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segunda-feira, 1 de maio de 2017

O trabalho de sempre

Hoje é Dia do Trabalhador, dia livre pra nos concentrarmos em outras coisas. Inclusive, num outro tipo de trabalho, que movimenta outro tipo de capital, que paga outro tipo de dívida, e que produz outro tipo de bem. É um trabalho para o qual não há feriado nem contra-indicação e, quanto mais se faz, mais leve se fica.

E o Emmanuel vai dizer qual é:


Dívida de Amor

“Portanto, dai a cada um o que deveis; a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.” — PAULO (Romanos, 13.7)


Todos nós guardamos a dívida geral de amor uns para com os outros, mas esse amor e esse débito se subdividem, através de inúmeras manifestações.

A cada ser, a cada coisa, paisagem, circunstância e situação, devemos algo de amor em expressão diferente. A criatura que desconhece semelhante impositivo não encontrou ainda a verdadeira noção de equilíbrio espiritual.

Valiosas oportunidades iluminativas são relegadas, pelas almas invigilantes, à obscuridade e à perturbação.

Que prodigioso éden seria a Terra se cada homem concedesse ao próximo o que lhe deve por justiça!

O homem comum, todavia, gravitando em torno do próprio “eu”, em clima de egoísmo feroz, cerra os olhos às necessidades dos outros. Esquece-se de que respira no oxigênio do mundo, que se alimenta do mundo e dele recebe o material imprescindível ao aperfeiçoamento e à redenção. A qualquer exigência do campo externo, agasta-se e irrita-se, acreditando-se o credor de todos.

Muitos sabem receber, raros sabem dar.

Por que esquivar-se alguém aos petitórios do fragmento de terra que nos acolhe o espírito? por que negar respeito ao que comanda, ou atenção ao que necessita?

Resgata os títulos de amor que te prendem a todos os seres e coisas do caminho.

Quanto maior a compreensão de um homem, mais alto é o débito dele para com a Humanidade; quanto mais sábio, mais rico para satisfazer aos impositivos de cooperação no progresso universal.

Não te iludas. Deves sempre alguma coisa ao companheiro de luta, tanto quanto à estrada que pisas despreocupadamente. E quando resgatares as tuas obrigações, caminharás na Terra recebendo o amor e a recompensa de todos.


Capítulo # 150 do livro Vinha de Luz, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Consciência limpa

Um sono e um despertar tranquilo é o resultado de uma série de pensamentos e atitudes positivas na vida. Quem não deve, não teme! Inclusive à própria consciência, o maior e pior carrasco que qualquer um de nós pode ter. Não gostaria de estar na pele de quem passa por cima das próprias verdades, das verdades da vida e das Leis, para conquistar um naco a mais de poder ou status, como andam fazendo a nossa classe política.

Se o que fazem não lhes gera problemas na consciência, é uma questão de tempo para que venham a tê-los pois, no mínimo, estão plantando, eu seus inconscientes, uma semente de sofrimento ou, no mínimo, de uma bela insônia. Por mais mal intencionados que sejamos, todos temos, no fundo de nosso ser, a noção do que é certo e o que errado. E a alma vai gritar e doer até que a ouçamos e mudemos nossas atitudes.

Combater e eliminar o que gera a culpa em nós mesmos é uma questão de esforço pessoal, de controle todo nosso. Faz tempo que não são mais segredos os benefícios do auto-conhecimento. Há tempos recebemos tais recomendações; há tempos yoguis, monges, filósofos, místicos, homens santo e comuns colocam-se em exílio do mundo para a meditação e melhoria de si.

Entretanto, mesmo saneado o nosso espírito, não há pessoa justa que permaneça em verdadeira paz quando olha para fora de si e vê o resto mundo longe de estar no mesmo processo. E isso também nos tira o sono.

Como expandir a paz interior que tenho e que me faz tão bem a todos aqueles que amo e ao ambiente que me cerca? Como fazer isso e não perder a calma que conquistei com tanto trabalho, ao me expor à essa enxurrada de golpes que o mundo diariamente nos aflige?

No livro "Vinha de Luz", no capítulo 86, Emmanuel, através de Chico Xavier dá a dica, citando Jesus Cristo: "Não andeis, pois, inquietos.” (Mateus, 6.31). E continua:


"Jesus não recomenda a indiferença ou a irresponsabilidade. O Mestre, que preconizou a oração e a vigilância, não aconselharia a despreocupação do discípulo ante o acervo do serviço a fazer. Pede apenas combate ao pessimismo crônico.
 ... 
Ainda nos defrontaremos, inúmeras vezes, com pântanos e desertos, espinheiros e animais daninhos. Urge, porém, renovar atitudes mentais na obra a que fomos chamados, aprendendo a confiar no Divino Poder que nos dirige.

Em todos os lugares, há derrotistas intransigentes. Sentem-se nas trevas, ainda mesmo quando o Sol figura no zênite. Enxergam baixeza nas criaturas mais dignas. Marcham atormentados por desconfianças atrozes. E, por suspeitarem de todos, acabam inabilitados para a colaboração produtiva em qualquer serviço nobre.

Aflitos e angustiados, desorientam-se a propósito de mínimos obstáculos, inquietam-se, com respeito a frivolidades de toda sorte e, se pudessem, pintariam o firmamento à cor negra para que a mente do próximo lhes partilhe a sombra interior."

Combatamos o pessimismo crônico! Não nos rendamos, muito menos sejamos os derrotistas de plantão. Unamo-nos e nos inspiremos uns aos outros com nossas boas atitudes. Desta forma, inspiraremos ao próximo com bons exemplo. Os bons não somos poucos, só precisamos deixar de ser tímidos.


domingo, 18 de dezembro de 2016

Reforçamo-nos, sempre.


Costumo ler, diariamente, o livro Fonte Viva, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. A cada dia leio um dos pequenos textos, pequenas lições, interpretações do Evangélho, para se refletir ao longo do dia e implementá-las na vida, na prática cotidiana.

E foi numa dessas leituras, logo cedo, que me deparei com este texto, o de número 21. Encontrar palavras de Emmanuel sobre o tema de uma crônica que eu havia escrito 4 dias antes, me deixou muito feliz. É um leve sinal de que eu devo estar indo pelo lado certo. Se ainda não estou indo, ao menos já estou olhando para o lado certo.

Gosto muito dessas coincidências, quando a vida traz confirmações de que o caminho está certo. Por isso coloco o texto do Fonte Viva e o link para a minha crônica, para que sejam lidos em conjunto, pois eles se completam e se ajudam. Seguem, os textos, a idéia que eles mesmos propagam: que o mais forte, o mais iluminado (o Emmanuel, claro) ajude o mais fraco, o menos iluminado (eu, é claro).

E que todos nós possamos nos aproveitar de mais esse feixe de luz do farol poderoso que são os livros de Emmanuel. E, assim, fortalecidos, termos as condições de praticar, de fato, uma vida mais harmoniosa e amorosa e nos tornarmos, a cada dia, a cada lição, a nossa luz um pouco mais forte.

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21. Maioridade

“…O menor é abençoado pelo maior.” — PAULO (Hebreus, 7.7)


Em todas as atividades da vida, há quem alcance a maioridade natural entre os seus parentes, companheiros ou contemporâneos.

Há quem se faz maior na experiência física, no conhecimento, na virtude ou na competência.

De modo geral, contudo, aquele que se vê guindado a qualquer nível de superioridade costuma valer-se da situação para esquecer seu débito para com o espírito comum.

Muitas vezes quem atinge a maioridade financeira torna-se avarento, quem encontra o destaque científico faz-se vaidoso e quem se vê na galeria do poder abraça o orgulho vão.

A Lei da Vida, porém, não recomenda o exclusivismo e a separatividade.

Segundo os princípios divinos, todo progresso legítimo se converte em bênçãos para a coletividade inteira.

A própria Natureza oferece lições sublimes nesse sentido.

Cresce a árvore para a frutificação. Cresce a fonte para benefício do solo.

Se cresceste em experiência ou em elevação de qualquer espécie, lembra-te da comunhão fraternal com todos.

O Sol, com seus raios de luz, não desampara a furna barrenta e não desdenha o verme. Desenvolvimento é poder.

Repara como empregas as vantagens de que a tua existência foi acrescentada. O Espírito Mais Alto de quantos já se manifestaram na Terra aceitou o sacrifício supremo, a fim de auxiliar a todos, sem condições.

Não te esqueças de que, segundo o Estatuto Divino, o “menor é abençoado pelo maior”. (Heb)


domingo, 20 de novembro de 2016

Livro : O Céu e o Inferno [1865, Allan Kardec]

Comentários ao capítulo IV - O Inferno, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.
Capa para uma das muitas edições da Federação Espírita Brasileira


O Céu e o Inferno, ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo (Le Ciel et l'Enfer, ou La Justice Divine Selon Le Spiritisme), é um dos livros básicos do Espiritismo. Foi publicado por Allan Kardec, em 1º de agosto de 1865, após vários anos de observações e estudos. Composta de duas partes, a obra traz luz sobre o mecanismo da Justiça Divina, sempre de acordo com o princípio evangélico: "A cada um segundo suas obras".

A primeira parte do livro é dedicada a um exame crítico e filosófico, sob o paradigma Espírita, de vários assuntos relacionados aos sentimentos de medo e culpa que desenvolvemos, através dos tempos, tanto pela religião, quanto por outros aspectos culturais. Sentimentos e costumes que podem, conforme Kardec, ser eliminados através do exame racional aliado aos conhecimentos científicos conquistados pela humanidade durante sua evolução.

A segunda parte do livro é uma compilação de vários diálogos que Kardec estabeleceu com diversos espíritos, os quais descrevem as impressões e sentimentos advindos do processo de desencarne (morte). Desta forma, pode-se comparar as diferentes experiências conforme diferente é o carater de cada espírito comunicante.

Por ocasião de um seminário apresentado no dia 05 de Outubro de 2016, em aula do curso de Espiritismo da Federação Espírita de São Paulo, coube ao meu grupo discorrer sobre o capítulo IV - O Inferno. Tal capítulo trata dos temas: intuição das penas futuras; o inferno cristão imitado do inferno pagão; os limbos; quadro do inferno pagão; esboço do inferno cristão. Como resumo deste seminário, escrevi o texto abaixo, o qual gostaria de compartilhar com todos.

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Desde que se tem notícias, sempre houve, na humanidade, a idéia de uma vida futura, após a morte. E os detalhes de como seria essa vida futura variam conforme o nível evolutivo, científico, moral e religioso de cada civilização. Se materialista, a vida futura dos justos era envolta de prazeres materiais abundantes; e, quanto mais espiritualizada, os prazeres eternos do Paraíso iam se deslocando para a felicidade moral, e a leveza da consciência. Da mesma forma, os medos culturais e as dores físicas cotidianas eram transferidas para o Inferno. Por exemplo, civilizações que viviam cercadas de gelo, criaram infernos extremamente gelados; já as civilizações de climas quentes, criaram infernos insuportavelmente quentes. As civilizações mais avançadas, que já entendiam as relações morais da vida, criavam infernos onde as punições doíam na consciência, pela culpa das más atitudes tomadas em vida; em oposição ao paraíso, morada dos justos e de consciência tranquila, a desfrutar a paz eterna. E assim por diante.

Entretanto, apesar das várias formas de representação da vida futura, vale ressaltar o quanto esse conceito antiqüíssimo é comum e possui confluências conceituais, mesmo tendo se manifestado em várias civilizações diferentes, que não se comunicavam, espalhadas e distantes ao redor do mundo. O que nos leva a considerar a existência de uma intuição comum a todo ser humano, um conhecimento espiritual, que as almas de cada ser encarnado trazem consigo, sobre uma existência ditosa ou não, conforme a vida que se levou aqui na Terra.

Focaremos na idéia do Inferno, tema do capítulo estudado. Dada a antiguidade do conceito de que existe um lugar para punições na “vida pós morte”, podemos afirmar que o Inferno não é uma invenção da igreja Católica. O que ela fez foi apenas agregar sua interpretação e seus dogmas às idéias de inferno Pagãos, cultura que combatia e desejava subjugar, piorando o máximo possível a descrição dos sofrimentos. Desta forma, criava imagens horripilantes para causar bastante medo em seus fiéis, o suficiente para mantê-los tementes, sob controle e contribuindo financeiramente com a Igreja, sem questionar, afinal questionar a igreja levava ao Inferno, por toda a eternidade.

O inferno Católico é um lugar onde os espíritos de quem não é católico e levou uma vida desregrada, cheia de atos considerados pecado pelo catolicismo, recebem punições eternas e insuportáveis. É um inferno de caráter duplo, obviamente incongruente, pois pune, com dores físicas, espíritos que não possuem corpo físico. De certo, o caráter meio materialista meio espiritual desse inferno é resultado do estágio intermediário de evolução da humanidade ocidental durante o período no qual esse inferno foi confeccionado.

Por ser um amálgama de idéias de outras crenças não católicas, temos muitas coisas em comum entre o inferno Pagão e o Católico, sendo, como já dissemos, pioradas na descrição católica. Por exemplo, para os Pagãos, o Rei dos Infernos é Plutão, que está lá apenas gerenciando, recebendo e punindo quem por lá chegar, sem fazer qualquer outro tipo de juízo, ele faz o que deve ser feito pois esse é o seu trabalho e ponto. Já no inferno Católico, o Rei dos Infernos é Satanás que, além de punir as almas que por lá chegam, também é responsável por criar armadilhas e tentações para humanos desavisados, com o fim de angariar sempre mais almas para as suas masmorras.

Os pagãos situavam o Paraíso e o Inferno em um lugar físico. O Paraíso, para além das nuvens e o Inferno nas profundezas da terra. Os católicos, por muitos séculos, também fizeram o mesmo. Tiveram que mudar de idéia pela impossibilidade de manter tal crença, já que, após processos científicos de observação do subsolo e dos céus, comprovou-se não existir resquício algum de qualquer estrutura infernal sob a terra ou paradisíaca sobre as nuvens. Kardec aprofunda essas comparações no capítulo “quadro do inferno pagão”, citando a descrição de Inferno feita por François Fénelon, no conto sobre Telêmaco; e no capítulo “esboço do inferno cristão”, aprofunda-se sobre os estudos e digressões católicas, questionando-as e as comentando.

Sabendo que o Paraíso era para os bem aventurados, que viveram para a igreja Católica, seguiram todos os seus preceitos e pagaram todas as suas ‘tarifas’; e o Inferno era para os seus opostos, o que seria da vida futura daqueles Católicos que, por algum motivo falharam, que fizeram quase tudo certo e, por forças irresistíveis ao humano médio, pecaram? Como ficariam aqueles que se esforçaram muito mas, como a carne é fraca, se tornaram impuros para a vida eterna no Paraíso? Para cobrir essa lacuna, onde certamente estariam a maioria dos fiéis, criou-se o Purgatório, um lugar para onde iriam esses espíritos, os quais seriam eternamente punidos, de forma mais leve do que no inferno, mas aguardando a misericórdia divina, a intervenção dos Santos ou as orações dos vivos rogando para que Deus os perdoasse as faltas e os aceitasse no Paraíso. Desta forma, mesmo que ainda escravos dos prazeres da carne, ainda valia a pena tentar ser Católico e contribuir com o dízimo.

Entretanto, ainda restavam sem domicílio eterno as almas que não tiveram a oportunidade de conhecer a Luz de Deus, conforme os dogmas Católicos; que não foram batizados, que não participaram da comunidade Católica, o que viveram à margem de Deus, como os selvagens, as crianças mortas antes do batismo e todos os justos que vieram antes da vinda de Jesus Cristo. Para estes criou-se o Limbo. Limbo significa, literalmente, borda, margem, extremidade. 

Para os justos que viveram anteriores à Jesus, dizem ter havido um limbo especial, o Limbo dos Patriarcas, que foi extinto quando Jesus, após ser crucificado, foi até lá e perdoando os pecados, recolheu a todos que lá estavam, como prêmio por sua fé. Mas, subsiste até hoje e se manterá por toda a eternidade, conforme os Católicos, o Limbo para os demais espíritos, que lá passarão a eternidade, sem direito à salvação. Idéia extremamente contrária à infinita misericórdia e amor de Deus por toda a sua criação.

Todos estes cenários, independente da cultura nos quais foram criados, onde existam punições eternas sem chance de “revisão da pena”, são monumentos à imperfeição de Deus e, atualmente, por não terem lógica alguma são, também, um convite ao ateísmo. Criou-se a imagem de um Deus que pune, que julga, que cria os seres imperfeitos e os condena pelas atitudes imperfeitas inerentes a isto; um Deus quase humano, instável e não confiável. Essa imagem de Deus entra em conflito com a mensagem do Cristo e a intuição que todos temos, intimamente, sobre Ele, gerando dúvidas e desconfianças sobre a fé que deveríamos cultivar. Assim, conclui Kardec que o Dogma do Inferno, ao contrário de dar autoridade e respeitabilidade à Deus, apenas O diminui, transformando-O em uma entidade tão imperfeita e questionável quanto o ser humano, esta sim é uma verdadeira e imensa blasfêmia.

No sentido oposto, temos a doutrina Espírita e sua visão da vida futura, das Leis Universais, pelas quais os Espíritos colhem exatamente o que plantam e na justa proporção do que plantaram. Que tira o Paraíso de o Inferno de lugares físicos, exteriores ao ser humano e os coloca onde é mais lógico que estejam: sob a nossa responsabilidade, dentro de cada um de nós (como bem ilustra a capa da edição que ilustra o início deste texto). O Inferno somos nós mesmos e não mais os outros, como dizia Jean Paul Sartre.

Desta forma, o Espiritismo enaltece a perfeição de Deus, Sua justiça, misericórdia e amor infinitos. E, além de tudo, alinha-se com vários livros sagrados, principalmente a Bíblia e as palavras de Jesus Cristo, de forma harmoniosa, sem a necessidade de malabarismos interpretativos esdrúxulos e duvidosos.

Entretanto, por mais absurdas que seja a idéia do Inferno como local eterno e irreversível de punição, ainda é necessário que ela exista. Pelo temor que causam, são, para vários grupos de pessoas em estágios de evolução espiritual ainda primária, a única forma de limite de consciência, de provocar reflexões e frear atitudes contrárias às Leis Universais. Fica, portanto, à cargo do Espiritismo, o trabalho firme e constante, através da educação e da promoção da fé raciocinada, de combater estes conceitos defasados, ao ponto em que eles não sejam mais necessários, proporcionando a todo ser humano uma conexão direta e verdadeira com o amor, a justiça e a misericórdia, enfim, com a perfeição infinita de Deus.


domingo, 17 de abril de 2016

Livro : A Caminho da Luz [1939, Emmanuel e Chico Xavier]

Comentário aos capítulos XVI ao XX - da queda do Império Romano ao Renascimento.

Link para download gratuito do livro completo.



Capa da primeira edição do livro, de 1939.

Francisco Cândido Xavier, famoso médium espírita, psicografou 412 livros durante os mais de 70 anos de trabalho ininterrupto pelo espiritismo. Isso dá uma média de 6 livros por ano, uma produção impossível para um homem comum, ainda mais se considerarmos sua pouca formação escolar; doenças oculares como o estrabismo no olho direito, o deslocamento do cristalino no esquerdo; a profundidade filosófica e científica dos textos; além do tempo utilizado em outras atividades como a psicografia das famosas cartas, as viagens, as palestras, entrevistas, o trabalho nos Centros Espíritas e as coisas naturais da vida como dormir, comer e tomar um banhozinho, pois ninguém é de ferro.

Um desses livros, publicado em 1939, é o "A Caminho da Luz". Psicografado por Chico Xavier e ditado pelo espírito de Emmanuel, o livro conta, pela ótica Espírita, o desenrolar dos fatos desde a criação do planeta Terra até o advento da Doutrina Espírita, em 1857, através de Allan Kardec e, ainda, aponta o trajeto a seguir, dando elementos para entendermos a história contemporânea e o nosso futuro. Como explica o próprio Emmanuel, no Antelóquio do livro : "Não deverá ser este um trabalho histórico. A história do mundo está compilada e feita. Nossa contribuição será à tese religiosa, elucidando a influência sagrada da fé e o ascendente espiritual, no curso de todas as civilizações terrestres.".

Entendo que a intenção maior do livro é chamar a atenção para a existência da providência divina e nos lembrar que ela age, amorosa e incessantemente, através dos tempos, por meio de uma equipe espiritual, formada por entidades muitíssimo evoluídas, que agem em nome de Deus, e cuidam para que os planos Dele se mantenham no eixo. Ainda melhor nas palavras de Emmanuel, registradas nos primeiros parágrafos do capítulo "I - A Gênese Planetária": "Rezam as tradições do mundo espiritual que na direção de todos os fenômenos do nosso sistema existe uma Comunidade de Espíritos Puros e Eleitos pelo Senhor Supremo do Universo, em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias. Essa Comunidade de seres angélicos e perfeitos, da qual é Jesus um dos membros divinos...".

Introduzido o contexto do livro, passo aos fatos.

Para o curso regular de Espiritismo da Federação Espírita do Estado de São Paulo, o qual estou cursando, a sala foi dividia em grupos e cada qual cuidou de resumir e explicar, num seminário de 15 minutos, um conjunto de capítulos. O grupo no qual participei cuidou dos capítulos XVI ao XX, que falam desde a do Império Romano até a chegada do Renascimento, passando pela Idade Média.

Durante quase um mês de conversas e troca de informações com os companheiros do grupo, tentei, sem sucesso, ordenar as informações pra que pudéssemos apresentar o trabalho, com clareza, frente à sala. Mesmo tendo sido a segunda vez que lia o livro, a linguagem complexa e o grande número de nomes, datas e referências me embaralhavam  como sempre  as idéias. Até que chegou a manhã do inevitável dia da apresentação, resolvi, então, anotar alguns tópicos para, pelo menos, não me perder durante a fala.

Sentei-me, armei-me de uma folha de almaço e uma caneta, pedi ajuda e, por alguns minutos, olhei para índice do livro, aos capítulos referentes ao meu grupo, enquanto tentava, mais uma vez, organizar as idéias. Iniciei a primeira anotação e, o que deveria ser alguns lembretes se transformou em vários parágrafos de um texto no qual tudo fazia um sentido que até minutos atrás não existia. Depois de 30 minutos, escrevendo sem parar, sentindo as idéias se ajuntarem na cabeça e escorrerem até o papel, eu tinha duas páginas e meia de almaço, resumindo todo o conteúdo referente aos capítulos do meu grupo de trabalho. Inspiração. Agradeço aos amigos invisíveis pela ajuda. Algumas leves correções estilísticas depois, o texto me pareceu tão bom que resolvi publicá-lo aqui no blog para quem, assim como eu, teve dificuldades no entendimento destes capítulos ou precisa de alguma chave a mais para entender um pouco mais do livro todo. Porém, aviso que o mergulho aqui não é fundo, ainda não tenho essa capacidade.

Antes, vale lembrar que, de acordo com o livro, nos planos de Deus para a humanidade, a missão do Império Romano era de ser um facilitador para a disseminação do Evangelho, a Boa Nova que facilitaria a religação do homem materialista com a espiritualidade universal e as Leis do Criador. Depois de várias tentativas durante os tempos, contando com a ajuda de outros emissários como Zoroastro, Confúcio, Buda, etc, desta vez, a Mensagem seria trazida pelo próprio Cristo, o Espírito mais evoluído da Terra, o Governador Planetário. Por isso, através da ajuda invisível e da encarnação de grandes espíritos, Roma consegui se expandir através da quase totalidade do mundo ocidental antigo e conhecido, tornando-se o maior império em abrangência geográfica e organização estrutural que havia existido até então.

Segue, daqui, o texto apresentado em sala:

Tendo em vista a falha de Roma em cumprir sua missão de ser a base social para a expansão das ideias cristãs, principalmente por causa de se vincularem e promoverem ideias materialistas como a vaidade, o orgulho, a sensualidade e a belicosidade, os espíritos encarregados, da mesma forma que auxiliaram na formação do Império Romano, tomaram providências para que ele fosse desmontado, cessando com a ajuda. Além do mais, há de se considerar que atitudes materialistas e não cristãs, como as de Roma, só poderiam resultar na instabilidade social e na impossibilidade da manutenção da ordem política em uma área tão grande. Afinal, é natural a instabilidade e a destruição de tudo o que não segue as Leis Divinas, que também podem ser chamadas de Leis Naturais, por serem perfeitas e imutáveis através da eternidade.

A Igreja Católica, nascida do Cristianismo, vinculou-se ao estado romano e foi infectada pelos mesmos valores e costumes distorcidos, que gerariam muitos problemas para a instituição no futuro. Mas tais problemas, como as atitudes autoritárias e centralizadoras, também trariam coisas boas para a humanidade, séculos depois. Como, por exemplo, o Protestantismo, que veio por Lutero, movido pela insatisfação com as posturas dogmáticas católicas, libertou a Bíblia dos armários secretos dos mosteiros e a colocou nas mesas do povo.

Com o desmonte do império, a força política que unia aquele emaranhado de nações e culturas cessou, fazendo com que cada um procurasse o seu lugar ao sol e sua própria organização, mas sem a estrutura e a cultura romana, que foi abnegada, deixada de lado, pois ela simbolizava o antigo algoz, do qual todos queriam manter distância e, se possível, esquecer para sempre. Este movimento levou a humanidade tempos de ignorância, a Idade Média, Idade das Trevas, a Era do Feudalismo. E sem a visão Espírita é impossível de explicar o infinito amor e a misericórdia divina frente a tão obscuro período.

Apesar de ter sido quase uma volta ao total primitivismo, tudo sempre acontece sob a vigilância misericordiosa da equipe espiritual que, entre várias ações, enviou o espírito que foi um dos mais nobres imperadores romanos, leal trabalhador do Cristo, que reencarnou como Carlos Magno, e reorganizou a estrutura do mundo ocidental, tão fragmentada após a queda do império romano. Durante os 46 anos de seu governo, Carlos Magno deixou uma nova base cultural e administrativa que possibilitaria a continuidade dos planos divinos.

Portanto, durante o período da Idade Média, sem a refinada estrutura cultural e social de Roma, a humanidade voltou à lida diária com a terra, o que gerou a valorização do trabalho e a conexão, novamente, e de forma mais fundamental, com a natureza. E através dessa existência mais humilde e sem qualquer conforto, ressurgiu, no coração dos homens, de forma mais forte, o sentimento da existência de um deus que a tudo rege. Foram, assim, a fé e a resignação retrabalhadas íntima e profundamente na humanidade, através das dores, doenças e outras inumeráveis dificuldades comuns àqueles tempos.

Nessa época, a Igreja Católica estava cada vez mais poderosa e parecia intocável. Era manipulada por espíritos infelizes e ignorantes que, tentando a todo custo evitar a expansão do Amor e da Caridade pelo mundo, usaram a instituição como protagonista de atividades bárbaras e reprováveis pela Lei de Deus, como as Cruzadas e a Inquisição. Todo o esforço era válido para abafar as verdades que colocariam a humanidade à caminho da luz e, em xeque, tudo o que alimentava seus vícios e desvios morais que tanto lhes davam prazer.

Entretanto, como já dito, os trabalhadores espirituais do Cristo se mantiveram sempre vigilantes e ativos, enviando, de tempos em tempos, emissários do alto para auxiliar a humanidade a manter-se no caminho, ou, pelo menos, não se afastar muito dele durante esta parte escura e difícil da jornada. Para isso, encarnaram, tanto na sociedade civil, quanto entre os nobres e o clero, baluartes da mensagem cristã que, munidos de amor e misericórdia, traziam ideias e métodos novos para melhorar as condições de vida material e espiritual das pessoas. Religiosos, Filósofos, Inventores, todos de coração e alma iluminados, mantiveram vivos o pensamento e as atitudes benéficas. Vide Santo Agostinho, São Francisco de Assis, São Tomás de Aquino, Roger Bacon, entre outros.

Se é através das limitações que temos as melhores inspirações, durante as provas e expiações da estreitíssima Idade Média, a humanidade se desarmou das vaidades de outrora e se colocou novamente sensível aos pequenos detalhes da vida e do Universo, despertando, mais um vez, como não acontecia desde os gregos, a curiosidade que motivaria as descobertas, as invenções, os questionamentos e demais eventos que desaguariam no Renascimento. Transformando, até mesmo, o próprio corpo humano, objeto tão cotidiano, em algo sublime, divino.

Assim sendo, com uma nova base social e espiritual instalada, à partir do Sec. XIV, vários espíritos iluminados começaram a reencarnar trazendo novos e mais avançados conhecimentos em todas as áreas. Ciência, Filosofia, Religião sofreriam à partir daí, grandes revoluções e, auxiliado pela invenção da imprensa, por Guttemberg e pelas grandes navegações da Escola de Sagres, que possibilitariam o intercambio e a colonização do novo mundo, o conhecimento se espalharia sem fronteiras.

Tal cenário preparou a humanidade, principalmente a europeia, para receber os espíritos que pavimentariam a estrada até o Iluminismo, a grande era das luzes, cujo ápice foram os séculos XVIII e XIV. Estava, enfim, todo o planeta, novamente preparado para uma nova fase, uma nova tentativa de instalar, no coração da humanidade, o Evangelho.


sábado, 28 de novembro de 2015

Responsabilidade

Após acompanhar histórias tristes de abusos de crueldade inconcebível contra as mulheres, através da campanha #meuamigosecreto e conversar com algumas amigas e entender seus motivos - que jamais questionarei, pois existem e são sólidos - peguei-me preocupado com os desdobramentos de tal atitude que, mesmo lotado de evidentes boas intenções, não esteve livre de violência em suas manifestações.

Em tempos de vida sexual livre e desregrada, certamente cometemos muitos erros. Erros que, por sermos imaturos, não sabemos evitar ou lidar com seus desdobramento. Culpas e complexos, raiva e desespero. A pressão disso tudo dentro do coração é imensa. Mas, precisamos averiguar as formas de nos libertarmos disso sem causarmos uma outra avalanche de erros e tentarmos limpar lama com mais lama, combater o mal com o mal. 

Na vida é imprescindível responsabilidade, toda atitude gera conseqüências, enfim, não há almoço grátis. Emmanuel, inspirado pelas atitudes do Cristo, dá boas dicas sobre isso no Capítulo 26 de seu livro "Vida e Sexo", psicografado por Chico Xavier.


26. À Margem do Sexo

"Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os movimentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou reprova o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes  anátema, tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.” - Do item 16, do Cap. X, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo". 


Companheiros da Terra, à frente de todas as complicações e problemas do sexo, abstende-vos de censura e condenação. Todos nós – os Espíritos em aperfeiçoamento nos climas do Planeta – estamos emergindo de passado multimilenar, em que as tramas da alma se entreteciam em labirintos de sombra, para que as bênçãos do aprendizado se nos fixassem no espírito. Ainda assim, achamo-nos todos muito longe da meta por alcançar. 

Se alguém vos parece cair, sob enganos do sentimento, silenciai e esperai! Se alguém se vos afigura tombar em delinqüência, por desvarios do coração, esperai e silenciai!... Sobretudo, compadeçamo-nos uns dos outros, porque, por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã. 

Calai os vossos possíveis libelos, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros. Somos todos peças integrantes de uma só família, operando em dois mundos, simultaneamente - aquele das inteligências corporificadas no plano físico e aquele outro das inteligências desencarnadas que se domiciliam nas regiões da mesma Terra que habitais, disputando convosco, tanto quanto igualmente entre si, a aquisição de recursos substanciais da evolução. 

Não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. À vista disso, muitos de nossos erros imaginários no mundo são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!

Abençoai e amai sempre. Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo: 

“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

O único caminho

Neste domingo que passou, um amigo tentou suicídio. Foi a terceira vez, neste semestre que lidei com esse traço assustador da realidade que é o suicídio. Os três em Umuarama, cidade onde cresci, e cujo ritmo está longe da desumanidade e dos altos e baixos chocantes daqui de São Paulo, onde moro atualmente. E, em cada um dos três, um desfecho diferente: esta última, uma tentativa que não se concretizou; numa outra, a pessoa mudou de ideia antes de agir; e uma terceira, a qual, infelizmente, foi bem sucedida. 

Dar fim à própria vida, encerrar bruscamente uma história. Impossível medir o desespero ou os motivos exatos que levam alguém extinguir-se, mas, os muitos motivos que existem, talvez se encontrem num sentimento comum, comum a todos nós, inclusive. Afinal, todos já nos sentimos sem esperança em algum momento da vida. O desespero ao olharmos ao nosso redor e nos vermos solitários, ou ao olhamos pra nosso interior, estarmos vazios e encontrar só um abismo infinito de anseios que, apesar da constante busca, nunca são saciados; paralisamos quando somos massacrados pela realidade tão diferente do que sonhamos ela, ou nós, fossemos; enfim, são incontáveis os motivos que nos fazem desistir de nós mesmos, perder a confiança na nossa capacidade de nos realizarmos dia após dia e vivermos bem.

A Organização Mundial da Saúde diz que a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. Não se pode ficar tranquilo com um dado desses. Está aí um sintoma de uma realidade terrível que criamos, onde, a cada 40 segundos, alguém se sente cansado demais para dar o próximo passo rumo à felicidade. É um alerta de que estamos tentando matar a fome de nossas almas com o alimento errado. Tentamos nutrir nosso espírito com o materialismo que, incompatível com a fome age feito um ácido, nos correndo e aumentando o rombo o quanto mais o ingerimos.

Fica claro que negar a existência uma dimensão espiritual, que nos completa e dá apoio, está gerando um mundo sem esperança e enganosamente sem sentido. E isso afeta a todos nós, não necessariamente muito tristes ou em estado de calamidade. Nós também, em nossos dias comuns das nossas vidas comuns, entediados, em busca de nos sentirmos vivos, nos arriscamos na inconsequência diária dos entorpecentes naturais ou químicos. E essa fuga constante de nós mesmos, por ser impossível, só gera mais angustia e necessidades maiores de entorpecimento, com nossas doses diárias de veneno que, a longo prazo se tornam litros.

Ora, se pra tudo do universo existe uma contrapartida, não se pode mais ignorar as faces opostas, porém complementares da existência. É tempo de aceitarmos a dualidade da vida em todos os seus aspectos. Há momentos bons e momentos ruins; se há o concreto, há, também, o abstrato; se há o corpo, há, também o espírito, e os dois precisam de alimento e cuidados específicos. Assim como o dia só se considera completo pela chegada da noite; só contemplamos a real alegria quando experimentamos sua opositora, a tristeza; só valorizamos realmente o sucesso quando provamos do insucesso; até mesmo a própria completude só se torna absoluta pela existência das ausências em contraponto.

Sei que muitas vezes é difícil de perceber, mas existir nunca é um ato vazio, mas uma experiência completa por si só, riquíssima de estímulos e méritos e, é claro, dificuldades e deméritos. É certo que a busca por um sentido na vida nunca chegará ao fim, pois nós, finitos, nunca conseguiremos abarcar o infinito dentro de nós; então, se a fome da alma nunca será aplacada, ao menos podemos escolher os melhores alimentos, os melhores pensamentos, as melhores atitudes, para que não nos envenenemos, sempre respeitando a vida, a nós mesmos e à dinâmica do Universo. Quando se vislumbra o infinito, o amor se torna o único motivo, e viver, o único caminho.


domingo, 4 de outubro de 2015

Sintonia

"O Universo é uma melodia entoada no compasso."
Haroldo Dutra Dias


Acredito que tudo o que acontece em grande escala no Universo pode ser replicado, em menor escala, nos elementos que o compõe e, para exemplificar isso, domingo passado publiquei um texto comparando o ciclo das estações do ano com o ciclo de vida de um ser humano. Como se as coisas todas fossem o mecanismo de um relógio, com discos de engrenagens maiores, girando mais devagar, e discos de engrenagens menores, girando mais lentamente, algumas até mesmo replicando o ritmo de outra de tamanho diferente. Ou seja, tudo, sem exceção, está conectado; tudo tem seu tempo, cada coisa no seu ritmo, movimentando o mecanismo infinito que é o Universo.

A preocupação que me desperta o tema, já há algum tempo, é o quanto estamos gradualmente nos desconectando desse mecanismo. E não posso duvidar que grande parte da nossa angústia, senão toda ela, é causada por esse nosso distanciamento da cadencia universal. Estamos fora do ritmo, tropeçando na harmonia cósmica. Os sinais não são poucos e estão aí pra quem se dispor enxergar.

Interessante que dias após de publicado o texto, fui surpreendido pela seguinte aula dos estudos do Livro de Gênesis, do Antigo Testamento Bíblico, que acompanho. Nada mais do que a expansão e esclarecimentos a respeito dos infinitos ciclos que se complementam e se espelham no Universo. Senti-me em sintonia, o que é bastante pertinente quando o tema proposto é sintonizar-se com o Cosmo.

Enfim, sem muita delonga, deixo os dois vídeos recebidos nesta última semana, nos quais o iluminado Haroldo Dutra Dias consegue expandir de forma deliciosa e didática a ideia que apenas consegui propor, e de forma muito rasa, no último domingo.





Caso você tenha sobrevivido ao primeiro vídeo e continua curioso sobre o assunto, tem mais esse aqui, de 20 minutos, complementando a ideia e abordando o assunto à partir de uma visão mais pro lado da Doutrina Espírita.




E continua na aula 26 (atualizado em 22/10/2015):




Também existe essa aula mais antiga, sobre o Livro Levítico, gravada no ano passado, que também desenvolve o assunto. (atualizado em 22/10/2015):



E continua (atualizado em 28/10/2015):



Fechando o raciocínio, com argumentos, em sua maioria, espíritas, esta última aula, que insere e localiza nosso pequeno ciclo humano num ciclo muito maior, de muitos milhões de anos (atualizado em 09/11/2015).




domingo, 20 de setembro de 2015

Reflexões aos Domingos

Este texto inaugura uma série que será publicada apenas aos domingos (o que não significa todos os domingos). Serão minhas reflexões e conclusões resultantes de alguns estudos sobre o Espiritismo, a Bíblia, a Filosofia e espiritualidades. Estes estudos, e a prática diária do aprendido, estão me ajudando a melhorar a qualidade da minha vida, por isso sinto essa vontade de compartilhar minhas descobertas e dúvidas com quem também se interessa nessa busca de uma equalização de si com o Universo. Talvez, não coincidentemente, tenho encontrado e conversado bastante com muitos amigos que dividem as mesmas preocupações, dúvidas e vontades. Então, acho que essa é uma forma de manter a minha conversa com esses amigos sem atrapalhar o ritmo literário do Lobservando (assim espero!).

Que fique claro: passo longe de querer solucionar as grande dúvidas filosóficas que acompanham a humanidade por toda sua história, e há anos-luz de querer criar uma síntese perfeita e cientificamente irrefutável de argumentos. A intenção é apenas, humildemente, plantar as poucas melhores sementes que me cabem para uma melhor colheita que, mesmo minúscula, não me desanimará do cultivo. Acredito, cada vez mais, que na vida a qualidade é preferida à quantidade, e seu puder ajudar uma pessoa sequer, além de mim mesmo, já posso considerar o esforço mais do que válido.

Que haja força para suportar as provas e sabedoria para aprender as lições.

O Melhor 7 de Setembro

Nos meus 35 anos de vida, nunca presenciei um 7 de Setembro tão melancólico e distante das imagens que guardo na memória, das várias vezes que o brasileiro, orgulhoso, celebrava a pátria pelas ruas.

Toda a melancolia gerou páginas de anotações, julgamentos, generalizações e preconceitos que nada fariam para a construção do texto que inicialmente eu me propunha. Queria pacificar a alma e, como nos outros anos todos, orgulhar-me da Pátria que me acolhe. Queria um texto útil.

Quando me vi refletido no espelho da razão, veio-me à mente a frase de um antigo sábio: "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra" e, depois, a segunda chave para minhas questões: "Não faça ao outro o que não queres que te façam". Esta última é uma das regras de ouro de Confúcio (551 - 479 a.C), muito utilizada por Jesus Cristo (0 - 33 d.C), autor da primeira frase que citei. Se o teor das minhas anotações era o pedido pela Justiça, Honestidade e fim da Hipocrisia, eu não deveria, ao pedir, ser injusto em julgar sem conhecer; desonesto ao me isentar das minhas responsabilidades e hipócrita ao me considerar perfeito.

Eu estava exigindo honestidade, probidade, respeito e outras tantas coisas, mesmo tendo eu sido, muitas vezes, desonesto, improbo, preconceituoso e inconsequente com meus atos. Um ser notoriamente imperfeito cobrando perfeição de seres também imperfeitos. Que autoridade moral eu tenho para agir de forma tão injustiça? Restou-me o envergonhado exame do meu orgulho e vaidade.

Finalmente me enxerguei, mudei minha relação com tudo: país, povo e governantes. De um ilusório ser perfeito e "inoxidável" – como diria um criativo compatriota –, passei a um realista igual, fraco e falível frente paixões e vícios, carcomido pela ferrugem do ego, como somos todos os seres humanos.

Mudar a si mesmo já é esforço enorme, mas certo de que sou o único ser o qual posso efetivamente mudar, ficou evidente a desnecessidade do desgaste e lutas extras para se mudar os outros à força. Se a nação é um conjunto de indivíduos, a diferença no todo só se fará pessoa a pessoa.

Sobre os nossos líderes, não posso garantir que não erraria tanto ou mais se estivesse em seus lugares. Mas, se cabe exclusivamente a mim o exame da minha consciência e a lide com a culpa dos meus atos, cabe a eles fazer o mesmo. E da mesma forma em que nas situações difíceis eu preciso de ajuda para perceber o erro, me levantar da lama e repará-lo, eles também precisam. Desconheço as guerras internas que cada um enfrenta diariamente. Por isso não serei eu quem tornará ainda mais pesado o imenso fardo que eles já carregam em suas próprias consciências, assim como não gostaria de ter alguém que multiplicasse o peso do meu. Pelo contrário, agradeço as lições, exemplos e reflexões que me trouxeram e me tornaram uma pessoa melhor nesse Dia da Pátria.

Inocentes ou culpados, não me cabe julgar. Confio na justiça humana e, ainda mais, na de Deus. Se quero um Brasil melhor, serei eu, antes de tudo, um melhor brasileiro.


quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Prosseguir

Durante a queda, saber cair
E encontrar chão firme pra ficar em pé
Se no escuro da vida, armar-se da fé
Pra candeia da alma se fazer luzir

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Comprovações

O dia seguinte seria muito importante, participaríamos da etapa final do concurso Green Day MTV, que aconteceria no Inferno Club, rua Augusta. O vencedor iria ser a banda de abertura para o Green Day, na Arena Anhembi, para um público de, mais ou menos 30 mil pessoas. Não era costume, mas naquele dia, o Apê 80 (ainda um embrião do que viria a ser no upperground paulistano) foi dormir cedo.

Bellé Jr. (que naqueles tempos ainda era Júnior Bellé), dono do quarto, quedava-se em sua cama; eu dormia num colchão ao lado e o Chapolla em outro. De repente, fui despertado por sabe-se lá o que, era uma sensação de "abra os olhos agora", que obedeci imediatamente. Olhei pra cima, e ali estavam aqueles olhos familiares a me fitar. Ficamos nos olhando por uns 3 segundos, enquanto eu pensava: "O que o Bellé tá me olhando a uma hora dessas?". Foi então que reconheci aqueles olhos, e eles eram da minha avó. "Estranho, a minha avó está internada num hospital", pensei. Arrepiei, e o rosto que me fitava desapareceu. O rádio-relógio marcava, em vermelho, 03:03 da manhã. Lembrei de uma amiga que tinha uma paranóia com números repetidos e pensei no quanto ela ia achar essa história, nesse horário, muito louca. Respirei fundo e voltei a dormir.

O celular do Chapolla toca, ele atende, eu acordo, o rádio-relógio marcava 7:30 da manhã e o sol já pintava o céu de alaranjado lá fora."Ah... aconteceu... tá bom, eu falo pra ele". Eu já sabia o que ele iria me dizer. E ele disse: "Era o seu primo, ligou pra avisar que a sua avó, que estava doente, faleceu essa noite. Não ligaram antes pra deixar você dormir melhor e não atrapalhar o show de hoje, que é importante. Pediu pra você tomar um banho e depois ligar pra ele."

Levantei imediatamente e fui tomar um banho. Chorei enquanto pensava sobre a forma que terminara a história da minha avó, mas sentia alívo por sabê-la livre da dor imensa sentia nos últimos tempos. Saí do banho, liguei para o meu primo, e ele me avisou que dali a duas horas o caixão com o corpo da nossa avó sairia de São Paulo e iria pra Bandeirantes, onde ela seria sepultada e, que minha única chance de vê-la seria chegar à funerária antes que eles saíssem de viagem. Mas a funerária era incrivelmente longe e, sem dinheiro nem pro café da manhã, imagina para um taxi, me restou subir até a Avenida Paulista e pegar algum ônibus. Mas todos os ônibus chegariam depois do horário. Me restou a única escolha de não ir. Fiquei ali no Parque Mário Covas, sentado numa mesa, à sombra de uma árvore e, me lembrando de como minha avó gostava de flores, lhe dediquei uma oração de despedida e agradeci pela oportunidade e alegrias de tê-la como avó e pelo nosso último encontro, no hospital, semanas antes, ter sido bom e eu ter me despedido dela de forma amorosa.

Me lembrei, então, do fato acontecido pela madrugada, no quarto do Bellé. Mandei uma mensagem de texto pro meu primo e perguntei se ele sabia a hora que nossa avó havia falecido. Ele me respondeu que foi por volta das 3 da manhã, que ele estava ao lado dela e olhou o relógio. Um arrepio me correu o corpo novamente, mas dessa vez eu entendi que o arrepio era um abraço, e não era de adeus. Era de "eu te amo, até logo".

Estes fatos, verídicos, aconteceram há exatos 4 anos atrás, no dia 07 de Outubro de 2010, no mesmo horário em que eu publico este texto. Eles mudaram muito do que eu penso sobre a vida, a morte, as saudações e as despedidas.

Muito obrigado, vó, também te amo. Até logo.


Ps: Naquela noite vencemos a final o concurso, e o resultado você vê aqui.