pessoas cercaram a cadeia de Umuarama, venceram a resistência policial, mataram os três presos a pauladas e, para encerrar o ritual com um toque macabro, levaram os cadáveres para uma praça, onde foram molhados com gasolina e queimados.


A polícia, intimidada e impotente, limitou-se a assistir de longe ao que a multidão fazia. "Evidentemente condenamos o linchamento", diz Jesus Sarrao, Secretário de Segurança do Paraná. "Mas os policiais ficaram diante de um impasse: ou metralhavam a população ou limitavam-se a persuadir a multidão a não fazer aquilo - e foi o que tentaram sem sucesso." A ira da população de Umuarama parece ter sido desatada sobretudo pela reconstituição dos crimes. Na manhã de segunda-feira, depois de arrancar uma confissão de Luiz Iremar Gonfio, 19 anos, Edivaldo Xavier de Almeida, 20 anos, e Aurico Reis, 18 anos - os três da própria cidade e dois deles com passagens anteriores pela polícia -, as autoridades locais os conduziram à rua para reconstituição dos crimes. "Por que não me dão um revolver carregado?", indagou irônico Edivaldo quando a polícia o obrigou a mostrar como matara o fotógrafo.

À noite, um grupo de pessoas ainda não identificadas marchou para a delegacia pedindo a adesão de todos que encontrava pelo caminho. Ao chegar diante da cadeia, a multidão crescera a tal ponto que os trinta homens da PM e a meia dúzia de agentes da Polícia Civil, ali postados para guardar os presos, deram brandos sinais de resistência. Entregues à própria fúria, os participantes do linchamento amarraram os corpos dos mortos em automóveis e os arrastaram num cortejo que atraiu para as janelas e calçadas mais de 5.000 pessoas. O desfile foi aplaudido. A cada esquina aumentava o coro: "Queima, queima", animava a distancia. Foi o que se fez em seguida, com a ajuda de 1 litro de gasolina e uma caixa de fósforos, além de alguns pneus para manter as chamas vivas por mais tempo. "Talvez demore a identificação, mas os envolvidos vão responder por homicídio e arrebatamento de presos", promete o delegado Luiz Norberto Canhoto, responsável pelas investigações.
‹fim da matéria - pag. 43›

[1] Naquele tempo as matérias da Veja ainda não eram assinadas nem creditadas ao seu autor.

Confira a reportagem direto na revista. Aproveite e leia a revista inteira, uma diversão sem fim!


O Depois :

Conforme prometeu o delegado na matéria da Revista Veja, após reconhecidos, os incitadores da turba revoltosa responderam a um Processo Criminal, distribuído em 1987, por Arrebatamento de Preso (art. 353 do Código Penal) e Vilipêndio a Cadáver (art. 212 do Código Penal). Provavelmente por não ser possível apurar quem realmente matou os presos arrebatados, por serem centenas os invasores do Cadeião, ninguém respondeu por homicídio.

O processo correu na Comarca de Umuarama - e correu muito, por muito tempo, sem chegar a lugar algum e cansou. Passados 20 anos do crime consumado, sem transitar em julgado a sentença final, extinguiu-se a punibilidade para os Réus (art. 109, I do Código Penal) e o processo foi arquivado.

Os motivos desse trâmite demorado podem ter sido vários, desde a conhecida morosidade do Judiciário (ainda mais naquela época) a outros mais escusos e/ou inexplicáveis, inatingíveis, os quais se pode (ou não) serem percebidos nas páginas do processo, que deve estar devidamente guardado no fundão dos arquivos de uma das Varas Criminais de Umuarama.


Mas... e daí? (conclusões)

Obviamente este não foi um acontecimento bonito, mas faz parte da história de Umuarama e deve ser resgatado e preservado. Não há dúvidas de que os três criminosos linchados foram punidos pelo ato hediondo que cometeram - mas da forma errada, acho eu. Afinal, linchamento está longe de ser uma atitude aceitável fora de qualquer civilização que não seja incrivelmente primitiva e selvagem. Ressalta-se, porém, que Umuarama foi um paraíso de paz e tranqüilidade por quase toda a década seguinte à noite macabra.

Sejam os fatos feios, reprováveis, o que conta é eles nos levam à reflexão, e tê-los expostos em nossa história ajuda a não cometermos os mesmos erros, a não nos comportarmos como selvagens novamente. E assim sempre fizeram vários povos através de monumentos às guerras, ao martírio e crucificação de cristo (não é?), ao holocausto, à bomba atômica, às sangrentas revoluções da história e tudo mais de ruim que já aconteceu pelo mundo.

Soube que Júlio César Jarros, o fotógrafo assassinado naquele fim de semana dá nome a uma avenida no Parque Danielle. Certamente muitas pessoas que não sabiam disso - e eu me incluo - à partir de hoje, vão olhar praquela rua de outra forma, mais valiosa. Vão dar sentido àquele nome na placa, finalmente a rua de quem mora por lá tem uma história, uma origem. E isso é um ótimo exercício para o civismo e a civilidade.

E mais, se a população de Umuarama foi capaz de se unir para executar um ato tão equivocado e repugnante, certamente poderá se unir para atitudes mais civilizadas em em favor de uma cidade melhor, a não ser que sejamos todos uns animaizinhos inconseqüentes e preguiçosos.

Já passou da hora de nos apropriarmos decentemente da nossa cidade, de sua história, costumes e tradições (deve ter alguma) e preservá-las, divulgá-las direito. Não adianta amontoar secador de cabelo, máquina de escrever e ventilador numas prateleiras, de qualquer jeito, e chamar a garotada do colégio pra ver. Temos que contar as histórias, as nossas histórias, sejam elas feias ou bonitas, e assim incentivar a quem vem por aí a continuar as escrevendo cada vez mais belas e não de qualquer jeito como estamos fazendo.


Ps: Há uma lenda urbana que envolve esse caso. Conheça o Fantasma de Umuarama.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Umuarama, para frente, pô!


Eu combinei comigo mesmo que iria mais reclamar dessas coisas. Mas não deu, esperei até conseguir publicar a Culturanja dessa semana pra me manifestar.

Do dia 05 até o dia 12 de Outubro, Umuarama teve a semana com mais movimentação cultural do que alguns anos passados somados. Foram 07 dias non stop com eventos culturais todas as noites. A Feira do Livro do SESC, com lançamento de livros e palestras sobre literatura e jornalismo; o quarteto de cordas Mousikê, o show do Nevilon com o Rafael Castro no Teatro da Unipar e o espetáculo de dança "Rito de Passagem" no Centro Cultural Schubert. Todos os eventos, mesmo com uma divulgação grande, tiveram uma freqüência baixíssima de público.

Interessantemente não vi, em nenhum dos eventos as centenas de pessoas que conheço e que reclamam da completa ausência de eventos culturais na cidade. Pessoas que pedem incansavelmente por eventos culturais diferentes, de qualidade, para que possam freqüentar. É, os eventos estavam lá e essas iluminadas pessoas não.

Antes de ser artista e promotor de eventos, eu era um desses que reclamavam da cidade e da inexistência de eventos de arte e cultura. Hoje não tenho dúvida, a culpa pela esterilidade cultural de Umuarama não é da cidade, a maior parcela de culpa vem da bundamolisse de cidadãos acomodados, que se preocupam mais em reclamar das coisas, ao invés de se informar sobre a agenda cultural da cidade, e tomar a única atitude que se espera deles: ir até o evento. São pessoas preguiçosas que não percebem as chances de entretenimento plantadas, brilhantes e evidentes embaixo dos próprios narizes.

Os eventos eram em gratuitos ou bem baratinhos (R$5,00), imagino eu que estão esperando o artista, ou o prefeito ligar, buscá-los em casa e ainda pagá-los um suco no final.

Veja mais desse assunto no texto de Angela R. Frasquete, "Lugar Comum", publicado no Culturanja de 18 de Outubro de 2009. Junto com a Angela temos outras boas crônicas do Thiago Calixto, da Caroline G. Gil e um poeminha meu. Cheguem lá!

Pronto, não reclamo mais.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Raios, Trovões e Relâmpagos. Que toró!

Nesta madrugada caiu um temporal aqui em Umuarama. Disseram os jornais que o estrago foi imenso desde o Oeste do estado (Ampere, Cascavel, Assis Chateubriand), passando por aqui no Noroeste e chegando ao Norte, em Maringá. Destelhamento de casas, ventos de 100Km/h, granizo, um possível tornado e outras coisas que São Pedro tinha no bolso.

Apesar dos estragos, tal tipo de evento não deixa de ser um momento visual bonito, pelo menos. Manifestações da natureza imponente e a gente impotente. Aproveitei e fiz algumas fotos, incluindo a minha primeira foto de um raio! Sim, um Raio!



me pareceu uma luta...
sangrenta...


Essa foi quase!


!!!


quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Vendendo o Peixe

Ontem (30.09.09), na 2ª Edição do Paraná TV, da Rede Paranaense de Televisão, finalmente passou a matéria para a qual eu, o Nevilton e a Carol Gil (todos culturanjers) fomos entrevistados. O tema é "jovens autores que usam a internet para divulgar seus trabalhos".

Obrigado à toda equipe da RPC que produziu a matéria.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Umuarama e sua Zona.

Nesse domingo, 02 de agosto, apareceu a Big House, famoso prostíbulo Umuaramense no Fantástico da Rede Globo. Dizem que estão envolvidos num esquema de aliciamento de menores.

Veja a matéria da TV aqui.

Mas lendo o periódico local, o Umuarama Ilustrado, o reporter Cleverson E. Zanquetti lembrou de um detalhe interessante nessa história toda:

"Há quase um ano policiais civis de Campo Grande estiveram na mesma boate de Umuarama. Na ocasião, alguns deles teriam criado confusão na hora de pagar a conta. O administrador da casa acionou a polícia local que foi até a boate, deteve os acusados e abriu inquérito para apurar o caso."

Não sei se alguém arranjaria confusão pra pagar conta feita em investigação...

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O morto-vivo de Umuarama


Quem me contou essa foi o amigo Luis Lopes (Revista UP), jornalista atento lá de São Paulo. É mais um registro da mirabolância Umuaramense. Ao checar a notícia, ví que saiu em vários jornais do estado e em sites nacionais (O Globo, Canal Arena, Londrix). Também saiu no nosso querido Umuarama Ilustrado do dia 03 de Abril de 2009 (de onde tirei as fotos que ilustram esse post).

Ao ver quem exatamente era o "defunto", só consegui acreditar mais ainda na história: um dos figurões da noite underground Umuaramanse com o qual todo bom boêmio já se deparou. É um daqueles malucos bêbados mitológicos que passam a vida perambulando tortamente pelas ruas e calçadas da cidade (nem sempre nessa mesma ordem e em vários ângulos), pedindo cigarro, birita... e no caso do personagem em questão, piscadelas e sorrisos marotos pras garotas mais charmosas.

O nome completo do moço (que jamais saberia sem tal acontecido) é Moura Apolônio Godoes. Ele tem 38 anos e estava desaparecido a mais de um mês (o que era bastante corriqueiro pro estilo de vida que levava) até que um corpo com suas características físicas deu entrada no IML de Umuarama. Por estar sem resfriadores de cadáveres, o IML local enviou o corpo para o IML de Campo Mourão, o que resultou num reconhecimento de cadáver através de fotografia.

Ao olhar as fotos, a família não teve dúvidas de que haviam encontrado o parente desaparecido. Assim, Apolôno foi velado (caixão aberto, dizem), chorado e finalmente enterrado no dia 27 de Março, no Cemitério Municipal de Umuarama.

Tudo parecia normal até que, 4 dias depois do enterro, uma vizinha da D. Benedita - mãe do 'até então' morto - viu o rapaz perembulando nas redondezas da rodoviária de Umuarama. Recuperou-se do susto, confirmou que não era alucinação e correu para contar à família. Benedita assustou com a notícia e asustou mais ainda quando seu filho "morto-vivo" chegou em casa.

Até ressuscitar a papelada toda vai dar trabalho, heim Apolônio!


Enfim, o corpo enterrado foi re-reconhecido como sendo de Sebastião Paulo de Souza, 42 anos de idade, com características físicas bastante parecidas com as do "morto muito louco". Sebastião por sua vez estava morto mesmo, de morte natural e foi levado por populares ao hospital da cidade, que não tinha geladeira e encaminhou ao IML, que encaminhou pro outro IML... e que gerou essa história que me lembrou a do Roque Santeiro, de leve, mas lembrou!

E agora Umuarama tem o seu "Morto-Vivo" e ele se chama Apolônio.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cultura & Arte 26.07.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 26 de Julho de 2009.

Crônica:
- Umuarama é Eleita a Capital da Massagem.

Poema:
- A Palavra [por Thiago Calixto]

Resenha:
- Coraline : Um filme que traz assuntos que permeiam a vida adulta [por Caroline G. Gil]




Culrura & Arte 2009 - Jul-26 [Link para Download do PDF]
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Umuarama é Eleita Capital da Massagem


  Capital da Amizade é coisa do passado. Essa semana Umuarama ganhou o titulo de Capital da Massagem. E não tem nada a ver com a fama de “Mulherama” ou pelo fato de sermos uma cidade universitária. O tão honroso título nos foi concedido pelo Conselho Internacional de Massagistas, o CIMA. Na hora que eu soube, à boca pequena, de tão inusitado fato, entrei em contato com Juruelson Mancebo, representante do CIMA para o Brasil e apurei mais detalhes sobre o assunto.

   Por telefone, o Sr. Juruelson me disse que tudo começou numa visita dele à nossa Universidade Paranaense – UNIPAR, aqui em Umuarama. Ele veio afim de averiguar a faculdade de Fisioterapia, da qual gostou muito, mas não pôde se furtar de notar o balanço, o remelexo, a trepidação incessante do automóvel enquanto rodava sobre o tão peculiar asfalto de nossas ruas e avenidas. “Vocês não sabem o tesouro fisioterapêutico que tem aí” – exclamava ele no carro.

  De acordo com Mancebo, não existem registros, no mundo inteiro, de alguma cidade onde se consiga ser massageado durante tanto tempo assim. “São mais de 90% da malha viária da cidade trabalhando pela saúde da população”. Afirmou também que, de acordo com estudos avançados na área, ser massageado pelo tremelique viário durante a ida, a volta do trabalho, ou durante qualquer atividade no volante ou nos guidões das motos, reduz muito o nível de estresse e, conseqüentemente, os acidentes no trânsito. E melhor! Os resultados não se notam apenas no trânsito: diminui-se também a violência domestica, além de outros tipos de violência e vandalismo. “Nada é mais valioso para uma cidade do que uma população mais relaxada e de bem com a vida. É algo sem precedentes na história fisioterapêutica mundial. É uma maravilha a contrapartida social que se pode ter com um asfalto desses” – completou.

  Mancebo também pediu desculpas, pois era pra homenagem ter sido entregue às autoridades umuaramenses no dia 25 de Maio, Dia Nacional do Massagista. Mas ele voltou tão relaxado de sua visita que só conseguiu voltar ao pique e rapidez habitual no mês passado e só então pode dar seqüência aos devidos trâmites das documentações necessárias. Disse que está renovado e muito energético, graças à Massagem Viária de Umuarama.

  A Câmara de Vereadores e o Poder Executivo da cidade receberam a notícia com muita felicidade, pois finalmente o mundo os compreendeu. Um dos vereadores que consultei sobre o fato salientou que a intenção do Município sempre foi essa e, por isso, há anos vem mantendo e desenvolvendo, com muito afinco, o nosso asfalto terapêutico. E completou “Foram anos de estudos e investimento público. Uma hora o reconhecimento tinha que chegar”. Pois é, antes tarde do que nunca, mas sempre com categoria!

  Na mesma conversa, alguns vereadores me adiantaram que já está na fase final de acertos uma parceria do Município com o CIMA, através da qual será construído na cidade um centro de excelência no estudo de massagens e terapias alternativas. O local escolhido para abrigar o empreendimento provavelmente será, o antigo batalhão da policia militar, no Largo do Triunfo, esquina da Av. São Paulo com a Av. Apucarana. Só estão aguardando a concordância da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, proprietária do terreno, para se fechar o acordo e se iniciarem a licitação e as obras.

  Em tempo, dizem nas rodas de conversa que tal notícia também foi muito bem aceita pelo setor de peças e serviços automotivos e revendedoras de pneus da cidade. Mas até o fechamento da edição não conseguimos colher depoimentos de nenhum representante do setor.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Relembrando Mitos Umuaramenses

Só hoje me toquei de que não tinha mencionado, no Lobservando, o famigerado banner de uma casa noturna aqui de Umuarama. Tava lá no Orkut, esquecido...

Mas é que para um público extremamente exigente, todo detalhe é extremamente importante.


E eu jurava que Sertanejo era tocado pela Banda Marcial da Polícia Militar!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Frutas Exóticas Umuaramenses

O Brasil é um país tropical e, como manda o figurino, é cheio de frutas exóticas. Sorte nossa, que podemos saborear os mais diferentes sabores em qualquer vendinha do bairro!

Mas tem gente aqui em Umuarama que anda exagerando no exotismo...


Só tem sem milho? Então me vê um de cupuaçu.


Obs: Foto por Ricardo do Valle Dias. Obrigadão!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A "Cena Umuaramense"

Esse texto saiu no Cultura & Arte desse domingo, 03 de maio. Coloquei o texto separado aqui pra facilitar a leitura de quem não curte ler o PDF do jornal (que está logo ali embaixo).

Comentários seriam ótimos! :p



Estava vasculhando os meus arquivos e encontrei uma enquete que respondi para o jornal Diário de Notícias, que circulou em Umuarama durante o ano de 2008. Esta enquete, gerenciada pela Ane Pacola, tinha como objetivo colher respostas de várias pessoas, de várias áreas, sobre questões do município como a segurança pública, educação, saúde e outras tantas, incluindo-se aí a Cultura. Sobre mim, artista e produtor cultural, recaiu a missão de responder sobre este ultimo tema. A matéria, com todas as perguntas e respostas das várias pessoas, foi publicada edição de 26 de junho de 2008.

Isso já faz quase um ano, a administração municipal mudou, e por conseqüente as políticas públicas também. Se para melhor ou pior, só saberemos no futuro. Sobre os outros temas eu não tenho gabarito pra falar, mas gostaria de fomentar a reflexão sobre como está a cena cultural da cidade. Toda reflexão é saudável, ainda mais quando usa um cenário antigo (ou nem tanto) como base. Certamente, exceto por algumas sinapses, não temos nada a perder.


O cenário cultural da cidade é proporcional ao tamanho dela?

Não mesmo. Estou certo de que umas 300 a 400 pessoas (jogando alto) criando e consumindo cultura numa cidade de quase cem mil habitantes não seja algo proporcional, isso é menos do que 0,5% da população. Conheço Umuarama desde 1991 e não me lembro de ter visto um cenário de algo, nem de cultura e arte, nem de esporte, nem político. É costume da cidade usar o que já se usa, comprar o que está à venda, ir aonde todos vão, enfim, é uma cidade massificada, a maior parte da população evita ao máximo expressar qualquer tipo de questionamento ou opinião, portanto não há nicho de consumo e muito menos cenário. Entretanto já estamos vendo um bom sinal de mudança, com esforços vindo de várias frentes, públicas e privadas. A música na cidade tem ganhado espaço graças a esforços de bandas e músicos locais que estão conseguindo abrir, no peito, espaços alternativos para mostrar seus trabalhos. O teatro está no mesmo caminho, mas um tanto mais tímido. A literatura está bem atrás, até porque é um tipo de arte que demanda o malfadado esforço da leitura. As artes plásticas, o cinema e demais vertentes artísticas ainda não se encontraram por aqui, mas acho que com os esforços deste grupo que já está com a mão na massa e com o apoio de empresas e do poder público, ainda possamos tirar Umuarama da idade das trevas. Enfim, acho que ainda é cedo pra se dizer que existe um cenário por aqui, mas que algo legal está começando, está.


Há um incentivo tanto do público quanto dos órgãos do governo para eventos culturais aqui na cidade?

O incentivo à cultura pelos órgãos do governo municipal sempre foi muito deficitário em Umuarama. Nas gestões passadas, apesar de esforços de artistas e simpatizantes, a prefeitura não ligava muito e preferia investir em coisas materiais, que a população pudesse ver, ao invés de investir na capacitação cultural da cidade. Hoje colhemos os frutos disso, estou certo de que o vandalismo e a criminalidade é reflexo da ausência de cultura e de respeito pela cidade. Mas ultimamente tenho ficado bem esperançoso com a atual administração, me alivia perceber que está caindo a ficha. Perceberam que se eles investirem na capacitação criativa e cultural das pessoas, elas vão começar a respeitar o patrimônio público, dar mais valor à cidade pois esta lhe traz coisas boas. Não só diversão, mas também a perspectiva de um futuro digno.

O apoio do público é ainda muito pequeno, e há uma grande luta a ser travada. O umuaramense acha que alguém tem que fazer algo para mudar a situação, mas infelizmente não se coloca como o agente dessa mudança. Vive pedindo eventos, quer que tudo de legal aconteça na cidade, desde que seja na sala da sua casa e de graça. Me parece que, para eles, os artistas são seres mágicos e portáteis que vivem só de palco, reconhecimento e aplausos poucos. Tenho esperança na mudança deste quadro e estou trabalhando, junto com meus amigos artistas, e a todos os que se habilitarem, para que a arte e a cultura em Umuarama sejam uma realidade.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Faroeste "cabrôco"

"Hey, garçon... me dá um Cynar!"


Saiu um "Bang Bang" baseado em fatos reais na Cultura & Arte deste 26 de Maio. Quem mora ou conhece bem Umuarama vai entender mais do que os forasteiros. Mas, porém, toda via, entretanto e mesmo assim, convido todos à leitura!


Era Uma Vez No Noroeste



Cansado de viver isolado na solidão e distância do Far West, Zé McSilva estava buscando vida nova. Galopou durante dias rumando para o Leste até que avisou um pequeno povoado. “Rancho Longe”, era o que estava escrito na placa de madeira da entrada do vilarejo, na qual, ao chegar mais perto e dar uma olhada mais detalhada, via-se um intrigante escrito à mão, logo abaixo do número de habitantes: “Povinho da Fogueira”. Mas ele estava tão cansado que lhe pareceu bem sábio pernoitar por ali mesmo.

Assim que entrou na cidade, enquanto contornava a pracinha, ficou espantado com o que viu. Marcas de tiros por todos os lados. Pensou em mudar de idéia sobre ficar por lá, mas não iria perder a chance de um trago.

Cavalgou até o “Bar do Turco Velho” logo em frente à praça, desceu do cavalo e amarrou-o no coxo. Empurrou as portas duplas vai-e-vem, entrou no salão e caminhou até o balcão. Com um tapa na madeira chamou o garçon, um velho barbudo.

- Me vê um conhaque, ô...Seo Turco!

O turco, num pulo só, serve e manda o copo de conhaque escorregando pelo balcão. O vaqueiro manda tudo goela abaixo num só gole e pergunta:

- Diga lá, índio velho! O que houve ali na praça?
- Um tiroteio dos brabos ontem de tarde, amigo! Foi o pessoal do Xerife contra uns bandidinhos canela-seca, da gangue do Wan Ted, que tentaram roubar o correio. Comeram chumbo pra dedéu ontem e agora tão comendo capim pela raiz. Hahahaha!
- Na praça? Em pleno dia? Rapaz, que perigo!
- Pois é... Ainda bem que foi na hora do sol quente, quando fica todo mundo dentro de casa. Quando ouvi os tiros pulei aqui pra baixo do balcão e não vi mais nada...quer outra dose?
- Manda! - e continua o papo:
- Viu, meu bom homem... onde eu acho um canto pr’eu passar a noite de hoje, hã?
- Ó chefia, atravessando a praça tem o hotel Águia do Oeste, o melhor da cidade, mas também... é o único! Hahaha!
- Hahaha, engraçadinho, hã! Muito obrigado, compadre!

McSilva deixa o “Bar do Turco Velho”, atravessa a praça, garante seu quarto no Hotel e tira um bom cochilo. Acorda com um barulhão de festa. Era a quermesse, cheia de gente sorrindo e festando, com direito à bandinha tocando na escadaria da igreja. Sem perder tempo, o viajante corre pra festa.

Enquanto o moço se enturmava com as donzelas e raparigas locais, foi interrompido por gritos de desespero. Um valentão armado estava ameaçando os freqüentadores da barraquinha de milho cozido e chuta um banquinho de madeira que atinge a canela de uma moça. De pavio curto, a moça reclama e faz o valentão atirar duas vezes contra ela e fugir correndo. Por sorte os dois tiros falharam e a moça só ganhou um desmaio e um bom trauma. Os homens do xerife nada puderam fazer naquele momento pois estavam na barraca do algodão doce e não tiveram tempo hábil para perseguir o bandido.

Nem cinco minutos depois McSilva ouve mais gritos e caos:

- Ai Caramba! Pisaram o Gordinho!

Corre para averiguar a situação e descobre que foram dois jovens bêbados, apostando uma corrida de cavalos, que invadiram a multidão e acabaram pisoteando um dos freqüentadores da festança. Mas por sorte ele estava perto do Dr. Zinho Xamego, médico da cidade, que prestou socorro.

Zé McSilva achou incrível como ninguém ficou abalado depois dos dois incidentes na mesma noite e manteve-se na festa. Foi especular com os nativos e descobriu que no “Povinho da Fogueira” esse tipo de coisa é corriqueira e todo mundo tá acostumado. Um tanto impressionado com a situação, vai conversar prefeito Brownman e com o xerife Bill Farofino que estavam na barraquinha de maçã do amor. Como já era tarde e ambos já estavam indo embora, marcaram um almoço ‘pra mó dum dêdiprosa’.

No dia seguinte estavam o prefeito, o xerife, o padre e McSilva no local combinado: o restaurante “Cachoeira”, bem tradicional na cidade. Papo vai, papo vem e todos tentando convencer o viajante de que aquilo tudo era coisa pouca, corriqueira, e que logo a “maré de azar” terminaria. E também o povo já estava um tanto acostumado com tal rotina, nem reclamava mais.

Já no final do almoço o grupo é interrompido por um oficial do Xerife, que entra correndo no restaurante. Alguém fora esfaqueado naquela madrugada. McSilva aproveitou a brecha para despedir-se, já um tanto preocupado em não ser a próxima vítima. Ao subir no cavalo, olhou para as autoridades e lhe veio uma outra pergunta na cabeça:

- Inclusive, excelências... Por que “Povinho da Fogueira”?

As autoridades se olham meio sem saber o que dizer. Então o padre se adianta de diz:

- Olha, meu filho... tem coisas que é bom a gente não mexer, né? São coisas do passado, coisa que pode criar uma imagem negativa pra nossa cidade, sabe como é... a gente precisa...
- Sei... vocês precisam é de vergonha na cara! – diz McSilva interrompendo o padre.

Então esporeia o cavalo, vira as costas e sai galopando, seguindo sua jornada para o Leste.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fora do Mundo


Eram 3:17 da manhã e os números vermelhos do relógio pareciam monstruosas inscrições iluminadas ao lado de sua cama. Podia sentir o calor daqueles pequenos feixes de luz lhe cutucando a cara - segundo após segundo. O travesseiro sufocava, o lençol esmagava, a cama o expulsava como se não admitisse ser traída, por aquela insônia cada vez mais constante. Levantou-se.

Pôs-se a andar pelo quarto como se estivesse com pressa de chegar a algum lugar, a alguma conclusão, mas nada mais fazia qualquer sentido. Queria dormir, mas não queria dormir; queria comer, mas estava sem fome; queria e não queria tudo no mundo. Não havia nada mais o que fazer, exceto tentar seguir os impulsos que sobrevivessem àquela autofagia. Vestiu-se e simplesmente saiu pra rua, sem destino certo.

Enquanto caminhava ouvia o ruído da cidade. O Silêncio. Não havia carros, risos, gritos ou qualquer sinal de vida. A cidade era morta. “Morta às 3:40 da manhã, de uma sexta-feira!” – pensava inconformado. Os semáforos, com os seus clicks ao fundo eram o único indício vida “inteligente”. Fora isso, lhe restava o sussurro das árvores e o som dos seus próprios passos.

Já havia caminhado por tês quarteirões e nenhum sinal de pessoa ou alma penada. Sequer um gato sarnento ou um cão perdido, sequer o maldito demônio se mostrava. Não havia qualquer pessoa por ali e, pelo visto, nem a muitos metros ao seu redor. Estava insone e solitário no centro da cidade. “Se me aparecesse o diabo eu agradeceria, ao menos alguma ação haveria” - resmungava.

Sentou-se num banco da calçada e acendeu o seu cigarro. Havia começado a fumar na tentativa de ter alguma doença e animar a vida, mas ainda não havia sinal de qualquer câncer ou mesmo uma bronquite. Sentir seu raciocínio minguando talvez seja um bom sintoma de uma grande catástrofe interna a estourar. Era mesmo o que esperava. Emocionava-se no mundo das suposições.

Voltou ao seu banco na rua e, enquanto sorvia a fumaça amarga, continuava a procurar por sinais de vida sem obter resposta. A rua continuava completamente vazia. Era como se a vida estivesse em outra dimensão e, por alguma maldição ele estava na dimensão errada, onde ele era o único ser vivente. Sentiu-se deslocado. Sentiu-se desolado. Sentiu-se no lugar errado mais uma vez.

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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Confluências, Conexões e Conseqüências.

É, tem horas em que tudo é mais metafísico do que o normal. Muito mesmo. Divirtam-se.

Noite passada, primeiro de Dezembro, aconteceu um fenômeno astrológico que se repete a cada 44 anos, agora só em 2052. Os atentos (ou desatentos) que andam por aí olhando para o céu, tiveram o prazer de se deparar com a Lua crescente entrando em conjunção com Vênus e Júpter. Eles formaram um lindo triângulo no céu, ou para os mais imaginativos, uma carinha triste, só que de ponta cabeça.

Taí a carinha tristonha...

Mas na Austrália, era um sorriso lindão!!!

Voltei do trabalho olhando para o céu, maravilhado. Cheguei em casa correndo e saí de casa correndo, só pra poder acompanhar o evento por mais tempo. Não deu certo, já passava das 22h e os planetas já não estavam mais tão visíveis. Só me restou ver a Lua, grande e alaranjada, já baixa no horizonte, se camuflando por trás das nuvens e das árvores até desaparecer do céu. Virei as costas e segui sem rumo pela mesma rua, meio sem saber pra onde ir.


Daqui pra frente, eu recomendo esta trilha sonora: Elvis Perkins - Moon Woman II. Aperte o play e curta a música enquanto lê o texto. Depois volte e veja as moças de biquini e o Anthony Perkins.

Eu caminhava ao som de Elvis Perkin e, quando percebi, havia chegado a um lugar onde, há um tempo atrás, eu perdi algumas coisas bonitas que eu tinha, uma dessas esquinas sujas de Umuarama. E ali, parado, não via mais sinal do meu holocausto, o cenário já havia voltado ao normal, a cidade já havia cicatrizado e as baratas e o lixo universitário já estavam novamente recolocados em seu lugar. Era tudo só na minha cabeça agora - ainda.

Olhei para o outro lado da rua, o vigia do posto de combustíveis estava se entretendo com algum bicho que estava no chão, me pareceu um rato meio grande, então o astigmatismo e a curiosidade me fizeram aproximar. Me deparei com um gambá que cambaleava, meio sem saber pra onde ir. Então o vigia me olhou e sorriu, eu olhei pra ele e sorri de volta. Ele levantou o pé e pisou com força na cabeça do gambá, esmagando-a contra o meio-fio, enquanto o bicho tentava voltar pra sarjeta e fugir pelo bueiro de onde havia saído. Virei as costas e voltei pelo mesmo caminho de onde eu havia chegado.

Depois daquilo decidi rumar pra casa. Enquanto eu caminhava e insistentemente ouvia o Elvis Perkins, meus neurônios fritavam tentando criar um contexto que ligasse tudo aquilo. E foi assim que eu percebi que é bem fácil se desfazer das coisas, de qualquer uma, deixá-las de lado ou destruí-las, mas isso acontece num mundo do qual eu ainda insisto em afastar de mim. Vi que concreto aceita tudo, absorve nossas sinas e pecados e finge que nada aconteceu, como muitas pessoas de carne e osso por aí. Que pisar na cabeça de um bicho é mais fácil do que chamar o agente da “Força Verde”, que estava no Bar Carioca tomando um café (sim, eu passei por lá), para tratar do assunto. Que Umuarama, às vezes, tem o que ensinar.

No fim, o erro do gambá foi o mesmo que o meu: ter saído de casa pra ver a lua. E o meu destino foi o mesmo que o dele: ter a cabeça esmagada contra o meio-fio. Mas falando em lua, estou até agora tentando achar uma interpretação ou conseqüência astrológica para essa conjunção de astros no céu. A moça do Jornal da Globo disse que ia ser um ótimo período para “Concretizar trabalhos antigos e consolidar novos”, principalmente pra quem é do signo de Capricórnio. Mesmo não achando explicação melhor, e muito menos sendo de Capricórnio, estou certo de que os fatos comprovam a previsão. É assim que voltamos à Lobservar.
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sexta-feira, 3 de novembro de 2006

Hypnoise [1998-2004]

Nota: Parte importante da minha história, principalmente na questão musical, é impossível não publicar os poucos, mas importantes, registros da Hypnoise. A versão original deste texto, um registro histórico o mais detalhado possível, foi escrita em 16 de julho de 2006, por ocasião do lançamento do EP Sof Carpet, da Hypnoise. Para esta atual publicação, revisei e acrescentei alguns desdobramentos históricos posteriores.


Umuarama, no final da década de 1990, tinha se transformado numa cidade iminentemente universitária. Pessoas de todos os lados do Paraná e do resto País estavam convivendo, trocando influências e cultura, principalmente musical. Nesse contexto, a antes pacata cidade do Noroeste do Paraná estava para presenciar mais uma das costumeiras ondas de bandas locais.

Em Janeiro de 1998, Fábio Suzuki, Mitchel Kipgen, Eduardo M. Custódio, Tiago Sá Carneiro e Julio Cysne, universitários da cidade, se reuniram no há muito tempo extinto Cabeça Oca, um bar meio quiosque, para um show de sua banda, que se chamava Mussy. Na platéia daquele show estava uma garota de 14 anos de idade, que adorava música e se chamava Tammy Yokohama, que  levou a notícia da nova banda da cidade até seu irmão Francis Yokohama. Foi assim que os irmãos, que também tocavam e cantavam, começaram a acompanhar os ensaios da Mussy, até que foram convidados a se juntarem à banda.

Durante o ano de 1998 a banda Mussy tantas formações diferentes e tão poucos ensaios que era praticamente uma formação por ensaio, uma aglutinação e desaglutinação de várias bandas locais e músicos avulsos até, finalmente, originar uma banda fixa, que foi chamada de HYPNOISE. Eram eles: Mitchel Kipgen (vocais); Tammy Yokohama (vocais); Francis Yokohama, o Bodão (guitarra e vocais); Anderson Willian Gazzi (guitarra); Fábio Suzuki, o Japa (Teclado); Julio Cysne (baixo) e Fernando Livoni (bateria).

A influência sonora da Hypnoise era o rock alternativo e a cultura grunge, muito em voga naquela década. O som de bandas como Pixies, Pavement, Garbage, Pearl Jam, Nirvana e tantas outras da cena alternativa corriam nas veias daqueles caras. E foi com suas musicas "esquisitas", porém muito bem tocadas, que a Hypnoise conquistou seu espaço na cidade e logo já estavam tocando em Foz do Iguaçu, Cascavel e Maringá, chegando até Florianópolis. Em Umuarama ficaram eternizadas as várias apresentações, sempre lotadas de gente, no bar Arpoador (também extinto)

Foi nesse contexto que a banda, de repertório dominantemente de músicas "cover", gravou seu primeiro single "Atomikane - Again". Esse trabalho foi gravado num Home Studio da cidade, o D'Art Studio, com Diloê Novak, André Sá Carneiro (irmão de Tiago Sá, o primeiro guitarrista da banda) e Tiago "Lobão" Inforzato como equipe de gravação. Na mesma sessão de gravação foi gravado um "Release Album", com outras nove musicas "cover", registro do que era o trabalho da banda naquele momento. 

Após a gravação do single, mais exatamente em 20 de abril de 2000, a Hypnoise sofre sua primeira baixa, Julio Cysne, baixista e recém formado em Odontologia, deixou a banda para se dedicar à sua nova carreira e se muda para Santa Catarina. Para assumir seu lugar, a banda convida Tiago Lobão, que assume a "cozinha" junto com Fernando Livoni

Com a nova formação, conquistaram outras regiões do estado do Paraná e se tornaram referência na cidade. Tocaram por todo o estado (Foz do Iguaçu, Cascavel, Toledo, Francisco Beltrão, Pato Branco, Maringá, Curitiba e outras tantas); voltam para uma temporada em Santa Catarina, com apresentações em Laguna e Meia Praia; além de manter apresentações constantes em Puerto Iguazu, na Argentina.

É nesse circuito que a banda passa a maior parte do tempo, aumenta sua visibilidade e chama atenção de outros músicos, fortalecendo a cena local e influenciando outras bandas de Umuarama, como a Jugulator (Heavy Metal), Overload (Alternativo), Dead Clock (Grunge), Lady Killers (Grunge), Facamolada (Rock n' Roll) e diversas outras.

De 06 a 11 de Março de 2001, acontecem as sessões de gravação do primeiro EP com músicas da própria banda, o "Soft Carpet". A banda se reuniu novamente no D'Art Studio para uma semana intensa de gravações para registrar cinco músicas: Again, Broken Fingers, Cinco Dias, Lost My Dreams e Million Miles Ago. Infelizmente, por discordâncias internas, o EP ficou sem ser lançado até julho de 2006.

A banda seguiu seu caminho de shows pelo Paraná, normalmente, até que em 16 de Março de 2002 sofre sua Segunda baixa, Fábio Suzuki, o Japa, tecladista resolve deixar a banda. Ninguém foi chamado para substituí-lo, transformando a Hypnoise em um sexteto.

Durante sua trajetória, a Hypnoise pôde dividir o palco com bandas peso-pesado do rock nacional como Pato Fu, Detonautas, Velhas Virgens, Dazaranha, Gram (que na época ainda se chamava Mosva e fazia tinha um ótimo trabalho de Beatles cover).

Depois de seis anos de atividades ininterruptas e muitos quilômetros rodados em Vans e no Opalão do Mitchel, a Hypnoise, infelizmente, encerrou oficialmente suas atividades em agosto de 2004. Mas, seus integrantes continuaram ativos na música. Mitchel, Francis e Tammy resolveram se mudar para Curitiba, capital do estado, onde fundaram a banda Novanoise; Loão, Anderson e Fernando ficaram em Umuarama e, junto com Nevilton de Alencar e Rafael Cardoso, criaram a Superlego, da qual, sem Anderson e Rafael, se originaria a primeira formação do power trio "Nevilton" (e a continuação dessa história você pode ler aqui)

Durante toda sua existência a Hypnoise divulgou o som que o rádio não toca, despertando o interesse pelo rock Alternativo, pelo Indie Rock e demais estilos menos conhecidos do rock. A banda, certamente, tem uma grande parcela de "culpa" sobre esses jovens da região que hoje ouvem Placebo, Garbage, Pixies e afins. E é com grande satisfação que posso olhar pra trás e ver esse lindo jardim que nasceu das sementes que plantamos.



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Acústico no Arpoador [1999]



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Release Album [2000]



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Soft Carpet [2001/2006]



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Ao Vivo sabe-se lá onde [???]




Video Memória:

Este vídeo foi compilado pelo Francis Yokohama, das poucas, mas preciosas fitas VHS que encontrou em sua casa. Cenas aleatórias, como são as memórias afetivas, de uma juventude em busca da realização pela música. Foi, sem dúvida, um tempo importante na construção do artista que sou hoje.