terça-feira, 5 de maio de 2009

Frutas Exóticas Umuaramenses

O Brasil é um país tropical e, como manda o figurino, é cheio de frutas exóticas. Sorte nossa, que podemos saborear os mais diferentes sabores em qualquer vendinha do bairro!

Mas tem gente aqui em Umuarama que anda exagerando no exotismo...


Só tem sem milho? Então me vê um de cupuaçu.


Obs: Foto por Ricardo do Valle Dias. Obrigadão!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A "Cena Umuaramense"

Esse texto saiu no Cultura & Arte desse domingo, 03 de maio. Coloquei o texto separado aqui pra facilitar a leitura de quem não curte ler o PDF do jornal (que está logo ali embaixo).

Comentários seriam ótimos! :p



Estava vasculhando os meus arquivos e encontrei uma enquete que respondi para o jornal Diário de Notícias, que circulou em Umuarama durante o ano de 2008. Esta enquete, gerenciada pela Ane Pacola, tinha como objetivo colher respostas de várias pessoas, de várias áreas, sobre questões do município como a segurança pública, educação, saúde e outras tantas, incluindo-se aí a Cultura. Sobre mim, artista e produtor cultural, recaiu a missão de responder sobre este ultimo tema. A matéria, com todas as perguntas e respostas das várias pessoas, foi publicada edição de 26 de junho de 2008.

Isso já faz quase um ano, a administração municipal mudou, e por conseqüente as políticas públicas também. Se para melhor ou pior, só saberemos no futuro. Sobre os outros temas eu não tenho gabarito pra falar, mas gostaria de fomentar a reflexão sobre como está a cena cultural da cidade. Toda reflexão é saudável, ainda mais quando usa um cenário antigo (ou nem tanto) como base. Certamente, exceto por algumas sinapses, não temos nada a perder.


O cenário cultural da cidade é proporcional ao tamanho dela?

Não mesmo. Estou certo de que umas 300 a 400 pessoas (jogando alto) criando e consumindo cultura numa cidade de quase cem mil habitantes não seja algo proporcional, isso é menos do que 0,5% da população. Conheço Umuarama desde 1991 e não me lembro de ter visto um cenário de algo, nem de cultura e arte, nem de esporte, nem político. É costume da cidade usar o que já se usa, comprar o que está à venda, ir aonde todos vão, enfim, é uma cidade massificada, a maior parte da população evita ao máximo expressar qualquer tipo de questionamento ou opinião, portanto não há nicho de consumo e muito menos cenário. Entretanto já estamos vendo um bom sinal de mudança, com esforços vindo de várias frentes, públicas e privadas. A música na cidade tem ganhado espaço graças a esforços de bandas e músicos locais que estão conseguindo abrir, no peito, espaços alternativos para mostrar seus trabalhos. O teatro está no mesmo caminho, mas um tanto mais tímido. A literatura está bem atrás, até porque é um tipo de arte que demanda o malfadado esforço da leitura. As artes plásticas, o cinema e demais vertentes artísticas ainda não se encontraram por aqui, mas acho que com os esforços deste grupo que já está com a mão na massa e com o apoio de empresas e do poder público, ainda possamos tirar Umuarama da idade das trevas. Enfim, acho que ainda é cedo pra se dizer que existe um cenário por aqui, mas que algo legal está começando, está.


Há um incentivo tanto do público quanto dos órgãos do governo para eventos culturais aqui na cidade?

O incentivo à cultura pelos órgãos do governo municipal sempre foi muito deficitário em Umuarama. Nas gestões passadas, apesar de esforços de artistas e simpatizantes, a prefeitura não ligava muito e preferia investir em coisas materiais, que a população pudesse ver, ao invés de investir na capacitação cultural da cidade. Hoje colhemos os frutos disso, estou certo de que o vandalismo e a criminalidade é reflexo da ausência de cultura e de respeito pela cidade. Mas ultimamente tenho ficado bem esperançoso com a atual administração, me alivia perceber que está caindo a ficha. Perceberam que se eles investirem na capacitação criativa e cultural das pessoas, elas vão começar a respeitar o patrimônio público, dar mais valor à cidade pois esta lhe traz coisas boas. Não só diversão, mas também a perspectiva de um futuro digno.

O apoio do público é ainda muito pequeno, e há uma grande luta a ser travada. O umuaramense acha que alguém tem que fazer algo para mudar a situação, mas infelizmente não se coloca como o agente dessa mudança. Vive pedindo eventos, quer que tudo de legal aconteça na cidade, desde que seja na sala da sua casa e de graça. Me parece que, para eles, os artistas são seres mágicos e portáteis que vivem só de palco, reconhecimento e aplausos poucos. Tenho esperança na mudança deste quadro e estou trabalhando, junto com meus amigos artistas, e a todos os que se habilitarem, para que a arte e a cultura em Umuarama sejam uma realidade.

Cultura & Arte 03.05.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 12 de Abril de 2009.

Enquete:
- A "Cena Umuaramense"

Matérias:
- Io, Leonardo [490 anos da morte de Leonardo da Vinci]
- Culturanja nas ondas do rádio [Estréia do Podcast Culturanja na Rádio Universitária Paranaense - 107.7 FM, de Umuarama-PR - Por Nevilton de Alencar]

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Culturanja agora tem Podcast !


O Império Culturânjico espalha suas garras em mais uma empreitada: o Podcast Culturanja! Esta semana em edição especial (somente na internet) e à partir da semana que vem, às terças-feiras das 22 às 23h, com reprise aos sábados das 19 às 20h nas ondas da Rádio Universitária Paranaense (107,7 FM).

Eu e o Nevilton vamos falar sobre o que der na telha, mas sempre trazendo boas novidades e uma trilha sonora supimpa! Na edição #ooo você vai ouvir: Blur, Echo and the Bunnymen, Ecos Falsos, Justice, Jackson Five, Hospital Doors, Jupiter Maçã, Robert Plant e Poléxia.


É também uma chance de quem não gosta de ler (mas tá lendo, né!), curtir umas boas dicas sobre Música, Alpiste, Cultura e outros hortifrutigranjeiros em geral.

Visite o site, ouça o podcast e ainda ganhe de brinde um tutorial ilustrado de como estampar sua própria camiseta pelo método Neviltônico.


Obs: também estamos na moda, temos twitter! @culturanja

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Faroeste "cabrôco"

"Hey, garçon... me dá um Cynar!"


Saiu um "Bang Bang" baseado em fatos reais na Cultura & Arte deste 26 de Maio. Quem mora ou conhece bem Umuarama vai entender mais do que os forasteiros. Mas, porém, toda via, entretanto e mesmo assim, convido todos à leitura!


Era Uma Vez No Noroeste



Cansado de viver isolado na solidão e distância do Far West, Zé McSilva estava buscando vida nova. Galopou durante dias rumando para o Leste até que avisou um pequeno povoado. “Rancho Longe”, era o que estava escrito na placa de madeira da entrada do vilarejo, na qual, ao chegar mais perto e dar uma olhada mais detalhada, via-se um intrigante escrito à mão, logo abaixo do número de habitantes: “Povinho da Fogueira”. Mas ele estava tão cansado que lhe pareceu bem sábio pernoitar por ali mesmo.

Assim que entrou na cidade, enquanto contornava a pracinha, ficou espantado com o que viu. Marcas de tiros por todos os lados. Pensou em mudar de idéia sobre ficar por lá, mas não iria perder a chance de um trago.

Cavalgou até o “Bar do Turco Velho” logo em frente à praça, desceu do cavalo e amarrou-o no coxo. Empurrou as portas duplas vai-e-vem, entrou no salão e caminhou até o balcão. Com um tapa na madeira chamou o garçon, um velho barbudo.

- Me vê um conhaque, ô...Seo Turco!

O turco, num pulo só, serve e manda o copo de conhaque escorregando pelo balcão. O vaqueiro manda tudo goela abaixo num só gole e pergunta:

- Diga lá, índio velho! O que houve ali na praça?
- Um tiroteio dos brabos ontem de tarde, amigo! Foi o pessoal do Xerife contra uns bandidinhos canela-seca, da gangue do Wan Ted, que tentaram roubar o correio. Comeram chumbo pra dedéu ontem e agora tão comendo capim pela raiz. Hahahaha!
- Na praça? Em pleno dia? Rapaz, que perigo!
- Pois é... Ainda bem que foi na hora do sol quente, quando fica todo mundo dentro de casa. Quando ouvi os tiros pulei aqui pra baixo do balcão e não vi mais nada...quer outra dose?
- Manda! - e continua o papo:
- Viu, meu bom homem... onde eu acho um canto pr’eu passar a noite de hoje, hã?
- Ó chefia, atravessando a praça tem o hotel Águia do Oeste, o melhor da cidade, mas também... é o único! Hahaha!
- Hahaha, engraçadinho, hã! Muito obrigado, compadre!

McSilva deixa o “Bar do Turco Velho”, atravessa a praça, garante seu quarto no Hotel e tira um bom cochilo. Acorda com um barulhão de festa. Era a quermesse, cheia de gente sorrindo e festando, com direito à bandinha tocando na escadaria da igreja. Sem perder tempo, o viajante corre pra festa.

Enquanto o moço se enturmava com as donzelas e raparigas locais, foi interrompido por gritos de desespero. Um valentão armado estava ameaçando os freqüentadores da barraquinha de milho cozido e chuta um banquinho de madeira que atinge a canela de uma moça. De pavio curto, a moça reclama e faz o valentão atirar duas vezes contra ela e fugir correndo. Por sorte os dois tiros falharam e a moça só ganhou um desmaio e um bom trauma. Os homens do xerife nada puderam fazer naquele momento pois estavam na barraca do algodão doce e não tiveram tempo hábil para perseguir o bandido.

Nem cinco minutos depois McSilva ouve mais gritos e caos:

- Ai Caramba! Pisaram o Gordinho!

Corre para averiguar a situação e descobre que foram dois jovens bêbados, apostando uma corrida de cavalos, que invadiram a multidão e acabaram pisoteando um dos freqüentadores da festança. Mas por sorte ele estava perto do Dr. Zinho Xamego, médico da cidade, que prestou socorro.

Zé McSilva achou incrível como ninguém ficou abalado depois dos dois incidentes na mesma noite e manteve-se na festa. Foi especular com os nativos e descobriu que no “Povinho da Fogueira” esse tipo de coisa é corriqueira e todo mundo tá acostumado. Um tanto impressionado com a situação, vai conversar prefeito Brownman e com o xerife Bill Farofino que estavam na barraquinha de maçã do amor. Como já era tarde e ambos já estavam indo embora, marcaram um almoço ‘pra mó dum dêdiprosa’.

No dia seguinte estavam o prefeito, o xerife, o padre e McSilva no local combinado: o restaurante “Cachoeira”, bem tradicional na cidade. Papo vai, papo vem e todos tentando convencer o viajante de que aquilo tudo era coisa pouca, corriqueira, e que logo a “maré de azar” terminaria. E também o povo já estava um tanto acostumado com tal rotina, nem reclamava mais.

Já no final do almoço o grupo é interrompido por um oficial do Xerife, que entra correndo no restaurante. Alguém fora esfaqueado naquela madrugada. McSilva aproveitou a brecha para despedir-se, já um tanto preocupado em não ser a próxima vítima. Ao subir no cavalo, olhou para as autoridades e lhe veio uma outra pergunta na cabeça:

- Inclusive, excelências... Por que “Povinho da Fogueira”?

As autoridades se olham meio sem saber o que dizer. Então o padre se adianta de diz:

- Olha, meu filho... tem coisas que é bom a gente não mexer, né? São coisas do passado, coisa que pode criar uma imagem negativa pra nossa cidade, sabe como é... a gente precisa...
- Sei... vocês precisam é de vergonha na cara! – diz McSilva interrompendo o padre.

Então esporeia o cavalo, vira as costas e sai galopando, seguindo sua jornada para o Leste.


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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Coisa do demôinhu!

Lendo o livro Saci-Pererê, o Resultado de um Inquérito (1918), uma compilação de histórias do 'tinhosin', por Monteiro Lobato, encontrei na página 129, um ótimo parágrafo.

Ofereço tal achado a grandes amigos meus.

Aquele Abraço!


Trecho do Depoimento do Sr. Fabrício Junior.

"Há na minha terra uma casa onde antigamente funcionara uma loja maçônica; nós os meninos e as velhas beatas jurávamos convictos que aos sábados e sextas-feiras um bando de Sacis, mulas-sem-cabeça e lobisomens em companhia dos maçons iam ali cear e dançar. Ceavam carnes de crianças, os pratos eram crânios ainda cheios de vermes, os garfos mãozinhas de anjinhos resequidas, já o vinho para o brinde era sangue das mulheres e dos filhos dos maçons. Quem preparava a ceia era a Maria Clara, velha papuda e mandingueira. Presidiam o festim um enorme bode preto e um Saci-saperê, que sempre acabava tentando seus confrades maçons e seus parentes."


Leia a resenha do livro.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cara pálida, cabeça de vento.


Já que não deu pra sair no jornal deste domingo, aqui está minha reflexão indigenista.

Ps: Valeu pelos toques, Lili!

Índio não quer só apito.


Desde 1940 comemora-se o Dia do Índio, um feriado idealizado naquele mesmo ano durante o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O congresso que aconteceu no México contava com a representação de vários paises do Continente Americano. As Nações Indígenas aderiram ao evento no dia 19 de Abril e por isso a data foi escolhida como dia a se comemorar. O reconhecimento nacional do feriado se deu através do Decreto Lei número 5.540, daquele ano, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas.

Pra mim, como muitos já perceberam, esses feriados e dias especiais são um convite à reflexão. É legal reconhecer a importância de outros povos e culturas, celebrar e agradecer a sua influência e seu papel na formação do nosso país e da Cultura Nacional, mas quando se deixa o discurso cheio de fru-frus de lado e se coloca o pé no chão, vemos o grande equívoco que é a política indigenista do Brasil.

Nossa relação com os habitantes originais das Américas já começou errada. Os colonizadores Portugueses e Espanhóis desembarcaram por aqui e “em nome do Rei”, “em nome da Igreja”, “em nome da Civilização” ou com qualquer outra justificativa sem lógica, começaram o extermínio desse povo. Pelo menos eu ainda não encontrei uma justificativa decente pro ato de invadir uma área, matar os donos e espalhar pelo mundo que o lugar é seu. E vale lembrar que o extermínio sistemático dos índios não é algo brasileiro dos tempos de Cabral. Até os anos de 1950, 60 e 70, durante a “colonização” do interior do Brasil, a chacina corria solta. Em todos os paises da América foi assim: México, Venezuela, Estados Unidos da América, Colômbia...

Hoje continuamos tentando eliminar os índios ao invés de inseri-los dignamente na nação brasileira. O que a FUNAI pretende ao obrigar brasileiros (quem nasce no Brasil é brasileiro, né?) a morarem no mato, sem esgoto, com saúde a perigo, sem conforto em pleno Século XXI eu ainda não sei. Alguém obriga o Gaúcho a morar num Rancho pra preservar seus traços culturais? Alguém obriga os Italianos a abrirem cantinas e pizzarias, ou os Japoneses a usarem Kimonos? Então por que diabos os coitados dos índios tem que viver de tanga no mato, vivendo da caça da pesca e do artesanato?

De que serve fazer esse teatrinho de subsistência e harmonia com a natureza enquanto se distribui televisão, antena parabólica, roupas e comida nas aldeias? Ressalte-se que é tudo feito com verba da FUNAI, ou seja, nosso dinheiro. Não seria mais fácil trazer esse povo pra cidade e dar escola, emprego, saúde e condições de levar uma vida decente, sem doenças e bicho de pé? É mais um sistema pra se roubar descaradamente o dinheiro do povo, do mesmo tipo que transforma os flagelados da seca no nordeste num negocio rentável para os políticos da região. É, enfim, uma grande indústria que joga a verba federal nos bolsos privados.

Eu sei de muitos índios que estudam, trabalham e vivem como pessoas do nosso século e não vou generalizar qualquer critica feita aqui. Mas eles me parecem exceções, contestadoras exceções que não gostam de viver de favor, que sabem ter a mesma capacidade de qualquer outra pessoa de qualquer outra etnia. Que não caem nesse conto da carochinha de que cotas de ensino, políticas e verbas especiais vão resolver um problema social que é reflexo de atitudes individuais ou de um grupo. O governo só fomenta a preguiça e o clientelismo com essa política de “dar o peixe” ao invés de “ensinar a pescar”. E todos sabemos que melhores pescadores do que os índios não existem! Será que eles se lembram disso?

Claro que se lembram, e também usam esse sistema viciado para faturar. Existem muitos grupos que vivem em regiões abarrotadas de minérios valiosos, pedras preciosas, madeira e outros recursos naturais de valor e faturam um dinheiro alto negociando isso. Por morarem no mato e viverem “da caça e da pesca” eles não pagam impostos, mas adoram pedir mais dinheiro, mais terra mais infra-estrutura a custa do dinheiro do diabólico Homem Branco. É obvio que esse pessoal não vai querer vir para cidade e pagar impostos. São brasileiros na hora de pedir, mas não na hora de pagar.

E é assim que em pleno século XI, colhemos os frutos de uma política indigenista alienada e defasada. Se o Brasil pretende ser uma nação unida, forte, produtiva e igualitária, deve sair de cima do muro e tomar uma postura decente de reafirmação de sua soberania. É preciso unir o povo, parar de ter dois pesos e duas medidas para lidar com as coisas. Índio não é bicho pra se preservar no mato, eles são pessoas como todos no mundo, com desejos, capacidades, força e muita inteligência e por isso merecem ser tratados como tal. Já passou da hora de passar o Brasil a limpo, sob pena de perdê-lo.


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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Curte uns contos fantásticos?


Fiquei feliz em saber que publicaram dois contos meus no site Contos Fantásticos, do amigão Afonso Luiz Pereira.

São esses dois:

Esses Vegetarianos

e

A Travessa dos Prazeres



Pra quem ainda não os leu, taí uma boa oportunidade. Pra quem já conhece, garanto que lá está cheio do ótimos contos.

Muito obrigado Afonso! Inclusive, adorei as imagens dos títulos!!!