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segunda-feira, 25 de abril de 2016

Culturanja : o fim de um ciclo.


Nota de despedida da Culturanja, por Ângela Russi,
publicada na coluna do Aragão Filho.

Neste fim de semana, recebi a notícia de que a Culturanja deixaria de ser publicada no jornal Umuarama Ilustrado, após 9 anos de história. Lembrei me da madrugada em que criamos o conceito Culturanja. Eu, Nevilton e Bruno Peguim, reunidos no saudoso depósito da Papelaria Aquarela, em Umuarama, escrevendo um manifesto para a juventude umuaramense e confabulando sobre formas de fortalecer e divulgar a cultura local, seja ela música, literatura, fotografia, teatro e tudo o mais que aparecer. Nascia daí o selo Culturanja, que arregimentaria tudo e todos que quisessem unir-se a esse processo de fortalecimento da cultura independente e local. Tivemos fanzine, blog, podcast, programa de rádio e página de jornal. E é desta última que falarei.

Ao conseguirmos espaço no jornal de maior circulação da região, o Umuarama Ilustrado, fiquei responsável pelo braço jornalístico do projeto. Iniciado com o nome de Cultura & Arte, foi publicada, pela primeira vez, no dia 18 de maio de 2008. Um ano depois, em 09 de agosto de 2009, resolvemos assumir o nome Culturanja para a página que, desde 2010, ano em que me mudei para São Paulo, se transformou em coluna e foi belamente mantida pela Ângela Russi, sempre aos domingos.

Além da Ângela, muitos amigos também contribuíram com seu talento para manter as coisas funcionando, então também quero agradecer aos Culturangers Nevilton, Bruno Peguim, Caroline Gil, Ane Carolina Pacola, Thiago Calixto, Lisiê Ferré Loti, Jair Junior Monteiro Solin e a todos que também participaram e a memória falha não me permitiu lembrar. Também agradeço ao time do Umuarama Ilustrado: Osmar Nunes (Editor Chefe), Magrão (Diagramador) e Ilídio Coelho Sobrinho (Diretor Geral), pela paciência e carinho dedicados à nossa causa.

Foi uma experiência que mudou minha vida. Pela primeira vez tive a demanda por uma produção contínua de textos e, não poderia ser diferente, viciei-me nessa rotina. Textos jornalísticos, resenhas, poemas e crônicas, de tudo um pouco e, mesmo com os altos e baixos da produtividade a que todos estamos sujeitos, consegui semear e colher bons frutos dessa atividade, como lançar um livro de poemas (outros mais já estão a caminho) e alimentar meu blog, o Lobservando. Enfim, conseguir realizar-me escritor, cronista e poeta graças a esse impulso bem aproveitado.

Sem me esquecer de agradecer a todos os leitores que nos acompanharam, aos domingos, por quase uma década, convidamos todos a continuar conosco. A Ângela Russi continua suas publicações em sua página no facebook; e eu, aqui, no Lobservando e, também, na Gazeta do Iguaçu. Fica a satisfação de saber que uma atitude criativa e firme de alguns caras do interior do Paraná gerou frutos por quase uma década, e muitos foram tocados por isso. Divulgou-se a arte e inspirou-se para a arte. E só podemos e devemos continuar.


Muito obrigado.



sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Umuarama, para frente, pô!


Eu combinei comigo mesmo que iria mais reclamar dessas coisas. Mas não deu, esperei até conseguir publicar a Culturanja dessa semana pra me manifestar.

Do dia 05 até o dia 12 de Outubro, Umuarama teve a semana com mais movimentação cultural do que alguns anos passados somados. Foram 07 dias non stop com eventos culturais todas as noites. A Feira do Livro do SESC, com lançamento de livros e palestras sobre literatura e jornalismo; o quarteto de cordas Mousikê, o show do Nevilon com o Rafael Castro no Teatro da Unipar e o espetáculo de dança "Rito de Passagem" no Centro Cultural Schubert. Todos os eventos, mesmo com uma divulgação grande, tiveram uma freqüência baixíssima de público.

Interessantemente não vi, em nenhum dos eventos as centenas de pessoas que conheço e que reclamam da completa ausência de eventos culturais na cidade. Pessoas que pedem incansavelmente por eventos culturais diferentes, de qualidade, para que possam freqüentar. É, os eventos estavam lá e essas iluminadas pessoas não.

Antes de ser artista e promotor de eventos, eu era um desses que reclamavam da cidade e da inexistência de eventos de arte e cultura. Hoje não tenho dúvida, a culpa pela esterilidade cultural de Umuarama não é da cidade, a maior parcela de culpa vem da bundamolisse de cidadãos acomodados, que se preocupam mais em reclamar das coisas, ao invés de se informar sobre a agenda cultural da cidade, e tomar a única atitude que se espera deles: ir até o evento. São pessoas preguiçosas que não percebem as chances de entretenimento plantadas, brilhantes e evidentes embaixo dos próprios narizes.

Os eventos eram em gratuitos ou bem baratinhos (R$5,00), imagino eu que estão esperando o artista, ou o prefeito ligar, buscá-los em casa e ainda pagá-los um suco no final.

Veja mais desse assunto no texto de Angela R. Frasquete, "Lugar Comum", publicado no Culturanja de 18 de Outubro de 2009. Junto com a Angela temos outras boas crônicas do Thiago Calixto, da Caroline G. Gil e um poeminha meu. Cheguem lá!

Pronto, não reclamo mais.

sábado, 17 de outubro de 2009

Só pra constar :


Escrita por Caroline Guimarães Gil e Angela Russi Frasquete, duas grandes mulheres e por mim, um grande apreciador das mulheres (:D) não poderia dar outra: A Culturanja de 11 de Outubro de 2009 é a mais feminina de todos os tempos até agora.

Se ainda não a leu, leia aqui !

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Culturanja, 27 de Setembro de 2009.


Já está na internet a edição online da Culturanja, nossa página dominical de cultura que é publicada semanalmente no jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná.

É só comparecer no blog Culturanja e mandar bala na leitura.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Culturanja, 09 de Agosto de 2009.


A nossa Cultura & Arte, página dominical do jornal Umuarama Ilustrado, mudou de nome. Agora se chama Culturanja e será publicada semanalmente no www.culturanja.blogspot.com.

Agora, você vai poder ler nossa página de jornal e ouvir o nosso podcast ao mesmo tempo! Ou pelo menos, no mesmo lugar.


segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Cultura & Arte 02.08.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 02 de Agosto de 2009.

Crônica:
- A Arte de Parar

Poema:
- O Zumbir Adestrado [por Caroline G. Gil]

Resenha:
- As Histórias Mirabolantes de Stephen King : ou você odeia ou você ama! [por Caroline G. Gil]


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Cultura & Arte 26.07.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 26 de Julho de 2009.

Crônica:
- Umuarama é Eleita a Capital da Massagem.

Poema:
- A Palavra [por Thiago Calixto]

Resenha:
- Coraline : Um filme que traz assuntos que permeiam a vida adulta [por Caroline G. Gil]




Culrura & Arte 2009 - Jul-26 [Link para Download do PDF]
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Umuarama é Eleita Capital da Massagem


  Capital da Amizade é coisa do passado. Essa semana Umuarama ganhou o titulo de Capital da Massagem. E não tem nada a ver com a fama de “Mulherama” ou pelo fato de sermos uma cidade universitária. O tão honroso título nos foi concedido pelo Conselho Internacional de Massagistas, o CIMA. Na hora que eu soube, à boca pequena, de tão inusitado fato, entrei em contato com Juruelson Mancebo, representante do CIMA para o Brasil e apurei mais detalhes sobre o assunto.

   Por telefone, o Sr. Juruelson me disse que tudo começou numa visita dele à nossa Universidade Paranaense – UNIPAR, aqui em Umuarama. Ele veio afim de averiguar a faculdade de Fisioterapia, da qual gostou muito, mas não pôde se furtar de notar o balanço, o remelexo, a trepidação incessante do automóvel enquanto rodava sobre o tão peculiar asfalto de nossas ruas e avenidas. “Vocês não sabem o tesouro fisioterapêutico que tem aí” – exclamava ele no carro.

  De acordo com Mancebo, não existem registros, no mundo inteiro, de alguma cidade onde se consiga ser massageado durante tanto tempo assim. “São mais de 90% da malha viária da cidade trabalhando pela saúde da população”. Afirmou também que, de acordo com estudos avançados na área, ser massageado pelo tremelique viário durante a ida, a volta do trabalho, ou durante qualquer atividade no volante ou nos guidões das motos, reduz muito o nível de estresse e, conseqüentemente, os acidentes no trânsito. E melhor! Os resultados não se notam apenas no trânsito: diminui-se também a violência domestica, além de outros tipos de violência e vandalismo. “Nada é mais valioso para uma cidade do que uma população mais relaxada e de bem com a vida. É algo sem precedentes na história fisioterapêutica mundial. É uma maravilha a contrapartida social que se pode ter com um asfalto desses” – completou.

  Mancebo também pediu desculpas, pois era pra homenagem ter sido entregue às autoridades umuaramenses no dia 25 de Maio, Dia Nacional do Massagista. Mas ele voltou tão relaxado de sua visita que só conseguiu voltar ao pique e rapidez habitual no mês passado e só então pode dar seqüência aos devidos trâmites das documentações necessárias. Disse que está renovado e muito energético, graças à Massagem Viária de Umuarama.

  A Câmara de Vereadores e o Poder Executivo da cidade receberam a notícia com muita felicidade, pois finalmente o mundo os compreendeu. Um dos vereadores que consultei sobre o fato salientou que a intenção do Município sempre foi essa e, por isso, há anos vem mantendo e desenvolvendo, com muito afinco, o nosso asfalto terapêutico. E completou “Foram anos de estudos e investimento público. Uma hora o reconhecimento tinha que chegar”. Pois é, antes tarde do que nunca, mas sempre com categoria!

  Na mesma conversa, alguns vereadores me adiantaram que já está na fase final de acertos uma parceria do Município com o CIMA, através da qual será construído na cidade um centro de excelência no estudo de massagens e terapias alternativas. O local escolhido para abrigar o empreendimento provavelmente será, o antigo batalhão da policia militar, no Largo do Triunfo, esquina da Av. São Paulo com a Av. Apucarana. Só estão aguardando a concordância da Companhia Melhoramentos Norte do Paraná, proprietária do terreno, para se fechar o acordo e se iniciarem a licitação e as obras.

  Em tempo, dizem nas rodas de conversa que tal notícia também foi muito bem aceita pelo setor de peças e serviços automotivos e revendedoras de pneus da cidade. Mas até o fechamento da edição não conseguimos colher depoimentos de nenhum representante do setor.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Cultura & Arte 19.07.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 19 de Julho de 2009.

Crônica:
- No meio do caminho tinha um galho, nunca me esquecerei. [por Caroline G. Gil]

Resenha:
- Não é Paraíso por acaso : Paraíso do Rock 2009 [Rock independente, cena paranaense]




quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cultura & Arte no Ilustrado

Considerando o não funcionamento do site do jornal e a impossiblidade de obter os PDF's das páginas de outra forma, atrasei 4 semanas de Cultura & Arte, aqui.

Mas tá tudo aí agora. Quatro na seqüência!

Divirtam-se.

Cultura & Arte 12.07.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 05 de Julho de 2009.

Crônica:
- Reflexão Sobre a Essência do Ser [por Caroline G. Gil]

Conto:
- O Pé de Valsa

Matéria:
- O Pó da Estrada [Rock Independente, Paraíso do Rock 2009, Nevilton]


Cultura & Arte 05.07.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 05 de Julho de 2009.

Crônica:
- O Exercício da Crônica [por Vinícius de Moraes]

Resenhas:
- O Clássico encontra o Popular : Duo Bogo Parpinelli
- Aos 68 anos morre Pina Bausch, revolucionária coreógrafa alemã [por Caroline G. Gil]

Cultura & Arte 28.06.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 28 de Junho de 2009.

Crônica:
- O Pop morreu numa quinta

Resenhas:
- Feito não significa concluído: estamos em constante humanização [Assim Falava Zaratrusta; por Caroline G. Gil]
- Um Hotel com os melhores hóspedes [Lançamento do Single do Hotel Avenida, de Curitiba(PR)]



Cultura & Arte 21.06.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 21 de Junho de 2009.

Matéria:
- A nova Beatlemania [Beatles Guitar Band e Discografia Remasterizada]

Resenhas:

- Que tal um Tchaikovsky? [Coleção Bravo: Grandes Compositores da Música Clássica]
- Intrigante livro de Lois Lowry nos leva a questionar os valores de uma idealizada sociedade [Livro O Doador; por Caroline G. Gil]







quarta-feira, 10 de junho de 2009

Cultura & Arte 07.06.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 07 de Junho de 2009.

Poesia:
- Sim, fazia tempo [por Thiago Calixto]

Resenha:
- Erasmo Carlos fez aniversário e o Rock ganhou presente. [Novo disco: Erasmo Rock n' Roll Carlos]
- O Cara que pode te salvar [por Bruno Peguim, filme "O Grande Lebowsky"]


segunda-feira, 25 de maio de 2009

Cultura & Arte 24.05.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 24 de Maio de 2009.

Crônica:
- Sobre a Arquitetura de Templos [Homenagem ao Zé Rodrix, 1947 -2009]

Resenha:
- Alegria, Alegria! Wilson Simonal [Documentário 'Ninguém Sabe do Duro Que Dei' sobre o Wilson Simonal]
- Guia Histórico Cultural de Umuarama.


segunda-feira, 18 de maio de 2009

Cultura & Arte 17.05.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 17 de Maio de 2009.

Completamos 1 ano de publicação! Muito obrigado ao Osmar (editor chefe do jornal), ao Magrão (diagramador), ao Sr. Ilídio (diretor presidente) e à toda equipe do Umuarama Ilustrado pela oportunidade e pelo apoio.

Conto:
- Nariira, o Flautista : 2ª Parte [Conto de Humberto de Campos]

Resenha:
- Presságios não tão grandiosos, mas emocionantes [Filme Presságio (Knowing, 2009), com Nícolas Cage]


segunda-feira, 11 de maio de 2009

Cultura & Arte 10.05.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 10 de Maio de 2009.

Conto:
- Nariira, o Flautista : 1ª Parte [Conto de Humberto de Campos]

Matérias:
- Despertando Artistas no Quintal [Sarau da Fundação Cultural de Umuarama]
- A Força da Poléxia (ou do Hábito da Boa Música) [por Nevilton de Alencar]

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A "Cena Umuaramense"

Esse texto saiu no Cultura & Arte desse domingo, 03 de maio. Coloquei o texto separado aqui pra facilitar a leitura de quem não curte ler o PDF do jornal (que está logo ali embaixo).

Comentários seriam ótimos! :p



Estava vasculhando os meus arquivos e encontrei uma enquete que respondi para o jornal Diário de Notícias, que circulou em Umuarama durante o ano de 2008. Esta enquete, gerenciada pela Ane Pacola, tinha como objetivo colher respostas de várias pessoas, de várias áreas, sobre questões do município como a segurança pública, educação, saúde e outras tantas, incluindo-se aí a Cultura. Sobre mim, artista e produtor cultural, recaiu a missão de responder sobre este ultimo tema. A matéria, com todas as perguntas e respostas das várias pessoas, foi publicada edição de 26 de junho de 2008.

Isso já faz quase um ano, a administração municipal mudou, e por conseqüente as políticas públicas também. Se para melhor ou pior, só saberemos no futuro. Sobre os outros temas eu não tenho gabarito pra falar, mas gostaria de fomentar a reflexão sobre como está a cena cultural da cidade. Toda reflexão é saudável, ainda mais quando usa um cenário antigo (ou nem tanto) como base. Certamente, exceto por algumas sinapses, não temos nada a perder.


O cenário cultural da cidade é proporcional ao tamanho dela?

Não mesmo. Estou certo de que umas 300 a 400 pessoas (jogando alto) criando e consumindo cultura numa cidade de quase cem mil habitantes não seja algo proporcional, isso é menos do que 0,5% da população. Conheço Umuarama desde 1991 e não me lembro de ter visto um cenário de algo, nem de cultura e arte, nem de esporte, nem político. É costume da cidade usar o que já se usa, comprar o que está à venda, ir aonde todos vão, enfim, é uma cidade massificada, a maior parte da população evita ao máximo expressar qualquer tipo de questionamento ou opinião, portanto não há nicho de consumo e muito menos cenário. Entretanto já estamos vendo um bom sinal de mudança, com esforços vindo de várias frentes, públicas e privadas. A música na cidade tem ganhado espaço graças a esforços de bandas e músicos locais que estão conseguindo abrir, no peito, espaços alternativos para mostrar seus trabalhos. O teatro está no mesmo caminho, mas um tanto mais tímido. A literatura está bem atrás, até porque é um tipo de arte que demanda o malfadado esforço da leitura. As artes plásticas, o cinema e demais vertentes artísticas ainda não se encontraram por aqui, mas acho que com os esforços deste grupo que já está com a mão na massa e com o apoio de empresas e do poder público, ainda possamos tirar Umuarama da idade das trevas. Enfim, acho que ainda é cedo pra se dizer que existe um cenário por aqui, mas que algo legal está começando, está.


Há um incentivo tanto do público quanto dos órgãos do governo para eventos culturais aqui na cidade?

O incentivo à cultura pelos órgãos do governo municipal sempre foi muito deficitário em Umuarama. Nas gestões passadas, apesar de esforços de artistas e simpatizantes, a prefeitura não ligava muito e preferia investir em coisas materiais, que a população pudesse ver, ao invés de investir na capacitação cultural da cidade. Hoje colhemos os frutos disso, estou certo de que o vandalismo e a criminalidade é reflexo da ausência de cultura e de respeito pela cidade. Mas ultimamente tenho ficado bem esperançoso com a atual administração, me alivia perceber que está caindo a ficha. Perceberam que se eles investirem na capacitação criativa e cultural das pessoas, elas vão começar a respeitar o patrimônio público, dar mais valor à cidade pois esta lhe traz coisas boas. Não só diversão, mas também a perspectiva de um futuro digno.

O apoio do público é ainda muito pequeno, e há uma grande luta a ser travada. O umuaramense acha que alguém tem que fazer algo para mudar a situação, mas infelizmente não se coloca como o agente dessa mudança. Vive pedindo eventos, quer que tudo de legal aconteça na cidade, desde que seja na sala da sua casa e de graça. Me parece que, para eles, os artistas são seres mágicos e portáteis que vivem só de palco, reconhecimento e aplausos poucos. Tenho esperança na mudança deste quadro e estou trabalhando, junto com meus amigos artistas, e a todos os que se habilitarem, para que a arte e a cultura em Umuarama sejam uma realidade.

Cultura & Arte 03.05.09

Página Cultura & Arte publicada originalmente no Jornal Umuarama Ilustrado, de Umuarama, Paraná, no dia 12 de Abril de 2009.

Enquete:
- A "Cena Umuaramense"

Matérias:
- Io, Leonardo [490 anos da morte de Leonardo da Vinci]
- Culturanja nas ondas do rádio [Estréia do Podcast Culturanja na Rádio Universitária Paranaense - 107.7 FM, de Umuarama-PR - Por Nevilton de Alencar]

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Faroeste "cabrôco"

"Hey, garçon... me dá um Cynar!"


Saiu um "Bang Bang" baseado em fatos reais na Cultura & Arte deste 26 de Maio. Quem mora ou conhece bem Umuarama vai entender mais do que os forasteiros. Mas, porém, toda via, entretanto e mesmo assim, convido todos à leitura!


Era Uma Vez No Noroeste



Cansado de viver isolado na solidão e distância do Far West, Zé McSilva estava buscando vida nova. Galopou durante dias rumando para o Leste até que avisou um pequeno povoado. “Rancho Longe”, era o que estava escrito na placa de madeira da entrada do vilarejo, na qual, ao chegar mais perto e dar uma olhada mais detalhada, via-se um intrigante escrito à mão, logo abaixo do número de habitantes: “Povinho da Fogueira”. Mas ele estava tão cansado que lhe pareceu bem sábio pernoitar por ali mesmo.

Assim que entrou na cidade, enquanto contornava a pracinha, ficou espantado com o que viu. Marcas de tiros por todos os lados. Pensou em mudar de idéia sobre ficar por lá, mas não iria perder a chance de um trago.

Cavalgou até o “Bar do Turco Velho” logo em frente à praça, desceu do cavalo e amarrou-o no coxo. Empurrou as portas duplas vai-e-vem, entrou no salão e caminhou até o balcão. Com um tapa na madeira chamou o garçon, um velho barbudo.

- Me vê um conhaque, ô...Seo Turco!

O turco, num pulo só, serve e manda o copo de conhaque escorregando pelo balcão. O vaqueiro manda tudo goela abaixo num só gole e pergunta:

- Diga lá, índio velho! O que houve ali na praça?
- Um tiroteio dos brabos ontem de tarde, amigo! Foi o pessoal do Xerife contra uns bandidinhos canela-seca, da gangue do Wan Ted, que tentaram roubar o correio. Comeram chumbo pra dedéu ontem e agora tão comendo capim pela raiz. Hahahaha!
- Na praça? Em pleno dia? Rapaz, que perigo!
- Pois é... Ainda bem que foi na hora do sol quente, quando fica todo mundo dentro de casa. Quando ouvi os tiros pulei aqui pra baixo do balcão e não vi mais nada...quer outra dose?
- Manda! - e continua o papo:
- Viu, meu bom homem... onde eu acho um canto pr’eu passar a noite de hoje, hã?
- Ó chefia, atravessando a praça tem o hotel Águia do Oeste, o melhor da cidade, mas também... é o único! Hahaha!
- Hahaha, engraçadinho, hã! Muito obrigado, compadre!

McSilva deixa o “Bar do Turco Velho”, atravessa a praça, garante seu quarto no Hotel e tira um bom cochilo. Acorda com um barulhão de festa. Era a quermesse, cheia de gente sorrindo e festando, com direito à bandinha tocando na escadaria da igreja. Sem perder tempo, o viajante corre pra festa.

Enquanto o moço se enturmava com as donzelas e raparigas locais, foi interrompido por gritos de desespero. Um valentão armado estava ameaçando os freqüentadores da barraquinha de milho cozido e chuta um banquinho de madeira que atinge a canela de uma moça. De pavio curto, a moça reclama e faz o valentão atirar duas vezes contra ela e fugir correndo. Por sorte os dois tiros falharam e a moça só ganhou um desmaio e um bom trauma. Os homens do xerife nada puderam fazer naquele momento pois estavam na barraca do algodão doce e não tiveram tempo hábil para perseguir o bandido.

Nem cinco minutos depois McSilva ouve mais gritos e caos:

- Ai Caramba! Pisaram o Gordinho!

Corre para averiguar a situação e descobre que foram dois jovens bêbados, apostando uma corrida de cavalos, que invadiram a multidão e acabaram pisoteando um dos freqüentadores da festança. Mas por sorte ele estava perto do Dr. Zinho Xamego, médico da cidade, que prestou socorro.

Zé McSilva achou incrível como ninguém ficou abalado depois dos dois incidentes na mesma noite e manteve-se na festa. Foi especular com os nativos e descobriu que no “Povinho da Fogueira” esse tipo de coisa é corriqueira e todo mundo tá acostumado. Um tanto impressionado com a situação, vai conversar prefeito Brownman e com o xerife Bill Farofino que estavam na barraquinha de maçã do amor. Como já era tarde e ambos já estavam indo embora, marcaram um almoço ‘pra mó dum dêdiprosa’.

No dia seguinte estavam o prefeito, o xerife, o padre e McSilva no local combinado: o restaurante “Cachoeira”, bem tradicional na cidade. Papo vai, papo vem e todos tentando convencer o viajante de que aquilo tudo era coisa pouca, corriqueira, e que logo a “maré de azar” terminaria. E também o povo já estava um tanto acostumado com tal rotina, nem reclamava mais.

Já no final do almoço o grupo é interrompido por um oficial do Xerife, que entra correndo no restaurante. Alguém fora esfaqueado naquela madrugada. McSilva aproveitou a brecha para despedir-se, já um tanto preocupado em não ser a próxima vítima. Ao subir no cavalo, olhou para as autoridades e lhe veio uma outra pergunta na cabeça:

- Inclusive, excelências... Por que “Povinho da Fogueira”?

As autoridades se olham meio sem saber o que dizer. Então o padre se adianta de diz:

- Olha, meu filho... tem coisas que é bom a gente não mexer, né? São coisas do passado, coisa que pode criar uma imagem negativa pra nossa cidade, sabe como é... a gente precisa...
- Sei... vocês precisam é de vergonha na cara! – diz McSilva interrompendo o padre.

Então esporeia o cavalo, vira as costas e sai galopando, seguindo sua jornada para o Leste.


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