segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Maringá Além da Imaginação.


Uma noite dessas, no saudoso Apê 80, aqui na Peixoto Gomide, em São Paulo, encontrei meus grandes amigões Michel Souza e o Rafael Zanatta, que me convidaram a escrever um Conto Maringaense. Passei um bom tempo pensando em algo, até que me lembrei dessa história que ouvi já faz algum tempo. Bom... aí está, divirtam-se!


Foto: J Carlos Cecilio

Toda cidade tem suas histórias. Essa eu ouvi de um velho conhecido maringaense que, para manter a tranquilidade na vida, pediu para não ser identificado. Me disse que ouviu da boca de um dos policiais envolvidos no caso. Transcrevo-a para que não se perca.

Foi em 1996. A rodoviária de Maringá ainda era na Joubert de Carvalho, prédio um tanto sombrio e velho, mas de arquitetura interessante. Tinha um visual pretenso futurista - comum na época em que fora construído -, mas imundo e com as paredes manchadas, indelevelmente, com a terra vermelha que lhes respingaram as chuvas em seus já 33 anos de uso. Uma garota chegara de viagem, cansadíssima, com uma mala que se arrependia de ter feito tão grande. Já eram quase duas da manhã. Pegou um taxi.

O taxista, de pouca conversa, mas com um bigode impossível de não se notar, guardou a bagagem da moça no porta-malas e ambos embarcaram no traslado. Saindo da rodoviária, entraram à direita na Avenida Herval e, depois de cruzarem a Avenida Brasil, uma viatura policial começou a seguí-los. O motorista ficou apreensivo e o pouco assunto se transformou em assunto nenhum. Continuaram.

Segundos depois, a polícia soou a sirene e sinalizou com os faróis para que encostassem o carro. O taxista estacionou prontamente na esquina da Herval com a Neo Alves Martins, e estranhamente parecia aliviado.

Bateram no vidro da passageira. Era um dos policiais perguntando o que ela fazia ali, no banco de passageiros daquele taxi, e onde é que estava o motorista. Imediatamente a garota olhou pro banco do motorista e não o viu lá. Assustada e auxiliada pelo policial, saiu do carro olhando pra todos os cantos, tentando encontrar o motorista recém desaparecido, enquanto o outro policial fazia o mesmo pelas redondezas.

Sem barulho e sem que os policiais ou a garota vissem, o taxista tinha simplesmente desaparecido. E pelo jeito não era a primeira vez. Veio, pelo rádio da viatura, a confirmação de que aquele carro era o mesmo que constava no B.O. de desaparecimento, registrado três dias antes.

Com a confirmação do B.O., começou a revista pente-fino no carro. Revistaram cada centímetro para encontrar algo que explicasse aquilo tudo. Abriram o porta-malas. Susto! Aquele bigode seria reconhecido em qualquer lugar do mundo. Era o taxista. Morto. E, enfim, em paz.



O Sábado é uma ilusão.



Há alguns dias visitei a Ocupação Nelson Rodrigues, que estava rolando no Itaú Cultural, em São Paulo, aqui na Avenida Paulista. Obviamente inspiradora. Usar trechos entrevistas e textos do próprio Nelson para montar sua biografia foi uma idéia genial. Assim você conhece o autor pelas suas próprias palavras e experiências. A cenografia também era muito interessante: uma mesa de jantar, com todos da família representados ali, em meio a telas com fotos e entrevistas; Duas escrivaninhas com máquinas de escrever, lembrando a redação de um jornal... tudo isso cercado por sons, vezes de mar, vezes do datilografar de uma máquina de escrever.

Passei duas horas lá. Duas horas imerso numa das maiores mentes da história cultural do Brasil. Levei bronca e puxão de orelha do Nelsão. Aí apareceu essa história, palavras dele (não ipsis litteris, minha memória não é tão boa assim) :

"Eu era bem jovem ainda, uma criança. Minha mãe estava conversando com o jardineiro sobre os dias nos quais ele viria cuidar das plantas. 'Você vem dia tal, dia tal... e vem também no sábado...' . Aí o jardineiro respondeu, meio pra si mesmo 'Sábado é uma ilusão'. E eu ali do lado, pequeno, ouvi e me espantei, fiquei muito intrigado sobre o por quê do sábado ser uma ilusão. Por vários dias eu especulava o jardineiro e tentava descobrir o que ele quiz dizer com aquilo. Repetia 'é... Sábado é uma ilusão..." pra ver se ele ouvia e ele nem sequer notava, ignorava ser autor de tão poderosa frase."

Eu também entendo e sinto essa frase como uma das maiores verdades da vida, incontestável. Afinal, adjetivar algo como ilusório já dá algum poder ao dito, ilusão é uma palavra poderosa, dramática. Então, vamos ver se funciona com qualquer dia: Terça-feira é uma ilusão, não convence; Domingo é uma ilusão, soa vazio; Quarta-feira é uma ilusão, sequer provoca coceira. Mas o Sábado ilusório do Jardineiro dos Rodrigues, mesmo que eu não saiba ou consiga chegar a uma explicação, é real, quase palpável. Sinto-o profundamente verdadeiro.

O sábado é uma ilusão, não sei o por quê, mas sei que é. E isso mexe com meus brios.



domingo, 29 de julho de 2012

Opinar é desafiar-se.





E com essas palavras inspiradoras - meio benção, meio bronca - de Nelson Rodrigues, reabrimos os trabalhos deste blog.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Minha participação no Reversos : Musicando Poesia


Então estava eu, pelas tardes internauticas, até que me veio o Jr. Bellé com o convite para que a banda participasse do projeto que o site Nego Dito estava tramando, o Reversos - Musicando Poesia. Explicou o projeto, que é lindo e mandou 4 poemas, para escolhermos uma. No meio do processo de escolha veio a idéia : "Por eu não faço uma e o Nevilton outra?". E assim foi feito. Nevilton ficou com a "Domingo" do Geovani Baffo; e eu - depois de muita luta com outra música que não saiu - fiquei com "Por La Calle", do Canek Guevara (poema que até então se chamava Canek 3).

Musicar um poema naquelas alturas do campeonato me pareceu um grande desafio, já que fazia meses que não criava música. E somando o gabarito do poeta, a responsabilidade era grande. Em tempo, Canek Sánches Guevara é um poeta Cubano, neto do revolucionário Chê (veja aqui uma entrevista dele para o Nego Dito).


Inspirado nas baladas roqueiras 'pero con latinidad' do Pescado Rabioso e do Sui Generis (afinal, eu tinha que copiar o sotaque de alguém além do Google Translator!), optei por não usar o contrabaixo, meu instrumento oficial, e usar instrumentos extra-oficiais: piano, violão e voz. Demorou... e demorou... (o Bellé tá aí pra confirmar), mas saiu! Saiu esse meu singelo projeto de "Jenny Wren" (do McCartney), com balada argentina. Interessante é que toda vez quando ouço, a melodia vocal me lembra "Please, Please, Please, Let Me Guet What I Want", do Smiths (sabe-se lá por quê). 

E aí está ela, divirtam-se.

Por La Calle (Canek Guevara / Tiago Lobão)


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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Inverno e Verão


Namoro de inverno é diferente do de verão.
No verão você usa biquini,
no inverno você usa roupão.

(sobre as diferenças do namoro de inverno e o de verão)