segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 22.06.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 22 de Junho de 2008.

Poesias:
- Gratidão [Tiago Inforzato]
- Poesia [José Carlos Gonçalves "Maranhão"]
- Guria Estranha [Thiago Calixto]
- Fina Sina I [Nevilton de Alencar Jr.]

Resenhas:

- Livro: Rimbaud na Africa - Os Ultimos Anos do Poeta no Exílio [por Charles Nicholl]
- Teatro: Amor e Loucura [Grupo Roda, de Salvador-BA]
- Ripa Na Xulipa com Nevilton e Coquetel Molotov [Bandas independentes de Umuarama]

- Agenda Cultural da Semana.



Cultura & Arte 15.06.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 15 de Junho de 2008.

Crônica:
- Pior ou Menos Pior?

Resenha:

- Rimbaud : Poesia Completa [Tradução de Ivo Barroso]

Matérias:
- Fun Station : O caixa eletrônico de música e vídeo digital.
- Oficina de Hip Hop em Umuarama.
- Agenda Cultural da Semana.


terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Cultura & Arte 25.05.08

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 25 de Maio de 2008.

Crônica:
- Quinze Minutos

Entrevista (por Ane Pacola):
- Dinho Leme (Baterista dos Mutantes)


Resenha:

- Piaf : Um Hino Ao Amor [La Mome, 2007]

Matéria:
- Renato Russo, um gravador e um violão (O CD do Trovador Solitário)
- Agenda Cultural da Semana.


Cultura & Arte 18.05.08

O dia 18 de Maio de 2008, foi um dia muito especial, publiquei a minha primeira página de jornal, no Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, Paraná.

Mas considerando a imensidão de amigos que moram em locais onde o Umuarama Ilustrado não chega e sempre me pedem pra ler; considerando que, além dos amigos, existem várias pessoas que poderiam ser tocadas pelas mensagens da "Cultura & Arte"; estão aí, os PDF's do jornal, para que você, em qualquer parte do mundo, possa ler. Desde que leia o Português, obviamente.

As páginas serão disponibilizadas em posts distintos. Por motivos tecnológicos diversos, algumas edições não existem em PDF, só em papel mesmo e ficarão de fora (infelizmente, mas não tem jeito). Aproveito a chance para agradecer e dar créditos ao Magrão, o diagramador do jornal; ao Osmar, o editor e ao Ilídio, o Diretor Presidente do Ilustrado. Obrigado mesmo.

Bom, essa é a página inaugural, originalmente publicada em 18 de Maio de 2008.

Crônicas:
- O Medo das Letras
- Uma Manhã

Matérias:
- Dê-se a honra dessa dança (Festival de Dança da Unipar)
- Festival de Cannes 2008
- Seminário de Cinema de Umuarama

- Independente, seja um você também (Bandas Independentes de Umuarama)
- Agenda Cultural da Semana


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domingo, 7 de dezembro de 2008

Há coisas que falam por si só.

Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.

A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.


Homem se fere durante 'sexo solitário'

A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.

A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.

De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.

Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.

Formas e mais formas de usar um óculos.
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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Confluências, Conexões e Conseqüências.

É, tem horas em que tudo é mais metafísico do que o normal. Muito mesmo. Divirtam-se.

Noite passada, primeiro de Dezembro, aconteceu um fenômeno astrológico que se repete a cada 44 anos, agora só em 2052. Os atentos (ou desatentos) que andam por aí olhando para o céu, tiveram o prazer de se deparar com a Lua crescente entrando em conjunção com Vênus e Júpter. Eles formaram um lindo triângulo no céu, ou para os mais imaginativos, uma carinha triste, só que de ponta cabeça.

Taí a carinha tristonha...

Mas na Austrália, era um sorriso lindão!!!

Voltei do trabalho olhando para o céu, maravilhado. Cheguei em casa correndo e saí de casa correndo, só pra poder acompanhar o evento por mais tempo. Não deu certo, já passava das 22h e os planetas já não estavam mais tão visíveis. Só me restou ver a Lua, grande e alaranjada, já baixa no horizonte, se camuflando por trás das nuvens e das árvores até desaparecer do céu. Virei as costas e segui sem rumo pela mesma rua, meio sem saber pra onde ir.


Daqui pra frente, eu recomendo esta trilha sonora: Elvis Perkins - Moon Woman II. Aperte o play e curta a música enquanto lê o texto. Depois volte e veja as moças de biquini e o Anthony Perkins.

Eu caminhava ao som de Elvis Perkin e, quando percebi, havia chegado a um lugar onde, há um tempo atrás, eu perdi algumas coisas bonitas que eu tinha, uma dessas esquinas sujas de Umuarama. E ali, parado, não via mais sinal do meu holocausto, o cenário já havia voltado ao normal, a cidade já havia cicatrizado e as baratas e o lixo universitário já estavam novamente recolocados em seu lugar. Era tudo só na minha cabeça agora - ainda.

Olhei para o outro lado da rua, o vigia do posto de combustíveis estava se entretendo com algum bicho que estava no chão, me pareceu um rato meio grande, então o astigmatismo e a curiosidade me fizeram aproximar. Me deparei com um gambá que cambaleava, meio sem saber pra onde ir. Então o vigia me olhou e sorriu, eu olhei pra ele e sorri de volta. Ele levantou o pé e pisou com força na cabeça do gambá, esmagando-a contra o meio-fio, enquanto o bicho tentava voltar pra sarjeta e fugir pelo bueiro de onde havia saído. Virei as costas e voltei pelo mesmo caminho de onde eu havia chegado.

Depois daquilo decidi rumar pra casa. Enquanto eu caminhava e insistentemente ouvia o Elvis Perkins, meus neurônios fritavam tentando criar um contexto que ligasse tudo aquilo. E foi assim que eu percebi que é bem fácil se desfazer das coisas, de qualquer uma, deixá-las de lado ou destruí-las, mas isso acontece num mundo do qual eu ainda insisto em afastar de mim. Vi que concreto aceita tudo, absorve nossas sinas e pecados e finge que nada aconteceu, como muitas pessoas de carne e osso por aí. Que pisar na cabeça de um bicho é mais fácil do que chamar o agente da “Força Verde”, que estava no Bar Carioca tomando um café (sim, eu passei por lá), para tratar do assunto. Que Umuarama, às vezes, tem o que ensinar.

No fim, o erro do gambá foi o mesmo que o meu: ter saído de casa pra ver a lua. E o meu destino foi o mesmo que o dele: ter a cabeça esmagada contra o meio-fio. Mas falando em lua, estou até agora tentando achar uma interpretação ou conseqüência astrológica para essa conjunção de astros no céu. A moça do Jornal da Globo disse que ia ser um ótimo período para “Concretizar trabalhos antigos e consolidar novos”, principalmente pra quem é do signo de Capricórnio. Mesmo não achando explicação melhor, e muito menos sendo de Capricórnio, estou certo de que os fatos comprovam a previsão. É assim que voltamos à Lobservar.
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domingo, 3 de agosto de 2008

Nós somos os Super-Heróis




Quando mais novo eu sonhava em ser um Super-herói. Ter poderes incríveis e ser invencível. Desta forma poderia me defender dos “fortões-encrenqueiros” do colégio e impressionar as meninas. Ah, é claro, também ajudaria a fazer do mundo um lugar melhor, ajudando e defendendo a todos que precisassem de ajuda (e assim impressionaria ainda mais as meninas!). Mas a gente cresce e esses desejos acabam perdendo força, já que aprendemos que somos apenas humanos, falíveis e mortais.

Um dia descobri que existe uma forma simples de realizar aquele sonho antigo de ser herói. Bom, na realidade existem várias maneiras, o mundo precisa diariamente de boas pessoas fazendo boas ações, mas falarei de uma em particular, a Doação de Sangue.

Doar sangue é um ato de extraordinária nobreza e simplicidade. Não envolve dinheiro, não prejudica ao doador, já que sangue todos temos de sobra (diferentemente do dinheiro). É simples questão de um pouco de tempo e boa vontade, o que se pressupõe que todos temos.

A demanda por bolsas de sangue é diária e imensa, mas não existe estoque para tanto, pois não há doadores o suficiente. Nos hospitais do nosso Estado estão as vitimas da violência ou do trânsito, pacientes que passaram por cirurgias e diversas outras pessoas que, fatalmente, precisam repor sangue perdido. Mas o que há de se perceber é que, independente dos motivos, são todos seres-humanos precisando de ajuda. Uma ajuda viável e simples, que está literalmente em nossas mãos (e no resto do corpo).

Minha história pessoal como doador pode servir para inspirar alguém, então lá vai:


Sala de espera do Hemonúcleo de Umuarama.

Na semana seguinte do meu aniversário de 18 anos, idade mínima pra ser doador, corri ao hemocentro de Umuarama e fiz minha primeira doação. Tendo doar voluntariamente a cada seis meses, e sou sempre muito bem recebido por lá. Algumas vezes minha saúde não permite a doação, pois além da qualidade do sangue, existe a preocupação com a saúde e o bem estar do doador. Bom, isso não me desanima e continuo a comparecer no Hemocentro periodicamente. O procedimento é rápido: em menos de 40 minutos se preenche os formulários necessários, faz-se a entrevista e doa-se o sangue. Depois ainda rola um lanchinho gostoso que só os doadores sabem como é bom. E tem mais, alguns dias depois da doação, você recebe uma carteirinha de doador e um exame completíssimo do seu sangue. Tudo de graça.

Numa das vezes, enquanto estava tomando meu lanchinho e conversando com as enfermeiras após a doação, elas disseram que o meu sangue estava indo direto para o hospital, pois havia uma moça – casada e com filhos - muito necessitada do meu sangue, e que eu iria salvar sua vida. Saber que meu sangue fez com que filhos continuassem a ter uma mãe viva para abraçar, que um marido poderia continuar a dar um beijo de bom-dia na esposa amada e que dezenas de familiares e amigos não derramariam lágrimas, mas brindariam o dia com sorrisos, me fez ser invadido por um sentimento de missão cumprida, talvez o mesmo sentimento que o Super-homem ou o Batman sentem quando salvam alguém. Naquele momento eu, assim como eles, era um Super-humano.

Muitas pessoas vão doar sangue para repor o utilizado por algum conhecido, mas creio que o grande prazer está na doação voluntária. Ajudar a quem não se conhece, apenas pelo ato de ajudar. Qualquer pessoa com idade entre 18 e 65 anos, boa saúde, mais de 50 quilos, portando algum documento com foto, desde que esteja bem alimentado, pode se candidatar como doador. Não existe motivo para ter medo, o seu organismo não vai mudar, você não vai emagrecer (que peninha...) ou engordar (ufa!); seu sangue vai continuar igualzinho, talvez até melhor, pois a quantidade retirada vai ser renovada por células novas; o material utilizado no procedimento é completamente descartável e o atendimento é feito em um ambiente limpo e acompanhado por profissionais de saúde capacitados. A satisfação é garantida!


A equipe mais sorridente e prestativa do Paraná!

Sala de doações.


Se você sentiu uma vontade louca de salvar vidas e, como eu, acha que doar sangue não é o suficiente, converse com o pessoal do Hemocentro sobre a doação de Medula Óssea. Ali mesmo existem folhetos explicativos e muita gente que entende do assunto para te ajudar a salvar mais e mais pessoas de formas diferentes.

Lembrando também da doação de Órgãos e Tecidos, a qual pode ser feita através da simples manifestação de vontade do doador. Portanto, deixe todo mundo sabendo da sua vontade de ajudar. Visite o site: http://www.adote.org.br e se informe mais.

Salvar o mundo todo pode ser coisa para os heróis do gibi, mas garanto que você não vai fazer feio salvando algumas vidas.

Para quem interessar, o endereço do Hemonúcleo de Umuarama é: Av. Manaus, 4.444, esquina com a rua Desembargador Lauro Lopes, ao lado do Centro Cultural Schubert, no Centro Cívico. O atendimento é realizado das 8h às 12h e das 14h às 16h.


Apareça por lá!


Espalhe a idéia, coloque o banner abaixo em seu blog ou site!


e faça o link para este endereço:
http://lobservando.blogspot.com/2008/08/nos-somos-os-super-herois.html



Muito obrigado.


quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando as Memórias Ferem...

Há muito o que fazer
Lugares a chegarNão há muito o que dizerE o bastante a se pensar


Não os deixarei totalmente solitários, visistem sempre nosso novo site:


E como sempre, Vinícius vem com a palavra sob medida.
Um grande abraço e até breve.
(Sim, eu volto.)

Mensagem à Poesia
(Vinícius de Moraes)

Não posso
Não é possível

Digam-lhe que é totalmente impossível
Agora não pode ser
É impossível
Não posso.
Digam-lhe que estou tristíssimo, mas não posso ir esta noite ao seu encontro.

Contem-lhe que há milhões de corpos a enterrar
Muitas cidades a reerguer, muita pobreza pelo mundo.
Contem-lhe que há uma criança chorando em alguma parte do mundo
E as mulheres estão ficando loucas, e há legiões delas carpindo
A saudade de seus homens; contem-lhe que há um vácuo
Nos olhos dos párias, e sua magreza é extrema; contem-lhe
Que a vergonha, a desonra, o suicídio rondam os lares, e é preciso reconquistar a vida
Façam-lhe ver que é preciso eu estar alerta, voltado para todos os caminhos
Pronto a socorrer, a amar, a mentir, a morrer se for preciso.
Ponderem-lhe, com cuidado – não a magoem... – que se não vou
Não é porque não queira: ela sabe; é porque há um herói num cárcere
Há um lavrador que foi agredido, há um poça de sangue numa praça.
Contem-lhe, bem em segredo, que eu devo estar prestes, que meus
Ombros não se devem curvar, que meus olhos não se devem
Deixar intimidar, que eu levo nas costas a desgraça dos homens
E não é o momento de parar agora; digam-lhe, no entanto
Que sofro muito, mas não posso mostrar meu sofrimento
Aos homens perplexos; digam-lhe que me foi dada
A terrível participação, e que possivelmente
Deverei enganar, fingir, falar com palavras alheias
Porque sei que há, longínqua, a claridade de uma aurora.
Se ela não compreender, oh procurem convencê-la
Desse invencível dever que é o meu; mas digam-lhe
Que, no fundo, tudo o que estou dando é dela, e que me
Dói ter de despojá-la assim, neste poema; que por outro lado
Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento
Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado
Há fome e mentira; e um pranto de criança sozinha numa estrada
Junto a um cadáver de mãe: digam-lhe que há
Um náufrago no meio do oceano, um tirano no poder, um homem
Arrependido; digam-lhe que há uma casa vazia
Com um relógio batendo horas; digam-lhe que há um grande
Aumento de abismos na terra, há súplicas, há vociferações
Há fantasmas que me visitam de noite
E que me cumpre receber, contem a ela da minha certeza
No amanhã
Que sinto um sorriso no rosto invisível da noite
Vivo em tensão ante a expectativa do milagre; por isso
Peçam-lhe que tenha paciência, que não me chame agora
Com a sua voz de sombra; que não me faça sentir covarde
De ter de abandoná-la neste instante, em sua imensurável
Solidão, peçam-lhe, oh peçam-lhe que se cale
Por um momento, que não me chame
Porque não posso ir
Não posso ir
Não posso.

Mas não a traí. Em meu coração
Vive a sua imagem pertencida, e nada direi que possa
Envergonhá-la. A minha ausência.
É também um sortilégio
Do seu amor por mim. Vivo do desejo de revê-Ia
Num mundo em paz. Minha paixão de homem
Resta comigo; minha solidão resta comigo; minha
Loucura resta comigo. Talvez eu deva
Morrer sem vê-Ia mais, sem sentir mais
O gosto de suas lágrimas, olhá-la correr
Livre e nua nas praias e nos céus
E nas ruas da minha insônia. Digam-lhe que é esse
O meu martírio; que às vezes
Pesa-me sobre a cabeça o tampo da eternidade e as poderosas
Forças da tragédia abastecem-se sobre mim, e me impelem para a treva
Mas que eu devo resistir, que é preciso...
Mas que a amo com toda a pureza da minha passada adolescência
Com toda a violência das antigas horas de contemplação extática
Num amor cheio de renúncia. Oh, peçam a ela
Que me perdoe, ao seu triste e inconstante amigo
A quem foi dado se perder de amor pelo seu semelhante
A quem foi dado se perder de amor por uma pequena casa
Por um jardim de frente, por uma menininha de vermelho
A quem foi dado se perder de amor pelo direito
De todos terem um pequena casa, um jardim de frente
E uma menininha de vermelho; e se perdendo
Ser-lhe doce perder-se...
Por isso convençam a ela, expliquem-lhe que é terrível
Peçam-lhe de joelhos que não me esqueça, que me ame
Que me espere, porque sou seu, apenas seu; mas que agora
É mais forte do que eu, não posso ir
Não é possível
Me é totalmente impossível
Não pode ser não
É impossível
Não posso.

in Antologia Poética
in Poesia completa e prosa: "O encontro do cotidiano"