sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A vista lá do alto

"Standing on a hill in my mountain of dreams
 Telling myself it's not as hard as it seems"
                              Jimmy Page e Robert Plant


Nas últimas semanas, todas as noite, assim que as missões diárias são cumpridas e estou voltando pra casa, me surge na cabeça a canção "Going to California", do Led Zeppelin. É inevitável, automático, quando me dou por mim, já estou cantarolando aquela melodia linda e nostálgica do Robert Plant, imaginando aqueles mandolins todos do John Paul Jones beliscando os acordes de violão do Jimmy Page e uma enxurrada de boas lembranças e sentimentos começam a escorrer da memória pelo corpo todo.

Mas, por que diabos "Going to California"? Sim, é uma música linda, mas faz anos que não a escuto. Não podia ser aquela do Sinatra que ouvi centenas de vezes na semana passada? Por quê meu subconsciente está indo buscá-la tão longe? Então a resposta vem clara quando me deparo, na letra da canção, com os versos que abrem este texto: "Em cima de um dos monte da minha montanha de sonhos; dizendo a mim mesmo que não é tão difícil quanto parece".

Obrigado, subconsciente! Então você está tentando me dizer, todas as noites, pra eu ficar tranquilo, pois ao escalar minha montanha de sonhos, por mais difícil que pareça, quanto mais alto eu chegar, menos difícil parecerá o trajeto até ali? E você tem razão! Os amigos alpinistas podem, com certeza, confirmar esse sentimento.

Quem tem sonho tem força. A humanidade não caminha sem estímulo, nada segue em frente sem estímulo. Foi assim que fomos forjados, sobrepondo sonhos e necessidades aos desafios que se apresentaram a cada momento. Da agricultura às tecnologias espaciais, todos os passos importantes na evolução humana foram dados para eliminar desconfortos. Seguimos abrindo portas, antes derrubando-as, agora, fazendo as chaves; galgamos os degraus da evolução com passos cada vez mais firmes.

Citando, também, J. R. R. Tolkien, grande influência na vida e música de Page e Plant, que escreveu na abertura do livro "O Hobbit" : "Um passo a frente e você já não está no mesmo lugar". Percebemos que, às vezes o passo é pro lado errado, mas isso é natural de quem está se sentindo incomodado, procurando por uma saída, uma solução urgente e, no calor do momentos só se preocupa em sair dali. E após o passo, num novo lugar, é inevitável que novos desafios se apresentem. É preciso estar sempre preparado e atento para este ciclo infinito de estímulos e possibilidades para exercitarmos nossa criatividade e força, tanto como indivíduos quanto sociedade humana.

Por isso tudo, antes de sentarmos e chorarmos desesperados, cansados e desanimados com as dores pelo corpo, com o desânimo na alma, tiremos os olhos do chão, e de cima de um dos montes da nossa montanha de sonhos, façamos como sugere a canção, apreciemos a paisagem e percebamos o quão alto chegamos. Relembremos dos desafios vencidos pelo caminho até aqui e de como, independente das dores que trouxeram, eles serviram para provar a nossa capacidade de superarmos obstáculos e sermos ainda melhores do que supomos ser. E é verdade, Robert, daqui de cima, não é tão difícil quanto parecia ser.


E aí está ela. Going to California, ao vivo em Earls Court, Londres, 1975 : 


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ascendam as luzes


Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


O poema acima, Versos Íntimos, é de Augusto dos Anjos (1884-1914), e foi publicado em seu único livro “Eu”, em 1912. Comprova o que não é novidade pra ninguém: vivemos, e não é de hoje, em tempos obscuros. A vaidade, a hipocrisia, o egoísmo, o orgulho, o materialismo, e outros tantos tipos de conduta humana são como nuvens densas, cortinas espessas que bloqueiam a luz do sol da verdade e da vida e espantam o calor do amor que se propaga em suas ondas.

Se analisarmos os noticiários, poderíamos concluir que regredimos intelectual e moralmente, e isso nos afeta o pensamento e as atitudes cotidianas. Nas palavras do poeta : “O Homem, que, nesta terra miserável, mora entre feras, sente inevitável necessidade de também ser fera”. E muitos assim o são a contragosto, lutando contra intuições e consciência, fazendo o mal ao outro e um ainda maior a si mesmo, pelo medo de serem marginalizados, no afã de serem aceitos.

É claro que existem os que agem mal por conta própria, mas assim o fazem por ignorar o bem que podem fazer ou, ainda, por ignorar as implicações funestas que tais atos trazem para si. Se soubessem, se fossem despertados, convidados e convencidos a fazerem o bem, não por discursos hipócritas, mas por atitudes reais no cotidianos, fariam o bem sem dúvidas.

Há, na Bíblia, uma passagem na qual Jesus diz: “Ninguém, depois de acender uma candeia, a cobre com um vaso ou a põe debaixo duma cama; pelo contrário coloca-a sobre um velador, a fim de que os que entram, vejam a luz”. E é de focos de luz o que precisamos nesta hora escura pela qual passamos. 

Voltando aos noticiários, agora com mais atenção e focados no bem, é perceptível nossa evolução. A maioria das manchetes pedem pelo fim de más atitudes, antes consideradas normais. Nos tempos de Augusto dos Anjos, famílias se reuniam para assistir à enforcamentos em praça pública; jogavam gatos vivos, dentro de sacos, em fogueiras, para deleite e riso; os duelos de morte entre cavalheiros eram grandes eventos sociais; antes ainda, era costume assistir animais selvagens despedaçarem e devorarem seres humanos.

É bom ver que Hoje já não somos mais assim, apesar de  ainda existirem alguns resquícios disso. O sangue e a dor alheia ainda atraem atenção, conforme diz o historiador Leandro Karnal, pelo alívio de constatar que a vítima da vez não fui eu. É instinto. Mas, como ele também diz: “isso passa”. E está passando, é questão de tempo e trabalho, como demonstra a história. 

Se a hora é escura, façamos luz. Acendamos e ascendamo-la!  Sem esconde-la debaixo da cama da preguiça, da mesa da vaidade ou detrás das cortinas do medo. É preciso que quem tenha a luz ilumine o máximo possível.


PS: Se gostou desse texto, sugiro a leitora deste aqui.

sábado, 3 de dezembro de 2016

O meu Amor, em Neruda

Tenho a mania de conceituar as coisas. Talvez, inconscientemente, esteja usando do artifício de nomear para controlar, que tantos teóricos da psicologia e sociologia comentam. Apesar de supo-lo eficiente, não me parece tão saudável assim. E tento, ainda sem sucesso, minimizar um pouco o costume.

Dia desses, recebi uma ajuda importante no tema preferido: o Amor. Deparei-me com o Poema 44, do livro Cem Sonetos de Amor (Cien Sonetos de Amor, 1959), de Pablo Neruda. Neste livro, o poeta descreve o Amor, o Romance e seus derivados de cem formas diferentes e, neste poema, em especial, como um sentimento tão primordial e imenso, que transcende a si, que é e está em tudo, inclusive na sua própria ausência. Afinal, se em tudo que existe também existe o seu oposto, há amor mesmo quando não se ama; persiste a atitude mesmo quando cala-se o ato.


Poema XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A dramática hora

São difíceis as despedidas. Dar adeus é ato de fé. Dar adeus é dar a Deus, mesmo. É ceder o controle e estar bem com isso. É resignar-me, reconhecer-me impotente sobre as rédeas do que eu não comando. É fiar-me ao futuro, confiar no reencontro sem depender reencontros. É confirmar-me quite, satisfeito com o que se deu até ali. A dramática hora de deixar partir.

E como abster-me em paz se tudo é aleatório; se a lógica da vida não é constante; se não há uma ordem sobre o caos do Universo infinito? Como abster-me em paz se a única força confiável é a minha; se o único ser potente sou eu? Como suportar a minha ausência nos fatos e a ausência dos fatos em mim? Como abster-me em paz? Se dar adeus é dar a Deus, a quem darei se não há Deus? A quem darei se não suporto só? Meu orgulho não me deixa, minha vaidade me suplanta. É por isso! Por isso são difíceis as despedidas!

Sim, são difíceis. São difíceis as despedidas, insisto. Pois adeuses são atos de fé. E dar adeus é dar a Deus. E há Deus. E Deus há de nos ajudar.

domingo, 20 de novembro de 2016

Livro : O Céu e o Inferno [1865, Allan Kardec]

Comentários ao capítulo IV - O Inferno, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec.
Capa para uma das muitas edições da Federação Espírita Brasileira


O Céu e o Inferno, ou A Justiça Divina Segundo o Espiritismo (Le Ciel et l'Enfer, ou La Justice Divine Selon Le Spiritisme), é um dos livros básicos do Espiritismo. Foi publicado por Allan Kardec, em 1º de agosto de 1865, após vários anos de observações e estudos. Composta de duas partes, a obra traz luz sobre o mecanismo da Justiça Divina, sempre de acordo com o princípio evangélico: "A cada um segundo suas obras".

A primeira parte do livro é dedicada a um exame crítico e filosófico, sob o paradigma Espírita, de vários assuntos relacionados aos sentimentos de medo e culpa que desenvolvemos, através dos tempos, tanto pela religião, quanto por outros aspectos culturais. Sentimentos e costumes que podem, conforme Kardec, ser eliminados através do exame racional aliado aos conhecimentos científicos conquistados pela humanidade durante sua evolução.

A segunda parte do livro é uma compilação de vários diálogos que Kardec estabeleceu com diversos espíritos, os quais descrevem as impressões e sentimentos advindos do processo de desencarne (morte). Desta forma, pode-se comparar as diferentes experiências conforme diferente é o carater de cada espírito comunicante.

Por ocasião de um seminário apresentado no dia 05 de Outubro de 2016, em aula do curso de Espiritismo da Federação Espírita de São Paulo, coube ao meu grupo discorrer sobre o capítulo IV - O Inferno. Tal capítulo trata dos temas: intuição das penas futuras; o inferno cristão imitado do inferno pagão; os limbos; quadro do inferno pagão; esboço do inferno cristão. Como resumo deste seminário, escrevi o texto abaixo, o qual gostaria de compartilhar com todos.

.......

Desde que se tem notícias, sempre houve, na humanidade, a idéia de uma vida futura, após a morte. E os detalhes de como seria essa vida futura variam conforme o nível evolutivo, científico, moral e religioso de cada civilização. Se materialista, a vida futura dos justos era envolta de prazeres materiais abundantes; e, quanto mais espiritualizada, os prazeres eternos do Paraíso iam se deslocando para a felicidade moral, e a leveza da consciência. Da mesma forma, os medos culturais e as dores físicas cotidianas eram transferidas para o Inferno. Por exemplo, civilizações que viviam cercadas de gelo, criaram infernos extremamente gelados; já as civilizações de climas quentes, criaram infernos insuportavelmente quentes. As civilizações mais avançadas, que já entendiam as relações morais da vida, criavam infernos onde as punições doíam na consciência, pela culpa das más atitudes tomadas em vida; em oposição ao paraíso, morada dos justos e de consciência tranquila, a desfrutar a paz eterna. E assim por diante.

Entretanto, apesar das várias formas de representação da vida futura, vale ressaltar o quanto esse conceito antiqüíssimo é comum e possui confluências conceituais, mesmo tendo se manifestado em várias civilizações diferentes, que não se comunicavam, espalhadas e distantes ao redor do mundo. O que nos leva a considerar a existência de uma intuição comum a todo ser humano, um conhecimento espiritual, que as almas de cada ser encarnado trazem consigo, sobre uma existência ditosa ou não, conforme a vida que se levou aqui na Terra.

Focaremos na idéia do Inferno, tema do capítulo estudado. Dada a antiguidade do conceito de que existe um lugar para punições na “vida pós morte”, podemos afirmar que o Inferno não é uma invenção da igreja Católica. O que ela fez foi apenas agregar sua interpretação e seus dogmas às idéias de inferno Pagãos, cultura que combatia e desejava subjugar, piorando o máximo possível a descrição dos sofrimentos. Desta forma, criava imagens horripilantes para causar bastante medo em seus fiéis, o suficiente para mantê-los tementes, sob controle e contribuindo financeiramente com a Igreja, sem questionar, afinal questionar a igreja levava ao Inferno, por toda a eternidade.

O inferno Católico é um lugar onde os espíritos de quem não é católico e levou uma vida desregrada, cheia de atos considerados pecado pelo catolicismo, recebem punições eternas e insuportáveis. É um inferno de caráter duplo, obviamente incongruente, pois pune, com dores físicas, espíritos que não possuem corpo físico. De certo, o caráter meio materialista meio espiritual desse inferno é resultado do estágio intermediário de evolução da humanidade ocidental durante o período no qual esse inferno foi confeccionado.

Por ser um amálgama de idéias de outras crenças não católicas, temos muitas coisas em comum entre o inferno Pagão e o Católico, sendo, como já dissemos, pioradas na descrição católica. Por exemplo, para os Pagãos, o Rei dos Infernos é Plutão, que está lá apenas gerenciando, recebendo e punindo quem por lá chegar, sem fazer qualquer outro tipo de juízo, ele faz o que deve ser feito pois esse é o seu trabalho e ponto. Já no inferno Católico, o Rei dos Infernos é Satanás que, além de punir as almas que por lá chegam, também é responsável por criar armadilhas e tentações para humanos desavisados, com o fim de angariar sempre mais almas para as suas masmorras.

Os pagãos situavam o Paraíso e o Inferno em um lugar físico. O Paraíso, para além das nuvens e o Inferno nas profundezas da terra. Os católicos, por muitos séculos, também fizeram o mesmo. Tiveram que mudar de idéia pela impossibilidade de manter tal crença, já que, após processos científicos de observação do subsolo e dos céus, comprovou-se não existir resquício algum de qualquer estrutura infernal sob a terra ou paradisíaca sobre as nuvens. Kardec aprofunda essas comparações no capítulo “quadro do inferno pagão”, citando a descrição de Inferno feita por François Fénelon, no conto sobre Telêmaco; e no capítulo “esboço do inferno cristão”, aprofunda-se sobre os estudos e digressões católicas, questionando-as e as comentando.

Sabendo que o Paraíso era para os bem aventurados, que viveram para a igreja Católica, seguiram todos os seus preceitos e pagaram todas as suas ‘tarifas’; e o Inferno era para os seus opostos, o que seria da vida futura daqueles Católicos que, por algum motivo falharam, que fizeram quase tudo certo e, por forças irresistíveis ao humano médio, pecaram? Como ficariam aqueles que se esforçaram muito mas, como a carne é fraca, se tornaram impuros para a vida eterna no Paraíso? Para cobrir essa lacuna, onde certamente estariam a maioria dos fiéis, criou-se o Purgatório, um lugar para onde iriam esses espíritos, os quais seriam eternamente punidos, de forma mais leve do que no inferno, mas aguardando a misericórdia divina, a intervenção dos Santos ou as orações dos vivos rogando para que Deus os perdoasse as faltas e os aceitasse no Paraíso. Desta forma, mesmo que ainda escravos dos prazeres da carne, ainda valia a pena tentar ser Católico e contribuir com o dízimo.

Entretanto, ainda restavam sem domicílio eterno as almas que não tiveram a oportunidade de conhecer a Luz de Deus, conforme os dogmas Católicos; que não foram batizados, que não participaram da comunidade Católica, o que viveram à margem de Deus, como os selvagens, as crianças mortas antes do batismo e todos os justos que vieram antes da vinda de Jesus Cristo. Para estes criou-se o Limbo. Limbo significa, literalmente, borda, margem, extremidade. 

Para os justos que viveram anteriores à Jesus, dizem ter havido um limbo especial, o Limbo dos Patriarcas, que foi extinto quando Jesus, após ser crucificado, foi até lá e perdoando os pecados, recolheu a todos que lá estavam, como prêmio por sua fé. Mas, subsiste até hoje e se manterá por toda a eternidade, conforme os Católicos, o Limbo para os demais espíritos, que lá passarão a eternidade, sem direito à salvação. Idéia extremamente contrária à infinita misericórdia e amor de Deus por toda a sua criação.

Todos estes cenários, independente da cultura nos quais foram criados, onde existam punições eternas sem chance de “revisão da pena”, são monumentos à imperfeição de Deus e, atualmente, por não terem lógica alguma são, também, um convite ao ateísmo. Criou-se a imagem de um Deus que pune, que julga, que cria os seres imperfeitos e os condena pelas atitudes imperfeitas inerentes a isto; um Deus quase humano, instável e não confiável. Essa imagem de Deus entra em conflito com a mensagem do Cristo e a intuição que todos temos, intimamente, sobre Ele, gerando dúvidas e desconfianças sobre a fé que deveríamos cultivar. Assim, conclui Kardec que o Dogma do Inferno, ao contrário de dar autoridade e respeitabilidade à Deus, apenas O diminui, transformando-O em uma entidade tão imperfeita e questionável quanto o ser humano, esta sim é uma verdadeira e imensa blasfêmia.

No sentido oposto, temos a doutrina Espírita e sua visão da vida futura, das Leis Universais, pelas quais os Espíritos colhem exatamente o que plantam e na justa proporção do que plantaram. Que tira o Paraíso de o Inferno de lugares físicos, exteriores ao ser humano e os coloca onde é mais lógico que estejam: sob a nossa responsabilidade, dentro de cada um de nós (como bem ilustra a capa da edição que ilustra o início deste texto). O Inferno somos nós mesmos e não mais os outros, como dizia Jean Paul Sartre.

Desta forma, o Espiritismo enaltece a perfeição de Deus, Sua justiça, misericórdia e amor infinitos. E, além de tudo, alinha-se com vários livros sagrados, principalmente a Bíblia e as palavras de Jesus Cristo, de forma harmoniosa, sem a necessidade de malabarismos interpretativos esdrúxulos e duvidosos.

Entretanto, por mais absurdas que seja a idéia do Inferno como local eterno e irreversível de punição, ainda é necessário que ela exista. Pelo temor que causam, são, para vários grupos de pessoas em estágios de evolução espiritual ainda primária, a única forma de limite de consciência, de provocar reflexões e frear atitudes contrárias às Leis Universais. Fica, portanto, à cargo do Espiritismo, o trabalho firme e constante, através da educação e da promoção da fé raciocinada, de combater estes conceitos defasados, ao ponto em que eles não sejam mais necessários, proporcionando a todo ser humano uma conexão direta e verdadeira com o amor, a justiça e a misericórdia, enfim, com a perfeição infinita de Deus.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Guns n' Roses : Since I Don't Have You

Em 1994, os Guns n' Roses lançaram o single "Since I Don't Have You", o terceiro do disco "The Spaghetti Incident?". O disco é uma coletânea de covers que, dizem, a banda tocava "antes da fama". Quando uma banda faz isso, de voltar às raízes, é sinal de que estão tentando se reencontrar, reencontrar aquela "magia de antigamente". Não encontraram. Foi o último disco com a formação clássica.

Separados, depois de décadas foi que se encontraram. Reuniram-se, esse ano, para uma turnê mundial que está sendo ótima, tanto para os nostalgicos quanto para os que nunca haviam visto o Guns, de verdade, no palco.

Versão de uma música de 1958, dos Skyliners, "Since I Don't Have You" não tem quase nada de Guns n' Roses, como eles mesmos não tinham mais quando a gravaram. Mas traz, sempre muito vivo, esse sentimento, essa reflexão sobre as ausências. Pode uma coisa só valer por tudo o que se tem? Eu não tenho nada se não tenho você? A resposta é simples e lógica, mas como toda resposta simples e lógica, não se internaliza tão fácil.

Apesar da gente insistir, brigar, chorar pra que seja o contrário, é não tendo o que se quer que se descobre o que se precisa.



sexta-feira, 11 de novembro de 2016

De Deus


"Na semente, Deus é a árvore; na árvore, Deus é a semente."

Paulo Mendes Campos

(na crônica O Folclore de Deus. revista Manchete26/05/1962, da coletânea O Amor Acaba)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016