Até que se prove o contrário.
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
sexta-feira, 31 de outubro de 2014
A Travessa dos Prazeres
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foto por João Santos
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Enquanto caminhava docemente pelas íngremes e estreitas ruas do centro histórico, Agnes apreciava atentamente cada detalhe ao seu redor. Adorava ver os novos rostos das pessoas que passavam por aquele caminho que ela fazia diariamente, e era interessante notar que a cada novo dia novas coisas se colocavam diante seus olhos, como se nunca tivessem estado lá, mas eram tão velhas quanto o cenário.
Por três vezes durante a semana, a menina palmilhava o percurso, por vielas e escadarias, ruas de paralelepípedos, algumas estreitas outras um pouco maiores, cercadas pelos casarões. Ia subindo pelo caminho até que aquela pequena rua se transformava num largo majestoso, com um chafariz no centro, era o mercado dos ambulantes, a melhor parte da viagem. Sentia os aromas sutis das ervas e flores nas bancas; das pessoas perfumadas ou não; a gritaria na competição pelo freguês e todo aquele emaranhado de sensações caoticamente absorvidas pelos seus cinco sentidos de apenas nove anos de existência. Morava na vizinhança, e sua mãe não via problema em deixá-la ir sozinha até o prédio da Companhia Municipal de Ballet, onde praticava a dança.
Num destes dias, pelo canto dos olhos, Agnes reparou que alguma coisa em meio a todas aquelas cores se movimentava ao seu compasso, porém envolto nas sombras dos becos e vielas à sua direita. A sensação de ser protagonista de uma cena, criada nas retinas de outra pessoa, fez a menina inquietar-se. Com os olhos, e sutilmente com a cabeça – para não chamar atenção – vasculhava os arredores até onde sua visão alcançava, até que depois de alguns minutos pode encarar o seu observador, uma visão estranha.
Esguio, com uma cartola marron escura que o fazia ficar ainda maior. Não via detalles de seu rosto, apenas um bigode fino e enrolado na ponta, como aquele do Dick Vigarista dos desenhos animados. Vestia um casaco que ia até os joelhos, azul escuro, quase violeta, com botões dourados e uma calça de um marron indefinível. Mas o que interessou a menina foram as dezenas de balões coloridos que o moço portava. Ele a chamou com os dedos e abriu um sorriso bastante convidativo.
Agnes rumou em direção ao desconhecido, ignorando o que sua mãe sempre lhe dissera sobre esses tais desconhecidos. Foi se aproximando e pôde perceber um brilho, que mais parecia dois palitos de fósforo, nos olhos negros da figura. Eram, por incrível que pareça, encantadores.
- Olá, linda garotinha! Aceita um balão bem bonito? – disse o moço.
- Oi, moço, quero sim! Quero aquele amarelo! Como é seu nome, moço?
- Ah sim, o amarelo! Voilá, aqui está, e leve mais esse lilás pra acompanhar.
- Muito obrigada, mas... quem é você? Porque essa roupa diferente? Você não sente calor? Você não...
- Ora, quantas perguntas, garotinha... uma por vez, por favor, senão fica impossível! – disse, gargalhando, o figura - Vou lhe dizer, primeiro, o meu nome.
O sujeito se abaixou e cochichou seu nome ao ouvido da jovenzinha. Assim que terminou, o rosto infantil e cheio de vida se transformou numa expressão atônita, os olhos, antes curiosos, sequer se moviam. Os balões, soltaram-se de suas mãozinhas e flutuaram ao infinito do céu, especialmente azul naquele dia de primavera.
- Agora é só me acompanhar, pequena Agnes. – Sentenciou sombriamente o sujeito.
Segurou na mão da menina, virou-se para dentro da viela e pôs-se a andar, levando a garotinha junto. Alguns passos depois os dois desapareceram nas sombras, como se jamais tivessem existido. Daquele dia em diante a ausência de Agnes foi dolorosamente sentida e jamais curada.
Fato interessante é que, depois do sobrenatural ocorrido, todos os anos, no mesmo dia e hora, pode se ouvir por alguns segundos, ecoando na Travessa dos Prazeres, os passos de uma cabra.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Receita de Empanada
Empanadas Gosky
por Edward Lear
Pegue um porco de 3 ou 4 anos de idade e o amarre pelas patas traseiras à um poste. Coloque 3 quilos de uvas passas, 1 de açúcar, 2 punhados de ervilhas, 18 castanhas assadas, uma vela, e 6 baldes de nabo, à uma distância na qual ele possa alcançar. Caso ele coma tudo, providencie mais, constantemente.
Então, junte um pouco de nata, algumas fatias de queijo Cheshire, 4 cadernos de papel ofício, e um saco de alfinetes pretos. Transforme tudo numa massa e espalhe para secar num lençol limpo de linho marrom.
Quando a massa estiver perfeitamente seca, mas não antes disso, comece a bater violentamente no porco com um cabo de vassoura grande. Se ele guinchar, bata nele outra vez.
Olhe a massa e bata no porco alternadamente por alguns dias, verificando se, no final deste período, ambos estão se transformando em Empadas Gosky. Caso não estejam, nunca irão; e, nesse caso, solte o porco, jogue a massa fora, e considere o processo todo terminado.
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Desde Aristóteles à Berthold Brecht, muitos já postularam sobre o exercício dilacerante da criação e de como minimizar a dor, mas não o trabalho, apontando métodos e dicas para os aspirantes a grandes mentes criativas. Sei que já falei sobre isso há algumas semanas atrás, ao citar a "Arte de Escrever" de Schoppenhauer, uma traumática coletânea de "dicas para escritores", mas que vale uma leitura cuidadosa. E, caso se interesse em melhorar seu estilo de escrever, experiência menos traumática é a leitura do "Decálogo do Perfeito Contista", escrita pelo argentino Horácio Quiroga.
É claro e evidente, feito o sol, que não tenho sequer a altura de uma molécula perto destes gigantes do pensamento e da literatura, inclusive, me imagino agora, feito um mini Plankton do Bob Esponja (vide foto abaixo), ao lado da sola das sandálias do Aristóteles ou dos sapatos do Schopenhauer, gritando por atenção e implorando por qualquer fiapo daquela sabedoria toda. Longe de mim tentar esgotar o assunto ou chegar a qualquer conclusão muito profunda, mas quando me deparei com uma receita tão interessante e perturbadora como a das Empanadas Gosky, tive que compartilhar.
É claro e evidente, feito o sol, que não tenho sequer a altura de uma molécula perto destes gigantes do pensamento e da literatura, inclusive, me imagino agora, feito um mini Plankton do Bob Esponja (vide foto abaixo), ao lado da sola das sandálias do Aristóteles ou dos sapatos do Schopenhauer, gritando por atenção e implorando por qualquer fiapo daquela sabedoria toda. Longe de mim tentar esgotar o assunto ou chegar a qualquer conclusão muito profunda, mas quando me deparei com uma receita tão interessante e perturbadora como a das Empanadas Gosky, tive que compartilhar.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
Música Pavê : Músicos e Escritores
DICA: TRÊS LIVROS NOVOS DE MÚSICOS
por André Felipe de Medeiros @ 23/10/2014
Tem gente que é criativa e há também aqueles que são a própria criatividade e não se contentam em trabalhar apenas uma linguagem artística, daí termos tantos músicos que são também atores, fotógrafos, pintores, bailarinos, chefs (também é arte!) ou o que quer que seja. E muitos deles, como Vinicius e Chico, se aventuram também na escrita.
Eis aqui três exemplos, cada um de uma área da literatura, de músicos brasileiros do cenário independente que nos mostraram seus lados de escritor em 2014.
##Danislau (Porcas Borboletas) - Hotel Rodoviário
Sai em 22 de novembro o romance que o vocalista do grupo escreveu. Segundo o release, ele conta a história de Jim da Silva, um ator pornô, narrador de strip tease e padre foragido inspirado em Jim Morrison, além de também cantar em uma banda. A história viaja do interior de Minas ao México, mostrando o anti-herói em um universo que mistura o faraoeste a Bukowski. O lançamento aconceterá durante o evento Balada Literária em São Paulo.
“Pensando bem, preciso cometer a grosseria de afirmar: a stripper não é assim tão necessária. Confesso que já cheguei a narrar alguns strips na ausência da moça. Mulher, você já viu: pode cismar por um motivo besta e iniciar uma greve a qualquer momento. Já me aconteceu. Não tive problemas, narrei um strip-tease inexistente. Fui obrigado a praticar uma narração mais objetiva, o que não está muito a meu gosto, mas tudo bem. A plateia delirou. Ver e imaginar, o amigo sabe, são duas pernas de um mesmo caminhar.”
##Tiago Lobão (Nevilton) - O Pretérito Presente no Subjetivo
Esta dica já passou por aqui há algumas semanas em uma matéria mais completa, mas vale reforçar o assunto. O livro de poemas revira o passado do artista, trazendo seus fantasmas, saudades e cicatrizes à tona em versos que esbanjam ritmo e musicalidade que o fizeram conhecido no meio, além de uma sinceridade nas palavras que faz ainda mais sentido pra quem já o viu pessoalmente, em cima do palco ou em qualquer outra situação. Para saber mais, visite seu blog.
“O alívio do justo é tão fugaz,
quanto é rasteira a vida, que faz
troça da boaventurança,
e ainda vem-me roubar a rima”
##Matheus Brant - A Música e o Vazio no Trabalho
Além de músico, Brant é também advogado e esta obra surgiu durante seu mestrado em Direito do Trabalho. Trata-se de uma reflexão baseada na obra da filósofa Hannah Arendt sobre, principalmente, o papel da arte em um mundo regido pelo trabalho. Como se não bastasse, o livro vem com cinco músicas compostas para ele, expondo suas ideias de maneira poética, e cada uma delas recebeu uma ilustração da artista Deborah Paiva (tem todas neste álbum e as músicas estão na playlist abaixo). Saiba mais no site de Matheus Brant.
“Arendt situa a obra de arte e, portanto, os ‘talentos do artista’ no âmbito da atividade que denomina ‘obra’. Assim como o ‘trabalho’, a ‘obra’ possui características próprias e em tudo, senão contrária ao ‘trabalho’, ao menos completamente diferente deste, a não ser, naturalmente, pelo fato de que ambos ao lado da ação, fazem parte da vita activa e correspondem, cada um à sua maneira, à ‘condição básica sob a qual a vida foi dada ao homem na Terra’.”
quarta-feira, 22 de outubro de 2014
Natural, como respirar
Garimpando na minha caixa de e-mail, me deparei com uma correspondência entre mim e uma amiga que, naquela época, se sentia ansiosa com as mil coisas que já estavam planejadas e que poderiam acontecer nos próximos meses, mas não tinha muito pra fazer agora, exceto esperar. Como era uma pessoa muito ativa, resolvida e não menos ansiosa, esperar não era sua praia, se sentia perdida e meio triste, sem saber o que fazer.
Eu poderia ter feito como a maioria das pessoas faz e usar daquela solidariedade automática, também chorar minhas pitangas, dizendo que "ah, pois é, eu também tô cheio de problemas... essa vida é uma loucura mesmo! Ah, que mundo cruel!". Mas pensei: que tipo de amigo seria eu que, ao invés de confortar, elevando a outra pessoa para um nível mais alto, onde ela possa ver mais longe e se sentir melhor e mais segura com o futuro; também me jogo no buraco para chorarmos juntos e não sairmos mais dali?
Não respondi o e-mail de imediato. Fiz um chá e fiquei olhando a noite pela janela, meditando. Era madrugada, a Rua da Consolação, que outrora estava lotada de carros, agora estava vazia e assim ficaria até o amanhecer; a lua não estava mais cheia, cumpria sua sina de ir sumindo dia após dia para desaparecer completamente durante a lua nova e depois voltar a crescer até atingir a fase cheia outra vez; olhei os vultos das árvores balançando com o vento que as jogavam pra um lado e para o outro, constantemente, quase que no ritmo da minha respiração que enchia e esvaziava meus pulmões de ar, num ciclo infinito e constante, mas sempre com uma pausa entre o final do encher e o início do esvaziar. Mas, em tudo o que tinha observado havia esse momento de ausência de movimento entre as fases dos ciclos. Ora, ausência de movimento é bem o período em que minha amiga estava e, pelo que me parece - e pelo que consta nas leis da Física sobre Movimento -, é bem natural que isso aconteça.
Mesmo sendo a 3ª lei de Newton e o Movimento Pendular de Galileu Galilei belos argumentos para uma palestra motivacional, não se preocupem, venci a tentação verborrágica e apenas publicarei o que respondi depois de alguns dias de reflexão e observação:
"Nos últimos dias, pensei sobre como é naturais isso que te acontece. Fiquei olhando a natureza e, pra todo impulso, há um momento em que não se tem movimento, onde a as forças são nulas: na onda do mar, entre a onda que vai e a onda que vem; na respiração, entre o inspirar e o expirar e por aí vai. E é nesse momento que você está, entre fôlegos, entre ondas, um momento mais natural do que a gente pensa, mas que dá uma estranha e inevitável agonia. Aproveite-o! Use-o pra pensar no que você conquistou, internalize o que passou, faça planos, pense no futuro também. Pois, acho que, quando o bicho pegar e tudo engrenar, aí você não vai ter mais muito tempo pra pensar e planejar. Vai ser puro agir."
Enfim, nunca vai dar errado. Acalmar-se. Respirar. Olhar ao redor. Ficar atento. A melhor resposta vai ser a mais simples, a mais natural. Faça o teste.
terça-feira, 14 de outubro de 2014
Deus me lívery !
Liga na pizzaria e pede uma Margherita.
- Aqui não tem essa pizza de Margarida, não, moça.
- Não é Margarida, meu amigo, é Mar-ghe-ri-ta.
- Então, é o que eu disse, não tem Margarida aqui não.
- É margherita, meu amigo, ghe-ri-ta. É uma das pizzas mais tradicionais do mundo. Massa, muçarela, tomate e manjericão. Simples.
- Ué, mas isso aí que a senhora tá pedindo é pizza de Muçarela, então.- Não, amigo, se tem tomate e manjericão é Margherita! Aquela história toda, das cores da bandeira da Itália, numa pizza, lá em Nápoles, em homenagem a Rainha Margherita...
- Ah, senhora, sei disso aí não. Esses negócio de gringo é tudo outra história, cheio de firula... e, também, já viu, né? Deve estar cheio de gente tentando ligar aqui e a senhora nessa coisa de pizza de Margarida!
- É Margherita, querido, Mar-ghe-ri-ta. Eme, a, érre, gê...
- Tá bom, tá bom. Vamo fazer essa aí pra senhora. Muçarela, tomate e oregano, néisso?
- Não, muçarela, tomate e manjericão. Man-je-ri-cão.
- Tá, manjericão, beleza.
- E, me diga, o manjericão é fresco?
- O Manjericão? Fresco? O mais fresco da cidade! Dá pra ver a frescura de longe, só de olhar pra ele.
- Então tá bom. Manda a pizza e traz troco pra cinqüenta.
- Tá bem então, em meia hora a pizza chega no endereço que a senhora me passou. Obrigado e boa noite.
- Obrigada, boa noite.
Nem termina de desligar o telefone e já olha pro pizzaiolo, um negão alto, um tanto acima do peso, de ombro largo e diz:
- Aí, Manjericão, esses seus amigo tem cada uma heim!
- O que foi, Fófis? Qualé o babado?
- Ligando aí, pedindo pizza que não existe. E ainda pergunta se você é fresco! Até parece que não te conhece, pô!
Uma hora depois, chega a pizza no endereço combinado: Muçarela, tomate e orégano.
quinta-feira, 9 de outubro de 2014
O Pretérito Presente no Subjetivo
Decidi oficializar minha carreira literária lançando este livro, para o qual selecionei 27 poemas meus, escritos entre 1997 e 2009. São poemas de juventude; da procura por respostas, por soluções às frustrações e dores que, naqueles tempos, pareciam imensas e eternas.
Hoje, feliz por estar errado, e reconhecendo que sem desilusões vencidas não há ser humano completo, celebro e exponho, neste volume, minhas melhores cicatrizes.
- Edição Física Esgotada -
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
MúsicaPavê fala sobre o PPnS
TIAGO LOBÃO: DE MÚSICO A ESCRITOR INDEPENDENTE
por André Felipe de Medeiros @ 06/10/2014
Talvez você conheça ele como o baixista que acompanha Nevilton, ou como o baterista no mesmo projeto. Não bastasse essa versatilidade, até como garçom o cara é conhecido. Agora, porém, Tiago Lobão acrescenta mais um ofício ao seu currículo e (por que não?) à sua identidade: Escritor.
Seu primeiro lançamento é o livro de poesia O Pretérito Presente no Subjetivo (simpático e bonito já no título), que traz 27 poeemas escritos em épocas diferentes, mas que, como ele explica, “ainda fazem parte de mim”. “E esse foi o parâmetro pra escolher os poemas”, comenta Lobão, “eles deveriam ser relevantes pra mim ainda hoje e, é claro, bonitos”. Pra esse processo de edição, ele precisou revisitar não só suas palavras, mas todas as circunstâncias que as cercaram no período de escrita – uma verdadeira viagem no tempo, como o nome sugere.
“Foi como reabrir feridas antigas pra poder redescrever a dor de uma forma mais confiável. Achei que foi um ótimo exercício artístico e psicológico pra mim”, diz o autor, que disponibilizou a obra em uma grande diversidade de formatos (Kindle, Kobo e LEV, além da versão em PDF disponível no sistema “pague o quanto quiser” e o livro impresso, vendido em shows de Nevilton). Como ele comenta, “dá pra ver que estou usando o know how de banda independente na carreira de escritor independente”.
A experiência na música, porém, vai além do formato de lançamento. “Criar tensão, desfazer a tensão, pausas, ritmo, até o som das palavras, a rima, a métrica, tudo isso foi bem mais fácil pela prática que eu adquiri fazendo música”, conta ele, afirmando que a recíproca é verdadeira e o trabalho com palavras tem uma influência inegável na hora de tocar e compor.
Algo que não conversamos, mas que imagino que ele saiba melhor do que eu, é sobre o processo de colocar uma obra no mundo, seja na linguagem artística que ela vier, sabendo que cada um se apropria dela como bem entender. As dores e a experiência que Lobão teve pra escrever um verso causarão identificações diversas nas pessoas, um processo que ele sempre observou na música e agora poderá medir ainda mais, já que assina o trabalho com seu próprio nome.
E, já que assumi o texto em primeira pessoa na conclusão, ver uma iniciativa dessas vindo de alguém já conhecido por outras funções me relembra a inquietude criativa que observo como própria da nossa geração. Mais do que produzir por um alívio da criatividade, ele usou seu tempo para repensar, revisar, reescrever e toda repetição de atividade que gere algo inédito para quem o conhece em terceira pessoa, perto ou longe, nos dando a oportunidade de enxergar não só o mundo aos seus olhos, mas ele mesmo. Haja coragem.
Pra terminar, saiba que haverá lançamento do livro em São Paulo, com direito a show, nesta quinta-feira em São Paulo. Os detalhes estão abaixo, depois da capa do livro. Acompanhe o trabalho de Tiago Lobão também em seu blog.
##Beco Antes apresenta: Nevilton + lançamento do livro do Tiago Lobão
Quinta, 9 de outubro, a partir das 20h
Beco 203: Rua Augusta, 609
Link: Evento no Facebook
fonte: http://musicapave.com/artigos/tiago-lobao-de-musico-independente-a-escritor-independente/
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