domingo, 22 de março de 2009

Cultura & Arte 22.03.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 15 de Março de 2009.

Crônica:
- O Fantasma de Umuarama

Resenhas:
- Quem Quer Ser Um Milionário [Slumdog Millionaire, 2008, Danny Boyle]

- O Novo Capítulo de Ed Motta [Disco Chapter 9 e show no Memorial da América Latina do dia 12.03.09]




O Fantasma de Umuarama


Ninguém sabe ao certo quando aconteceu, mas uma senhorinha, já nos seus quase sessenta anos de idade, estava lavando a louça numa daquelas casas do último quarteirão, ou o primeiro, da Avenida Maringá, perto da Copel. O Carnaval havia terminado há uma semana, era uma dessas tardes de quaresma tipicamente umuaramenses, quentes, com um sol de rachar coco, porém úmidas pelas chuvas esporádicas dessa época do ano.

Lá da cozinha ouve baterem palmas no portão da sua casa. Ao atender o chamado encontra um jovem magro, nariz pontudo, sem camisa e de pele um pouco queimada do sol. Tinha cabelo escuro, encaracolado, um pouco comprido e bem volumoso. Ele transpirava feito parede de sauna e respirava cansado. Ela se adianta e diz:

- Boa tarde.

- Oi, boa tarde. Desculpa incomodar, mas a senhora poderia me arranjar um copo d’água?

- Claro.

- Bem gelada... se for possível...

- Pois não, espera só um tiquinho.

Então a mulher volta para a cozinha, pega um copo, capricha na água e leva até o rapaz sedento.

- Aqui está a sua água, moço.

- Ah, muito obrigado!

Numa golada só o rapaz bebe toda a água e imediatamente olha para a senhora, mas seus olhos estavam completamente negros, como os de um tubarão. Ele coça a barba, por fazer, dá um sorriso largo e mostra os dentes todos pontiagudos. A mulher arrepiou-se até as unhas com aquele sorriso que, apesar de amedrontador, expressava uma imensa gratidão e satisfação.

- Muito obrigado mesmo! – agradece outra vez e desaparece num piscar de olhos, com copo e tudo.

A senhorinha, coitada, solta um grito lancinante de pavor e desmaia. É acordada pelos vizinhos aos quais conta o insólito acontecimento e descreve o rapaz que, após algumas especuladas descobriu-se ser um dos três linchados e queimados na praça Miguel Rossafa em Dezembro de 1986, logo ali, na rua de cima da sua casa.

Dizem que após o ocorrido a mulher ficou muito abalada, meio louca e alguns meses depois já não morava mais em Umuarama. Mudou-se com o marido pra não se sabe onde. É curioso como a sua incrível história permaneceu na boca de poucos. Até agora.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Cultura & Arte 15.03.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 15 de Março de 2009.

Crônica:
- Paixão à Primeira Vista

Matérias:
- Para os que também se apaixonaram [Sobre o Folclore Brasileiro]

- Músicos umuaramenses desbravando São Paulo [Rock Independente, Nevilton]





sexta-feira, 13 de março de 2009

Em São Paulo da Garoa.

Há duas semanas que estou em São Paulo, à trabalho, longe de umas internets legais. Mas temos colocado novidade no site da banda:

http://www.nevilton.com.br/

Detalhes de nossas gravações, das perambulâncias pela cidade e outras coisas mais.
Em breve, aqui no Lobservando uma geral dos botecos aqui de Santa Cecília.

Até lá!

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cultura & Arte 01.03.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 01 de Março de 2009.

Crônica:
- Sabes da Quaresma?

Resenha:
- Monteiro Lobato Encontra o Saci-Pererê [livro Saci-Pererê, o resultado de um inquérito, de Monteiro Lobato, 2008 - Ed. Globo]


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

A 'Historinha' da Pequena Maria.

Um dia a Émelin (eterna roommate de L.A.) me mandou essa história e pediu para que eu a reescrevesse. Aí ficou assim.

Obrigado, Nini!






Para Maria, viver em uma casa era muito mais do que simplesmente morar. Portatora de uma doença rara, não lhe era permitido se expor à luz do dia. Dizem os mais antigos que essa doença é um castigo divino, imposto àqueles que foram descrentes em Deus numa outra vida, e agora estariam pagando por esse pecado vivendo enclausurados e na escuridão.

E era desse jeito que vivia Maria, enclausurada, sob a super-proteção de uma mãe integralmente dedicada à ela. Suas amigas e parentes próximos descreviam um mundo ensolarado e colorido que ela não vivia, e jamais poderia. A televisão, na época ainda em preto e branco, retratava as praias cinzas e um sol branco, muito diferente do pouco que conseguia enxergar através de brechas em sua janela. Mesmo durante a noite, quando podia sair de casa, o mundo continuava sem cor e sem graça.

Em seu aniversário de 14 anos ela desejou conhecer o dia.

Escondida de seus pais, pouco antes do sol nascer, correu em direção à rua. Queria sentir seus olhos se fechando, feridos pela claridade do reflexo do sol na água do mar. Queria sentir seus pés queimarem na areia.

Ao pisar na praia, com o sol já nascido, Maria estava ofegante e com a pele toda vermelha de brotoejas. Mal conseguia enxergar. Era muita luz. Caiu.

E foi assim, de olhos fechados e na areia quente que Maria morreu.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Cultura & Arte 22.02.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 22 de Fevereiro de 2009.

Crônica:
- Amor de Carnaval [por Tiago Inforzato]

Resenhas:
- Hoje tem brigadeiro na casa do Schopenhauer [por Lisiê Ferré Lotti]
- O Filósofo da Vila [Filme: Noel, o Poeta da Vila, 2006]

Cartoon:
- Os Carecas, por Jefferson Silveira




Cultura & Arte 2009 - Fev-22 [Link para Download do PDF]

Amor de Carnaval


Finalmente chegamos ao fim de semana de Carnaval. É agora que os foliões se reúnem nas ruas e nos salões Brasil afora para festejar a liberdade e a fartura que, deveria desaparecer durante a quaresma. Mas os tempos mudaram, a quaresma não conta tanto assim e, pra muita gente, nem o carnaval conta tanto.

O espírito do carnaval mudou, envelheceu e, como nós mesmos, perdeu a inocência. Nos tempos antigos diziam “brincar o carnaval”, depois virou “pular carnaval”, hoje deve ser algo próximo à “zoar no carnaval”. Pode ser uma simples questão etimológica mas, no meu humilde ponto de vista, existe um abismo entre “brincar” e “zoar”, um abismo perigoso e estraga-prazeres.

Os carnavais de outrora eram cantados (e são lembrados até hoje) por marchinhas e sambas de compositores do povo ou de grandes nomes da música nacional. A idéia da máscara, da fantasia, abria portas para as pessoas serem quem elas quisessem por um fim de semana. Brincavam, cantavam, se divertiam e, na quarta-feira de cinzas todos voltavam a ser o que realmente eram novamente. Ninguém ferido física ou metafisicamente. Corações e corpos sãos e salvos, exceto pela ressaca, no caso até bem vinda, quase como um prêmio. Inclusive, a melancolia inerente da quarta-feira de cinzas é a desculpa pra essa ressaca física e moral, quando se percebe que o mundo real está aí novamente, para ser enfrentado até o próximo feriado.

Foi nesse clima de máscaras e personagens que surgiram por aqui, trazidos da Comédia dell’arte italiana, os palhaços Pierrot, Arlequim e Colombina, figuras bastante famosas do nosso folclore carnavalesco. Mas quem são eles?

O Pierrot é apaixonado pela Colombina mas não é correspondido, representa o amor, é um sonhador, tradicionalmente retratado com uma lágrima escorrendo pelo rosto e vestindo blusa e calças bufantes brancas. Colombina é uma moça esperta e bem humorada, apaixonada pelo Arlequim e com ele gosta de brincar o carnaval. Arlequim é o malandro brincalhão, que sai pelas noites de carnaval tentando encontrar o seu par, a Colombina, mas enquanto não a encontra, engana os marmanjos, rouba beijos das moças desavisadas, os doces das crianças e se diverte de montão. Ele é caracterizado por uma roupa de losangos coloridos e cara de palhaço alegre.

Hoje em dia o Pierrot prefere ficar em casa, há muita violência na algazarra dos foliões afoitos pelo excesso. O Arlequim continua aprontando das suas, mas ultimamente o pessoal anda violento e ele acaba saindo ferido de suas traquinagens. O coitado quase que morreu ano passado. A Colombina não se dá mais ao respeito, não espera mais o Arlequim brincalhão, anda preferindo algo mais radical, como esses rapazes sem nome, sem camisa e sem delongas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Cultura & Arte 15.02.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 15 de Fevereiro de 2009.

Crônica:
- Brasil x Itália [por Thiago Calixto]

Resenha:
- Disco novo sai do forno amanhã [Lançamento do álbum Years of Refusal, Morrissey]

Matéria:
- Nevilton a todo vapor [Rock Independente, Ripa Na Rulipa, Dimitri Pellz, Astronauta Elvis, Jennifer Magnética, Plano Próximo, Podcast Qualquer Coisa, Neu Club]

Cartoon:
- Os Carecas, por Jefferson Silveira