Crônica: - O Que Separa os Adultos das Crianças. Resenha: - "Alcool, muito Alcool, Rock, Muito Rock!!!" [Rock Independente, Ripa Na Xulipa, Woollomgabbas em Umuarama] - O Maior Romance Já Escrito - Os Irmãos Karamazov de Dostoievsky [por Bruno Peguim]
Crônica: - Um Final. Resenha: - O Liquidificador, o Aerocirco e as devidas proporções para um bolo bacana [por Nevilton de Alencar] - Paraíso do Rock [Festival; Bandas Independentes do PR e SC]
Poesias: - Gratidão [Tiago Inforzato] - Poesia [José Carlos Gonçalves "Maranhão"] - Guria Estranha [Thiago Calixto] - Fina Sina I [Nevilton de Alencar Jr.] Resenhas: - Livro: Rimbaud na Africa - Os Ultimos Anos do Poeta no Exílio [por Charles Nicholl] - Teatro: Amor e Loucura [Grupo Roda, de Salvador-BA] - Ripa Na Xulipa com Nevilton e Coquetel Molotov [Bandas independentes de Umuarama]
O dia 18 de Maio de 2008, foi um dia muito especial, publiquei a minha primeira página de jornal, no Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, Paraná.
Mas considerando a imensidão de amigos que moram em locais onde o Umuarama Ilustrado não chega e sempre me pedem pra ler; considerando que, além dos amigos, existem várias pessoas que poderiam ser tocadas pelas mensagens da "Cultura & Arte"; estão aí, os PDF's do jornal, para que você, em qualquer parte do mundo, possa ler. Desde que leia o Português, obviamente.
As páginas serão disponibilizadas em posts distintos. Por motivos tecnológicos diversos, algumas edições não existem em PDF, só em papel mesmo e ficarão de fora (infelizmente, mas não tem jeito). Aproveito a chance para agradecer e dar créditos ao Magrão, o diagramador do jornal; ao Osmar, o editor e ao Ilídio, o Diretor Presidente do Ilustrado. Obrigado mesmo.
Bom, essa é a página inaugural, originalmente publicada em 18 de Maio de 2008.
Crônicas: - O Medo das Letras - Uma Manhã
Matérias: - Dê-se a honra dessa dança (Festival de Dança da Unipar) - Festival de Cannes 2008 - Seminário de Cinema de Umuarama - Independente, seja um você também (Bandas Independentes de Umuarama) - Agenda Cultural da Semana
Os jornais locais podem oferecer uma boa quantidade de diversão para os mais atentos. A muito tempo atrás eu achei essa matéria e deixei guardado nos meus links favoritos para compor alguma crônica. Entretanto, o fato é tão interessante por si só (pra não dizer trágico), que merece ser publicado na íntegra. Pena que eu não consegui achar a data da matéria, mas as pistas que eu tenho indicam que tudo aconteceu por volta de Novembro de 2007.
A matéria é de Cleverson Zanquetti, repórter do Jornal Umuarama Ilustrado, aqui de Umuarama, o mesmo periódico para o qual eu escrevo a página "Cultura & Arte", aos domingos. Divirtam-se.
Homem se fere durante 'sexo solitário'
A necessidade aliada à solidão levou o vendedor autônomo, morador do Conjunto Guarani, de iniciais D.F., 45, a uma situação constrangedora. Com um óculos, D.F. praticava sexo solitário, quando acabou se ferindo e teve de ser socorrido pelos plantonistas do Corpo de Bombeiros (C.B.), de Umuarama.
A ocorrência inusitada ocorreu na tarde do último domingo. O homem foi levado ao hospital com ferimentos considerados graves. No início da noite de ontem os atendentes do hospital não quiseram repassar informações sobre o estado do paciente.
De acordo com os bombeiros o chamado de socorro foi feito pela vítima. Ao chegar no local os bombeiros disseram que o homem havia enrolado seu pênis em uma toalha. Nenhum dos socorristas quis falar ou assumiu a responsabilidade pelo atendimento. Alguns chegaram a dizer que a vítima não permitiu que eles a examinassem.
Na casa da vítima os bombeiros disseram ter encontrado um óculos sem as lentes. Eles acreditam que o homem tenha se ferido enquanto se masturbava. Durante todo o percurso, até o hospital, D.F., mesmo questionado por diversas vezes, não conversou com os bombeiros. Ele só tinha atenção para a toalha ensopada de sangue que escondia o resultado de uma insana aventura sexual.
É, tem horas em que tudo é mais metafísico do que o normal. Muito mesmo. Divirtam-se.
Noite passada, primeiro de Dezembro, aconteceu um fenômeno astrológico que se repete a cada 44 anos, agora só em 2052. Os atentos (ou desatentos) que andam por aí olhando para o céu, tiveram o prazer de se deparar com a Lua crescente entrando em conjunção com Vênus e Júpter. Eles formaram um lindo triângulo no céu, ou para os mais imaginativos, uma carinha triste, só que de ponta cabeça.
Taí a carinha tristonha...
Mas na Austrália, era um sorriso lindão!!!
Voltei do trabalho olhando para o céu, maravilhado. Cheguei em casa correndo e saí de casa correndo, só pra poder acompanhar o evento por mais tempo. Não deu certo, já passava das 22h e os planetas já não estavam mais tão visíveis. Só me restou ver a Lua, grande e alaranjada, já baixa no horizonte, se camuflando por trás das nuvens e das árvores até desaparecer do céu. Virei as costas e segui sem rumo pela mesma rua, meio sem saber pra onde ir.
Daqui pra frente, eu recomendo esta trilha sonora: Elvis Perkins - Moon Woman II. Aperte o play e curta a música enquanto lê o texto. Depois volte e veja as moças de biquini e o Anthony Perkins.
Eu caminhava ao som de Elvis Perkin e, quando percebi, havia chegado a um lugar onde, há um tempo atrás, eu perdi algumas coisas bonitas que eu tinha, uma dessas esquinas sujas de Umuarama. E ali, parado, não via mais sinal do meu holocausto, o cenário já havia voltado ao normal, a cidade já havia cicatrizado e as baratas e o lixo universitário já estavam novamente recolocados em seu lugar. Era tudo só na minha cabeça agora - ainda.
Olhei para o outro lado da rua, o vigia do posto de combustíveis estava se entretendo com algum bicho que estava no chão, me pareceu um rato meio grande, então o astigmatismo e a curiosidade me fizeram aproximar. Me deparei com um gambá que cambaleava, meio sem saber pra onde ir. Então o vigia me olhou e sorriu, eu olhei pra ele e sorri de volta. Ele levantou o pé e pisou com força na cabeça do gambá, esmagando-a contra o meio-fio, enquanto o bicho tentava voltar pra sarjeta e fugir pelo bueiro de onde havia saído. Virei as costas e voltei pelo mesmo caminho de onde eu havia chegado.
Depois daquilo decidi rumar pra casa. Enquanto eu caminhava e insistentemente ouvia o Elvis Perkins, meus neurônios fritavam tentando criar um contexto que ligasse tudo aquilo. E foi assim que eu percebi que é bem fácil se desfazer das coisas, de qualquer uma, deixá-las de lado ou destruí-las, mas isso acontece num mundo do qual eu ainda insisto em afastar de mim. Vi que concreto aceita tudo, absorve nossas sinas e pecados e finge que nada aconteceu, como muitas pessoas de carne e osso por aí. Que pisar na cabeça de um bicho é mais fácil do que chamar o agente da “Força Verde”, que estava no Bar Carioca tomando um café (sim, eu passei por lá), para tratar do assunto. Que Umuarama, às vezes, tem o que ensinar.
No fim, o erro do gambá foi o mesmo que o meu: ter saído de casa pra ver a lua. E o meu destino foi o mesmo que o dele: ter a cabeça esmagada contra o meio-fio. Mas falando em lua, estou até agora tentando achar uma interpretação ou conseqüência astrológica para essa conjunção de astros no céu. A moça do Jornal da Globo disse que ia ser um ótimo período para “Concretizar trabalhos antigos e consolidar novos”, principalmente pra quem é do signo de Capricórnio. Mesmo não achando explicação melhor, e muito menos sendo de Capricórnio, estou certo de que os fatos comprovam a previsão. É assim que voltamos à Lobservar. .