sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Blog Ré Menor : Resenha do OPPnS

Conheci a Êrica Blanc durante durante alguns dias que passei em Porto Velho (RO), onde estava para alguns shows com Nevilton e Bruno Souto, atrações no Festival Casarão. E, de repente, estávamos conversando sobre um trilhão de livros e coisas literárias em geral. Fiquei muito feliz em saber que o seu interesse por literatura era genuíno e profundo, a ponto dela ter um blog, o Ré Menor, no qual resenha livros e trata de outros assuntos, que é mantido com muito carinho e profissionalismo, indicando a ótima jornalista que ela já é.

Tempos depois, vi uma resenha do meu livro publicada no Ré Menor e fiquei muito feliz. 
Obrigado, Êrica!

Republiquei aqui:

Li, gostei, resenhei: O pretérito presente do subjetivo.


OPreteritoPresenteNoSubjetivo-CAPAvermelhoLivro: O pretérito presente do subjuntivo;
Autor: Tiago Lobão;
Editora: Livro independente;
Páginas: 44;
Sinopse: Tiago Lobão, que também é músico, decidiu oficializar sua carreira literária lançando este livro, para o qual selecionou 27 poemas seus, escritos entre 1997 e 2009. São poemas de juventude; da procura por respostas, por soluções às frustrações e dores que, naqueles tempos, pareciam imensas e eternas. Hoje, feliz por estar errado, e reconhecendo que sem desilusões vencidas não há ser humano completo, o autor celebra e expõe, neste volume, suas melhores cicatrizes.
nota-musical-1

A verdade sobre as cidades
“Somaram-se em sonhos os casais
Casas e vilas criaram
Uniram-se as vilas em cidades
Cidades que nos separam.”
“O Pretérito presente no subjetivo”, produção independente e primeiro livro, publicado, de Tiago Lobão. Você deve estar pensando que “produção independente” lembra ter filhos. Mas o que são os livros, se não filhos para seus criadores?! Devo dizer, com alegria, que o autor cuidou muito bem deste seu primeiro filho, escolhendo com cuidado e maestria cada uma de suas vinte e sete poesias publicadas em “O pretérito presente no subjetivo”. Ao ganhar este livro, a carta que o acompanhou dizia: “Que os poemas te agradem (apesar de melancólicos)”, devo esclarecer, como leitora assídua que sou, que as poesias encontradas neste livro falam, parafraseando o autor, de saudade, de coração partido, de amor, de dor, mas que sua melancolia não apaga o brilho de sua escrita, nem de longe! E, diante disso, só posso torcer, ansiosamente, por mais livros, deliciosamente melancólicos, de Tiago Lobão. Ah! E deseja-lo boa sorte, é claro!
E se você ficou super afim de acompanhar as coisas escritas pelo Tiago, basta acessar aqui, o seu site oficial!  Nesse site você também consegue comprar o livro ou em shows do Nevilton. E tem coisa melhor que ler ouvindo boas músicas?

fonte : http://www.remenor.com.br/li-gostei-resenhei-o-preterito-presente-do-subjuntivo/


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Da Abstinência

"Vai chegar um tempo no qual sentirá minha falta. Uma saudade imensa que o fará me procurar novamente. Passará noites em claro pensando em mim. Desesperado, vai chorar. Daí em diante perderá a saúde e a cabeça. E, quando perceber, já estará novamente nos meus braços, me pedindo pra voltar."

É o que, também, diz a Morte ao entregar um ser à Vida.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vizinhos


Essa história é verídica, aconteceu com um conhecido meu. Foi há tempos atrás, quando ele ainda era um garotinho de apenas uma década de vida e ainda morava com seus pais na Rua Aquidaban, perto do Ginásio de Esportes e do Cemitério, em Umuarama, interior do Paraná. Estavam reformando a casa. Era uma reforma grande, portanto, os quatro membros de sua família tiveram que passar aquele mês morando na edícula, nos fundos do quintal. A edícula dividia uma das paredes com a da casa do vizinho dos fundos. 

Tudo transcorreu tranquilamente durante os primeiros dias, até que, em uma noite, já durante alta madrugada, os vizinhos resolveram mudar a arrumação do quarto. Era uma barulheira de móveis sendo arrastados de um canto para o outro que seguiu até quase o sol nascer, destruindo qualquer esperança de um sono tranqüilo e revigorante para a família.Se fosse apenas por uma noite, não haveria mal algum.Porém, o barulho da arrastação de móveis e sonoplastias diversas começou a ficar rotineiro e atrapalhar demais a paz e o sono da família, que já tinha que conviver com o barulho e poeirada reforma de sua casa durante o dia todo. 

Depois de vários dias cultivando olheiras, já cansada com a indecisão dos vizinhos com a nova arrumação do quarto que parecia não terminar nunca, a mãe do meu amigo aproveitou uma tarde mais livre e foi lá pedir alguma providência. Ao chegar em frente ao portão do vizinho barulhento, percebeu que ali não morava ninguém, era a sede da ACESF, uma autarquia do município de Umuarama cuja sigla significa Administração de Cemitérios e Serviços Funerários, e não deixa mistério algum sobre suas funções.

Naquele tempo, a ACESF era na mesma Avenida Gov. Parigot de Souza, mas numa casinha pequena e branca, com uma lua em alto relevo sobre a porta da frente. Lá, no quarto dos fundos, era o lugar onde se estocava os caixões vazios e se preparava os cadáveres que chegavam do IML para que pudessem ser velados e enterrados no Cemitério Municipal, do outro lado da rua.

“Tudo bem que serviço funerário não tem hora pra acontecer, mas pelo menos deviam fazer menos barulho pela madrugada!” – pensou consigo a mãe do amigo. E assim que foi atendida pelo funcionário desabafou polidamente:

- Oi, eu sou sua vizinha dos fundos e nosso quarto divide a mesma parede com o quarto dos fundos de vocês. Sei que não tem hora pra se morrer e nem pra vocês trabalharem, mas o pessoal que vem pro turno da noite tem feito muito barulho durante a madrugada inteira... arrastando móveis pra lá, coisas pra cá. Isso tem atrapalhado muito o sono da minha família. O funcionário, meio espantado, porém, bastante solícito, respondeu:

- Senhora, peço desculpas pelo barulho, mas infelizmente não podemos fazer muita coisa. Aqui não existe turno da noite, nós só trabalhamos até as 18 horas.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Rotações e Translações



Acordara revigorado naquela manhã, dia 02 de Janeiro. A ânsia de voltar ao trabalho depois daqueles dias de folga de virada de ano era enorme. Era um workaholic de carteirinha.

Seguindo o ritual que havia criado e evoluído nos últimos 2 anos, acordou cedinho para ir ao trabalho, tomou seu café com muito açucar e pouco leite, e comeu suas torradas com requeijão. Vestiu seu paletó agradecendo à Willis Carrier que em 1902 inventou o ar condicionado, possibilitando que os executivos tropicais fossem ‘européiamente’ elegantes e, depois de tudo em ordem, pegou sua pasta, entrou em seu carro do ano e foi para o escritório.

Entre conflitos de ego com superiores e subalternos, montanhas de procedimentos para averiguar, conseguia ainda jogar seu charme para as companheiras de trabalho. Por não ter uma vida social muito ativa, era durante o trabalho que ele tentava se afirmar como homem. Os colegas não acreditavam como ele conseguia, sem atrasar o cronograma do setor, cantar a estagiária e levar um café com pouco açúcar, mas com muitas outras intenções, para a supervisora do financeiro.

Utilizava a uma hora e meia de almoço que tinha (e que achava muito) para se inteirar da situação do Flamengo e das ultimas fofocas da política nacional. Também não perdia de ler as tirinhas sacanas da seção de quadrinhos.

Devidamente relaxado, voltava para sua montanha de afazeres e bate papo com o pessoal do setor de informática onde trabalhava. Isso duraria o restante do turno que se estendia até as 19h. Adorava fazer um serão.

De volta ao lar, ligava a televisão e, enquanto preparava sua lasanha congelada, prestava atenção nas ultimas falcatruas da novela. E não precisava de mais nada.

Era assim todos os dias, sem muitas variações. Novela terminada, veste o pijama e se prepara para deitar. Foi aí que o telefone tocou. Era o Roberto, seu irmão, ligando para desejar um feliz Ano Novo. Assustado foi olhar o calendário e outro ano havia passado. Era 31 de Dezembro.


28/12/2008

domingo, 28 de dezembro de 2014

Livro + Show : Estamos em Umuarama!

Depois de muitos meses, finalmente voltei a Umuarama. E com muita alegria farei um evento oficial de lançamento do meu livro aqui, terra onde a maioria dos poemas do livro nasceu. E pra deixar a festa mais imperdível, vamos reunir, após 5 anos, o Nevilton Trio Original (Nevilton + Lobão + Fernanditto), e tocaremos as músicas do disco que gravamos juntos, o "De Verdade". Espero todos lá.



Local: Tabeerna
Horário: à partir das 18h (show às 20h)
O livro estará à venda por R$15,00. (levem trocados pra ajudar)


sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Uma Manhã


Acorda, abre os olhos. São dez horas da manhã. Instintivamente vem o desconforto de acordar só. Entretanto, agradece aos céus por não ter mais aquele emprego besta de intermináveis oito horas diárias bem sofridas, aguentando as ladainhas do seu chefe. Era aliviante respeitar seu relógio biológico, estava mais saudável do que nunca, uma “saúde de ferro”, como lhe disse o médico.

Sai da cama afim de tomar aquele banho matinal, para que possa ficar definitivamente “em pé”. Com o sono afugentado, veste-se com seu robe e vai até a cozinha de seu pequeno apartamento. Coloca a água na chaleira vermelha e a leva ao fogão. Enquanto a água ferve, separa o pó negro e cheiroso do café moído ainda ontem na feira do bairro e prepara para si um ovo mexido.

A água fervida, passando pelo pó, emana o irresistível cheiro do café que perfuma todo o ambiente. Alcança o patê de presunto na geladeira, passa num pão francês e junta o ovo mexido. “Isso sim que é um sanduíche” – pensa. O café está pronto, preto, sem açucar, como sempre. Degusta tudo lentamente e, a cada gole do café, sente seus neurônios mais despertos. “Bom dia vida!” – e saúda o cosmos.

Terminado o ritual do despertar, volta ao closet. Veste-se casualmente para sair de casa. Antes de sair, no caminho para a porta, retém-se na estante de livros. Para. Olha para o porta-retratos. Acolhe o em suas mãos e o traz para perto do rosto, beijando-o carinhosamente. Devolve-o. Sai de casa. Tranca a porta. E como em todos os dias dos últimos 3 meses, pensa, com esperança e melancolia, na pessoa com a qual, um dia, voltará a dividir o mesmo teto.

19/05/2008

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014