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sábado, 16 de setembro de 2017

O problema e a solução

Milênios de história e os que nos governam vem tomando as mesmas péssimas atitudes de sempre. O descaso com o Povo e a despreocupação em criar mecanismos para que todos ou, pelo menos, a maioria consiga desenvolver uma vida digna, atingindo objetivos e realizando sonhos não é de hoje. E mesmo assim, nós também temos tomado a mesma péssima atitude de mantê-los ali, no comando e na folia, mesmo cansados de saber que as soluções nunca vieram "lá de cima", pelo contrário, de lá só vieram os problemas. É evidente, e sempre foi, que a mudança é um trabalho nosso, do Povo, por isso deveríamos estar todos unidos a nosso favor, pelo bem comum, e não nos digladiando por ideologias, ou por quem jamais nos defendeu ou ajudou sem sequer demonstrar qualquer sinal de remorso.

Junto com as notícias mais recentes, o texto abaixo me inspirou o poema "Excelência,". Ele é trecho da biografia de Anália Franco e descreve fatos de 100 anos atrás, mas que poderiam ser atuais, em qualquer esfera do poder público.

"(...) O ano de 1918 não pareceu diminuir as dificuldades do povo paulista, castigado por um inverno excepcionalmente frio, com grandes prejuízos para a lavoura e a temperatura chegando a marcar mais de 3.C negativos. Devastadoras ondas de pragas invadiram seus campos diminuindo a oferta de alimentos e, particularmente na capital, as chuvas elevaram o nível dos rios Tietês, Tamanduateí e Pinheiros, causando inundações e paralisação quase total dos trens. Enquanto isso, o prosseguimento da guerra na Europa mobilizava a grande e apreensiva massa de imigrantes fazendo crescer a tensão social.

E seria com esse cenário que a progressiva são Paulo veria chegar o auge de suas agruras com a pandemia da gripe espanhola que revelou uma Saúde Pública totalmente impotente e um desencontro total entre autoridades e médicos. Enquanto durou a epidemia, a Câmara Municipal não funcionou porque os representantes do povo acharam ser sua integridade mais importante que a do povo que os elegeu e trataram de deixar a cidade. Ante o desmazelo e o despreparo do poder público, a sociedade civil teve de organizar-se para evitar o aumento da catástrofe, enterrando os mortos em valas comuns, tentando tratamentos alternativos para os doentes, improvisando hospitais e dividindo os escassos alimentos.

A vida, naquele fim de 1918, não valia nada. O medo pairava no ar. Ninguém poderia julgar-se imune ou protegido e, ao menor sintoma, o desespero tomava conta de muitos, verificando-se, então, uma onda de suicídios, de homicídios e de tragédias. A falta de recursos médicos, a desinformação, a irresponsabilidade de políticos e médicos só foi compensada pela capacidade com que a população soube se mobilizar."


in MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco - A grande dama da educação brasileira. 1a. Edição: São Paulo, Madras, 2004. p. 220

Excelência,


Mãos ao queixo, olha a face refletida
Na janela do automóvel luxuoso
Será sua aquela face estarrecida?!
Fora, outrora, um semblante jubiloso...
Mas, agora, se assemelha a um homem morto

Perderá o seu império, o seu conforto?
Reino erguido da galhofa com o povo
Decorado pelas mãos da inconsequência
Contanto, para si, não houvesse estorvo
Bem dormia sobre as plumas da indolência

Esquivando-se da indecência que criara
Fecha os olhos, mas não escapa à consciência
Vê, agora, um povo enfrene a insurgir-se
Vê, lá fora, um pesadelo a realizar-se
Vê, nos olhos do mendigo que te encara, a sua culpa
Vê, na cara do indigente que te olha, a sua cara


sábado, 5 de agosto de 2017

Reconhece a queda e não desanima...


"Rico, de nada há servido as suas riquezas. Novo Plutus, como bem diz um escritor, vive no meio delas sem poder utilizá-las. Não há país onde se fale tanto em riquezas como no Brasil. Entretanto, em nenhum outro é tão difícil a vida, e tão incerto o futuro dos cidadãos. É que nossa sociedade infelizmente ainda não se compenetrou da necessidade da instrução e da ideia do trabalho livremente exercido e compensado sem distinção de sexos nem de posição. Se é como se diz, lei invencível das coisas humanas, que cada nova liberdade peça em contrapeso uma nova virtude, cada novo direito imponha um novo dever, cumpre aos que dirigem os nossos destinos traçarem com a segurança da experiência e da observação o caminho que devemos seguir para a paz e o engrandecimento da nação.

(...)

Os mil espinhos e dificuldades que são outros tantos embaraços para a realização de tão nobre intento não devem ser motivos de desalento, porque as transformações sucessivas do mundo material e moral nos estão apontando aos brios da dignidade e às palmas do triunfo que só se alcançam com a perseverança.

Nesta época de corrupção e de falsos prestígios que quase tem sido só um triunfo da mediocridade, e cujas más influências parecem tender em toda a parte a paralisar o caráter e o talento, no meio dos males que nos oprimem, volvemos os olhos cheios de fé para os horizontes do porvir. Animando-nos a esperança de que aqueles que a dirigem amarem verdadeiramente a pátria e compreenderem suas necessidades, hão de formar do Brasil um corpo social mais em harmonia com as ideias do século, elevando-o assim a ocupar o lugar que lhe compete entre as nações do mundo.

Na aurora de 1889, nasceu em França uma ciência nova, tendo por fim estudar os fenômenos sociais, principalmente na produção, na distribuição e no consumo das riquezas. É preciso que ela também apareça entre nós e que sua luz penetre em toda parte a esclarecer as classes oprimidas, manifestando-lhes os esplêndidos triunfos da ciência hodierna.

A verdadeira grandeza de um Estado, diz Worlz, "depende dos cidadãos que o governam e se empregam em elevar as almas e inspirar ideias generosas em vez de vil escravidão". República e ignorância são duas palavras que se contradizem e que se repelem; assim, a única garantia de sua consolidação está na instrução do povo e numa legislação que possa consolidar, tanto quanto o nosso século permite, os interesses de segurança com o voto da humanidade.

E como diz Barros, "quando a civilização tiver conseguido alcançar em toda a parte o abandono dos velhos usos da barbárie, a gerra deixará de ser possível, porque não haverá forças materiais que possam lutar contra as forças morais".

Não é, pois, a força bruta que constitui o elemento triunfal da Democracia, mas sim a força do espírito, que tem por si o suficiente influxo para resolver os mais elevados problemas sociais, econômicos e financeiros, para realizar os mais transcendentes prodígios.

Erguendo a minha voz humilde para saudar o IX aniversário da República, em conclusão direi como Berryer: "Não temais cidadãos em seguir o verdadeiro progresso do espírito humano que há de confiar, não em exércitos comandados por capitães mais ou menos hábeis, pois não é a força brutal, mas aos nobres combates de espírito, as lutas da inteligência o destino e a direção das sociedades."

Este texto não é meu e, apesar de pertinente, infelizmente não é atual. Foi publicado na revista Álbum das Meninas, n. 8, de 30 de Novembro de 1898, escrito por Anália Franco uma das grandes mulheres brasileiras, precursora do feminismo no mundo e merecedora de reverência e estudos nossos. Hoje, a palavra foi dela dada a sabedoria à qual me curvo tenho o dever de compartilhar.


in MONTEIRO, Eduardo Carvalho. Anália Franco - A grande dama da educação brasileira. 1a. Edição: São Paulo, Madras, 2004. p. 196-197.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Sem festas, amigos! Ainda é preciso mais.

O movimento "Diretas Já", de 1984, apesar de ter sido a maior manifestação popular da história do Brasil, só não foi um fracasso completo porque gerou lideranças populares que conseguiram se articular politicamente e conquistar alguma representatividade na assembleia constituinte que geraria a Constituição Federal de 1988.

Sim, a PEC nº05/1983, que criaria as eleições diretas no Brasil, conhecida como Emenda Dante de Oliveira, mesmo com a massiva participação popular e com 84% de aprovação nas pesquisas de opinião, não foi aprovada; não passou nem na primeira votação na Câmara dos Deputados. Vale lembrar, também, que a maioria dos envolvidos na constituinte, os mais poderosos, ainda eram os mesmos de sempre, representantes do poder que já estava lá desde antes mesmo da fundação da República. E ainda são.

O ex-presidente Figueiredo, último dos militares, declarou posteriormente que o sistema militar estava insustentável e a única solução foi acabar com aquilo tudo. A nova constituinte chegou em boa hora. Numa grande encenação, mudariam o regime político, se garantiriam no poder, e ainda ganhariam aplausos do povo sempre desatento e deixado de lado. Sim, a ditadura militar acabou por que eles quiseram, para a sobrevivência deles mesmos.

Por isso, em 15 de janeiro de 1985, Tancredo Neves, o grande articulador do desmonte do regime militar por ter acesso e diálogo com os dois lados do poder, foi eleito presidente do Brasil em eleições indiretas. Jamais deixariam que fosse diferente, era preciso alguém de confiança. Mas, acometido por grave doença "inoportuna", Tancredo foi o boi de piranha, faleceu antes de assumir o cargo, ficando para o seu vice, José Sarney, do, vejam só: PMDB.

Eleições diretas para presidente do Brasil só ocorreriam em 1989, após ser estabelecida na Constituição de 1988, e com as rédeas da carroça garantidamente nas mãos dos mesmos dirigentes de sempre. O vencedor desta foi Fernando Collor de Mello, com grande apoio popular em virtude da campanha contra "os Marajás" e a corrupção que fazia. Foi o boi de piranha da vez, atrairia votos e cairia, sofrendo impeachment, deixando a presidência para seu vice, Itamar Franco, do PMDB, é claro.

Semelhança com algum fato recente? É claro! A novela, o enredo, os personagens e problemas são os mesmos de sempre. Nós, o povo, é que não podemos mais ser os mesmos. O momento é delicado e, anotem: nos será oferecido um belíssimo teatro da democracia, muito em breve. Não podemos mais nos contentar com a encenação que sempre nos oferecem nessa hora. Devemos parar de gastar a nossa energia em lutas entre nós mesmos, isso cansa e enfraquece. Nossa energia e atenção deve ser canalizada para o acompanhamento minucioso e sério dos fatos que estão para se desenrolar na política nacional. Pedir "Diretas Já" é válido, mas é muito pouco. Ter eleições diretas é muito pouco. É preciso mais, é preciso usar o processo democrático de forma eficaz na renovação total dos agentes e dos valores políticos do Brasil. Atenção e serenidade é o que precisamos agora. A vida adulta da Nação se aproxima.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Não nos percamos de nós mesmos

Chegamos ao ápice de um processo histórico importante, pelo qual viemos passando nas últimas décadas: o desmonte de uma era onde o processo político era feito descolado da vontade popular. Toda mudança de paradigma social é delicada, lenta e dolorosa, e é natural que partidários de ideias contrárias se debatam e desse debate surja, inevitavelmente, uma síntese. É o tal do processo dialético (Tese+Antítese=Síntese) de Georg W. F. Hegel. Sim, é aquele mesmo Hegel que voltou à fama por um deslize intelectual há alguns dias atrás e, pelo que me parece, não por acaso. Então é necessário paciência e conhecimento pra um correto agir nesses tempos de euforia e ansiedade à flor da pele quando estamos formando a nossa síntese social.

Uma das minhas matérias preferidas durante a faculdade de Direito foi e, ainda é, a Ciência Política e Teoria Geral do Estado, na qual se estuda o processo de criação e validade de um Estado Nacional. Nesses tempos de convulsão social, de ladainhas pra lá, falatórios pra cá, sempre bem munidos da terminologia, mas quase nunca do conteúdo, me lembrei de um conceito muito importante, aprendido do livro "Teoria Geral do Estado", do Sahid Mauf : o conceito de Nação, “um conjunto homogêneo de pessoas ligadas entre si por vínculos permanentes de sangue, idioma, religião, cultura e ideais” .

Entendendo esse conceito fica fácil perceber como estamos sendo atacados e onde estão mirando aqueles que deveriam estar nos ajudando e protegendo, os chamados representantes do poder público, nome que não faz muito sentido quando os tais não estão, de forma alguma, usando o poder que o povo os cedeu para melhoria da coisa pública mas, pelo contrário, estão representando, claramente, os próprios e privados interesses. Usam da técnica de "dividir para conquistar" e, nos subjugando, permanecem intocáveis na sua majestade. Há anos estão nos separando por etnia, religião, costumes e posição política, e já estão conseguindo. Só falta nos fazerem esquecer o nosso maior ideal comum que é "um país melhor, um lugar bom de se viver, para nós e nossos descendentes". Mas isso não podemos permitir, é preciso ficar atento, permanecermos fortes e unidos como povo, honestos e respeitosos uns com os outros. Conforme indicam os acontecimentos, qualquer bandeira partidária que se levante hoje em dia, é bandeira criminosa. Não há heróis, exceto nós mesmos, e nossos super-poderes são o amor e o bom-senso que, não duvide, todos nós temos, sim, mesmo que em quantidades diferentes.

Estão nos vendendo uma gerra particular pelo poder como se fosse uma campanha por um país melhor. Não caiamos nesta armadilha. Acatarmos irresponsavelmente os discursos fatalistas e viciados que nos oferecem é assinar sentença de subjugação e morte do sonho Brasileiro. Deixemos de lado as ideologias políticas que só nos separam, e nos apeguemos às poucas coisas que nos restaram em comum, o verdadeiro ideal que nos une, por esses mais de 500 anos, entre o Caburaí e o Chuí : fazer desse pedaço de chão um lugar de vida digna para todos, sem exceção.

domingo, 20 de setembro de 2015

O Melhor 7 de Setembro

Nos meus 35 anos de vida, nunca presenciei um 7 de Setembro tão melancólico e distante das imagens que guardo na memória, das várias vezes que o brasileiro, orgulhoso, celebrava a pátria pelas ruas.

Toda a melancolia gerou páginas de anotações, julgamentos, generalizações e preconceitos que nada fariam para a construção do texto que inicialmente eu me propunha. Queria pacificar a alma e, como nos outros anos todos, orgulhar-me da Pátria que me acolhe. Queria um texto útil.

Quando me vi refletido no espelho da razão, veio-me à mente a frase de um antigo sábio: "Aquele que não tiver pecado, atire a primeira pedra" e, depois, a segunda chave para minhas questões: "Não faça ao outro o que não queres que te façam". Esta última é uma das regras de ouro de Confúcio (551 - 479 a.C), muito utilizada por Jesus Cristo (0 - 33 d.C), autor da primeira frase que citei. Se o teor das minhas anotações era o pedido pela Justiça, Honestidade e fim da Hipocrisia, eu não deveria, ao pedir, ser injusto em julgar sem conhecer; desonesto ao me isentar das minhas responsabilidades e hipócrita ao me considerar perfeito.

Eu estava exigindo honestidade, probidade, respeito e outras tantas coisas, mesmo tendo eu sido, muitas vezes, desonesto, improbo, preconceituoso e inconsequente com meus atos. Um ser notoriamente imperfeito cobrando perfeição de seres também imperfeitos. Que autoridade moral eu tenho para agir de forma tão injustiça? Restou-me o envergonhado exame do meu orgulho e vaidade.

Finalmente me enxerguei, mudei minha relação com tudo: país, povo e governantes. De um ilusório ser perfeito e "inoxidável" – como diria um criativo compatriota –, passei a um realista igual, fraco e falível frente paixões e vícios, carcomido pela ferrugem do ego, como somos todos os seres humanos.

Mudar a si mesmo já é esforço enorme, mas certo de que sou o único ser o qual posso efetivamente mudar, ficou evidente a desnecessidade do desgaste e lutas extras para se mudar os outros à força. Se a nação é um conjunto de indivíduos, a diferença no todo só se fará pessoa a pessoa.

Sobre os nossos líderes, não posso garantir que não erraria tanto ou mais se estivesse em seus lugares. Mas, se cabe exclusivamente a mim o exame da minha consciência e a lide com a culpa dos meus atos, cabe a eles fazer o mesmo. E da mesma forma em que nas situações difíceis eu preciso de ajuda para perceber o erro, me levantar da lama e repará-lo, eles também precisam. Desconheço as guerras internas que cada um enfrenta diariamente. Por isso não serei eu quem tornará ainda mais pesado o imenso fardo que eles já carregam em suas próprias consciências, assim como não gostaria de ter alguém que multiplicasse o peso do meu. Pelo contrário, agradeço as lições, exemplos e reflexões que me trouxeram e me tornaram uma pessoa melhor nesse Dia da Pátria.

Inocentes ou culpados, não me cabe julgar. Confio na justiça humana e, ainda mais, na de Deus. Se quero um Brasil melhor, serei eu, antes de tudo, um melhor brasileiro.


domingo, 5 de abril de 2015

Um desabafo

Independente da opção política, um bom estadista, um líder de verdade, deveria unir o Povo em torno de ideais comuns e guiá-lo através das dificuldades, sempre preservando a união e o sentimento de nação.
Me decepciona – apesar de saber que não deveria, já que isso não é nada novo – ver que o que temos é exatamente o oposto. Não se une para fortalecer e evoluir, mas divide-se para enfraquecer e dominar.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Onde se faz palhaçadas...

...será sempre um circo.


Foto fantástica do Congresso Nacional, em 1985, para a qual comentários são desnecessários.


terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Padroeiro dos Boêmios do Brasil

A Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), nos primeiros dias de construção, em 1956.
Além da construção da cidade em 4 anos, outros milagres aconteceram por lá.


Boêmios do meu Brasil, bebei à vontade! Lendo a Veja Especial : Brasília 50 anos, de Novembro de 2009, descobri provas irrefutáveis de que o direito universal à birita é preservado por ninguém mais, ninguém menos do que Deus-Ele-Mesmo-nosso-Senhor (que se não é brasileiro, gosta muito da gente!), com a ajuda do recém descoberto Padroeiro dos Boêmios do Brasil : São Pedro.

Tal fato inusitado aconteceu durante a construção da nossa Capital Federal, nas imediações do "Catetinho" residência provisória do então Presidente da República e viabilizador de Brasília: Juscelino Kubstcheck.

Leia o trecho extraído da revista:

"Rio de Janeiro, Hotel Ambassador, Rua Senador Dantas, 12 de outubro de 1956, encontro dos chamados 'boêmios patriotas' do Juca's Bar, amigos de JK. Presentes Oscar Niemeyer e uma penca de parceiros, entre eles o seresteiro César Prates e o violonista Dilermando Reis. Surge a idéia de construir uma residência provisória para o presidente em Brasília. Niemeyer esboça o projeto na hora. Um palácio tosco, de tábuas, depois apelidado de Catetinho, sustentado por grossos troncos de madeira de lei. Não havia tijolos ne pedras no endereço: clareira no meio do mato, fazenda do Gama, Brasília. Prazo de construção: 10 dias.

Em 1o de novembro, JK e uma pequena comitiva chegam no DC-3 para a festa de inauguração do Catetinho. Música, boa comida, boa bebida. Há uísque de qualidade, mas falta gelo. De repente, cai um pé-d'água assustador, bombardeando granizo. Assim que o temporal passa, todos correm para fora, catam o que podem, dão graças a Deus e brindam a São Pedro."


O Catetinho foi uma surpresa dos amigos para JK, que nasceu de uma conversa no boteco e se manteve forte às origens etílicas e de amizade; que recebeu muitas autoridades e visitantes ilustres, viabilizando os bons momentos do pessoal no cerrado. E manteve a energia boêmia em alta no momento de aperto graças ao nosso grande padroeiro dos Boêmios. Salve São Pedro!!! (tim-tim)



O Catetinho naqueles tempos miraculosos.


O Catetinho nos dias de hoje, um museu aberto à visitação.
Foto de Neudson Aquino
Falando em Boemia e Whisky, não podia faltar essa foto!

No detalhe: Vinícius de Moraes e Tom Jobim no abençoado quintal do Catetinho.
Mas eles não estavam lá na hora do milagre.


Saiba mais sobre o Catetinho neste site e neste também.

Ou ainda visite A Construção do Catetinho para mais detalhes ainda!


terça-feira, 20 de outubro de 2009

"...risonho e límpido..." (ou Do Bom Humor)


O brasileiro é conhecido mundialmente por ser um povo feliz, cordial, que vive rindo da vida.

Ora, é fácil rir num lugar onde tudo é uma piada.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O morto-vivo de Umuarama


Quem me contou essa foi o amigo Luis Lopes (Revista UP), jornalista atento lá de São Paulo. É mais um registro da mirabolância Umuaramense. Ao checar a notícia, ví que saiu em vários jornais do estado e em sites nacionais (O Globo, Canal Arena, Londrix). Também saiu no nosso querido Umuarama Ilustrado do dia 03 de Abril de 2009 (de onde tirei as fotos que ilustram esse post).

Ao ver quem exatamente era o "defunto", só consegui acreditar mais ainda na história: um dos figurões da noite underground Umuaramanse com o qual todo bom boêmio já se deparou. É um daqueles malucos bêbados mitológicos que passam a vida perambulando tortamente pelas ruas e calçadas da cidade (nem sempre nessa mesma ordem e em vários ângulos), pedindo cigarro, birita... e no caso do personagem em questão, piscadelas e sorrisos marotos pras garotas mais charmosas.

O nome completo do moço (que jamais saberia sem tal acontecido) é Moura Apolônio Godoes. Ele tem 38 anos e estava desaparecido a mais de um mês (o que era bastante corriqueiro pro estilo de vida que levava) até que um corpo com suas características físicas deu entrada no IML de Umuarama. Por estar sem resfriadores de cadáveres, o IML local enviou o corpo para o IML de Campo Mourão, o que resultou num reconhecimento de cadáver através de fotografia.

Ao olhar as fotos, a família não teve dúvidas de que haviam encontrado o parente desaparecido. Assim, Apolôno foi velado (caixão aberto, dizem), chorado e finalmente enterrado no dia 27 de Março, no Cemitério Municipal de Umuarama.

Tudo parecia normal até que, 4 dias depois do enterro, uma vizinha da D. Benedita - mãe do 'até então' morto - viu o rapaz perembulando nas redondezas da rodoviária de Umuarama. Recuperou-se do susto, confirmou que não era alucinação e correu para contar à família. Benedita assustou com a notícia e asustou mais ainda quando seu filho "morto-vivo" chegou em casa.

Até ressuscitar a papelada toda vai dar trabalho, heim Apolônio!


Enfim, o corpo enterrado foi re-reconhecido como sendo de Sebastião Paulo de Souza, 42 anos de idade, com características físicas bastante parecidas com as do "morto muito louco". Sebastião por sua vez estava morto mesmo, de morte natural e foi levado por populares ao hospital da cidade, que não tinha geladeira e encaminhou ao IML, que encaminhou pro outro IML... e que gerou essa história que me lembrou a do Roque Santeiro, de leve, mas lembrou!

E agora Umuarama tem o seu "Morto-Vivo" e ele se chama Apolônio.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cara pálida, cabeça de vento.


Já que não deu pra sair no jornal deste domingo, aqui está minha reflexão indigenista.

Ps: Valeu pelos toques, Lili!

Índio não quer só apito.


Desde 1940 comemora-se o Dia do Índio, um feriado idealizado naquele mesmo ano durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O congresso que aconteceu no México contava com a representação de vários paises do Continente Americano. As Nações Indígenas aderiram ao evento no dia 19 de Abril e por isso a data foi escolhida como dia a se comemorar. O reconhecimento nacional do feriado se deu através do Decreto Lei número 5.540, daquele ano, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Pra mim, como muitos já perceberam, esses feriados e dias especiais são um convite à reflexão. É legal reconhecer a importância de outros povos e culturas, celebrar e agradecer a sua influência e seu papel na formação do nosso país e da Cultura Nacional, mas quando se deixa o discurso cheio de fru-frus de lado e se coloca o pé no chão, vemos o grande equívoco que é a política indigenista do Brasil.

Nossa relação com os habitantes originais das Américas já começou errada. Os colonizadores Portugueses e Espanhóis desembarcaram por aqui e “em nome do Rei”, “em nome da Igreja”, “em nome da Civilização” ou com qualquer outra justificativa sem lógica, começaram o extermínio desse povo. Pelo menos eu ainda não encontrei uma justificativa decente pro ato de invadir uma área, matar os donos e espalhar pelo mundo que o lugar é seu. E vale lembrar que o extermínio sistemático dos índios não é algo brasileiro dos tempos de Cabral. Até os anos de 1950, 60 e 70, durante a “colonização” do interior do Brasil, a chacina corria solta. Em todos os paises da América foi assim: México, Venezuela, Estados Unidos da América, Colômbia...

Hoje continuamos tentando eliminar os índios ao invés de inseri-los dignamente na nação brasileira. O que a FUNAI pretende ao obrigar brasileiros (quem nasce no Brasil é brasileiro, né?) a morarem no mato, sem esgoto, com saúde a perigo, sem conforto em pleno Século XXI eu ainda não sei. Alguém obriga o Gaúcho a morar num Rancho pra preservar seus traços culturais? Alguém obriga os Italianos a abrirem cantinas e pizzarias, ou os Japoneses a usarem Kimonos? Então por que diabos os coitados dos índios tem que viver de tanga no mato, vivendo da caça da pesca e do artesanato?

De que serve fazer esse teatrinho de subsistência e harmonia com a natureza enquanto se distribui televisão, antena parabólica, roupas e comida nas aldeias? Ressalte-se que é tudo feito com verba da FUNAI, ou seja, nosso dinheiro. Não seria mais fácil trazer esse povo pra cidade e dar escola, emprego, saúde e condições de levar uma vida decente, sem doenças e bicho de pé? É mais um sistema pra se roubar descaradamente o dinheiro do povo, do mesmo tipo que transforma os flagelados da seca no nordeste num negocio rentável para os políticos da região. É, enfim, uma grande indústria que joga a verba federal nos bolsos privados.

Eu sei de muitos índios que estudam, trabalham e vivem como pessoas do nosso século e não vou generalizar qualquer critica feita aqui. Mas eles me parecem exceções, contestadoras exceções que não gostam de viver de favor, que sabem ter a mesma capacidade de qualquer outra pessoa de qualquer outra etnia. Que não caem nesse conto da carochinha de que cotas de ensino, políticas e verbas especiais vão resolver um problema social que é reflexo de atitudes individuais ou de um grupo. O governo só fomenta a preguiça e o clientelismo com essa política de “dar o peixe” ao invés de “ensinar a pescar”. E todos sabemos que melhores pescadores do que os índios não existem! Será que eles se lembram disso?

Claro que se lembram, e também usam esse sistema viciado para faturar. Existem muitos grupos que vivem em regiões abarrotadas de minérios valiosos, pedras preciosas, madeira e outros recursos naturais de valor e faturam um dinheiro alto negociando isso. Por morarem no mato e viverem “da caça e da pesca” eles não pagam impostos, mas adoram pedir mais dinheiro, mais terra mais infra-estrutura a custa do dinheiro do diabólico Homem Branco. É obvio que esse pessoal não vai querer vir para cidade e pagar impostos. São brasileiros na hora de pedir, mas não na hora de pagar.

E é assim que em pleno século XI, colhemos os frutos de uma política indigenista alienada e defasada. Se o Brasil pretende ser uma nação unida, forte, produtiva e igualitária, deve sair de cima do muro e tomar uma postura decente de reafirmação de sua soberania. É preciso unir o povo, parar de ter dois pesos e duas medidas para lidar com as coisas. Índio não é bicho pra se preservar no mato, eles são pessoas como todos no mundo, com desejos, capacidades, força e muita inteligência e por isso merecem ser tratados como tal. Já passou da hora de passar o Brasil a limpo, sob pena de perdê-lo.


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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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