domingo, 29 de janeiro de 2017

Do bem e do mal


O bem é o progresso e a felicidade, a segurança e a justiça para todos os nossos semelhantes e para todas as criaturas de nossa estrada. O mal é o progresso e a felicidade, a segurança e a justiça só pra mim.

Adaptado da fala de Sanzio
no livro Ação e Reação, Capítulo 07, de André Luiz, psicografado por Chico Xavier


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Somos o que vivemos, seremos o que deixarmos

"A vida de cada um é a sua própria confissão pública. A conduta de cada crente é a sua verdadeira profissão de fé." - Emmanuel, no livro Vinha de Luz, psicografado por Chico Xavier.


Há uma semana faleceu minha avó. Enquanto a olhava no esquife, durante o velório, me veio uma frase que ouvi numa palestra do Leandro Karnal, que disse, não exatamente nessas palavras, algo como "é com a morte que a vida passa a fazer sentido". Na ideia de que só se consegue entender o arco dramático de uma vida com o final dela, pois, enquanto o final não chega, reviravoltas podem acontecer e mudar toda a história. É como numa peça de teatro, filme ou romance, só se consegue dizer sobre o que realmente trata a história, quem a conhece até o final.

Então, me coloquei no final da história de minha avó, olhando para o passado, para o começo, tentando montar o seu arco dramático e colher o enredo dos quase 97 anos daquela história.

Nasceu em berço humilde e durante a infância, como muitos filhos de imigrantes italianos, passou por muitas cidades por causa do trabalho do pai, que ajudava na construção da estrada de ferro pelo norte pioneiro do Paraná. Na vida adulta, escolheu como profissão acolher e alimentar as pessoas e, junto com o meu avô, cozinheiro, teve hotel e restaurante. Mas não era apenas com quartos e panelas que executava o trabalho que amava. Acolhia os aflitos com boa vontade e caridade, e também  acolhia e alimentava suas almas com boas palavras e bons exemplos.

Além dos filhos biológicos, tinha filhos adotivos e de criação. Dividia o pão que tinha, sendo ele muito ou pouco. E nunca faltava, porque ela sabia que a caridade, mesmo dividindo, sempre multiplica. Pagava escola pra quem precisasse, não queria criança sem estudo; ajudava na manutenção de vários lares. Trabalhou além do que seu corpo conseguia, ganhou dois joelhos de titânio e continuou trabalhando. Os joelhos de titânio não aguentaram, mas ela continuava na lida. Enviuvou, foram 20 anos de saudades, mas sem esmorecer. Já com mais de 90 anos, seu corpo não aguentou e foi a uma cadeira de rodas, mas com a cabeça sadia e atenta. Leituras diárias, conversas, conselhos e atitudes amorosas constantes. Confirmava sempre se todos os que ela ajudava continuavam bem e felizes. 

Sei que a vida de ninguém é fácil. Todos passamos por grandes problemas, provações e dilemas. Ninguém é perfeito e todos, inclusive a minha avó, erram, e muito. A diferença está em como passamos por isso, e é com isso que vai se construindo o sentido de nossas vidas, que se completará com a morte. Católica ferrenha, minha avó mostrou-se verdadeiramente cristã, pois é disso que se tratava a sua história: de como ser verdadeiramente cristã, ser forte no que acreditava. Ela quis provar ser possível. Provou. Teve, na sua vida, o mesmo enredo do Cristo: de uma infância humilde, uma vida de muito trabalho, sempre pautada na honestidade, no amor e na caridade e, no final, também teve o seu calvário. Foi um final sofrido, mas sofrido com resignação e fé, como o do Cristo. E, por isso pode despedir-se, também, em paz.

Foi-se a vida, ficou a lição. Obrigado, Vó Ida. E, sim, estamos todos bem e felizes. E continuaremos.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Carta a mim mesmo

Admiro a imensa cidade e toda a vida que, mesmo agora, na alta madrugada, pulsa em tantas janelas acessas, pelas infinitas ruas, até onde meus olhos podem alcançar. E, apesar dos muitos anos comungando dessa vida na alta noite, hoje, eu sou um estranho por aqui. Mas a insônia, que tem sido tão rara que nem sei mais como me comportar nessas horas, me traz aqui à mesa de trabalho. Aproveito-a, então, para escrever-te.

É verdade e notório que os tempos andam difíceis, mas tens te saído bem, não te esqueças disso. Aliás, nunca te esqueças disso. Manter o foco nos bons trabalhos enquanto o mundo desaba ao teu redor não é nada simples. Não é fácil caminhar no chão lodoso e inconstante. Mas, lembra-te, antes nem se movias; passaste a rastejar. Hoje, que caminhas, continua! Logo pisarás em terra firme e, quem sabe, mais adiante, voarás.

Para os problemas pequenos, simples, é provável que a solução esteja perto, logo ao teu alcance. Mas, para os problemas maiores, complexos, não percas tempo procurando a solução ao teu redor. Pois, para resolver questões maiores é preciso, primeiro, tornar-te maior ainda. E não sou eu quem digo. Várias das grandes mentes da humanidade diziam – não nessas palavras, é claro – que a solução para os problemas só poderiam ser encontradas no universo além do universo do próprio problema. Por isso é preciso estar sempre expandindo o próprio universo, para poder ser sempre maior do que qualquer problema te apareça e, desta forma, vencê-los com o mínimo de sofrimento.

Sim, ainda há muito a ser feito. Pelo mundo? Não. Por ti mesmo. Lembre-se que todo coletivo é um conjunto de indivíduos. E o mundo é um coletivo de indivíduos bastante distintos uns dos outros. Por isso, por maior que sejam os esforços que faças, jamais mudarás, pelo seu esforço, um centímetro do caminho de outrem. A única esfera na qual tens autoridade e força real de mudança é na tua própria esfera íntima e os únicos resultados que colherás serão em ti mesmo. Portanto, não te desgastes pelo mundo que não responde aos teus comandos, pois ele, com seu peso imenso, apenas servirá para te deixar exausto.

A responsabilidade é coletiva, mas o esforço é individual. A força que tens, usa em ti e faça com que teu exemplo inspire o próximo, que também fará por si, e assim por diante. Assim, cansa menos. Permita-te errar e, sempre humilde, repara o erro. Perdoa e deixa-te perdoar. Ama, ama muito, ama todos, ama tudo, ama sempre. Persista. Continue. Não pare. Por tudo. Por ti.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Foi o que me disse o Rio Grande

Passei o fim de ano num pesqueiro às margens paulistas do Rio Grande. Do outro lado da ponte, em terras Sul Matogrossenses, a mitológica cidade de Aparecida do Taboado, que pude visitar rapidamente, porém, sem encontrar qualquer morena, ainda mais alguma que me deixasse 60 dias apaixonado, como na canção de Constantino Mendes e Darcy Rossi. Mas o que eu nunca mais vou esquecer são as lições que a natureza de lá me deu. Essa, por exemplo:

Com a construção da represa de Ilha Solteira, no meu querido Rio Paraná, que se forma há poucos quilômetros de onde eu estava, onde o Rio Grande e o Rio Paranaíba se encontram, formou-se um grande alagado, deixando submersa grande área que antes era floresta. E os resquícios dessa mata podem ser vistos através dos vários galhos das árvores submersas que surgem do meio das águas, algo natural em rios e lagoas de represas.

Mas o espanto veio ao perceber que, mesmo com a maior parte da árvore submersa, vários desses galhos estavam floridos na pequena porção deles que estava fora da água. Com folhas e flores.

Sabe-se lá quantos metros de água turva, fria, separam as raízes dessa árvore das primeiras réstias de sol que ela alcança acima do espelho d’água; quantos golpes e fortes correntes enfrentam o seu tronco submerso. É, mesmo assim, ela resiste, não se faz de rogada e faz o que deve ser feito, a coisa mais bonita que pode, sua razão de ser: ao ser tocada pela luz do sol, florescer.

Que lição de resiliência recebi da natureza! Uma árvore, que não pode se mover e nem raciocinar para contornar os desafios, se mantém firme e não perde a chance de executar os planos para os quais foi feita. Lição que sempre me lembrarei, emoldurada pelo fim da tarde e a brisa úmida do Rio Grande eo barulho das ondas atingindo o casco do barco: não importam os obstáculos, é preciso fazer o que nascemos pra fazer. E não tenho dúvidas de que tudo nasceu para, lindamente, florescer.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Um feliz ano passado, e um próspero ano que vem!

A cada final de ano é inevitável uma retrospectiva, ao menos pessoal. São, por isso, também, inevitáveis os sustos. Ao lembrarmos de 2016, teremos uma sequência de catástrofes; mortes de grandes seres-humanos e muitas pessoas queridas; atitudes equivocadíssimas em todos os setores, tudo isso deflagrando ansiedades e caos em todos nós. E não precisamos ser mais atentos para também percebermos uma infinidade de coisas maravilhosas que aconteceram; descobertas científicas; mudanças em paradigmas morais e éticos; novas percepções filosóficas; despertares cognitivos e guinadas de atitudes que estão semeando dias melhores no futuro. E, não se engane, os anos passados foram exatamente a mesma coisa.

O mal estar da retrospectiva é uma questão de foco. E foco é uma questão de treino, um treino constante, muito simples, mas não muito fácil, de desviar a nossa vontade instintiva de dar mais atenção às coisas ruins do que às boas. E é se aproveitando disso que a indústria da informação alimenta e fortalece o dito popular, que merece ser fortemente combatido, que diz “felicidade não dá audiência”. Sem um pensamento atento no bem que nos circunda, e prática constante da crítica sobre toda a informação que nos chega, provavelmente continuaremos pensando que existe muito mais mal do que bem e, desta forma, ficaremos cada vez mais preocupados, desanimados e cansados. Procuraremos cada vez mais meios de fuga e, alienados da realidade, seremos apenas massa de manobra, escravos do medo que por motivos torpes, grupos e instituições investem alto para nos incutir.

É por isso que pensamento crítico e positivo, o contato com leituras, música, arte, conversas e atitudes construtivas são importantes, eles criam uma barreira contra esse derrotismo de boutique, que é a nova moda. Reclama-se, ataca-se porque é mais fácil do que entender e propor uma mudança racional. É claro que há a necessidade do entretenimento, é fisiológica, tudo precisa de descanso, mas é perigoso quando há apenas ele que, em excesso, se torna mais uma das várias formas de fuga da realidade que recorremos quando não queremos enfrentar os fatos cotidianos, que não são fáceis e, certamente, continuarão cada vez mais difíceis, ainda mais se não nos prepararmos para encará-los.

Mesmo sendo uma marcação psicológica, o final do ano é um tempo de repensar a vida, de se recolocar como um ser pensante e capaz de mudanças reais, se reconectar com o mundo, com as pessoas e, principalmente consigo mesmo. A energia e o tempo que se gasta reclamando poderia estar sendo usada para resolver os problemas e redefinir metas de vida. O ano de 2016 foi, sim, difícil, eu diria desafiador, como foram todos os outros anos. Levamos sustos, sentimos dores que nos possibilitaram atentar para grandes verdades e sintomas sociais e culturais que merecem atenção, cuidado e atitudes reais, enérgicas, porém sempre amorosas de resolução e mudança. E que, em 2017, os desafios sejam ainda maiores.
Um feliz ano novo a todos.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Obrigado meu amigo, meu irmão

Deslizes na vida acontecem pelos mais variados motivos, inclusive por motivos externos, de outros convivas, que nos pregam peças e nos colocam em maus lençóis. Todos nós, imagino que sem exceção, já passamos por alguma situação difícil que a única reação foi a inércia, aquela sensação de impotência, de estarmos sozinhos, desamparados, sem condições de agir.

Nessas horas, tudo o que desejamos é que aparecesse alguém para nos ajudar, que nos estendesse a mão, nos colocasse em pé e, com um abraço e palavras tranquilas, nos acalmasse dizendo: "Fica tranquilo, eu estou aqui com você e vou te ajudar. Isso tudo vai passar. Confia em mim. Tudo vai ficar bem."

Sem a intervenção desse tipo de amigo prestativo, que nos socorre e, nos tirando da apatia, nos dá coragem e direção segura a seguir, provavelmente entraríamos numa fria, meteríamos os pés pelas mãos e, decerto, seríamos carregando um belo rol de arrependimentos por sabe-se lá quantos anos.

E, convenhamos, seria natural, que pela importância da ajuda que tal amigo deu, nos lembrássemos dele em várias situações, principalmente no seu aniversário, quando ligaríamos pra ele, enviaríamos algum presente simbolizando o afeto e a gratidão pela sua atitude.

Entendo que o Natal seja algo assim. É quando celebramos um amigo desses, um irmão, ele preferia que o chamássemos de irmão para ressaltar a estreiteza da relação que tinha com a gente. Esse irmão veio durante tempos difíceis, de barbárie, para nos dar uma ajuda, uma direção a seguir. Disse que se seguíssemos aquelas dicas, não nos daríamos tão mal da próxima vez em que enfrentássemos uma situação difícil.

Fez tanta diferença, que repetimos as suas dicas até hoje, mais de dois mil anos depois. E, se ainda estamos passando por dificuldades, mesmo depois das dicas todas dadas, imagina como estaríamos sem elas? Talvez nem haveria mais humanidade.

Mas por que ainda insistimos em negar uma mensagem de amor, compaixão, respeito, comportamento ético, disciplina, estudo, prática do bem, caridade desinteressada e amor irrestrito? A quem interessa? Parece-me que só aos orgulhosos, invejosos que, na preguiça de seguir o exemplo, que dá trabalho, preferiu desdenhar à entender, complicar à praticar. Não sejamos essas pessoas.

Sejamos razoáveis, racionais, dispamo-nos dos preconceitos, ignoremos os detalhes inúteis e foquemos na mensagem, nas dicas sobre um melhor viver, que são úteis. A grandeza da ajuda, a utilidade da mensagem deveria ter suplantado qualquer outro aspecto material, superficial sobre o mensageiro.

Se acha difícil seguir as dicas, fique tranquilo, o tal amigo continua do seu lado pra te ajudar nas tentativas e socorrer nos erros. Com a prática tudo fica cada vez mais fácil. E se, algum dia na história humana, estabelecemos o dia 25 de Dezembro para nos lembrarmos desse amigo, por que não aproveitar a ocasião? Mesmo que a data seja aleatória ou apenas simbólica, a ajuda foi real e das mais importantes. A mão foi estendida pra você, estenda sua mão de volta, segure firme, levante-se e agradeça.

Um feliz natal pra todos nós!

domingo, 18 de dezembro de 2016

Reforçamo-nos, sempre.


Costumo ler, diariamente, o livro Fonte Viva, de Emmanuel, psicografado por Chico Xavier. A cada dia leio um dos pequenos textos, pequenas lições, interpretações do Evangélho, para se refletir ao longo do dia e implementá-las na vida, na prática cotidiana.

E foi numa dessas leituras, logo cedo, que me deparei com este texto, o de número 21. Encontrar palavras de Emmanuel sobre o tema de uma crônica que eu havia escrito 4 dias antes, me deixou muito feliz. É um leve sinal de que eu devo estar indo pelo lado certo. Se ainda não estou indo, ao menos já estou olhando para o lado certo.

Gosto muito dessas coincidências, quando a vida traz confirmações de que o caminho está certo. Por isso coloco o texto do Fonte Viva e o link para a minha crônica, para que sejam lidos em conjunto, pois eles se completam e se ajudam. Seguem, os textos, a idéia que eles mesmos propagam: que o mais forte, o mais iluminado (o Emmanuel, claro) ajude o mais fraco, o menos iluminado (eu, é claro).

E que todos nós possamos nos aproveitar de mais esse feixe de luz do farol poderoso que são os livros de Emmanuel. E, assim, fortalecidos, termos as condições de praticar, de fato, uma vida mais harmoniosa e amorosa e nos tornarmos, a cada dia, a cada lição, a nossa luz um pouco mais forte.

:::::

21. Maioridade

“…O menor é abençoado pelo maior.” — PAULO (Hebreus, 7.7)


Em todas as atividades da vida, há quem alcance a maioridade natural entre os seus parentes, companheiros ou contemporâneos.

Há quem se faz maior na experiência física, no conhecimento, na virtude ou na competência.

De modo geral, contudo, aquele que se vê guindado a qualquer nível de superioridade costuma valer-se da situação para esquecer seu débito para com o espírito comum.

Muitas vezes quem atinge a maioridade financeira torna-se avarento, quem encontra o destaque científico faz-se vaidoso e quem se vê na galeria do poder abraça o orgulho vão.

A Lei da Vida, porém, não recomenda o exclusivismo e a separatividade.

Segundo os princípios divinos, todo progresso legítimo se converte em bênçãos para a coletividade inteira.

A própria Natureza oferece lições sublimes nesse sentido.

Cresce a árvore para a frutificação. Cresce a fonte para benefício do solo.

Se cresceste em experiência ou em elevação de qualquer espécie, lembra-te da comunhão fraternal com todos.

O Sol, com seus raios de luz, não desampara a furna barrenta e não desdenha o verme. Desenvolvimento é poder.

Repara como empregas as vantagens de que a tua existência foi acrescentada. O Espírito Mais Alto de quantos já se manifestaram na Terra aceitou o sacrifício supremo, a fim de auxiliar a todos, sem condições.

Não te esqueças de que, segundo o Estatuto Divino, o “menor é abençoado pelo maior”. (Heb)


sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

A vista lá do alto

"Standing on a hill in my mountain of dreams
 Telling myself it's not as hard as it seems"
                              Jimmy Page e Robert Plant


Nas últimas semanas, todas as noite, assim que as missões diárias são cumpridas e estou voltando pra casa, me surge na cabeça a canção "Going to California", do Led Zeppelin. É inevitável, automático, quando me dou por mim, já estou cantarolando aquela melodia linda e nostálgica do Robert Plant, imaginando aqueles mandolins todos do John Paul Jones beliscando os acordes de violão do Jimmy Page e uma enxurrada de boas lembranças e sentimentos começam a escorrer da memória pelo corpo todo.

Mas, por que diabos "Going to California"? Sim, é uma música linda, mas faz anos que não a escuto. Não podia ser aquela do Sinatra que ouvi centenas de vezes na semana passada? Por quê meu subconsciente está indo buscá-la tão longe? Então a resposta vem clara quando me deparo, na letra da canção, com os versos que abrem este texto: "Em cima de um dos monte da minha montanha de sonhos; dizendo a mim mesmo que não é tão difícil quanto parece".

Obrigado, subconsciente! Então você está tentando me dizer, todas as noites, pra eu ficar tranquilo, pois ao escalar minha montanha de sonhos, por mais difícil que pareça, quanto mais alto eu chegar, menos difícil parecerá o trajeto até ali? E você tem razão! Os amigos alpinistas podem, com certeza, confirmar esse sentimento.

Quem tem sonho tem força. A humanidade não caminha sem estímulo, nada segue em frente sem estímulo. Foi assim que fomos forjados, sobrepondo sonhos e necessidades aos desafios que se apresentaram a cada momento. Da agricultura às tecnologias espaciais, todos os passos importantes na evolução humana foram dados para eliminar desconfortos. Seguimos abrindo portas, antes derrubando-as, agora, fazendo as chaves; galgamos os degraus da evolução com passos cada vez mais firmes.

Citando, também, J. R. R. Tolkien, grande influência na vida e música de Page e Plant, que escreveu na abertura do livro "O Hobbit" : "Um passo a frente e você já não está no mesmo lugar". Percebemos que, às vezes o passo é pro lado errado, mas isso é natural de quem está se sentindo incomodado, procurando por uma saída, uma solução urgente e, no calor do momentos só se preocupa em sair dali. E após o passo, num novo lugar, é inevitável que novos desafios se apresentem. É preciso estar sempre preparado e atento para este ciclo infinito de estímulos e possibilidades para exercitarmos nossa criatividade e força, tanto como indivíduos quanto sociedade humana.

Por isso tudo, antes de sentarmos e chorarmos desesperados, cansados e desanimados com as dores pelo corpo, com o desânimo na alma, tiremos os olhos do chão, e de cima de um dos montes da nossa montanha de sonhos, façamos como sugere a canção, apreciemos a paisagem e percebamos o quão alto chegamos. Relembremos dos desafios vencidos pelo caminho até aqui e de como, independente das dores que trouxeram, eles serviram para provar a nossa capacidade de superarmos obstáculos e sermos ainda melhores do que supomos ser. E é verdade, Robert, daqui de cima, não é tão difícil quanto parecia ser.


E aí está ela. Going to California, ao vivo em Earls Court, Londres, 1975 :