terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 18.05.08

O dia 18 de Maio de 2008, foi um dia muito especial, publiquei a minha primeira página de jornal, no Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, Paraná.

Mas considerando a imensidão de amigos que moram em locais onde o Umuarama Ilustrado não chega e sempre me pedem pra ler; considerando que, além dos amigos, existem várias pessoas que poderiam ser tocadas pelas mensagens da "Cultura & Arte"; estão aí, os PDF's do jornal, para que você, em qualquer parte do mundo, possa ler. Desde que leia o Português, obviamente.

As páginas serão disponibilizadas em posts distintos. Por motivos tecnológicos diversos, algumas edições não existem em PDF, só em papel mesmo e ficarão de fora (infelizmente, mas não tem jeito). Aproveito a chance para agradecer e dar créditos ao Magrão, o diagramador do jornal; ao Osmar, o editor e ao Ilídio, o Diretor Presidente do Ilustrado. Obrigado mesmo.

Bom, essa é a página inaugural, originalmente publicada em 18 de Maio de 2008.

Crônicas:
- O Medo das Letras
- Uma Manhã

Matérias:
- Dê-se a honra dessa dança (Festival de Dança da Unipar)
- Festival de Cannes 2008
- Seminário de Cinema de Umuarama

- Independente, seja um você também (Bandas Independentes de Umuarama)
- Agenda Cultural da Semana


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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Confluências, Conexões e Conseqüências.

É, tem horas em que tudo é mais metafísico do que o normal. Muito mesmo. Divirtam-se.

Noite passada, primeiro de Dezembro, aconteceu um fenômeno astrológico que se repete a cada 44 anos, agora só em 2052. Os atentos (ou desatentos) que andam por aí olhando para o céu, tiveram o prazer de se deparar com a Lua crescente entrando em conjunção com Vênus e Júpter. Eles formaram um lindo triângulo no céu, ou para os mais imaginativos, uma carinha triste, só que de ponta cabeça.

Taí a carinha tristonha...

Mas na Austrália, era um sorriso lindão!!!

Voltei do trabalho olhando para o céu, maravilhado. Cheguei em casa correndo e saí de casa correndo, só pra poder acompanhar o evento por mais tempo. Não deu certo, já passava das 22h e os planetas já não estavam mais tão visíveis. Só me restou ver a Lua, grande e alaranjada, já baixa no horizonte, se camuflando por trás das nuvens e das árvores até desaparecer do céu. Virei as costas e segui sem rumo pela mesma rua, meio sem saber pra onde ir.


Daqui pra frente, eu recomendo esta trilha sonora: Elvis Perkins - Moon Woman II. Aperte o play e curta a música enquanto lê o texto. Depois volte e veja as moças de biquini e o Anthony Perkins.

Eu caminhava ao som de Elvis Perkin e, quando percebi, havia chegado a um lugar onde, há um tempo atrás, eu perdi algumas coisas bonitas que eu tinha, uma dessas esquinas sujas de Umuarama. E ali, parado, não via mais sinal do meu holocausto, o cenário já havia voltado ao normal, a cidade já havia cicatrizado e as baratas e o lixo universitário já estavam novamente recolocados em seu lugar. Era tudo só na minha cabeça agora - ainda.

Olhei para o outro lado da rua, o vigia do posto de combustíveis estava se entretendo com algum bicho que estava no chão, me pareceu um rato meio grande, então o astigmatismo e a curiosidade me fizeram aproximar. Me deparei com um gambá que cambaleava, meio sem saber pra onde ir. Então o vigia me olhou e sorriu, eu olhei pra ele e sorri de volta. Ele levantou o pé e pisou com força na cabeça do gambá, esmagando-a contra o meio-fio, enquanto o bicho tentava voltar pra sarjeta e fugir pelo bueiro de onde havia saído. Virei as costas e voltei pelo mesmo caminho de onde eu havia chegado.

Depois daquilo decidi rumar pra casa. Enquanto eu caminhava e insistentemente ouvia o Elvis Perkins, meus neurônios fritavam tentando criar um contexto que ligasse tudo aquilo. E foi assim que eu percebi que é bem fácil se desfazer das coisas, de qualquer uma, deixá-las de lado ou destruí-las, mas isso acontece num mundo do qual eu ainda insisto em afastar de mim. Vi que concreto aceita tudo, absorve nossas sinas e pecados e finge que nada aconteceu, como muitas pessoas de carne e osso por aí. Que pisar na cabeça de um bicho é mais fácil do que chamar o agente da “Força Verde”, que estava no Bar Carioca tomando um café (sim, eu passei por lá), para tratar do assunto. Que Umuarama, às vezes, tem o que ensinar.

No fim, o erro do gambá foi o mesmo que o meu: ter saído de casa pra ver a lua. E o meu destino foi o mesmo que o dele: ter a cabeça esmagada contra o meio-fio. Mas falando em lua, estou até agora tentando achar uma interpretação ou conseqüência astrológica para essa conjunção de astros no céu. A moça do Jornal da Globo disse que ia ser um ótimo período para “Concretizar trabalhos antigos e consolidar novos”, principalmente pra quem é do signo de Capricórnio. Mesmo não achando explicação melhor, e muito menos sendo de Capricórnio, estou certo de que os fatos comprovam a previsão. É assim que voltamos à Lobservar.
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domingo, 3 de agosto de 2008

Nós somos os Super-Heróis




Quando mais novo eu sonhava em ser um Super-herói. Ter poderes incríveis e ser invencível. Desta forma poderia me defender dos “fortões-encrenqueiros” do colégio e impressionar as meninas. Ah, é claro, também ajudaria a fazer do mundo um lugar melhor, ajudando e defendendo a todos que precisassem de ajuda (e assim impressionaria ainda mais as meninas!). Mas a gente cresce e esses desejos acabam perdendo força, já que aprendemos que somos apenas humanos, falíveis e mortais.

Um dia descobri que existe uma forma simples de realizar aquele sonho antigo de ser herói. Bom, na realidade existem várias maneiras, o mundo precisa diariamente de boas pessoas fazendo boas ações, mas falarei de uma em particular, a Doação de Sangue.

Doar sangue é um ato de extraordinária nobreza e simplicidade. Não envolve dinheiro, não prejudica ao doador, já que sangue todos temos de sobra (diferentemente do dinheiro). É simples questão de um pouco de tempo e boa vontade, o que se pressupõe que todos temos.

A demanda por bolsas de sangue é diária e imensa, mas não existe estoque para tanto, pois não há doadores o suficiente. Nos hospitais do nosso Estado estão as vitimas da violência ou do trânsito, pacientes que passaram por cirurgias e diversas outras pessoas que, fatalmente, precisam repor sangue perdido. Mas o que há de se perceber é que, independente dos motivos, são todos seres-humanos precisando de ajuda. Uma ajuda viável e simples, que está literalmente em nossas mãos (e no resto do corpo).

Minha história pessoal como doador pode servir para inspirar alguém, então lá vai:


Sala de espera do Hemonúcleo de Umuarama.

Na semana seguinte do meu aniversário de 18 anos, idade mínima pra ser doador, corri ao hemocentro de Umuarama e fiz minha primeira doação. Tendo doar voluntariamente a cada seis meses, e sou sempre muito bem recebido por lá. Algumas vezes minha saúde não permite a doação, pois além da qualidade do sangue, existe a preocupação com a saúde e o bem estar do doador. Bom, isso não me desanima e continuo a comparecer no Hemocentro periodicamente. O procedimento é rápido: em menos de 40 minutos se preenche os formulários necessários, faz-se a entrevista e doa-se o sangue. Depois ainda rola um lanchinho gostoso que só os doadores sabem como é bom. E tem mais, alguns dias depois da doação, você recebe uma carteirinha de doador e um exame completíssimo do seu sangue. Tudo de graça.

Numa das vezes, enquanto estava tomando meu lanchinho e conversando com as enfermeiras após a doação, elas disseram que o meu sangue estava indo direto para o hospital, pois havia uma moça – casada e com filhos - muito necessitada do meu sangue, e que eu iria salvar sua vida. Saber que meu sangue fez com que filhos continuassem a ter uma mãe viva para abraçar, que um marido poderia continuar a dar um beijo de bom-dia na esposa amada e que dezenas de familiares e amigos não derramariam lágrimas, mas brindariam o dia com sorrisos, me fez ser invadido por um sentimento de missão cumprida, talvez o mesmo sentimento que o Super-homem ou o Batman sentem quando salvam alguém. Naquele momento eu, assim como eles, era um Super-humano.

Muitas pessoas vão doar sangue para repor o utilizado por algum conhecido, mas creio que o grande prazer está na doação voluntária. Ajudar a quem não se conhece, apenas pelo ato de ajudar. Qualquer pessoa com idade entre 18 e 65 anos, boa saúde, mais de 50 quilos, portando algum documento com foto, desde que esteja bem alimentado, pode se candidatar como doador. Não existe motivo para ter medo, o seu organismo não vai mudar, você não vai emagrecer (que peninha...) ou engordar (ufa!); seu sangue vai continuar igualzinho, talvez até melhor, pois a quantidade retirada vai ser renovada por células novas; o material utilizado no procedimento é completamente descartável e o atendimento é feito em um ambiente limpo e acompanhado por profissionais de saúde capacitados. A satisfação é garantida!


A equipe mais sorridente e prestativa do Paraná!

Sala de doações.


Se você sentiu uma vontade louca de salvar vidas e, como eu, acha que doar sangue não é o suficiente, converse com o pessoal do Hemocentro sobre a doação de Medula Óssea. Ali mesmo existem folhetos explicativos e muita gente que entende do assunto para te ajudar a salvar mais e mais pessoas de formas diferentes.

Lembrando também da doação de Órgãos e Tecidos, a qual pode ser feita através da simples manifestação de vontade do doador. Portanto, deixe todo mundo sabendo da sua vontade de ajudar. Visite o site: http://www.adote.org.br e se informe mais.

Salvar o mundo todo pode ser coisa para os heróis do gibi, mas garanto que você não vai fazer feio salvando algumas vidas.

Para quem interessar, o endereço do Hemonúcleo de Umuarama é: Av. Manaus, 4.444, esquina com a rua Desembargador Lauro Lopes, ao lado do Centro Cultural Schubert, no Centro Cívico. O atendimento é realizado das 8h às 12h e das 14h às 16h.


Apareça por lá!


Espalhe a idéia, coloque o banner abaixo em seu blog ou site!


e faça o link para este endereço:
http://lobservando.blogspot.com/2008/08/nos-somos-os-super-herois.html



Muito obrigado.


quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando as Memórias Ferem...

Há muito o que fazer
Lugares a chegarNão há muito o que dizerE o bastante a se pensar


Não os deixarei totalmente solitários, visistem sempre nosso novo site:


E como sempre, Vinícius vem com a palavra sob medida.
Um grande abraço e até breve.
(Sim, eu volto.)

Mensagem à Poesia
(Vinícius de Moraes)

Não posso
Não é possível

Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"

terça-feira, 16 de outubro de 2007

The Greystone Park, Beverly Hills, California

Após meses de estiagem, desembestou a chover aqui nessa terra Umuaramense. E aqui no isolado Noroeste do Paraná, Brasil, o cinza celeste, que reinou pelo fim de semana inteiro, fez ressurgir lembranças de um belo lugar da ensolarada Califórnia-do-céu-sempre-azul. Com um sol de rachar coco e um vento gelado de inverno, não existe clima mais perfeito do que o a primavera californiana. E é nesse contexto que um belo dia, andando por Beverly Hills, me deparei com um portão imponente que me chamou atenção.

905 Loma Vista Dr., esquina com a Doheny Rd.

Pensei comigo: “Sorte do sujeito que mora nessa casa!”. Segundos depois descubro que aquela mansão era nada mais do que a Mansão Greystone. Cercada por lindos jardins, é hoje um parque público, onde se pode passar ótimos momentos de “relax” lendo um livro, passeando com amigos (né, Nini?) ou simplesmente sentado olhando a beleza dos jardins e pensando na vida. Fui presenteado em poder fazer isso por algumas vezes. O local também é exaustivamente usado como locação para filmes, comerciais e ensaios fotográficos, segue uma lista no final do texto.

Respeitosa entrada.

A história de Greystone tem alguns detalhes não tão belos, mas envolve um enredo digno de Hollywood, talvez essa energia que a circunda e a beleza física do lugar o façam ser o que é: inesquecível.

Tudo começou em 1926, quando o magnata do petróleo Edward Lawerence Doheny doou 12.58 acres de uma propriedade na nova cidade de Beverly Hills, Califórnia para seu único filho Edward “Ned” Lawerence Doheny Junior. A propriedade original tinha 429 acres e foi a maior propriedade familiar da história de Beverly.

Greystone assim que ficou pronta, na década de 30.

E nesses belos 12.58 acres, na encosta da montanha, com uma linda vista para a cidade, foi construída a Mansão Greystone, ao custo total de U$ 3.135.563,63 (três milhões, cento e trinta e cinco mil, quinhentos e sessenta e três dólares e sessenta e três cents), o que garantiu à casa o título de mais cara da Califórnia por algum tempo. A construção começou em 15 de fevereiro de 1926 e terminou em 24 de setembro de 1928, quanto Ned mudou-se com sua esposa Lucy Smith Doheny, quatro filhos e uma filha.

Setenta e sete anos depois, tinha eu nesse mesmo portão!

A mansão é um “revival” da arquitetura inglesa. O interior é inspirado na estética do Século XVIII. O exterior é no estilo Gótico Inglês, marcado por grandes janelas; arcos em ponta e em ogiva; além de um pé direito generoso.Toda a parte externa é revestida de pedras de Calcário Indiana (Indiana Limestone) também conhecido como Calcário Salem ou Calcário Redford, que é considerado como o melhor tipo de calcário dos Estados Unidos, formado pelos depósitos sedimentares do Rio Mississipi, é proveniente da região entre as cidades de Bloomington e Redford, cidades do estado norte-americano de Indiana. Inclusive, o David Lee Roth eterno vocalista do Van Halen é um ilustre nascido em Bloomington. Tal calcário também foi usado no exterior de edifícios famosos, como o Empire State Building, em Nova York e o Edifício do Pentágono, em Washington. O telhado e outros detalhes são de Ardósia (Welsh Slate).

Foto do luxuoso interior da mansão na época dos Doheny.

Os responsáveis por tal esplendor foram o arquiteto norte americano Gordon B. Kaufman e o paisagista alemão, residente nos Estados Unidos, Paul G. Thiene.

Dizem que o nome da propriedade foi derivado da cor das pedras de calcário que a revestiam, mas fontes oficiais registram que o nome foi inspirado no da propriedade de um amigo da família, um jurista renomado chamado Samuel Untermyer. Tal propriedade, situada no interior do estado de Nova York, que hoje se chama Untermyer Park.

Tudo estava ótimo com os Doheny, até que em 16 de fevereiro de 1929, apenas quatro meses depois de se mudarem para nova casa, Ned Doheny foi encontrado morto em seu quarto e junto com ele, também morto, seu secretário Hugh Plunkett (para os mais mórbidos, vai aqui a foto da cena do crime). Essa história de homicídio-suicídio deu pano pra manga e ainda levanta muitas suspeitas sobre motivos mais obscuros, mas a explicação oficial é que Hugh assassinou seu patrão durante uma crise nervosa ou então estava irritadíssimo por não ter recebido um aumento de salário. A arma do crime pertencia à vítima. Vai saber a verdade...

Um fato curioso é que Ned Doheny não foi enterrado em um cemitério católico junto com o resto de sua família, pois havia indicativos de que Ned poderia ter cometido suicídio após matar Hugh e a igreja católica se recusava a enterrar suicidas naquela época, pois suicídio é contra os princípios católicos. Mais curioso ainda é que Ned foi enterrado no mesmo cemitério que Hugh, seu provável assassino. Não sendo suficiente o mesmo cemitério, ambos estão bem pertinho um do outro. A foto abaixo foi tirada no Forest Lawn Memorial Park, em Glendale, onde descançam nossos personagens (uma bela cidade da região metropolitana de Los Angeles)

É só subir a ladeira...

Do contrario de que algumas fontes informam, a família de Ned permaneceu um bom tempo na mansão após sua morte. Sua esposa continuou morando na propriedade até 1955, sendo que em 1932 já havia se casado com o banqueiro Leigh M. Battson, que foi morar em Greystone. E foi em no ano de 1955 que Lucy vendeu a casa para um Industrial de Chicago chamado Henry Crown que nunca morou na propriedade, mas teve a ótima idéia de alugar a propriedade para os estúdios de cinema de Hollywood. Inclusive a família Crown vem sempre tendo ótimas idéias, hoje os herdeiros de Henry são donos de parte de times como o Chicago Bulls e o New York Yankies, de prédios como o Rockfeller Center de Nova York e de ações da Rede Hilton de hotéis.

Greystone quase foi demolida em 1963 para que Henry Crown pudesse subdividir e vender a propriedade (desta vez uma idéia não tão boa), e foi nessa hora que a Prefeitura de Beverly Hills entrou em negociações que duraram até 1965 quando, finalmente foi adquirida pelo município ao preço de U$ 1.300.000,00 (um milhão e trezentos mil dólares). Criou-se então um comitê para estudar os possíveis usos da propriedade. Esse comitê alugou a propriedade para o recém formado “American Film Institute”, por U$ 1,00 o ano (!), mas o instituto ficaria encarregado da reforma da propriedade – ora, na terra do capitalismo de verdade, tudo tem um preço que merece.

E foi assim que em 1971, a cidade de Beverly Hills finalmente dedicou Greystone como um parque municipal, que hoje é utilizado nas mais variadas atividades culturais, artísticas, cívicas e particulares. Você pode alugar um ou mais jardins para uma festa, pode alugar um ou todos os quartos para filmar cenas do seu longa ou curta-metragem, fotografar, lançar um livro, um jantar, casamentos, aniversários, enfim, Greystone é do povo de Beverly Hills e é também reconhecido oficialmente como um marco histórico norte americano pelo Departamento Nacional de Registro de Lugares Históricos. E convenhamos, é um belo dum lugar histórico, recomendo a visita.

Aqui vai a lista de alguns filmes rodados na propriedade de Greystone, tomadas internas ou externas. Muitos deles contribuíram para transformar essa mansão de Beverly Hills na mansão que ilustra o imaginário coletivo de muita gente: Jumping Jack Flash; Garfield 2; A Morte Lhe Cai Bem; Os Caça Fatasmas; Stigmata; As Bruxas de Eastwick; Homem-Aranha 1 e 3; Charlie’s Angels Potência Máxima; X-Men; A Hora do Rush; O Grande Lebowsky; Air Force One; O Guarda Costas; Do Que as Mulheres Gostam; Ricos Bonitos e Infiéis; Batman e Robin; Proposta Indecente; Linhas Cruzadas; As filhas de Marvin e milhare de outros que podem ser encontrados pela internet afora em sites especializados. Aqui tem a lista do site oficial, mas eu vi que foram muito mais.

Além dos filmes muitos ensaios fotográficos e clipes musicais foram gravados por lá, um exemplo é esse clipe lindão do Elton John, a música é uma maravila e se chama "I Want Love", está no ótimo álbum "Songs from the West Coast", de 2001. Clipe estrelado por Robert Downey Jr. A alguns anos atrás quando conheci esse vídeo, sempre quis saber onde ficava essa casa bonita. O déjà vu foi de arrepiar!

Olhem a foto que tirei do interior da casa.

Agora vejam o clipe !

Aqui vai uma foto, num outro ponto de vista, da mesma escada, também na época dos Doheny.

Incrível, não é? Como muita coisa que pode acontecer na ensolarada Califórnia. Agora deixo vocês com algumas fotos do belo lugar onde pude passar essa tarde ensolarada com minha amigona do coração e roomate Émelin. Devidamente registrada.

Um grande abraço a todos os amigos que ficaram por L.A. e os que estão pelo Brasil afora.

Visite o site oficial do parque: http://www.greystonemansion.org/

Foto Post do Greystone Park


Um belo jardim de entrada.

E mais um outro belo jardim, inspirado no romantismo.

É pra sentar e ler um livro, tomar um sol, pensar na vida...

Andar devagar...

Refletir mais um pouco, aproveitar a paisagem...

E pensar mais um tiquinho na vida e adjacências...

"Sonhos de uma Noite de Verão"

Mais uns detalhes internos da casa.

E o pensamente voa longe...

...no pátio central.

Uma Charmosa Chaminé.

O telhado de Ardósia.

Detalhe lateral.

Mais um jardim.

Fauna e flora.

Lobservando...

O jardin lateral e a bela presença de Nini.

Hey! será que esse é o Rei?

O salão de festas.

A humilde vizinhança e a vista para Beverly Hills e Los Angeles.


A frente da casa, que confronta aquela vista alí de cima.

Pois no fim, o todo é um conjunto de detalhes.

Do Motivo


O ser humano é feito para procriar. Produz por hobby.