quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MúsicaPavê fala sobre o PPnS


TIAGO LOBÃO: DE MÚSICO A ESCRITOR INDEPENDENTE


tiago-lobao
Talvez você conheça ele como o baixista que acompanha Nevilton, ou como o baterista no mesmo projeto. Não bastasse essa versatilidade, até como garçom o cara é conhecido. Agora, porém, Tiago Lobão acrescenta mais um ofício ao seu currículo e (por que não?) à sua identidade: Escritor.
Seu primeiro lançamento é o livro de poesia O Pretérito Presente no Subjetivo (simpático e bonito já no título), que traz 27 poeemas escritos em épocas diferentes, mas que, como ele explica, “ainda fazem parte de mim”. “E esse foi o parâmetro pra escolher os poemas”, comenta Lobão, “eles deveriam ser relevantes pra mim ainda hoje e, é claro, bonitos”. Pra esse processo de edição, ele precisou revisitar não só suas palavras, mas todas as circunstâncias que as cercaram no período de escrita – uma verdadeira viagem no tempo, como o nome sugere.
“Foi como reabrir feridas antigas pra poder redescrever a dor de uma forma mais confiável. Achei que foi um ótimo exercício artístico e psicológico pra mim”, diz o autor, que disponibilizou a obra em uma grande diversidade de formatos (Kindle, Kobo e LEV, além da versão em PDF disponível no sistema “pague o quanto quiser” e o livro impresso, vendido em shows de Nevilton). Como ele comenta, “dá pra ver que estou usando o know how de banda independente na carreira de escritor independente”.
A experiência na música, porém, vai além do formato de lançamento. “Criar tensão, desfazer a tensão, pausas, ritmo, até o som das palavras, a rima, a métrica, tudo isso foi bem mais fácil pela prática que eu adquiri fazendo música”, conta ele, afirmando que a recíproca é verdadeira e o trabalho com palavras tem uma influência inegável na hora de tocar e compor.
Algo que não conversamos, mas que imagino que ele saiba melhor do que eu, é sobre o processo de colocar uma obra no mundo, seja na linguagem artística que ela vier, sabendo que cada um se apropria dela como bem entender. As dores e a experiência que Lobão teve pra escrever um verso causarão identificações diversas nas pessoas, um processo que ele sempre observou na música e agora poderá medir ainda mais, já que assina o trabalho com seu próprio nome.
E, já que assumi o texto em primeira pessoa na conclusão, ver uma iniciativa dessas vindo de alguém já conhecido por outras funções me relembra a inquietude criativa que observo como própria da nossa geração. Mais do que produzir por um alívio da criatividade, ele usou seu tempo para repensar, revisar, reescrever e toda repetição de atividade que gere algo inédito para quem o conhece em terceira pessoa, perto ou longe, nos dando a oportunidade de enxergar não só o mundo aos seus olhos, mas ele mesmo. Haja coragem.
Pra terminar, saiba que haverá lançamento do livro em São Paulo, com direito a show, nesta quinta-feira em São Paulo. Os detalhes estão abaixo, depois da capa do livro. Acompanhe o trabalho de Tiago Lobão também em seu blog.
O-Preterito-Presente-No-Subjetivo
##Beco Antes apresenta: Nevilton + lançamento do livro do Tiago Lobão
Quinta, 9 de outubro, a partir das 20h
Beco 203: Rua Augusta, 609


fonte: http://musicapave.com/artigos/tiago-lobao-de-musico-independente-a-escritor-independente/

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Comprovações

O dia seguinte seria muito importante, participaríamos da etapa final do concurso Green Day MTV, que aconteceria no Inferno Club, rua Augusta. O vencedor iria ser a banda de abertura para o Green Day, na Arena Anhembi, para um público de, mais ou menos 30 mil pessoas. Não era costume, mas naquele dia, o Apê 80 (ainda um embrião do que viria a ser no upperground paulistano) foi dormir cedo.

Bellé Jr. (que naqueles tempos ainda era Júnior Bellé), dono do quarto, quedava-se em sua cama; eu dormia num colchão ao lado e o Chapolla em outro. De repente, fui despertado por sabe-se lá o que, era uma sensação de "abra os olhos agora", que obedeci imediatamente. Olhei pra cima, e ali estavam aqueles olhos familiares a me fitar. Ficamos nos olhando por uns 3 segundos, enquanto eu pensava: "O que o Bellé tá me olhando a uma hora dessas?". Foi então que reconheci aqueles olhos, e eles eram da minha avó. "Estranho, a minha avó está internada num hospital", pensei. Arrepiei, e o rosto que me fitava desapareceu. O rádio-relógio marcava, em vermelho, 03:03 da manhã. Lembrei de uma amiga que tinha uma paranóia com números repetidos e pensei no quanto ela ia achar essa história, nesse horário, muito louca. Respirei fundo e voltei a dormir.

O celular do Chapolla toca, ele atende, eu acordo, o rádio-relógio marcava 7:30 da manhã e o sol já pintava o céu de alaranjado lá fora."Ah... aconteceu... tá bom, eu falo pra ele". Eu já sabia o que ele iria me dizer. E ele disse: "Era o seu primo, ligou pra avisar que a sua avó, que estava doente, faleceu essa noite. Não ligaram antes pra deixar você dormir melhor e não atrapalhar o show de hoje, que é importante. Pediu pra você tomar um banho e depois ligar pra ele."

Levantei imediatamente e fui tomar um banho. Chorei enquanto pensava sobre a forma que terminara a história da minha avó, mas sentia alívo por sabê-la livre da dor imensa sentia nos últimos tempos. Saí do banho, liguei para o meu primo, e ele me avisou que dali a duas horas o caixão com o corpo da nossa avó sairia de São Paulo e iria pra Bandeirantes, onde ela seria sepultada e, que minha única chance de vê-la seria chegar à funerária antes que eles saíssem de viagem. Mas a funerária era incrivelmente longe e, sem dinheiro nem pro café da manhã, imagina para um taxi, me restou subir até a Avenida Paulista e pegar algum ônibus. Mas todos os ônibus chegariam depois do horário. Me restou a única escolha de não ir. Fiquei ali no Parque Mário Covas, sentado numa mesa, à sombra de uma árvore e, me lembrando de como minha avó gostava de flores, lhe dediquei uma oração de despedida e agradeci pela oportunidade e alegrias de tê-la como avó e pelo nosso último encontro, no hospital, semanas antes, ter sido bom e eu ter me despedido dela de forma amorosa.

Me lembrei, então, do fato acontecido pela madrugada, no quarto do Bellé. Mandei uma mensagem de texto pro meu primo e perguntei se ele sabia a hora que nossa avó havia falecido. Ele me respondeu que foi por volta das 3 da manhã, que ele estava ao lado dela e olhou o relógio. Um arrepio me correu o corpo novamente, mas dessa vez eu entendi que o arrepio era um abraço, e não era de adeus. Era de "eu te amo, até logo".

Estes fatos, verídicos, aconteceram há exatos 4 anos atrás, no dia 07 de Outubro de 2010, no mesmo horário em que eu publico este texto. Eles mudaram muito do que eu penso sobre a vida, a morte, as saudações e as despedidas.

Muito obrigado, vó, também te amo. Até logo.


Ps: Naquela noite vencemos a final o concurso, e o resultado você vê aqui.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Pretérito Presente no Subjetivo

Com a aproximação do dia do lançamento, apresento, oficialmente, a capa e título do meu livro :

O Pretérito Presente no Subjetivo.

Unindo a gravura "Encontro", da artista plástica May Watanabe, com a diagramação de muito bom gosto de Letícia Junqueira, resultou numa capa que remete à estética dos Composition Books (caderno de redação muito utlizado nos EUA), nos quais eu fiz e ainda faço a maior parte dos meus rascunhos, anotações e finalizações dos poemas e outros textos, que estão neste livro ou estarão nos próximos. É, digamos assim, um Composition Book mais complexo, pelo que traz em seu interior. Interior este que conta, inclusive, com um belo prefácio do Bellé Jr.


   
Capa da versão impressa.                         Capa da versão digital.


No dia seguinte ao evento de lançamento do livro, ou seja, à partir do dia 10 de Outubro de 2014, você poderá adquirir o seu exemplar aqui no blog. Fique ligado!

E vale lembrar:

Lançamento do livro O Pretérito Presente no Subjetivo
Data: 09.10.2014 (Quinta-Feira)
Local: Beco 203 (Rua Augusta, 609 - São Paulo)
Horário: à partir das 20h. Show com o Nevilton às 22h.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Detalhes oficiais do Lançamento do meu livro de Poemas!


Então aí vai mais um aperitivo do meu livro de poemas (olhem como ficou lindo!). 
E agora temos os detalhes oficiais do lançamento!



Vejam só:

Quinta Feira, dia 09 de Outubro de 2014 no Beco 203 (R. Augusta, 609 - Consolação, São Paulo)
A casa abre às 20h, e à partir desse horário até as 22h, estarei lá, para dar um abraço em cada um de vocês que estiverem por lá.

E tem mais: neste dia, a alegria será em dobro.  À partir das 22h, vai ter show com o Nevilton! Ou seja, além de estar lançando o meu primeiro livro para o mundo, é o dia que eu volto aos palcos com esse grande parceiro, encerrando esse período chato de "férias forçadas".

Gostaria muito que todos vocês estivessem lá pra gente festejar juntos. Então, não faltem.

Até quinta-feira, dia 09, pessoal!

Abraços.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Neurociência, Gastronomia e Urubus.



Sempre fui muito curioso sobre tudo. Me tornei um viciado em conhecimento. Preciso, diariamente, saber dos causas, processos e resultados de todas as coisas que me apareçam na frente. Graças à boa conduta do universo, me tornei, também, um viciado em leitura. Quem bom! Consegui unir a fome e a vontade de comer com uma colher bem grande e um prato bem fundo. Só não consegui um estômago imenso nessa metáfora; meu cérebro não retém muita coisa, talvez pela falta de treino quando mais jovem e maleável.

É por isso que escrevo, pra poder lembrar das minhas próprias conclusões posteriormente. Prática que foi bastante abalada depois da leitura da "Arte de Escrever" do Schopenhauer, uma antologia de textos sobre o ato de escrever, retirados do seu livro mais célebre o "Parerga e Paralipomena". Meu processo criativo ficou seriamente avariado, releguei ao baú do esquecimento anos de apontamentos e idéias quando me deparei com tais "dicas" sobre o ofício de escritor, esse ofício de digestor, sintetizador, criador de conceitos novos - obrigatoriamente novos e nada menos que brilhantes - para que valham a pena serem lidos. Reproduzir idéias alheias é trabalho que qualquer máquina copiadora é capaz. Ter uma opinião que já existe é fácil, até um animal é capaz de seguir a manada pela vida toda e morrer tranquilo e realizado. Pois é, foi assim que meu querido amigo "Schoppz" me atentou - no melhor estilo Phill Spector de convencimento - sobre a importância e a beleza da criação e da síntese, afinal, em suas próprias palavras: "Não é possível alimentar os outros com restos não digeridos, mas só com o leite que se formou a partir do próprio sangue.". Calma! Reproduzir pequenas citações é permitido, dão credibilidade à idéia.

Sim, alimentar os outros. É com esse conceito em mente que deveria agir o escritor (e os artistas, em geral): com o respeito de um cozinheiro, que usa os melhores ingredientes, os mais saudáveis e deliciosos; ou, aproveitando da metáfora do mestre, o respeito de uma mãe, que se alimenta da melhor forma para seu leite, produto do seu sangue, ser o mais nutritivo possível para seu filho. Afinal, a arte - como qualquer pessoa, por mais miserável que seja, sabe - é o alimento da alma. 

Aí você diz: "Como você é antiquado! Nem tudo precisa ser arte, todos têm direito de se expressar da forma que bem entender.". Concordo e assino embaixo. A liberdade de expressão é uma dádiva divina,  assim como o conhecimento - que criou a poesia e a bomba atômica - também é. Tenho mesmo que parar com essa mania de ditar regras pra tudo e ser mais "prafrentex", eu sei.

Reconheço que estou longe da genialidade e, mesmo tomando todos os cuidados para não usar produtos de qualidade inferior na minha 'cozinha', já peço desculpas por qualquer indigestão. Mas, vai... sei que você também concorda que 'és o que consomes' ou, como me disse um grande amigo: 'urubu que come pedra...'


Ps:
A imagem deste texto é de autoria do estúdio Brosmind (projeto What's Inside).

domingo, 28 de setembro de 2014

Orgulho nosso de cada dia.

Há muito tempo se percebe uma grande inversão de valores no mundo. O que, antigamente, era horrível e perverso, hoje em dia é tratado como algo aceitável e até mesmo corriqueiro. O rol de pecados, criados pela igreja católica, que antes eram limites constantes na vida da maioria das pessoas, perdeu a sua força e hoje é encarado como mero folclore. Ora, nada mais do que resultado de um movimento natural de evolução humana que, embasada na ciência e na psicologia, clama por seu direito natural ao livre arbítrio e à felicidade.

Então, por que somos tão tristes? Diz-se que nossa geração é uma das mais frustradas e tristes da história. Talvez, como diz uma amiga em seu blog"Essa obrigação de ser feliz o tempo todo é que tem nos feito tristes". Quando, para justificar nossos impulsos, na obrigação de sermos felizes, questionamos qualquer limite à nossas atitudes (e o rol de pecados seriam uma forma desses limites), também afastamos da nossa responsabilidade as conseqüências e nos fechamos nesse universo de mentira, onde tudo é possível e nada dá errado, onde nem o céu é o limite (metafórica e literalmente). E com cada vez mais anseios desenfreados e a obrigação de realizá-los, só conseguimos mais chances de frustrações, pois no mundo real, das coisas reais e das possibilidades reais, nem tudo o que sonhamos dá certo. Criamo-nos uma armadilha terrível e nem sequer notamos.

É mais ou menos por essa linha raciocínio que o historiador Leandro Karnal nos apresenta ao Orgulho, o "pecado capital", ou ainda o "pecado dos pecados", que gera todos os outros pecados e é a fonte geradora de todo o sofrimento do mundo (e isso é afirmado por várias outras religiões e filosofias, tanto orientais quanto ocidentais). Karnal nos apresenta, de forma espetacular, ótimos argumentos para nossa reflexão, além de nos dar uma bela aula de história, sociologia, teologia, mitologia e psicologia. Não tem como não gostar.

Aproveite que hoje é domingo, que você não tem nada o que fazer e dedique essa próxima hora para ser surpreendido por você mesmo.

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Orgulho nosso de cada dia:

por Leandro Karnal


“o orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que é a fonte de todos os vícios.”


Este pensamento de Santo Agostinho parece não ser mais levado em tanta consideração. pois, a vaidade parece estar cada vez mais em alta nesta sociedade, onde o individualismo e o “empreendedorismo” passaram a ser metas, valores, fortemente estimulados. aquele que já foi visto como o maior e o primeiro dos pecados capitais por seus atributos maléficos – o orgulho – hoje virou virtude. disfarçada e rebatizada de autoestima, a vaidade é agora “amor próprio”. este programa abre a série do café filosófico que traz os “7 prazeres capitais – pecados e virtudes hoje”, com a curadoria e apresentação do historiador Leandro Karnal.




Recomendo a versão integral da palestra, com todas as perguntas ao final e sem as intervenções da TV Cultura.

Caso você, como eu, também ficou fã do Leandro Karnal, fica aqui a lista de outras palestras dele, no CPFL Cultura.