É famoso o Terceiro Movimento (Clair de Lune, que vc pode conferir lá no 9:25 do vídeo), mas a íntegra da Suite Bergamasque do Claude Debusy é um calmante sonoro em meio a tanta folia obrigatória e carnaval invasivo. Apesar do risco de viciar, ele é bem menor que dos calmantes farmacológicos.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
Cadê o tempo que estava aqui?
Sequer deixamos o mês de Janeiro e meus ouvidos já colecionam, nesses poucos dias de fevereiro um bom número de frases no estilo : "Nossa, já é Fevereiro!"; "Uau! Passou um mês que eu nem vi!"; "Os últimos anos estão passando voando!"; e coisas do gênero. Lembro-me como se fosse ontem de que, há alguns anos atrás – sentimento cada vez mais verdadeiro –, esse tipo de comentário era feito em dezembro, o famoso "Nossa! Já é Natal!", ou, os mais atentos ao calendário davam esse toque, também, no meio do ano. Assustei-me ao identificar essa pauta já em Fevereiro, o segundo mês do ano. Estamos realmente impacientes, sequer demos chance do ano cravar ritmo à sua marcha e já o jugamos acelerado.
Não sei se é apenas aqui em casa e nos lugares os quais frequento, mas os relógios continuam contando, segundo a segundo, hora a hora as 24 que formam o dia. E por incrível que pareça, a terra continua correspondendo as expectativas, demorando essas mesmas 24 horas pra girar em torno de si mesma. E o Sol, há 149.600.000 Km daqui, se pudesse falar, seria testemunha do que eu digo e acrescentaria que, mesmo distante, ainda observa nosso planeta demorando 365 dias, 5 horas e 48 minutos para rodeá-lo, o que é comprovado pelos 365 dias riscados, um a um, nos meus calendários.
Se as nossas referências naturais de marcação do tempo continuam funcionando na mesma cadência de sempre, podemos concluir que é, então, mentira cabeluda dizer que o tempo está passando muito rápido. E não sendo o tempo o vilão, só nos resta um outro vilão a apontar: nós, os únicos elementos antinaturais de todo o Universo.
Desconectados da cadência do Cosmos, nada mais parece nos afetar. Se não houver nevascas monstruosas ou calor infernal, não nos afetam sequer as estações do ano, grandes marcadoras da passagem do tempo. Com as luzes sempre acesas, o que inclui a tela do smartphone, sequer percebemos se é manhã, tarde ou noite, além de não fazer diferença onde estamos, pois interagimos, em tempo real, com qualquer um que se encontre em qualquer lugar do mundo. Não sabemos mais esperar.
No tempo em que a velocidade máxima nas rodovias era de 80km/h; quando ainda tínhamos paciência para escrever cartas – com rascunho passado a limpo – e as esperávamos cruzarem continentes tanto pra ir quanto para voltar a resposta; quando aguardávamos a fruta amadurecer, o amigo estar em casa para atender ao telefone, a criança crescer e usufruíamos do já quase extinto horário de almoço, o tempo rendia mais, a vida rendia mais, mesmo com tudo demorando mais pra acontecer.
Lutamos tanto contra a rotina, que hoje nem a temos mais. E, pelo jeito, é ela que ajuda a marcar a passagem do tempo, como aquele amigo que te dá um 'oi' sempre quando te vê, e isso te faz lembrar que ele passo por ali. Hoje estamos tão distantes da realidade, distraídos com nossos fones de ouvido que nunca silenciam, Smartphones e bate-papos online em qualquer folguinha que nem vemos o tempo, nosso amigo, nosso "mano velho" – como diria a Fernanda Takai –, passando e nos acenando, cada vez mais energicamente, à sua passagem.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Da Desilusão
"Só se desilude quem se ilude."
*Ouvi numa dessas palestras da vida. Não sei quem é o autor, mas não pude evitar o registro.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2016
segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Metalinguagem
Além de um início intrigante, de um desenvolvimento envolvente, é fundamental, para uma boa Crônica, um final surpreendente.
quarta-feira, 9 de dezembro de 2015
Sobre a Arte de Viver
As coisas simples tem o condão de maravilhar as pessoas com muito mais força do que as complexas, pelo simples fato de terem uma beleza inesperada. A pureza da alma e uma percepção mais aguçada transformam certas pessoas em poços de "maravilhamento", e estas, geralmente, se transformam em artistas.
Alguns despertam no correr da vida, outros já nascem percebendo o mundo de outra forma, ambos dando valores a sonhos e não a títulos, salvando-se de desilusões, lembrando-se que a realidade se curva ao desejo e que, apesar de todas as pedras, pecados e mancadas, cada momento é único e sem volta, a vida é única e, mesmo errando, não há tempo pra remorso.
Viver no limite de cada emoção apresentada a cada momento, degustar todo segundo de uma existência simples, porém, complexa em sabores e cores. Saber provar, ouvir e sentir, tudo em seu tempo e sempre indo além, vendo além, infinitamente, até que no fim de tudo se possa dizer que viveu e aprendeu o real significado de estar vivo e não apenas de existir.
Resgatei este, publicado há exatos 11 anos, em 09.12.2004, no Ruminare, meu primeiríssimo blog, cuja senha e o login desapareceram nas brumas da memória para nunca mais voltar.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
A Bela contra a Fera
- Os aviões o pegaram!
- Não foram os aviões. Foi a Bela. Como sempre, a Bela matou a Fera.
Esta fala encerra as duas versões de King Kong que eu mais gosto: a de 1933 e a de 2005. As outras adaptações para cinema não chegaram aos pés destas, incluindo a mais famosa delas, de 1976, que contava com o charme do Jeff Bridges barbado e da loiríssima Jessica Lange.
"O que a gente não faz por amor?!”, eu pensava. Ainda penso... mas não sou só eu, garanto. Imagina só, você na sua ilha deserta particular, todo poderoso, domina tudo, até mesmo dinossauros e outras criaturas gigantes. Mas aí vem a beleza, a delicadeza, a suavidade... você fica vulnerável e, quando vê, não está mais no comando, se deixa pegar, embarca em qualquer aventura pra estar sempre perto dela. Quando se dá conta, já está acuado em cima de um Empire State Building da vida, tomando tiro da artilharia aérea, que só sossega quando te vê no chão, destruído.
Sabe, olhando ao redor, com todos sempre ranzinzas, reclamando, guerreando por mixarias que achamos nos pertencer mais do que ao outro, a conclusão é lógica: somos/estamos feito Feras. Mas não como Gorilas imensos, lutando contra dinossauros furiosos, por conta de território, um naco de carne ou, bizarro que seja, uma loira charmosa. Sinceramente, acho que parecemos mais uma manada de Pinshers, minúsculos, assustados com a própria sombra, latindo um para o outro, ad infinitum, pra ver quem se assusta mais e foge primeiro.
E o que nos transformou nestes geradores de impropérios gratuitos? Neste rebanho de insolentes sem limites? Nessa manada de estressados inconsequentes? Onde é que está a nossa inteligência, cultura, capacidade evolutiva e outras coisas que nos tornam humanos? Soterradas sob a lama toxica de mineradoras inescrupulosas; enterradas em secretas valas comuns de tantos crimes sangrentos; espancadas em relacionamentos doentes; silenciadas em lares desmantelados; abandonadas em asilos mofados; esquecidas em baús empoeirados em meio a fotos da infância perdida. Realmente, acuados por tantas catástrofes, parece-me que foi inevitável chegarmos a esse ponto.
Tão deformados estamos, não notamos que somos os criadores das catástrofes, preferindo dar audiência às tragédias e assuntos vulgares, reflexos evidentes de nossa inconsequência e imaturidade. O IBOPE, o DataFolha e, agora, o Facebook, essa nova ferramenta demográfica, estão aí para não me deixar mentir.
Não é questão de nos transformarmos nos Ursinhos Carinhosos, mas é tempo de refletirmos sobre a nossa responsabilidade na informação e emoções que cultivamos, colhemos e distribuímos. Hoje, aquele mesmo diálogo que abre o texto me traz outras imagens. Ao derrotar a Fera, a Bela não a fere, mas a transforma, também, em beleza. E isso está longe de ser ruim, pois nos tornarmos belos e perfeitos é condição de humanidade, evoluir faz parte da nossa essência. Está na nossa história, nos arquétipos e nos mitos mais antigos : por mais monstruoso que seja, todo ser se rende à beleza.
sábado, 28 de novembro de 2015
Responsabilidade
Após acompanhar histórias tristes de abusos de crueldade inconcebível contra as mulheres, através da campanha #meuamigosecreto e conversar com algumas amigas e entender seus motivos - que jamais questionarei, pois existem e são sólidos - peguei-me preocupado com os desdobramentos de tal atitude que, mesmo lotado de evidentes boas intenções, não esteve livre de violência em suas manifestações.
Em tempos de vida sexual livre e desregrada, certamente cometemos muitos erros. Erros que, por sermos imaturos, não sabemos evitar ou lidar com seus desdobramento. Culpas e complexos, raiva e desespero. A pressão disso tudo dentro do coração é imensa. Mas, precisamos averiguar as formas de nos libertarmos disso sem causarmos uma outra avalanche de erros e tentarmos limpar lama com mais lama, combater o mal com o mal.
Em tempos de vida sexual livre e desregrada, certamente cometemos muitos erros. Erros que, por sermos imaturos, não sabemos evitar ou lidar com seus desdobramento. Culpas e complexos, raiva e desespero. A pressão disso tudo dentro do coração é imensa. Mas, precisamos averiguar as formas de nos libertarmos disso sem causarmos uma outra avalanche de erros e tentarmos limpar lama com mais lama, combater o mal com o mal.
Na vida é imprescindível responsabilidade, toda atitude gera conseqüências, enfim, não há almoço grátis. Emmanuel, inspirado pelas atitudes do Cristo, dá boas dicas sobre isso no Capítulo 26 de seu livro "Vida e Sexo", psicografado por Chico Xavier.
26. À Margem do Sexo
"Lembrai-vos daquele que julga em última instância, que vê os movimentos íntimos de cada coração e que, por conseguinte, desculpa muitas vezes as faltas que censurais, ou reprova o que relevais, porque conhece o móvel de todos os atos. Lembrai-vos de que vós, que clamais em altas vozes – anátema, tereis, quiçá, cometido faltas mais graves.” - Do item 16, do Cap. X, de "O Evangelho Segundo o Espiritismo".
Companheiros da Terra, à frente de todas as complicações e problemas do sexo, abstende-vos de censura e condenação. Todos nós – os Espíritos em aperfeiçoamento nos climas do Planeta – estamos emergindo de passado multimilenar, em que as tramas da alma se entreteciam em labirintos de sombra, para que as bênçãos do aprendizado se nos fixassem no espírito. Ainda assim, achamo-nos todos muito longe da meta por alcançar.
Se alguém vos parece cair, sob enganos do sentimento, silenciai e esperai! Se alguém se vos afigura tombar em delinqüência, por desvarios do coração, esperai e silenciai!... Sobretudo, compadeçamo-nos uns dos outros, porque, por enquanto, nenhum de nós consegue conhecer-se tão exatamente, a ponto de saber hoje qual o tamanho da experiência afetiva que nos aguarda amanhã.
Calai os vossos possíveis libelos, ante as supostas culpas alheias, porquanto nenhum de nós, por agora, é capaz de medir a parte de responsabilidade que nos compete a cada um nas irreflexões e desequilíbrios dos outros. Somos todos peças integrantes de uma só família, operando em dois mundos, simultaneamente - aquele das inteligências corporificadas no plano físico e aquele outro das inteligências desencarnadas que se domiciliam nas regiões da mesma Terra que habitais, disputando convosco, tanto quanto igualmente entre si, a aquisição de recursos substanciais da evolução.
Não dispomos de recursos para examinar as consciências alheias e cada um de nós, ante a Sabedoria Divina, é um caso particular, em matéria de amor, reclamando compreensão. À vista disso, muitos de nossos erros imaginários no mundo são caminhos certos para o bem, ao passo que muitos de nossos acertos hipotéticos são trilhas para o mal de que nos desvencilharemos, um dia!
Abençoai e amai sempre. Diante de toda e qualquer desarmonia do mundo afetivo, seja com quem for e como for, colocai-vos, em pensamento, no lugar dos acusados, analisando as vossas tendências mais íntimas e, após verificardes se estais em condições de censurar alguém, escutai, no âmago da consciência, o apelo inolvidável do Cristo:
“Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”.
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