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segunda-feira, 20 de agosto de 2012

O Sábado é uma ilusão.



Há alguns dias visitei a Ocupação Nelson Rodrigues, que estava rolando no Itaú Cultural, em São Paulo, aqui na Avenida Paulista. Obviamente inspiradora. Usar trechos entrevistas e textos do próprio Nelson para montar sua biografia foi uma idéia genial. Assim você conhece o autor pelas suas próprias palavras e experiências. A cenografia também era muito interessante: uma mesa de jantar, com todos da família representados ali, em meio a telas com fotos e entrevistas; Duas escrivaninhas com máquinas de escrever, lembrando a redação de um jornal... tudo isso cercado por sons, vezes de mar, vezes do datilografar de uma máquina de escrever.

Passei duas horas lá. Duas horas imerso numa das maiores mentes da história cultural do Brasil. Levei bronca e puxão de orelha do Nelsão. Aí apareceu essa história, palavras dele (não ipsis litteris, minha memória não é tão boa assim) :

"Eu era bem jovem ainda, uma criança. Minha mãe estava conversando com o jardineiro sobre os dias nos quais ele viria cuidar das plantas. 'Você vem dia tal, dia tal... e vem também no sábado...' . Aí o jardineiro respondeu, meio pra si mesmo 'Sábado é uma ilusão'. E eu ali do lado, pequeno, ouvi e me espantei, fiquei muito intrigado sobre o por quê do sábado ser uma ilusão. Por vários dias eu especulava o jardineiro e tentava descobrir o que ele quiz dizer com aquilo. Repetia 'é... Sábado é uma ilusão..." pra ver se ele ouvia e ele nem sequer notava, ignorava ser autor de tão poderosa frase."

Eu também entendo e sinto essa frase como uma das maiores verdades da vida, incontestável. Afinal, adjetivar algo como ilusório já dá algum poder ao dito, ilusão é uma palavra poderosa, dramática. Então, vamos ver se funciona com qualquer dia: Terça-feira é uma ilusão, não convence; Domingo é uma ilusão, soa vazio; Quarta-feira é uma ilusão, sequer provoca coceira. Mas o Sábado ilusório do Jardineiro dos Rodrigues, mesmo que eu não saiba ou consiga chegar a uma explicação, é real, quase palpável. Sinto-o profundamente verdadeiro.

O sábado é uma ilusão, não sei o por quê, mas sei que é. E isso mexe com meus brios.



quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

A incrível história de Nelson (das muitas)



Nelson adorava Futebol, sabia de tudo sobre todos os times. Após a instituição da “loteca”, a famosa Loteria Esportiva, em 22 de janeiro de 1970, passou a jogar - às vezes, várias apostas na semana.

Num domingo, 21 de dezembro de 1980, finalmente ele havia marcado os 13 pontos! Num bolão que participara com o irmão e alguns amigos do trabalho. Finalmente havia faturado na loteria! Seria uma grande alegria para Nelson, que nunca soube disso, havia morrido naquela manhã.

Pode parecer mentira, mas o Nelson em questão é o Rodrigues - escritor, dramaturgo, jornalista e mito inquestionável da cultura nacional. E, realmente, acho que algo assim só poderia acontecer com ele mesmo: o mais legítimo final Nelson Rodriguiano.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Altamente Inflamável.

Viajar nos faz conhecer muitas coisas novas. Uma delas é essa aqui, encontrada em Bauru (SP), no QG do Enxame Coletivo: o Álcool Namorado.

"Namorado: Esse pega fogo!"


Não duvido que, assim como na minha, nascerá em sua mente uma infinidade de outros slogans alucinantes! Deixe-os aí nos comentários.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O Linchamento em Umuarama.


Introdução:


O ano de 1986, apesar de ter sido o Ano Internacional da Paz (coisa da ONU), foi um ano que de pacífico não teve nada, foi agitadíssimo e, na maioria das vezes trágico. Foi ano de Copa do Mundo, no México, com a Argentina campeã; foi quando o Cometa Halley deu um oi pra humanidade (e agora só volta em 2061); ano no qual explodiu o Ônibus Espacial Challanger; explodiu também a Usina Nuclear de Chernobyl, causando um estrago danado lá na Russia; além de ter sido o ano de estréia do Xou da Xuxa e do Criança Esperança. É... trágico.

Com um ano cheio de loucura desses, Umuarama não podia ficar pra traz, o final de 1986 reservava para a Capital da Amizade o que pode ter sido o fato mais sangrento da sua história até agora. O dia 22 de dezembro daquele ano ficaria registrado como "O Dia do Linchamento", quando a população enfurecida e insana tirou três criminosos, que haviam estuprado uma moça e assassinado seu namorado, de dentro de uma cela da Delegacia de Polícia da cidade e, além de os matar espancados, arrastaram os corpos pelas ruas, através da Avenida Paraná, até a Praça Miguel Rossafa onde atearam fogo nos cadáveres.

Desde que me mudei pra Umuarama (em 1991), sempre se comentou a história. Entretanto ninguém sabia a data correta e as descrições do evento eram diversas e inconsistentes. Além do mais, sempre que o assunto surgia, os mais antigos na cidade saiam pela tangente e o evitavam. Enfim, era um tabu sobre o qual sempre se notou uma vontade de abafar e esquecer, afinal, muitos dos envolvidos diretamente na bagunça e da platéia ainda moram na cidade. Entendo que não se queira falar de assunto tão feio, mas há de se considerar o peso histórico disso.

À partir da segunda metade dos anos 90, com a chegada da internet e facilidades digitais, comecei a fazer pesquisas esporádicas sobre o assunto, mas as referências eram sempre mínimas, apenas outros poucos comentários cheios de incertezas. Mas há poucos meses atrás me deparei com o acervo completo, online, da Revista Veja e, como já tinha ouvido comentários de que a revista (e também o Jornal Nacional) haviam mencionado tal notícia, não demorei muito para encontrar a reportagem abaixo. Publicada em 31 de dezembro de 1986, na página 43 da edição 956, uma edição de retrospectiva do ano, o texto conta direitinho como foi aquele trágico fim de semana em Umuarama.

Então guardei o texto e esperei a data de aniversário do evento para públicá-lo na íntegra aqui no Lobservando e deixar registrado, fora das gavetas e arquivos poeirentos, pra quem quiser saber daquele dia.


A Matéria da Revista Veja:
[1]


Capa da Revista Veja, edição 956, de 31 de Dezembro de 1986.


Ritual Macabro
Multidão Lincha presos e põe fogo nos corpos.

"Eles estão presos", anunciaram na manhã de domingo, 21, as três emissoras de Umuarama, cidade de 100.000 mil habitantes, 580 quilômetros a noroeste de Curitiba. A notícia varreu a cidade como uma demonstração de eficiência da polícia, que gastara 15 horas para prender três rapazes que, no dia anterior, haviam matado a tiros o fotógrafo Júlio César Jarros, 26 anos, e estuprado sua noiva, Shirley do Nascimento, 22 anos. Eles seqüestraram o casa de madugada, à porta da casa de Shirley, e cometeram os crimes fora da cidade, conforme a moça contaria depois. O entusiasmo pela prisão dos rapazes seria logo substituído pelo desejo de vingança. Na noite de segunda feira, 2.000 pessoas cercaram a cadeia de Umuarama, venceram a resistência policial, mataram os três presos a pauladas e, para encerrar o ritual com um toque macabro, levaram os cadáveres para uma praça, onde foram molhados com gasolina e queimados.


A polícia, intimidada e impotente, limitou-se a assistir de longe ao que a multidão fazia. "Evidentemente condenamos o linchamento", diz Jesus Sarrao, Secretário de Segurança do Paraná. "Mas os policiais ficaram diante de um impasse: ou metralhavam a população ou limitavam-se a persuadir a multidão a não fazer aquilo - e foi o que tentaram sem sucesso." A ira da população de Umuarama parece ter sido desatada sobretudo pela reconstituição dos crimes. Na manhã de segunda-feira, depois de arrancar uma confissão de Luiz Iremar Gonfio, 19 anos, Edivaldo Xavier de Almeida, 20 anos, e Aurico Reis, 18 anos - os três da própria cidade e dois deles com passagens anteriores pela polícia -, as autoridades locais os conduziram à rua para reconstituição dos crimes. "Por que não me dão um revolver carregado?", indagou irônico Edivaldo quando a polícia o obrigou a mostrar como matara o fotógrafo.

À noite, um grupo de pessoas ainda não identificadas marchou para a delegacia pedindo a adesão de todos que encontrava pelo caminho. Ao chegar diante da cadeia, a multidão crescera a tal ponto que os trinta homens da PM e a meia dúzia de agentes da Polícia Civil, ali postados para guardar os presos, deram brandos sinais de resistência. Entregues à própria fúria, os participantes do linchamento amarraram os corpos dos mortos em automóveis e os arrastaram num cortejo que atraiu para as janelas e calçadas mais de 5.000 pessoas. O desfile foi aplaudido. A cada esquina aumentava o coro: "Queima, queima", animava a distancia. Foi o que se fez em seguida, com a ajuda de 1 litro de gasolina e uma caixa de fósforos, além de alguns pneus para manter as chamas vivas por mais tempo. "Talvez demore a identificação, mas os envolvidos vão responder por homicídio e arrebatamento de presos", promete o delegado Luiz Norberto Canhoto, responsável pelas investigações.
‹fim da matéria - pag. 43›

[1] Naquele tempo as matérias da Veja ainda não eram assinadas nem creditadas ao seu autor.

Confira a reportagem direto na revista. Aproveite e leia a revista inteira, uma diversão sem fim!


O Depois :

Conforme prometeu o delegado na matéria da Revista Veja, após reconhecidos, os incitadores da turba revoltosa responderam a um Processo Criminal, distribuído em 1987, por Arrebatamento de Preso (art. 353 do Código Penal) e Vilipêndio a Cadáver (art. 212 do Código Penal). Provavelmente por não ser possível apurar quem realmente matou os presos arrebatados, por serem centenas os invasores do Cadeião, ninguém respondeu por homicídio.

O processo correu na Comarca de Umuarama - e correu muito, por muito tempo, sem chegar a lugar algum e cansou. Passados 20 anos do crime consumado, sem transitar em julgado a sentença final, extinguiu-se a punibilidade para os Réus (art. 109, I do Código Penal) e o processo foi arquivado.

Os motivos desse trâmite demorado podem ter sido vários, desde a conhecida morosidade do Judiciário (ainda mais naquela época) a outros mais escusos e/ou inexplicáveis, inatingíveis, os quais se pode (ou não) serem percebidos nas páginas do processo, que deve estar devidamente guardado no fundão dos arquivos de uma das Varas Criminais de Umuarama.


Mas... e daí? (conclusões)

Obviamente este não foi um acontecimento bonito, mas faz parte da história de Umuarama e deve ser resgatado e preservado. Não há dúvidas de que os três criminosos linchados foram punidos pelo ato hediondo que cometeram - mas da forma errada, acho eu. Afinal, linchamento está longe de ser uma atitude aceitável fora de qualquer civilização que não seja incrivelmente primitiva e selvagem. Ressalta-se, porém, que Umuarama foi um paraíso de paz e tranqüilidade por quase toda a década seguinte à noite macabra.

Sejam os fatos feios, reprováveis, o que conta é eles nos levam à reflexão, e tê-los expostos em nossa história ajuda a não cometermos os mesmos erros, a não nos comportarmos como selvagens novamente. E assim sempre fizeram vários povos através de monumentos às guerras, ao martírio e crucificação de cristo (não é?), ao holocausto, à bomba atômica, às sangrentas revoluções da história e tudo mais de ruim que já aconteceu pelo mundo.

Soube que Júlio César Jarros, o fotógrafo assassinado naquele fim de semana dá nome a uma avenida no Parque Danielle. Certamente muitas pessoas que não sabiam disso - e eu me incluo - à partir de hoje, vão olhar praquela rua de outra forma, mais valiosa. Vão dar sentido àquele nome na placa, finalmente a rua de quem mora por lá tem uma história, uma origem. E isso é um ótimo exercício para o civismo e a civilidade.

E mais, se a população de Umuarama foi capaz de se unir para executar um ato tão equivocado e repugnante, certamente poderá se unir para atitudes mais civilizadas em em favor de uma cidade melhor, a não ser que sejamos todos uns animaizinhos inconseqüentes e preguiçosos.

Já passou da hora de nos apropriarmos decentemente da nossa cidade, de sua história, costumes e tradições (deve ter alguma) e preservá-las, divulgá-las direito. Não adianta amontoar secador de cabelo, máquina de escrever e ventilador numas prateleiras, de qualquer jeito, e chamar a garotada do colégio pra ver. Temos que contar as histórias, as nossas histórias, sejam elas feias ou bonitas, e assim incentivar a quem vem por aí a continuar as escrevendo cada vez mais belas e não de qualquer jeito como estamos fazendo.


Ps: Há uma lenda urbana que envolve esse caso. Conheça o Fantasma de Umuarama.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Padroeiro dos Boêmios do Brasil

A Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), nos primeiros dias de construção, em 1956.
Além da construção da cidade em 4 anos, outros milagres aconteceram por lá.


Boêmios do meu Brasil, bebei à vontade! Lendo a Veja Especial : Brasília 50 anos, de Novembro de 2009, descobri provas irrefutáveis de que o direito universal à birita é preservado por ninguém mais, ninguém menos do que Deus-Ele-Mesmo-nosso-Senhor (que se não é brasileiro, gosta muito da gente!), com a ajuda do recém descoberto Padroeiro dos Boêmios do Brasil : São Pedro.

Tal fato inusitado aconteceu durante a construção da nossa Capital Federal, nas imediações do "Catetinho" residência provisória do então Presidente da República e viabilizador de Brasília: Juscelino Kubstcheck.

Leia o trecho extraído da revista:

"Rio de Janeiro, Hotel Ambassador, Rua Senador Dantas, 12 de outubro de 1956, encontro dos chamados 'boêmios patriotas' do Juca's Bar, amigos de JK. Presentes Oscar Niemeyer e uma penca de parceiros, entre eles o seresteiro César Prates e o violonista Dilermando Reis. Surge a idéia de construir uma residência provisória para o presidente em Brasília. Niemeyer esboça o projeto na hora. Um palácio tosco, de tábuas, depois apelidado de Catetinho, sustentado por grossos troncos de madeira de lei. Não havia tijolos ne pedras no endereço: clareira no meio do mato, fazenda do Gama, Brasília. Prazo de construção: 10 dias.

Em 1o de novembro, JK e uma pequena comitiva chegam no DC-3 para a festa de inauguração do Catetinho. Música, boa comida, boa bebida. Há uísque de qualidade, mas falta gelo. De repente, cai um pé-d'água assustador, bombardeando granizo. Assim que o temporal passa, todos correm para fora, catam o que podem, dão graças a Deus e brindam a São Pedro."


O Catetinho foi uma surpresa dos amigos para JK, que nasceu de uma conversa no boteco e se manteve forte às origens etílicas e de amizade; que recebeu muitas autoridades e visitantes ilustres, viabilizando os bons momentos do pessoal no cerrado. E manteve a energia boêmia em alta no momento de aperto graças ao nosso grande padroeiro dos Boêmios. Salve São Pedro!!! (tim-tim)



O Catetinho naqueles tempos miraculosos.


O Catetinho nos dias de hoje, um museu aberto à visitação.
Foto de Neudson Aquino
Falando em Boemia e Whisky, não podia faltar essa foto!

No detalhe: Vinícius de Moraes e Tom Jobim no abençoado quintal do Catetinho.
Mas eles não estavam lá na hora do milagre.


Saiba mais sobre o Catetinho neste site e neste também.

Ou ainda visite A Construção do Catetinho para mais detalhes ainda!


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

La Ponética Baragüáia

Então eu fui pro Paraguay, Salto Del Guairá, aqui pertinho. Como sempre, passei calor, cansei muito e só consegui chegar em casa (as 8 da noite) e ir dormir muito cedo (no meu caso: meia-noite).

Além de umas bugigangas muy úteis e legais, também encontrei um tesouro grafológico - ou fonético, vai saber. Foi lá no shopping novo de Salto, o "Shopping América", onde não tem aquela superlotação de lojas e gentes, mas um dia vai ser aquela coisa de louco tradicional. Mesmo assim ainda é um lugar bacana, tem uma loja de roupas enorme no "subsolo", con precios increibles de baratos... mas de qualidade duvidosa.

Foi essa placa aí, na entrada da loja do "subsolo":


Que seja um trocadilho! Mesmo que hermético, senão pega mal. :D



Ps: Quem for lá vai entender as "aspas" na palavra "subsolo".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O morto-vivo de Umuarama


Quem me contou essa foi o amigo Luis Lopes (Revista UP), jornalista atento lá de São Paulo. É mais um registro da mirabolância Umuaramense. Ao checar a notícia, ví que saiu em vários jornais do estado e em sites nacionais (O Globo, Canal Arena, Londrix). Também saiu no nosso querido Umuarama Ilustrado do dia 03 de Abril de 2009 (de onde tirei as fotos que ilustram esse post).

Ao ver quem exatamente era o "defunto", só consegui acreditar mais ainda na história: um dos figurões da noite underground Umuaramanse com o qual todo bom boêmio já se deparou. É um daqueles malucos bêbados mitológicos que passam a vida perambulando tortamente pelas ruas e calçadas da cidade (nem sempre nessa mesma ordem e em vários ângulos), pedindo cigarro, birita... e no caso do personagem em questão, piscadelas e sorrisos marotos pras garotas mais charmosas.

O nome completo do moço (que jamais saberia sem tal acontecido) é Moura Apolônio Godoes. Ele tem 38 anos e estava desaparecido a mais de um mês (o que era bastante corriqueiro pro estilo de vida que levava) até que um corpo com suas características físicas deu entrada no IML de Umuarama. Por estar sem resfriadores de cadáveres, o IML local enviou o corpo para o IML de Campo Mourão, o que resultou num reconhecimento de cadáver através de fotografia.

Ao olhar as fotos, a família não teve dúvidas de que haviam encontrado o parente desaparecido. Assim, Apolôno foi velado (caixão aberto, dizem), chorado e finalmente enterrado no dia 27 de Março, no Cemitério Municipal de Umuarama.

Tudo parecia normal até que, 4 dias depois do enterro, uma vizinha da D. Benedita - mãe do 'até então' morto - viu o rapaz perembulando nas redondezas da rodoviária de Umuarama. Recuperou-se do susto, confirmou que não era alucinação e correu para contar à família. Benedita assustou com a notícia e asustou mais ainda quando seu filho "morto-vivo" chegou em casa.

Até ressuscitar a papelada toda vai dar trabalho, heim Apolônio!


Enfim, o corpo enterrado foi re-reconhecido como sendo de Sebastião Paulo de Souza, 42 anos de idade, com características físicas bastante parecidas com as do "morto muito louco". Sebastião por sua vez estava morto mesmo, de morte natural e foi levado por populares ao hospital da cidade, que não tinha geladeira e encaminhou ao IML, que encaminhou pro outro IML... e que gerou essa história que me lembrou a do Roque Santeiro, de leve, mas lembrou!

E agora Umuarama tem o seu "Morto-Vivo" e ele se chama Apolônio.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Relembrando Mitos Umuaramenses

Só hoje me toquei de que não tinha mencionado, no Lobservando, o famigerado banner de uma casa noturna aqui de Umuarama. Tava lá no Orkut, esquecido...

Mas é que para um público extremamente exigente, todo detalhe é extremamente importante.


E eu jurava que Sertanejo era tocado pela Banda Marcial da Polícia Militar!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Frutas Exóticas Umuaramenses

O Brasil é um país tropical e, como manda o figurino, é cheio de frutas exóticas. Sorte nossa, que podemos saborear os mais diferentes sabores em qualquer vendinha do bairro!

Mas tem gente aqui em Umuarama que anda exagerando no exotismo...


Só tem sem milho? Então me vê um de cupuaçu.


Obs: Foto por Ricardo do Valle Dias. Obrigadão!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Coisa do demôinhu!

Lendo o livro Saci-Pererê, o Resultado de um Inquérito (1918), uma compilação de histórias do 'tinhosin', por Monteiro Lobato, encontrei na página 129, um ótimo parágrafo.

Ofereço tal achado a grandes amigos meus.

Aquele Abraço!


Trecho do Depoimento do Sr. Fabrício Junior.

"Há na minha terra uma casa onde antigamente funcionara uma loja maçônica; nós os meninos e as velhas beatas jurávamos convictos que aos sábados e sextas-feiras um bando de Sacis, mulas-sem-cabeça e lobisomens em companhia dos maçons iam ali cear e dançar. Ceavam carnes de crianças, os pratos eram crânios ainda cheios de vermes, os garfos mãozinhas de anjinhos resequidas, já o vinho para o brinde era sangue das mulheres e dos filhos dos maçons. Quem preparava a ceia era a Maria Clara, velha papuda e mandingueira. Presidiam o festim um enorme bode preto e um Saci-saperê, que sempre acabava tentando seus confrades maçons e seus parentes."


Leia a resenha do livro.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Publicidade Popular Paulistana

A Alameda Barão de Limeira, em São Paulo, é uma das ruas mais legais que eu já vi. Tem a redação da Folha de São Paulo, tem um monte de botecos legais, incluindo o Gruta Azul e o Folhão (tradição e qualidade, inclusive de madrugada), tem a Alameda dos Vinhos e a chique Padaria Campos Eliseos.

E tem também a Central Automóveis, expert em Marketing e campeã em criatividade!



Salgadinho garante: Aqui o preço é Doce!!!



Que saudade dessa rua...

domingo, 5 de abril de 2009

Terça-Feira, 5 de Abril de 1994.

Essa é a segunda parte dos últimos dias de Kurt Cobain, o texto é ótimo, não pela qualidade da escrita, às vezes duvidosa, mas pelo conteúdo. Ele dramatiza o que teriam sido os últimos momentos de vida de Kurt Cobain, e apesar de não saber a autoria, parabenizo o sujeito que o escreveu.

O Nirvana marcou minha vida e a de muita gente. A morte de Kurt Cobain a exatos 15 anos atrás foi um tanto chocante pra mim, um dia que não me esqueço. Recebi um telefonema da minha mãe que disse:

- Sabe aquela banda que você não para de ouvir? Então o vocalista morreu!
- O Kurt, do Nirvana?
- É, Nirvana, isso mesmo.
Se matou.


Ela me trouxe o recorte de jornal onde havia visto a notícia, que inclusive tenho até hoje. Eu tinha apenas 14 anos, algumas camisas de flanela, um violão e o desejo de ser como ele. Hoje aos quase 29, sou mais velho do que Cobain jamais será e ainda assim muito do que ele disse e fez ainda faz sentido e norteia as minhas criações.


Obrigado pelo rock, Kurt.


A Terça-Feira que ninguém viu.


Algumas horas antes da alvorada de terça-feira, 5 de Abril de 1994, Kurt Cobain havia despertado em sua cama. Os travesserios ainda tinham o cheiro do perfume de Courtney, sua esposa. No quarto, o aroma misturou-se com o cheiro ligeiramente picante da heroína cozida - este também era um cheiro que o despertava.


Kurt havia dormido com suas roupas do corpo. Vestia sua camiseta da banda Half Japanese e suas calças Levi's favoritas. Vestiu e amarrou os cadarços do par de tênis Converse que possuia, caminhou até o aparelho de som e colocou para tocar um disco do R.E.M., "Automatic for the People". Acendeu um Camel Light e caiu de costas na cama com um bloco tamanho ofício apoiado em seu peito e uma caneta vermelha de ponta fina. Ele já havia escrito uma longa carta pessoal à sua esposa e filha, rapidamente rabiscada, enquanto estava no Exodus. Ele havia trazido o papel até Seattle e havia enfiado sob um dos travesseiros impregnados de perfume. "Você sabe, eu amo você. Eu amo Frances. Eu sinto muitíssimo. Por favor, não venha atrás de mim. Eu sinto muito, muito, muito.", eram algumas das palavras que Kurt havia escrito, enchendo uma página inteira com esse pedido de perdão. "Eu estarei lá", continuou ele. "Eu protegerei você. Não sei para onde estou indo. Simplesmente não posso ficar mais aqui."


Tinha sido muito difícil escrever aquele bilhete, mas ele sabia que esta segunda carta seria igualmente importante e ele precisaria ter cuidado com as palavras. Ele endereçava "Para Boddah", o nome de seu amigo de infância imaginário. Quando soltou a caneta, havia enchido a página inteira, exceto por cinco centímetros. Ele fumara três cigarros redigindo o bilhete. As palavras não tinham saído com facilidade e havia erros de grafia e sentenças pela metade. Ele assinou dizendo "paz, amor e empatia. Kurt Cobain". Escreveu ainda mais uma linha - "Frances e Courtney, eu estarei em seu altar" - e enfiou o papel e a caneta no bolso esquerdo do casaco.

Ele se levantou da cama e entrou no closet, onde retirou uma tábua da parede. Neste cubículo secreto havia uma arma dentro de uma capa de náilon bege, uma caixa de cartuchos de espingarda e uma caixa de charutos Tom Moore. Ele repôs a tábua, enfiou os cartuchos no bolso, agarrou a caixa de charutos e aninhou a pesada espingarda sobre seu antebraço esquerdo. Em um closet do corredor, ele apanhou duas toalhas - ele não precisava delas, mas sabia que alguém precisaria. Desceu silenciosamente os dezenove degraus da larga escadaria. Estava a cerca de um metro do quarto de Cali e não queria que ninguém o visse. Ele havia refletido sobre tudo isso, traçado um mapa com a mesma premeditação que dedicava às capas de seus discos e a seus vídeos. Haveria sangue, muito sangue, e uma bagunça que ele não queria em casa. Principalmente, ele não queria assombrar aquele lar, deixar sua filha com o tipo de pesadelos com que ele havia sofrido.


Quando se dirigia para a cozinha, passou pela soleira da porta onde ele e Courtney haviam começado a acompanhar o quanto Frances havia crescido. Apenas uma linha estava ali agora, uma pequena marca de lápis com o nome dela a cerca de 79 centímetros acima do chão. Kurt nunca mais veria outra marcas mais altas naquela parede, mas estava convencido de que a vida de sua filha seria melhor sem ele.



Na cozinha, ele abriu a porta de sua geladeira Traulson de aço inox de 10 mil dólares e apanhou uma lata de cerveja de raizes da Barq, tomando cuidado para não soltar a espingarda. Levando essa carga macabra - cerveja de raízes, toalhas, uma caixa de heroína e uma espingarda, tudo o que mais tarde seria encontrando num arranjo de plantas bizarro -, ele abriu a porta para o quintal e atravessou o pequeno pátio.

A aurora estava rompendo e a neblina pairava próximo do chão. A maioria das manhãs em Aberdeen, sua cidade natal, eram exatamente assim: nevoentas, orvalhadas, úmidas. Ele jamais veria Aberdeen novamente; jamais escalaria efetivamente até o topo da caixa d'água no "Morro do Think of Me"; jamais compraria a fazenda que sonhava em Grays Harbor; jamais acordaria novamente numa sala de espera de hospital tendo fingido ser um visitante para só encontrar um lugar quente para dormir; jamais veria novamente sua mãe, irmã, pai, mulher ou filha. Ele trilhou os cerca de vinte passos até a estufa, galgou os degraus de madeira e abriu o conjunto de portas francesas dos fundos. O piso era de linóleo: seria fácil de limpar.

Ele sentou-se no chão da estrutura de cômodo único, olhando para as portas da frente. Ninguém conseguiria vê-lo ali, a menos que estivesse trepado nas árvores atrás de sua propriedade, e isto não era provável. Não queria mais ver o interior de um hospital novamente, não queria um médico de jaleco branco apalpando-o, não queria ter um endoscópio em seu estômago dolorido. Ele estava acabado para aquilo tudo, acabado para o seu estômago, ele não poderia estar mais acabado. Como um grande diretor de filmes, ele havia planejado este momento até os mínimos detalhes, ensaiando esta cena ao mesmo tempo como diretor e como ator.




No curso dos anos, tinha havido muitos ensaios finais, passagens de raspão que quase seguiam este caminho, fosse por acidente ou, às vezes, por querer, como em Roma. Talvez fora sempre isto que ele guardava vagamente em sua cabeça, como um ungüento precioso, como a única cura para uma dor que jamais passaria. Ele não se importava com a liberação do desejo, ele desejava a libertação da dor.

Ficou sentado pensando coisas que só ele sabia por vários minutos. Fumou cinco Camel Light e sorveu vários goles de sua cerveja. Tirou o bilhete do bolso, estendeu-o no chão do linóleo e tinha de escrever em letras maiores, que não saíram tão perfeitas, por causa da superfície que ele estava: "Por favor, vá em frente, Courtney, por Frances, pela vida dela que será muito mais feliz sem mim. Eu te amo. Eu te amo". Essas últimas palavras haviam completado a folha. Depositou o bilhete no alto de um monte de terra para vasos e fincou a caneta no meio, para que, como uma estaca, segurasse o papel no alto, sobre a terra.

Tirou a espingarda da capa de náilon macia. Dobrou cuidadosamente a capa, como um garotinho separando suas melhores roupas de domingo depois da missa. Tirou a jaqueta, estendeu-a sobre a capa e colocou as duas toalhas no alto desse monte. Ele foi até a pia e apanhou uma pequena quantidade de água para o seu fogareiro de droga e sentou-se novamente. Abriu a caixa com 25 cartuchos de espingarda e tirou três, enfiando-os na câmara da arma. Moveu o mecanismo da Remington para que um único cartucho estivesse na câmara. Retirou a trava de segurança da arma.

Fumou seu último Camel Light. Tomou mais um gole da Barq. Lá fora, estava começando um dia nublado - era um dia como aquele em que ele chegara a este mundo, 27 anos, um mês e dezesseis dias antes. Ele agarrou a caixa de charutos e tirou um pequeno saco plástico que continha cem dólares de heroína preta mexicana - era um bocado de heroína. Ele pegou cerca de metade, um chumaço do tamanho de uma borracha de lápis e o colocou na colher. Sistemática e habilmente, preparou a heroína e a seringa, injetando-a logo acima do cotovelo, não muito longe de seu "K" tatuado. Devolveu os instrumentos para a caixa e se sentiu uma nuvem, rapidamente flutuando para longe deste lugar. O Jainismo pregava que havia trinta céus e sete infernos, todos dispostos em camadas ao longo de nossas vidas; se ele tivesse sorte, este seria seu sétimo e último inferno. Afastou a caixa, flutuando cada vez mais rápido, sentindo sua respiração se reduzir. Ele tinha de se apressar agora: tudo estava se tornando nebuloso e um matiz verde-água enquadrava cada objeto. Agarrou a pesada espingarda, encostou o cano contra o céu de sua boca. Faria barulho; ele tinha certeza disso. Disparou.




Kurt Donald Cobain 1967 - 1994



Ps: Leia a resenha "Kurt Cobain: About a Son" no Culturanja.


sábado, 4 de abril de 2009

Os últimos dias de Kurt Cobain


Neste domingo, dia 05 de Abril, completam-se 15 anos da morte de Kurt Cobain, guitarrista, compositor e vocalista do Nirvana.

A primeira vez que li esse texto foi no Wikipedia, no verbete "Kurt Cobain", ano passado. Passei lá esses dias atrás e o texto tinha sumido! Então foram algumas três horas e lá vai minuto vasculhando a web atrás do dito cujo. Encontrei e copiei. Vou publicar aqui pra não perdê-lo mais de vista.
Infelizmente não pude verificar a autoria da peça, mas agradeço e parabenizo o sujeito que a fez.

Dividi o
texto original, um tanto grande, em duas partes: A primeira delas, logo abaixo, é uma descrição dos últimos dias de vida de Cobain, desde 1 de Março até tempos depois do funeral (tá, ainda ficou grande...). A segunda parte será publicada no dia 05 de Abril e é incrível, dramatiza os últimos momentos de vida do músico, embasado nos detalhes recolhidos pela perícia criminal, como se estivesse lado a lado com o cara. Espero que gostem.


1 de Março de 1994.

Foi a data do último show do Nirvana. Aconteceu no Terminal Einz, em Munique, Alemanha. Um Kurt completamente estafado e com a voz visivelmente desgastada determina férias instantâneas - shows marcados para os dias 2 e 3 são cancelados e, depois, adiados para abril, quando a turnê européia teria sua segunda parte. Cobain é diagnosticado com bronquite e com uma grave laringite e vai para Roma, Itália, para descansar, se medicar e encontrar com Courtney Love.

Formação final do Nirvana para a turnê "In Utero": Pat Smear, Dave, Krist e Kurt.



Esse é um vídeo do último Show do Nirvana, no Terminal Eins, em Munique, Alemanha.


Courtney Love chega a Roma no dia 3 e encontra Kurt no Hotel Excelsior. O casal passou várias semanas sem se ver e as expectativas de Kurt pelo reencontro levam um banho de água gelada quando Courtney diz que está exausta e quer dormir. Quando ela acorda na manhãzinha do dia 4, Kurt está no chão, com o nariz sangrando. Ele havia tomado champanhe e cerca de 50 pílulas do tranqüilizante Rohypnol. Kurt deixa uma carta de despedida com três folhas, caracterizando a tentativa de sucídio. Mas, oficialmente, o fato é divulgado como uma dose excessiva e acidental de medicamentos. Na carta, Kurt diz que Courtney não o ama mais, e que ele preferia morrer a passar por mais um divórcio (o primeiro foi o de seus pais). Internado no hospital Umberto I, Kurt sai do coma no dia 5 e é transferido para o American Hospital, também em Roma. Recebe alta no dia 8 e volta para os Estados Unidos no dia 12.

Em 18 de março, Courtney chama a polícia de Seattle porque Kurt se trancou em um quarto da casa com um revólver. Os policiais conversam com ele, que afirma não ser um suicida e querer apenas ficar longe da esposa. As quatro armas que Cobain tem na casa são confiscadas.

Love, então, planeja intervir seriamente nos problemas de Kurt, preocupada com seu vício em heroína. Dez pessoas envolveram-se no trabalho, incluindo colegas, amigos, executivos da gravadora e Dylan Carlson, um dos amigos mais íntimos de Kurt. Danny Goldberg, empresário do Nirvana, descreveu Cobain como sendo "extremamente relutante" e que "ele negava que estava fazendo qualquer coisa auto-destrutiva". Contudo, Cobain concordou em se internar no Exodus, em Los Angeles, Califórnia, que aconteceu em 30 de março. Courtney estava na mesma cidade promovendo o novo disco do Hole, "Live Through This".


Kurt, Frances e Courtney. A família Cobain.

No dia 1º de Abril, por volta das 19:30h, Kurt saiu pelas portas dos fundos da Exodus sob o pretexto de fumar um cigarro e escalou o muro de pouco menos de dois metros de altura. E fugiu. Duas horas depois, Kurt usou seu cartão de crédito para comprar uma passagem de primeira classe para Seattle no vôo 788 da Delta. Antes de embarcar, ligou para a Seattle Limusine e marcou para ser apanhado no aeroporto - pediu explicitamente para que não enviassem uma limusine. Tentou falar com Courtney, mas ela não estava - deixou uma mensagem dizendo que havia ligado. Ela já o estava procurando em Los Angeles assim que soube que Kurt sairia do Exodus. Ficou convencida de que ele irira comprar drogas e provavelmente ter uma overdose.

Kurt chegou em sua casa, no Lake Washington, em Seatle, à 1:45h da manhã do sábado, 2 de abril. Ali, passou um tempo com o casal Cali e Jessica Hooper, colegas que estavam hospedados na casa. Horas depois, Kurt chamou um táxi e tentou comprar munição. Vendo que as lojas ainda estavam fechadas, Kurt desistiu e provavelmente se hospedou no motel Crest ou no Quest - que ficavam próximos de um de seus traficantes. Naquele dia ele também foi até a Seattle Guns e comprou uma caixa de cartuchos de espingarda calibre 20.

Com o intuito de descobrir o paradeiro de Kurt, Courtney cancelou todos os seus cartões de crédito. Nos dois dias que se seguiram, houve notícias dispersas de que Kurt havia sido visto. Na noite de domingo, 3, ele foi visto no restaurante Cactus, jantando com uma mulher magra, provavelmente sua traficante, Caitlin Moore, e um homem não identificado. Naquele domingo, Courtney ligou para detetives particulares das Páginas Amarelas de Los Angeles, até que encontrou um que estava trabalhando naquele fim de semana. Tom Grant e seu assistente Ben Klugman a visitaram naquela tarde. Ela disse que seu marido havia fugido do centro de reabilitação, que estava preocupada com a saúde dele e pediu a Grant que vigiasse o apartamento da traficante Caitlin Moore, onde ela imaginava que Kurt poderia estar. Grant subcontratou um detetive de Seattle, dando-lhe ordens para observar a casa de Dylan Carlson e o apartamento de Caitlin. A vigilância foi montada naquele mesmo domingo. Entretanto, os detetives não montaram guarda imediatamente na casa de Kurt, que ficava no Lake Washington Boulevard.

A casa dos Cobain em Lake Washington, Seatle, U.S.A.

Na segunda-feira, 4 de Abril, Courtney pediu que a polícia verificasse a casa em Lake Washington. Os policiais passaram por lá várias vezes, mas não viram nenhum movimento. Naquele dia, à noite, Cali saiu de casa, deixando Jessica sozinha no quarto dele. Por volta da meia-noite, ela ouviu ruídos. "Ouvi passos no andar de cima e no corredor", lembra ela. Gritou um "oi" mas não ouviu resposta. Estima-se que era Kurt chegando naquele começo de madrugada. Cali só voltou depois das três da manhã, e ele e Jessica dormiram até tarde da manhã seguinte.

Na tarde de terça-feira, 5 de Abril, Courtney mandou Eric Erlandson, seu amigo e guitarrista do Hole, ir até a casa do Lake Washington procurar por Kurt. Ele encontrou-se com Cali e Jessica e os três procuraram por Kurt, armas e drogas. Tentativas todas em vão. Ninguém pensou em procurar na garagem e na estufa, e Erlandson saiu apressado rumo à casa em Carnation, onde a irmã de Kurt morava na ocasião. Na quarta, 6, Jessica e Cali deixaram a casa dos Cobain, mas na tarde de quinta, 7, Courtney conseguiu falar com o casal e ordenou que procurasse por Kurt mais uma vez na casa do Lake Washington. Os dois foram até lá juntos com uma amiga, Bonnie Dillard. Não encontraram nada e deixaram um bilhete com um sermão para Kurt e mandando-o procurar por Courtney. Logo que foram embora, Dillard mencionou que talvez tivesse visto algo perto da garagem, mas, amedontrados, ninguém quis voltar para checar.

O corpo de Kurt Cobain foi encontrado pelo eletricista Gary Smith, que chegou à casa do Lake Washington para instalar um novo sistema de segurança. Às 8:40h da sexta-feira, 8 de Abril, Smith estava perto da estufa e olhou para dentro dela. "Eu vi um corpo estendido lá no chão. Pensei que fosse um manequim. Depois notei que havia sangue na orelha direita. Vi uma espingarda estendida ao longo de seu peito, apontando para seu queixo", relatou Gary. Ele ligou para a polícia e, em seguida, para sua empresa.

No sótão, acima da garagem jazia o corpo de Kurt Cobain.


A Cena.

Enquanto isso, em Los Angeles, Courtney havia sido internada no Exodus na quinta-feira, 7, para reabilitação. Na sexta, recebeu a notícia da morte de Kurt através da colega Rosemary Carroll. Courtney deixou a cidade num Learjet com Frances, Rosemary, Eric Erlandson e a babá Jeackie Farry. Quando chegaram à casa do Lake Washington, ela estava cercada por equipes dos telejornais.

Foi possível identificar o cadáver como sendo de Kurt, embora seu aspecto fosse macabro: as centenas de bolinhas de chumbo do cartucho da espingarda haviam espandido sua cabeça e o haviam desfigurado. A polícia retirou as digitais do corpo e as impressões batiam com àquelas já arquivadas no caso da prisão por violência doméstica.

A autópsia encontrou traços de benzodiazepinas (tranquilizantes) e heroína no sangue de Kurt. O nível de heroína era tão alto que mesmo ele - famoso pela enorme quantidade que tomava - não poderia ter sobrevivido por muito mais tempo do que aquele que levou para disparar a arma.


Courtney estava inconsolável. Quando os policiais finalmente deixaram o local, e com apenas um guarda de segurança como testemunha, ela reconstitiu os últimos passos de Kurt, entrou na estufa - que ainda tinha de ser limpa - e mergulhou as mãos em seu sangue. No chão, ajoelhada, ela rezou e gemeu de dor, erguendo as mãos cobertas de sangue para o céu e gritou: "Por quê?!". Ela encontrou um pequeno fragmento do crânio de Kurt com cabelo preso a ele. Ela lavou e passou xampu nesse horripilante suvenir.

No sábado, 9 de Abril, Courtney foi até a agência funerária para ver o corpo de Kurt antes de ser cremado - ela já tinha solicidado que fossem feito moldes de gesso de suas mãos. Grohl tambem foi convidado e declinou, mas Krist compareceu, chegando antes de Courtney. Ele passou alguns momentos a sós com seu velho amigo e desatou a chorar. Quando ele saía, Courtney foi introduzida na sala de inspeção.

Kurt estava sobre uma mesa, vestido com suas roupas mais elegantes, mas seus olhos tinham sido costurados. Era a primeira vez em dez dias que a Courtney viu o marido e foi a última vez que seus corpos físicos ficaram juntos. Ela acariciou seu rosto, falou com ele e cortou uma mecha de seus cabelos. Depois, baixou as calças dele e cortou uma mecha de seus pêlos púbicos. Finalmente, ela subiu em cima de seu corpo, abraçando-o com as pernas e recostou a cabeça em seu peito e lamentou: "Por quê, por quê?".



Diversas cerimônias foram realizadas em memória de Kurt. Umas das mais notáveis aconteceu numa tarde de domingo: uma vigília pública foi realizada no Pavilhão da Bandeira do Seattle Centre e reuniu 7 mil pessoas, que levaram velas, flores, cartazes e algumas camisas de flanela em chamas. Um conselheiro de suicídio discursou e incentivou os jovens em dificuldades a pedirem ajuda, enquanto os DJs lcocais trocavam recordações. Uma mensagem curta de Krist foi divulgada, bem como uma fita de Courtney, que leu também a carta de despedida de Kurt.

O corpo de Kurt Cobain foi cremado e Courtney recebeu a urna com as cinzas uma semana depois. Ela pegou um punhado e o enterrou sob um salgueiro na frente da casa. Em maio, colocou o resto numa mochila de ursinho e viajou até o mosteiro budista Namgyal, perto de Ítaca, estado de Nova York, onde procurou consagração para as cinzas e absolvição pra si mesma. Os monges abençoaram os restos e usaram um punhado para fazer uma escultura comemorativa.

A maior parte dos restos mortais de Kurt ficou depositada em uma urna no endereço do Lake Washington, até 1997, quando Courtney vendeu a casa, mas insistiu num acordo que lhe permite voltar um dia e remover o salgueiro.

Por fim, Frances Bean Cobain, então com seis anos de idade, espalhou as cinzas do pai no riacho McLane, em Olympia, Washington - elas dissolveram e flutuaram na corrente. Em diversos sentidos, este era, também, um local adequado para o descanso.


A viúva e a já não tão pequena Frances. A cara do Pai!


Não foi o suficiente? Neste domingo, dia 05 de Abril, os últimos momentos de vida de Kurt Cobain. Até lá!


Ps: Não perca de ler como foi o 05 de Abril de 94 de Kurt Cobain.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Pescoço.



Caminhando pela Rua Dr. Vila Nova, na Vila Buarque, em São Paulo, cheguei no cruzamento com a Rua Barão de Itu e me deparei com essa linda parede. Bati a foto, não deu pra resistir. Virei à direita, pela e fui rodeando o muro até chegar ao portão do lugar, na Rua Cesário Motta Jr. e descobri que era o prédio da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, uma instituição com mais de 400 anos, dizem os registros que ela fora fundada por volta de 1560.

O Hospital Central, sede da instituição, foi construido em 1884, e o complexo de prédios que o rodeia é imenso e bonito, na sua maioria do mesmo estilo dessa foto, com direito a belos jardins e tudo mais.

O complexo visto de cima, viva o Google Maps!



E ainda tem um monte de gente que chama São Paulo de selva, de caos e de monte de concreto feio. Talvez falte um pouco mais de atenção ou flexibilidade nos pescoços dessa gente cinza.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Forrest Button

Nossa vida é baseada em experiências. Mas existe algo além do nosso repertório pessoal dessas experiências que adquirimos durante nossa vida. Nós já viemos de fábrica com alguns conceitos básicos e imagens ideais, herdadas da experiência da humanidade toda. Os filósofos chamam essas imagens e conceitos de arquétipos. Se a gente colocar esses arquétipos numa grande mala invisível, essa mala se chamaria Inconsciente Coletivo.

É mais do que comprovado que o inconsciente coletivo faz milagres. Faz chover, move montanhas e pode ditar o futuro da humanidade. Sabendo disso, muita gente usa os arquétipos para atingir a gente dessa forma covarde e irresistível. O Eric Roth, roteirista do filme O Curioso Caso de Benjamin Button, que também fez o roteiro do Forrest Gump, certamente sabia dessa história. Veja só que coisa legal!



Não sabe inglês?!

Ps: Pois é, a Paramount cortou o barato, tirando o vídeo do ar, alegando violação de direitos autorais. Mas quem conseguir achar "The Curious Case of Forrest Gump" pela internet não vai se arrepender.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Claro e Simples

[Esta é uma tradução livre que fiz de um texto em inglês, de filosofia budista, que me enviaram. Além de um ótimo passatempo é uma grande lição pra se aprender e aplicar na vida. Divirtam-se!]


A Verdade ou Realidade não é algo incerto, misterioso ou escondido. Você não tem que perguntar a outra pessoa para descobrir o que é. Nem para um professor, um buddha, seus pais, um padre, um rabino, um xamã ou qualquer outra autoridade do gênero. Ela também não é algo que se possa pesquisar num livro. A verdade vem até nós através da visão. Ver é Saber.

O ato de enxergar é imediato, não precisa de confirmação, mas geralmente nós não somos muito bons em ver o que está verdadeiramente à nossa frente.

Tenho um bom exemplo para o que estou dizendo: olhe para a figura abaixo. Acredite você ou não, é uma fotografia renderizada de algo muito familiar, algo que você já viu ao vivo ou através de imagens incontáveis vezes.

Se você não reconhecer imediatamente o que está na figura, preste atenção no seu estado de espírito e perceba o quão confuso e perturbado isso lhe deixou.




A maioria das pessoas, ao olhar esta figura pela primeira vez, dizem: “Eu acho que é um homem deitado.” Mas dizem isso sem qualquer certeza, ainda em dúvida. Elas acreditam ser esse homem deitado, mas não há o sentimento de realmente vê-lo, não há a convicção de saber o que realmente está desenhado na imagem.

Continue olhando a figura. Eu garanto que quando você realmente enxergar o que tem alí, toda a sua incerteza vai imediatamente desaparecer. Você saberá, sem sombra de dúvidas, o que é e todos os "achismos" e desconfortos irão instantaneamente cessar.

Se você ainda não viu, continue olhando. Alguma hora você verá. E quando você conseguir, perceba a repentina mudança que acontecerá em sua mente.

Notou o quanto você relaxou quando, de repente, enxergou? Seu estado de espírito que antes era obscuro, incerto e desconfortável foi transformado instantaneamente em clareza e convicção na hora em que você viu. E esta clareza e convicção permanecerão com você em todas as vezes nas quais você olhar esta figura novamente. Se lhe disserem: “É a figura de um homem deitado”, você saberá que estão errando feio e não existirão argumentos para influenciar o que você já sabe. Esta é a diferença entre realmente ver e simplesmente acreditar, ter uma idéia, um conceito.

Os ensinamentos budistas, também chamados de Dharma, apontam um caminho similar, porém mais universal e profundo para esse sentimento de “Ahá!”. Mas não se trata de reflexões vagas sobre algo distante, é sobre o aqui, o agora. Sobre o despertar para este exato momento e ver o que realmente está aí. Da mesma forma que o seu estado de espírito mudou quando você viu o que estava na figura, o mesmo sentimento de certeza e convicção tomará conta de você quando enxergar realmente o que você está vivendo. Então as coisas se tornarão claras.

Isto é chamado de iluminação ou despertar, que está disponível para todos nós, em todos os momentos, sem exceção.


Obs: Para os que gostaram do texto, todas as pesquisas que fiz indicam que ele foi retirado do livro "Buddhism: Plain and Simple" escrito por Steve Hagen, com versão em portugues: "Budismo: Claro e Simples".

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Meu Chapéu Novo.


Aloha a todos vocês! É com muito prazer que volto à ativa, e desta vez não teremos um intervalo tão grande entre os posts, prometo. Tudo isso só vai ser possível por causa da inspiração causada pelo meu novo chapéu, um Dorfman Pacific, feito à mão "since 1921" (é o que diz a etiqueta). É ele que aquecerá as idéias na minha cuca, juntamente com seus amigos chapéus mais antigos, não vou desmerecer os meninos.

Não deixei barato e fui visitar o site e confirmei. Os Dorfman são fabricados em Oakland desde o longíncuo ano de 1921, vamos então a uma breve retrospectiva deste ano:

O Brasil naquela época ainda se chamava Estados Unidos do Brasil, os presidentes se revesavam entre canditados Mineiros e Paulistas, a famosa República do Café com Leite, estavamos sobre o governo do Presidente Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa, o 11º da República. O ano começou bem, em 3 de janeiro a Turquia faz as pazes com a Armênia; 19 de janeiro a Guatemala, Honduras, El Salvador e Costa Rica assinam o Pacto de União.

No dia 5 de fevereiro, aqui nos "Estaites" os Yankees compram 20 acres de terra no Bronxs para construirem o Yankee Stadium. No dia seguinte, dia 06, estréia aqui em Hollywood, o filme "O Garoto" obra prima de Charles Chaplin. Inclusive o ator mirim Jackie Coogan, que interpreta o garotinho tem uma história bastante interessante, vamos abrir esse parenteses:

A mesma industria que levou John Leslie Coogan, conhecido como Jack Coogan, ao estrelato o considerou cenil e defasado aos 13 anos de idade, mas Jack ainda conseguia trabalhar em papéis menores. Aos 19 anos de idade, já quase sem dinheiro e fama, tentou reaver com seus pais a grana que ele tinha feito como ator mirim. Infelizmente naqueles tempos o dinheiro recebido por uma criança era propriedade dos pais.

Jack teve que processar seus pais para reaver o dinheiro (alguém lembrou do Macaulay Culkin?) e acabou conseguindo criar um precedente que o ajudaria e também a todas as crianças artistas vindouras. Hoje esse precedente é conhecido como "California Child Actor's Bill", "Coogan Act" ou simplesmente "Coogan Bill", que obriga ao empregador da criança a deixar 15% do valor pago em uma conta aparte, que será de propriedade da criança quando esta tiver capacidade legal para assumir suas responsabilidades.

Depois desse episódio Jack continuou com sua carreira de ator, tendo como outro personagem relevante o memorável Tio Fester Adams (Tio Funério) na série de TV dos anos 60 e a dublagem da voz do mesmo personagem no desenho animado dos anos 70, quando trabalhou junto com a Judy o Foster, que dublava o garotinho (sim, o garotinho) da família, Pugsley Adams (o Feioso).

Jack Coogan Morreu de ataque cardíaco no primeiro dia de março de 1984 aqui em Santa Monica. Está enterrado no Holly Cross Cemitery em Culver City, também em Los Angeles, o mesmo cemitério onde descançam os inesquecíveis John Candy, Bing Crosby, Jimmy Durante, Jack Halley (o homem-de-lata do Mágico de Oz), o eterno Drácula Bela Lugosi e outros famosos.

Esse é Jack Coogan com 7 anos de idade (época do filme "O Garoto")


Esse é o Jack nos anos 60, interpretanto Fester Adams... quem diria, heim!

Bem, voltando ao resumão do ano de 1921, em 03 de março os Doutores Banting e Best, em Toronto, Canadá, anunciam a descoberta da Insulina; 13 de Março a Mongolia declara independencia da China; 31 de Março Albert Einstein divulga, em Nova York, a sua nova Teoria da Relatividade; 14 de Março o Partido Facista de Mussolini consegue 29 acentos no Parlamento Italiano.

Em 30 de Abril o Papa Bento XV publica a encíclica "In praeclara summorum", em comemoração ao VI centenário da morte de Dante Alighieri. Coincidentemente esse foi o Papa que inspirou o atual, Bento XVI, a escolher seu nome papal. Mais coincidência ainda foi que em sua primeira encíclica, chamada de "Deus caritas est", divulgada em 25 de janeiro de 2006, Bento XVI cita Dante Alighieri (!) para explicar o seu conceito de amor: "O amor move o sol e as estrelas". Taí um belo conceito, salve Dante!

Em 11 de junho de 1921 o Brasil adota o sufrágio universal, o que reconhece as mulheres como capazes de votar e participar, de verdade, do "povo"; 19 de junho Turcos e Cristãos assinam um tratado amigável contra os Judeus (se é que se pode extrair qualquer coisa de amigável nisso).

No dia 11 de julho a Mongolia ganha sua independência da China (Dia Nacional da Mongólia)

No dia 12 de agosto comemoro o meu aniversário de -51 anos.

Em 21 de setembro, o "muy" ativo Papa Bento XV doa 1 milhão de Liras para alimentar os Russos famintos.

Durante a campanha eleitoral de 1921, para as eleições de março de 1922, o jornal Correio da Manhã publicou uma carta manuscrita, atribuída ao candidato do governo, Artur Bernardes, governador de Minas Gerais. Nela o ex-presidente da República Marechal Hermes da Fonseca era chamado de "sargentão sem compostura", acusando o Exército de ser formado por elementos "venais". Artur Bernardes negou veementemente a autoria da carta, vindo o mesmo periódico a publicar uma segunda carta, no mesmo tom da primeira, e como ela atribuída ao mesmo candidato. A comoção causada foi enorme, principalmente entre os militares, representados no Clube Militar, sob a presidência do próprio Marechal. Mais tarde seria descoberto que as assinaturas nas cartas eram forjadas. Esse episódio, somado com o resultado das eleições de 1922, geraria em 5 de julho, a Revolta dos 18 do Forte, no Rio de Janeiro.

Em 9 de novembro Mussolini cria, na Itália, o "Partito Nazionalista Fascista"; em 14 de novembro, falece no Rio de Janeiro, a Princesa Isabel.

Certamente aconteceram mais coisas importantes nesse ano, inclusive no Brasil, mas mesmo após horas de busca não consegui mais fatos. Quem sabe na próxima vez. Inclusive, acho que este post já está um tanto grandinho.

Até o próximo!