terça-feira, 2 de junho de 2015

Eu te amo

Amada, minha amada
Que por outro enamorada
Voôu longe, foi se embora
Sem deixar rastro ou pegada

Fiquei nu, sem ti, sem nada!
Não vi mais teu riso largo
Teu cabelo de luar
Nem tua pele de alvorada

Nos meus braços fazem falta
O teu cheiro e colorido
Mas não ouso ficar triste
Se não bailas mais comigo

Pois, sei bem, amada, e te entendo
Não te sintas tão culpada!
O amor nasce sem avisos, assim sendo,
Vá! Vá colher os teus sorrisos!

terça-feira, 26 de maio de 2015

Edu Franz : Before You Go

No início destes ano, recebi o convite para me juntar a um time de grandes amigos músicos que, unidos dariam forma à banda de apoio de Edu Franz, jovem compositor, multi instrumentista de Cianorte (PR) e, também, um grande amigo.

Foi impossível negar a chance de ser baixista numa banda que contaria com o Éder Chapolla (velho companheiro de estrada) na bateria e Johnny Monster (um artista que admiro muito, há tempos) nas guitarras. Com três músicos tão diferentes em seus referenciais, o resultado imprevisível dessa mistura é sempre excitante. E pudemos comprovar que a química funcionou durante as sessões no Estudio Costella, para a preparação e gravação das 7 músicas que vão fazer parte de um EP a ser lançado em breve.

Good vibes at Costella's

O primeiro single foi lançado no dia 08 de Abril de 2015 e se chama Before You Go. Dançante e inspirado num rock mais moderno, já está sendo bem tocada nas rádios do interior do Paraná, e logo atingirá mais e mais lugares. O EP completo e mais outros materiais saem em breve, é só se manter conectado através do facebook para não perder as futuras boas notícias.

Bom, é isso. É com muita satisfação que apresento mais esse trabalho que pude colaborar como músico, produtor e tudo mais que foi preciso. Divirtam-se!





domingo, 17 de maio de 2015

Embrassez-moi

Depois de uma noite à francesa, acordar num domingo pela manhã, com versos em francês escorrendo pela cabeça é uma experiência deveras doida. Saltei da cama, pesquei-os e, duas horas depois, esse foi o resultado:


Embrassez-moi


Embrassez-moi!
Urgemment
La nuit est trop courte
Et la vie encore plus

Embrassez-moi!
Depuis la nuit jusqu'au matin
Aujourd'hui et etèrnellement
À l'infini et au-delà

Je suis déjà votre
Mais si vous êtes mienne, je ne sais pas
Voilà pourquoi je vous demande
Ce soir, embrassez-moi!



Mas, o difícil mesmo, foi fazer uma versão em Português. Outras duas horas para conseguir este resultado très charmant.



Me Beija


Me beija!
Urgentemente
A noite é tão breve
Mais breve ainda é a vida da gente

Me beija!
Pela noite, até o sol surgir
De hoje em diante, ao eterno porvir
Pelo infinito e mais, além

À ti já me dei
Mas se és minha, eu não sei
Por isso peço-te a certeza
Esta noite, amor, me beija!



Ps: Obrigado à prof. Karina Beniacar, pela consultoria en français.

terça-feira, 12 de maio de 2015

O quanto carregamos, o quão longe vamos.

Inspirado numa versão de um conto de Eckhart Tolle que Leandro Karnal contou em uma palestra do Café Filosófico.





Dois monges budistas caminhavam pela floresta e, ao chegarem à beira de um rio, encontraram uma garota muito bonita, vestida com pouco pano e exalando sensualidade. E ela pedia ajuda para atravessar o rio.

Ambos haviam feito voto de castidade, e o monge mais novo, ainda na punjança hormonal da juventude, sentindo-se ofendido pela presença e atitude da moça, negou a ajuda. Mas, para o espanto do mais novo, o monge mais velho, caridosamente e de muito bom grado, ofereceu-se para ajudar e, colocando a moça nas costas, a levou até o outro lado do rio, seca e em segurança. Despediram-se todos, e a viagem prosseguiu normalmente.

Quilômetros depois, o jovem monge, remoendo o acontecido e ainda revoltado com a atitude mundana de seu companheiro mais velho, perguntou-lhe, indignado:

– Como é que você cedeu àquela tentação? Como ousou envolver-se na luxuria dessa forma, arriscando seus votos, e ainda continuar calmo e tranquilo?

Com um sorriso amigável e sincero, o monge mais velho responde:

– Estou tranquilo e em paz porque eu carreguei a moça apenas até o outro lado do rio; mas, pelo jeito, você ainda a está carregando.

terça-feira, 5 de maio de 2015

Café Filosófico : Hamlet, o anti-facebook e algumas reflexões sobre todos nós.


"Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e setas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim?" - Hamlet


Tomar consciência de si e do próprio lugar no mundo, do vazio que tomou conta da nossa existência, não é tarefa simples e, certamente, gera grande parte da angústia que temos e as fugas que usamos para não lidarmos com essa questão. Tão antiga, que perturba desde Platão (e é, certamente, anterior à ele), o conheça-te a ti mesmo no desafia a olhar por detrás das nossas máscaras independentemente da dor que isso causa e, além disso, nos convida a empregarmos esse auto-conhecimento em atitudes condizentes com a realidade na qual queremos existir.

Num mundo de facebook, época de informação tão veloz, a dificuldade de significar as experiências e a falta de capacidade (muitas vezes medo) de mergulhar em si mesmo e se assumir como se é e não como dizem que devemos ser, nos torna escravo da chancela social. Aguardamos que o mundo aprove a nossa vida, dizendo se ela é ou não tão interessante quanto suspeitamos que ela seja, já que não temos mais capacidade ou coragem para comprovar por nós mesmo. Preferimos ser vigiados e julgados pelos outros do que aprender a sermos honestos conosco em momentos solitários que deveriam ser naturais e não sintomas de doença mental.

O drama do príncipe Hamlet pode ser mais contemporâneo do que parece. Reconhecer que "há algo de podre no reino da Dinamarca", utilizando as palavras do próprio Hamlet, é só o primeiro passo para uma grande e difícil obra de melhorias no reino interior de cada um de nós. Tal reflexão é um ato corajoso e necessário para o humano moderno que procura alternativas para libertar-se.

Então, aproveite mais esta ótima palestra de Leandro Karnal, feita para o Café Filosófico, da CPF CulturaNum retrato do hoje, o reflexo do ontem. Zygmunt Bauman e Willian Shakespeare. Somos um Hamlet Liquido? Enfim, se há mais coisas no céu e na terra do que sonha nossa filosofia, então, mãos à obra!



hamlet de shakespeare e o mundo como palco, com leandro karnal from cpfl cultura on Vimeo.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Filme : O Ladrão de Sonhos [1995, J.P. Jeunet e M. Caro]



Quanto nos custa sonhar? Qual o valor desses sonhos? Uma vida sem sonhos não deve ser fácil, a imagino árida. Krank, um velho rabugento e sem alma, criado por um cientista louco, sabe muito bem o que é uma vida sem sonho, pois ele não os tem. Ele, o próprio ladrão de sonhos, é que dá o título em português para o filme La Cité des Enfants Perdus, pois em desespero, tenta roubar os sonhos das crianças que sequestra para sua fortaleza isolada em alto mar. Mas só consegue pesadelos. Pobre Krank, desesperado, envelhece a cada sonho que não tem. E deve funcionar assim conosco também.

Mas essa não é a única referência à nossa psique existente nesse excelente filme, dirigido pela dupla J.P. Jeunet e Marc Caro e lançado em 1995. No mundo sombrio que eles criaram, cercados de água por todos os lados, desfilam personagens estranhos: aberrações de freak show com suas paranóias, guerreando entre si; um cérebro preso num aquário, dotado de sabedoria e enxaquecas, mas sem membros, depende dos outros para agir no mundo; uma trupe de clones que, juntos, não valem por uma pessoa sequer (como toda massa popular cheia de "iguais"); adultos infantilizados e/ou neuróticos; crianças sérias, com comportamentos bastante adultos; e até mesmo uma seita que prefere cegar-se ao ver os problemas do mundo e resolvê-los, aguardando algum messias que vá colocar tudo em ordem para, aí sim, eles voltarem a abrir os olhos e desfrutarem do paraíso. São todas caricaturas de nós mesmos, ou quem sabe, uma reprodução do caos interior de cada um de nós e de todos os elementos que o compõe. E não posso deixar de lembrar da figura da princesa anã, nada mais do que a imagem do amor artificial que, prisioneiro, escravizado e servil não cresceu, se deformou.

Com uma ambientação tão bonita, que conta, inclusive, com figurinos de Jean Paul Gaultier, uma cenografia tão importante quanto uma personagem da trama e um universo subjetivo complexo, atraente e rico – o que é bem comum no cinema de arte europeu – a busca do herói One e sua parceira Miette, por seu irmãozinho sequestrado pelo Ladrão de Sonhos é um mero detalhe, é só mais um dos elementos desse conto de fadas para adultos que conspiram para que, assim como aquele velho rabugento do Krank, nós também percebamos que sonhar é necessário para se viver e que até mesmo as aberrações têm esse direito.



terça-feira, 21 de abril de 2015

Não estamos podres. Não somos lixo.



O que mais se ouve hoje em dia é que o mundo está podre, ou melhor, a humanidade está podre. Afinal, o mundo, o planeta Terra, esse globo de rocha que nos abriga está como sempre esteve, forte, seguindo sua marcha e, certamente sobreviverá à nós. Enfim, fala-se muito dessa coisa podre e malcheirosa na qual nos tornamos, cancro altamente contagioso que nos levará à extinção por nossas próprias atitudes.

Por muito tempo me juntei ao coro dos descontentes e engrossei o vozerio dos que proclamam o fim da humanidade e sua causa mortis como "apodreceu". Hoje, discordo. É claro que nossas atitudes inconseqüentes podem nos extinguir sim, e disso não se duvida, afinal a lei de causa e efeito é universal, imutável e imprescritível, e a ela responderemos em todos os níveis de atuação, da mais íntima e pequena à maior e mais global. O que quero dizer é que discordo de que estejamos podres.

Se prestarmos atenção na natureza e em seus ritmos, podemos perceber que tudo no universo segue uma marcha natural desde o nascimento até a morte. É a famosa relação nascer-crescer-amadurecer-morrer. Ou seja, para todas as coisas, da escala subatômica mais ínfima até a imensidão cósmica, a marcha natural demanda, antes da morte e depois do nascimento, o amadurecimento. E não adianta espernear, nós não somos superiores às regras do Universo e jamais iremos controlá-las.

Prefiro, então, pensar nessa outra dinâmica e defender a idéia de que, pelo contrário, a humanidade não está podre e, sim, muito longe disso. Ela sequer atingiu a maturidade, e como é abundantemente observável e evidente em todos os setores do universo natural do qual fazemos parte, não há como apodrecer antes de se estar maduro. Além do que, só se apodrece depois que a vida acaba por completo, depois de morto, e nunca antes. O que é vivo não apodrece.

Penso, também, que a idéia da humanidade podre é perigosa, e nos remete ao tratar-nos feito lixo, que se descarta, abandona, enterra-se tudo bem fundo e deixa-se para trás, antes que o fedor aumente ou alguém pegue alguma doença. E sabendo de outra lei natural, bastante clara de que o que é morto não volta à vida, a humanidade podre já teria passado do ponto, já estaria morta, fedendo e inútil, não teria mais solução e só nos restaria abandoná-la. E abandonando a humanidade, abandonamos a nós mesmos e damos um impulso extra para o nosso próprio sofrimento através dos tempos.

Portanto, é essencial para a construção de uma nova e melhor realidade, entender que a humanidade não está podre, pois nunca esteve madura. É importante que entendamos e respeitemos o ciclo natural das coisas e alinhemos nossa dança ao ritmo universal. Isso nos faz ter uma nova postura, mais compreensiva e pró-humana, nos dá esperança, paciência e força para continuarmos a trabalhar continuamente, interna e externamente, para o bem.

Sempre que se fala em mudanças na humanidade, existe a impressão de que seja um trabalho coletivo, de mobilização global, que devemos sair por aí gritando, brigando e obrigando as pessoas a se comportarem de outras maneiras, de imediato. Agindo assim, inviabilizamos o trabalho pela simples impossibilidade de se mobilizar todo o mundo num único esforço, e isso, além de nos deixar cansados e desanimados antes do tempo, ajuda a criar conflitos que só dificultam ainda mais a coisa toda. O trabalho que se propõe é solitário, é profundo, cada um em si mesmo, pois os nossos valores íntimos e as nossas atitudes no mundo são a única coisa que cada um de nós tem o poder de mudar no universo. Ninguém jamais mudou, muda ou mudará o outro sem que esse aceite mudar por si mesmo, através de uma decisão própria e indelegável.

Enfim, se cada um cuidar exclusivamente de si antes de cuidar do vizinho (exceto, é claro, quando ele pedir por ajuda), nos melhoraremos dia-a-dia, auxiliando a marcha evolutiva natural à qual estão sujeitas todas as coisas do universo – o que inclui, por óbvio, a todos nós – rumo à tão desejada maturidade e, quando for o seu tempo, ao envelhecimento e à morte natural, em paz.