sábado, 13 de fevereiro de 2016

Beethoven : Patética

Conversando com a Marina Aoki Elias, uma grande amiga que também gosta de música clássica, falamos do Beethoven. Ele é o artista "do ano" na temporada do Theatro Municipal de São Paulo. Não teve jeito, cheguei em casa e mergulhei na música desse gênio. Beethoven gostava muito de sonatas, foi um dos maiores sonatistas da música mundial. Só pra Piano ele escreveu 32. A mais famosa talvez seja a inconfundível "Sonata ao Luar", que estremesse o coração dos tristonhos. Mas, a mim, me toca mais a "Patética", principalmente o seu segundo movimento (no 9:46 do vídeo) tenho até um poema que foi escrito com ele tocando em loop interminável de fundo.

Sem mais blablabla, temos aqui o mestre Daniel Baremboim, dando um show ao piano, executando os 3 movimentos da Patética de Beethoven. Agora, abrace aquele livro, deixe o computador de lado e só ouça essa maravilha.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Debusy : Suite Bergamasque

É famoso o Terceiro Movimento (Clair de Lune, que vc pode conferir lá no 9:25 do vídeo), mas a íntegra da Suite Bergamasque do Claude Debusy é um calmante sonoro em meio a tanta folia obrigatória e carnaval invasivo. Apesar do risco de viciar, ele é bem menor que dos calmantes farmacológicos.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Cadê o tempo que estava aqui?



Sequer deixamos o mês de Janeiro e meus ouvidos já colecionam, nesses poucos dias de fevereiro um bom número de frases no estilo : "Nossa, já é Fevereiro!"; "Uau! Passou um mês que eu nem vi!"; "Os últimos anos estão passando voando!"; e coisas do gênero. Lembro-me como se fosse ontem de que, há alguns anos atrás – sentimento cada vez mais verdadeiro –, esse tipo de comentário era feito em dezembro, o famoso "Nossa! Já é Natal!", ou, os mais atentos ao calendário davam esse toque, também, no meio do ano. Assustei-me ao identificar essa pauta já em Fevereiro, o segundo mês do ano. Estamos realmente impacientes, sequer demos chance do ano cravar ritmo à sua marcha e já o jugamos acelerado.

Não sei se é apenas aqui em casa e nos lugares os quais frequento, mas os relógios continuam contando, segundo a segundo, hora a hora as 24 que formam o dia. E por incrível que pareça, a terra continua correspondendo as expectativas, demorando essas mesmas 24 horas pra girar em torno de si mesma. E o Sol, há 149.600.000 Km daqui, se pudesse falar, seria testemunha do que eu digo e acrescentaria que, mesmo distante, ainda observa nosso planeta demorando 365 dias, 5 horas e 48 minutos para rodeá-lo, o que é comprovado pelos 365 dias riscados, um a um, nos meus calendários.

Se as nossas referências naturais de marcação do tempo continuam funcionando na mesma cadência de sempre, podemos concluir que é, então, mentira cabeluda dizer que o tempo está passando muito rápido. E não sendo o tempo o vilão, só nos resta um outro vilão a apontar: nós, os únicos elementos antinaturais de todo o Universo.

Desconectados da cadência do Cosmos, nada mais parece nos afetar. Se não houver nevascas monstruosas ou calor infernal, não nos afetam sequer as estações do ano, grandes marcadoras da passagem do tempo. Com as luzes sempre acesas, o que inclui a tela do smartphone, sequer percebemos se é manhã, tarde ou noite, além de não fazer diferença onde estamos, pois interagimos, em tempo real, com qualquer um que se encontre em qualquer lugar do mundo. Não sabemos mais esperar.

No tempo em que a velocidade máxima nas rodovias era de 80km/h; quando ainda tínhamos paciência para escrever cartas – com rascunho passado a limpo – e as esperávamos cruzarem continentes tanto pra ir quanto para voltar a resposta; quando aguardávamos a fruta amadurecer, o amigo estar em casa para atender ao telefone, a criança crescer e usufruíamos do já quase extinto horário de almoço, o tempo rendia mais, a vida rendia mais, mesmo com tudo demorando mais pra acontecer.

Lutamos tanto contra a rotina, que hoje nem a temos mais. E, pelo jeito, é ela que ajuda a marcar a passagem do tempo, como aquele amigo que te dá um 'oi' sempre quando te vê, e isso te faz lembrar que ele passo por ali. Hoje estamos tão distantes da realidade, distraídos com nossos fones de ouvido que nunca silenciam, Smartphones e bate-papos online em qualquer folguinha que nem vemos o tempo, nosso amigo, nosso "mano velho" – como diria a Fernanda Takai –, passando e nos acenando, cada vez mais energicamente, à sua passagem.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Da Desilusão


"Só se desilude quem se ilude."


*Ouvi numa dessas palestras da vida. Não sei quem é o autor, mas não pude evitar o registro.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Metalinguagem

Além de um início intrigante, de um desenvolvimento envolvente, é fundamental, para uma boa Crônica, um final surpreendente.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Sobre a Arte de Viver


As coisas simples tem o condão de maravilhar as pessoas com muito mais força do que as complexas, pelo simples fato de terem uma beleza inesperada. A pureza da alma e uma percepção mais aguçada transformam certas pessoas em poços de "maravilhamento", e estas, geralmente, se transformam em artistas.

Alguns despertam no correr da vida, outros já nascem percebendo o mundo de outra forma, ambos dando valores a sonhos e não a títulos, salvando-se de desilusões, lembrando-se que a realidade se curva ao desejo e que, apesar de todas as pedras, pecados e mancadas, cada momento é único e sem volta, a vida é única e, mesmo errando, não há tempo pra remorso.

Viver no limite de cada emoção apresentada a cada momento, degustar todo segundo de uma existência simples, porém, complexa em sabores e cores. Saber provar, ouvir e sentir, tudo em seu tempo e sempre indo além, vendo além, infinitamente, até que no fim de tudo se possa dizer que viveu e aprendeu o real significado de estar vivo e não apenas de existir.



Resgatei este, publicado há exatos 11 anos, em 09.12.2004, no Ruminare, meu primeiríssimo blog, cuja senha e o login desapareceram nas brumas da memória para nunca mais voltar.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

A Bela contra a Fera

- Os aviões o pegaram!
- Não foram os aviões. Foi a Bela. Como sempre, a Bela matou a Fera.

Esta fala encerra as duas versões de King Kong que eu mais gosto: a de 1933 e a de 2005. As outras adaptações para cinema não chegaram aos pés destas, incluindo a mais famosa delas, de 1976, que contava com o charme do Jeff Bridges barbado e da loiríssima Jessica Lange.

"O que a gente não faz por amor?!”, eu pensava. Ainda penso... mas não sou só eu, garanto. Imagina só, você na sua ilha deserta particular, todo poderoso, domina tudo, até mesmo dinossauros e outras criaturas gigantes. Mas aí vem a beleza, a delicadeza, a suavidade... você fica vulnerável e, quando vê, não está mais no comando, se deixa pegar, embarca em qualquer aventura pra estar sempre perto dela. Quando se dá conta, já está acuado em cima de um Empire State Building da vida, tomando tiro da artilharia aérea, que só sossega quando te vê no chão, destruído. 

Sabe, olhando ao redor, com todos sempre ranzinzas, reclamando, guerreando por mixarias que achamos nos pertencer mais do que ao outro, a conclusão é lógica: somos/estamos feito Feras. Mas não como Gorilas imensos, lutando contra dinossauros furiosos, por conta de território, um naco de carne ou, bizarro que seja, uma loira charmosa. Sinceramente, acho que parecemos mais uma manada de Pinshers, minúsculos, assustados com a própria sombra, latindo um para o outro, ad infinitum, pra ver quem se assusta mais e foge primeiro.

E o que nos transformou nestes geradores de impropérios gratuitos? Neste rebanho de insolentes sem limites? Nessa manada de estressados inconsequentes? Onde é que está a nossa inteligência, cultura, capacidade evolutiva e outras coisas que nos tornam humanos? Soterradas sob a lama toxica de mineradoras inescrupulosas; enterradas em secretas valas comuns de tantos crimes sangrentos; espancadas em relacionamentos doentes; silenciadas em lares desmantelados; abandonadas em asilos mofados; esquecidas em baús empoeirados em meio a fotos da infância perdida. Realmente, acuados por tantas catástrofes, parece-me que foi inevitável chegarmos a esse ponto.

Tão deformados estamos, não notamos que somos os criadores das catástrofes, preferindo dar audiência às tragédias e assuntos vulgares, reflexos evidentes de nossa inconsequência e imaturidade. O IBOPE, o DataFolha e, agora, o Facebook, essa nova ferramenta demográfica, estão aí para não me deixar mentir.

Não é questão de nos transformarmos nos Ursinhos Carinhosos, mas é tempo de refletirmos sobre a nossa responsabilidade na informação e emoções que cultivamos, colhemos e distribuímos. Hoje, aquele mesmo diálogo que abre o texto me traz outras imagens. Ao derrotar a Fera, a Bela não a fere, mas a transforma, também, em beleza. E isso está longe de ser ruim, pois nos tornarmos belos e perfeitos é condição de humanidade, evoluir faz parte da nossa essência. Está na nossa história, nos arquétipos e nos mitos mais antigos : por mais monstruoso que seja, todo ser se rende à beleza.