quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Natural, como respirar



Garimpando na minha caixa de e-mail, me deparei com uma correspondência entre mim e uma amiga que, naquela época, se sentia ansiosa com as mil coisas que já estavam planejadas e que poderiam acontecer nos próximos meses, mas não tinha muito pra fazer agora, exceto esperar. Como era uma pessoa muito ativa, resolvida e não menos ansiosa, esperar não era sua praia, se sentia perdida e meio triste, sem saber o que fazer.

Eu poderia ter feito como a maioria das pessoas faz e usar daquela solidariedade automática, também chorar minhas pitangas, dizendo que "ah, pois é, eu também tô cheio de problemas... essa vida é uma loucura mesmo! Ah, que mundo cruel!". Mas pensei: que tipo de amigo seria eu que, ao invés de confortar, elevando a outra pessoa para um nível mais alto, onde ela possa ver mais longe e se sentir melhor e mais segura com o futuro; também me jogo no buraco para chorarmos juntos e não sairmos mais dali?

Não respondi o e-mail de imediato. Fiz um chá e fiquei olhando a noite pela janela, meditando. Era madrugada, a Rua da Consolação, que outrora estava lotada de carros, agora estava vazia e assim ficaria até o amanhecer; a lua não estava mais cheia, cumpria sua sina de ir sumindo dia após dia para desaparecer completamente durante a lua nova e depois voltar a crescer até atingir a fase cheia outra vez; olhei os vultos das árvores balançando com o vento que as jogavam pra um lado e para o outro, constantemente, quase que no ritmo da minha respiração que enchia e esvaziava meus pulmões de ar, num ciclo infinito e constante, mas sempre com uma pausa entre o final do encher e o início do esvaziar. Mas, em tudo o que tinha observado havia esse momento de ausência de movimento entre as fases dos ciclos. Ora, ausência de movimento é bem o período em que minha amiga estava e, pelo que me parece - e pelo que consta nas leis da Física sobre Movimento -, é bem natural que isso aconteça.

Mesmo sendo a 3ª lei de Newton e o Movimento Pendular de Galileu Galilei belos argumentos para uma palestra motivacional, não se preocupem, venci a tentação verborrágica e apenas publicarei o que respondi depois de alguns dias de reflexão e observação:

"Nos últimos dias, pensei sobre como é naturais isso que te acontece. Fiquei olhando a natureza e, pra todo impulso, há um momento em que não se tem movimento, onde a as forças são nulas: na onda do mar, entre a onda que vai e a onda que vem; na respiração, entre o inspirar e o expirar e por aí vai. E é nesse momento que você está, entre fôlegos, entre ondas, um momento mais natural do que a gente pensa, mas que dá uma estranha e inevitável agonia. Aproveite-o! Use-o pra pensar no que você conquistou, internalize o que passou, faça planos, pense no futuro também. Pois, acho que, quando o bicho pegar e tudo engrenar, aí você não vai ter mais muito tempo pra pensar e planejar. Vai ser puro agir."

Enfim, nunca vai dar errado. Acalmar-se. Respirar. Olhar ao redor. Ficar atento. A melhor resposta vai ser a mais simples, a mais natural. Faça o teste.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Deus me lívery !



Liga na pizzaria e pede uma Margherita.

- Aqui não tem essa pizza de Margarida, não, moça.
- Não é Margarida, meu amigo, é Mar-ghe-ri-ta.
- Então, é o que eu disse, não tem Margarida aqui não.
- É margherita, meu amigo, ghe-ri-ta. É uma das pizzas mais tradicionais do mundo. Massa, muçarela, tomate e manjericão. Simples.
- Ué, mas isso aí que a senhora tá pedindo é pizza de Muçarela, então.
- Não, amigo, se tem tomate e manjericão é Margherita! Aquela história toda, das cores da bandeira da Itália, numa pizza, lá em Nápoles, em homenagem a Rainha Margherita...
- Ah, senhora, sei disso aí não. Esses negócio de gringo é tudo outra história, cheio de firula... e, também, já viu, né? Deve estar cheio de gente tentando ligar aqui e a senhora nessa coisa de pizza de Margarida!
- É Margherita, querido, Mar-ghe-ri-ta. Eme, a, érre, gê...
- Tá bom, tá bom. Vamo fazer essa aí pra senhora. Muçarela, tomate e oregano, néisso?
- Não, muçarela, tomate e manjericão. Man-je-ri-cão.
- Tá, manjericão, beleza.
- E, me diga, o manjericão é fresco?
- O Manjericão? Fresco? O mais fresco da cidade! Dá pra ver a frescura de longe, só de olhar pra ele.
- Então tá bom. Manda a pizza e traz troco pra cinqüenta.
- Tá bem então, em meia hora a pizza chega no endereço que a senhora me passou. Obrigado e boa noite.
- Obrigada, boa noite.
Nem termina de desligar o telefone e já olha pro pizzaiolo, um negão alto, um tanto acima do peso, de ombro largo e diz: 
- Aí, Manjericão, esses seus amigo tem cada uma heim!
- O que foi, Fófis? Qualé o babado?
- Ligando aí, pedindo pizza que não existe. E ainda pergunta se você é fresco! Até parece que não te conhece, pô!

Uma hora depois, chega a pizza no endereço combinado: Muçarela, tomate e orégano.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Pretérito Presente no Subjetivo

Decidi oficializar minha carreira literária lançando este livro, para o qual selecionei 27 poemas meus, escritos entre 1997 e 2009. São poemas de juventude; da procura por respostas, por soluções às frustrações e dores que, naqueles tempos, pareciam imensas e eternas.


Hoje, feliz por estar errado, e reconhecendo que sem desilusões vencidas não há ser humano completo, celebro e exponho, neste volume, minhas melhores cicatrizes.


- Edição Física Esgotada - 


   Edição Kindle      |      Versão em PDF

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

MúsicaPavê fala sobre o PPnS


TIAGO LOBÃO: DE MÚSICO A ESCRITOR INDEPENDENTE


tiago-lobao
Talvez você conheça ele como o baixista que acompanha Nevilton, ou como o baterista no mesmo projeto. Não bastasse essa versatilidade, até como garçom o cara é conhecido. Agora, porém, Tiago Lobão acrescenta mais um ofício ao seu currículo e (por que não?) à sua identidade: Escritor.
Seu primeiro lançamento é o livro de poesia O Pretérito Presente no Subjetivo (simpático e bonito já no título), que traz 27 poeemas escritos em épocas diferentes, mas que, como ele explica, “ainda fazem parte de mim”. “E esse foi o parâmetro pra escolher os poemas”, comenta Lobão, “eles deveriam ser relevantes pra mim ainda hoje e, é claro, bonitos”. Pra esse processo de edição, ele precisou revisitar não só suas palavras, mas todas as circunstâncias que as cercaram no período de escrita – uma verdadeira viagem no tempo, como o nome sugere.
“Foi como reabrir feridas antigas pra poder redescrever a dor de uma forma mais confiável. Achei que foi um ótimo exercício artístico e psicológico pra mim”, diz o autor, que disponibilizou a obra em uma grande diversidade de formatos (Kindle, Kobo e LEV, além da versão em PDF disponível no sistema “pague o quanto quiser” e o livro impresso, vendido em shows de Nevilton). Como ele comenta, “dá pra ver que estou usando o know how de banda independente na carreira de escritor independente”.
A experiência na música, porém, vai além do formato de lançamento. “Criar tensão, desfazer a tensão, pausas, ritmo, até o som das palavras, a rima, a métrica, tudo isso foi bem mais fácil pela prática que eu adquiri fazendo música”, conta ele, afirmando que a recíproca é verdadeira e o trabalho com palavras tem uma influência inegável na hora de tocar e compor.
Algo que não conversamos, mas que imagino que ele saiba melhor do que eu, é sobre o processo de colocar uma obra no mundo, seja na linguagem artística que ela vier, sabendo que cada um se apropria dela como bem entender. As dores e a experiência que Lobão teve pra escrever um verso causarão identificações diversas nas pessoas, um processo que ele sempre observou na música e agora poderá medir ainda mais, já que assina o trabalho com seu próprio nome.
E, já que assumi o texto em primeira pessoa na conclusão, ver uma iniciativa dessas vindo de alguém já conhecido por outras funções me relembra a inquietude criativa que observo como própria da nossa geração. Mais do que produzir por um alívio da criatividade, ele usou seu tempo para repensar, revisar, reescrever e toda repetição de atividade que gere algo inédito para quem o conhece em terceira pessoa, perto ou longe, nos dando a oportunidade de enxergar não só o mundo aos seus olhos, mas ele mesmo. Haja coragem.
Pra terminar, saiba que haverá lançamento do livro em São Paulo, com direito a show, nesta quinta-feira em São Paulo. Os detalhes estão abaixo, depois da capa do livro. Acompanhe o trabalho de Tiago Lobão também em seu blog.
O-Preterito-Presente-No-Subjetivo
##Beco Antes apresenta: Nevilton + lançamento do livro do Tiago Lobão
Quinta, 9 de outubro, a partir das 20h
Beco 203: Rua Augusta, 609


fonte: http://musicapave.com/artigos/tiago-lobao-de-musico-independente-a-escritor-independente/

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Comprovações

O dia seguinte seria muito importante, participaríamos da etapa final do concurso Green Day MTV, que aconteceria no Inferno Club, rua Augusta. O vencedor iria ser a banda de abertura para o Green Day, na Arena Anhembi, para um público de, mais ou menos 30 mil pessoas. Não era costume, mas naquele dia, o Apê 80 (ainda um embrião do que viria a ser no upperground paulistano) foi dormir cedo.

Bellé Jr. (que naqueles tempos ainda era Júnior Bellé), dono do quarto, quedava-se em sua cama; eu dormia num colchão ao lado e o Chapolla em outro. De repente, fui despertado por sabe-se lá o que, era uma sensação de "abra os olhos agora", que obedeci imediatamente. Olhei pra cima, e ali estavam aqueles olhos familiares a me fitar. Ficamos nos olhando por uns 3 segundos, enquanto eu pensava: "O que o Bellé tá me olhando a uma hora dessas?". Foi então que reconheci aqueles olhos, e eles eram da minha avó. "Estranho, a minha avó está internada num hospital", pensei. Arrepiei, e o rosto que me fitava desapareceu. O rádio-relógio marcava, em vermelho, 03:03 da manhã. Lembrei de uma amiga que tinha uma paranóia com números repetidos e pensei no quanto ela ia achar essa história, nesse horário, muito louca. Respirei fundo e voltei a dormir.

O celular do Chapolla toca, ele atende, eu acordo, o rádio-relógio marcava 7:30 da manhã e o sol já pintava o céu de alaranjado lá fora."Ah... aconteceu... tá bom, eu falo pra ele". Eu já sabia o que ele iria me dizer. E ele disse: "Era o seu primo, ligou pra avisar que a sua avó, que estava doente, faleceu essa noite. Não ligaram antes pra deixar você dormir melhor e não atrapalhar o show de hoje, que é importante. Pediu pra você tomar um banho e depois ligar pra ele."

Levantei imediatamente e fui tomar um banho. Chorei enquanto pensava sobre a forma que terminara a história da minha avó, mas sentia alívo por sabê-la livre da dor imensa sentia nos últimos tempos. Saí do banho, liguei para o meu primo, e ele me avisou que dali a duas horas o caixão com o corpo da nossa avó sairia de São Paulo e iria pra Bandeirantes, onde ela seria sepultada e, que minha única chance de vê-la seria chegar à funerária antes que eles saíssem de viagem. Mas a funerária era incrivelmente longe e, sem dinheiro nem pro café da manhã, imagina para um taxi, me restou subir até a Avenida Paulista e pegar algum ônibus. Mas todos os ônibus chegariam depois do horário. Me restou a única escolha de não ir. Fiquei ali no Parque Mário Covas, sentado numa mesa, à sombra de uma árvore e, me lembrando de como minha avó gostava de flores, lhe dediquei uma oração de despedida e agradeci pela oportunidade e alegrias de tê-la como avó e pelo nosso último encontro, no hospital, semanas antes, ter sido bom e eu ter me despedido dela de forma amorosa.

Me lembrei, então, do fato acontecido pela madrugada, no quarto do Bellé. Mandei uma mensagem de texto pro meu primo e perguntei se ele sabia a hora que nossa avó havia falecido. Ele me respondeu que foi por volta das 3 da manhã, que ele estava ao lado dela e olhou o relógio. Um arrepio me correu o corpo novamente, mas dessa vez eu entendi que o arrepio era um abraço, e não era de adeus. Era de "eu te amo, até logo".

Estes fatos, verídicos, aconteceram há exatos 4 anos atrás, no dia 07 de Outubro de 2010, no mesmo horário em que eu publico este texto. Eles mudaram muito do que eu penso sobre a vida, a morte, as saudações e as despedidas.

Muito obrigado, vó, também te amo. Até logo.


Ps: Naquela noite vencemos a final o concurso, e o resultado você vê aqui.


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

O Pretérito Presente no Subjetivo

Com a aproximação do dia do lançamento, apresento, oficialmente, a capa e título do meu livro :

O Pretérito Presente no Subjetivo.

Unindo a gravura "Encontro", da artista plástica May Watanabe, com a diagramação de muito bom gosto de Letícia Junqueira, resultou numa capa que remete à estética dos Composition Books (caderno de redação muito utlizado nos EUA), nos quais eu fiz e ainda faço a maior parte dos meus rascunhos, anotações e finalizações dos poemas e outros textos, que estão neste livro ou estarão nos próximos. É, digamos assim, um Composition Book mais complexo, pelo que traz em seu interior. Interior este que conta, inclusive, com um belo prefácio do Bellé Jr.


   
Capa da versão impressa.                         Capa da versão digital.


No dia seguinte ao evento de lançamento do livro, ou seja, à partir do dia 10 de Outubro de 2014, você poderá adquirir o seu exemplar aqui no blog. Fique ligado!

E vale lembrar:

Lançamento do livro O Pretérito Presente no Subjetivo
Data: 09.10.2014 (Quinta-Feira)
Local: Beco 203 (Rua Augusta, 609 - São Paulo)
Horário: à partir das 20h. Show com o Nevilton às 22h.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Detalhes oficiais do Lançamento do meu livro de Poemas!


Então aí vai mais um aperitivo do meu livro de poemas (olhem como ficou lindo!). 
E agora temos os detalhes oficiais do lançamento!



Vejam só:

Quinta Feira, dia 09 de Outubro de 2014 no Beco 203 (R. Augusta, 609 - Consolação, São Paulo)
A casa abre às 20h, e à partir desse horário até as 22h, estarei lá, para dar um abraço em cada um de vocês que estiverem por lá.

E tem mais: neste dia, a alegria será em dobro.  À partir das 22h, vai ter show com o Nevilton! Ou seja, além de estar lançando o meu primeiro livro para o mundo, é o dia que eu volto aos palcos com esse grande parceiro, encerrando esse período chato de "férias forçadas".

Gostaria muito que todos vocês estivessem lá pra gente festejar juntos. Então, não faltem.

Até quinta-feira, dia 09, pessoal!

Abraços.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014